18 Projetos de Energia Verde: Solar, Eólica E Armazenamento Em Angola Em 2026
Angola está a viver uma transformação energética sem precedentes. Historicamente dependente do petróleo e da hidroelétrica, o país está agora a virar-se para o sol e para o vento com uma ambição renovada. À medida que nos aproximamos de 2026, a visão “Angola Energia 2025” começa a dar frutos reais, com investimentos multimilionários a aterrarem em províncias de norte a sul.
Mas o que está realmente a acontecer no terreno? Não são apenas promessas; são painéis instalados, turbinas planeadas e barragens que prometem mudar a vida de milhões de angolanos. Neste artigo, vamos mergulhar nos 18 projetos de energia verde que estão a redefinir o mapa energético de Angola, impulsionando a economia e protegendo o ambiente.
O Despertar das Renováveis em Angola
A estratégia nacional é clara: diversificar. Com uma meta ambiciosa de eletrificar 60% do país e atingir cerca de 70% de energias renováveis na matriz energética, o governo angolano, em parceria com gigantes internacionais como a Masdar, a Sun Africa e a TotalEnergies, está a acelerar o passo. O ano de 2026 será um marco decisivo, onde muitos destes projetos atingirão a maturidade operacional ou iniciarão fases críticas de expansão.
Vamos explorar estes projetos divididos por categorias: a revolução solar, os gigantes hídricos e as novas fronteiras do hidrogénio e biomassa.
A Revolução Solar: Os 7 Grandes da Sun Africa e Mais
A parceria entre o governo de Angola e a empresa norte-americana Sun Africa (com execução do grupo MCA) é, sem dúvida, a espinha dorsal da energia solar no país. Este consórcio desenvolveu o maior projeto solar da África Subsariana, composto por sete parques fotovoltaicos estratégicos.
1. Central Solar do Biópio (Benguela)
O “joia da coroa” solar de Angola. Localizada no município da Catumbela, esta central é a maior do projeto, com uma capacidade instalada de 188 MW.
- Impacto: Fornece energia limpa diretamente à Rede Nacional de Transporte (RNT), estabilizando o fornecimento na região litoral.
- Estado: Operacional, com otimizações contínuas previstas para 2026.
2. Central Solar da Baía Farta (Benguela)
Também em Benguela, esta central complementa a do Biópio com uma capacidade de 96,7 MW.
- Tecnologia: Utiliza painéis de última geração para maximizar a captação da forte irradiação solar da província.
- Benefício: Reduz a dependência de geradores a diesel na região pesqueira e industrial.
3. Parque Solar de Saurimo (Lunda Sul)
No leste do país, a central de Saurimo, com 26 MW, é vital para a indústria mineira e para a população local.
- Relevância 2026: Espera-se que em 2026 esta central seja fundamental para suportar o crescimento urbano de Saurimo, reduzindo os cortes de energia.
4. Parque Solar de Luena (Moxico)
Com 26 MW, este projeto ilumina uma das maiores províncias de Angola, historicamente isolada da rede principal.
- Foco: Expansão da eletrificação rural e periurbana no Moxico.
5. Parque Solar do Cuito (Bié)
Localizado no coração de Angola, o parque do Cuito contribui com 14 MW.
- Objetivo: Melhorar a qualidade de vida e o funcionamento de serviços essenciais como hospitais e escolas na capital do Bié.
6. Parque Solar do Bailundo (Huambo)
No planalto central, esta central de 7 MW serve uma região densamente povoada e agrícola.
- Impacto Agrícola: Energia estável é crucial para o processamento de colheitas e irrigação na região.
7. Parque Solar de Lucapa (Lunda Norte)
Completando o “sete magnífico”, Lucapa conta com 7 MW, focados em fornecer energia limpa a uma zona mineira chave.
Resumo dos Parques Solares Sun Africa/MCA:
| Projeto | Província | Capacidade (MW) | Status Principal |
| Biópio | Benguela | 188 MW | Operacional |
| Baía Farta | Benguela | 96.7 MW | Operacional |
| Saurimo | Lunda Sul | 26 MW | Operacional |
| Luena | Moxico | 26 MW | Operacional |
| Cuito | Bié | 14 MW | Operacional |
| Bailundo | Huambo | 7 MW | Operacional |
| Lucapa | Lunda Norte | 7 MW | Operacional |
Novos Gigantes Solares e Parcerias Internacionais
Para além dos projetos já estabelecidos, 2026 verá a ascensão de novas infraestruturas fruto de investimento estrangeiro direto e parcerias público-privadas.
8. Projeto Solar de Quipungo (Masdar)
A gigante de energias renováveis dos Emirados Árabes Unidos, Masdar, assinou acordos para desenvolver um projeto solar de 150 MW na região de Quipungo, província da Huíla.
- Cronograma: Com desenvolvimento acelerado, 2026 será um ano chave para a construção ou início de operações, visando abastecer cerca de 90.000 residências.
- Destaque: É o primeiro grande projeto da Masdar em Angola, sinalizando confiança internacional no mercado.
9. Central Solar de Quilemba (TotalEnergies)
Uma parceria entre a TotalEnergies, Sonangol e Greentech. Localizada na Huíla, terá uma capacidade inicial de 35 MW, com possibilidade de expansão.
- Inovação: Foca-se na venda de eletricidade à rede nacional, marcando a transição de uma petrolífera para as renováveis em Angola.
10. Central Solar do Caraculo (Solenova)
Desenvolvida pela Solenova (joint venture entre a Eni e a Sonangol) no Namibe. A primeira fase de 25 MW já foi inaugurada, mas o projeto completo visa atingir 50 MW.
- Ambiente: O Namibe tem uma das melhores irradiações solares do mundo, tornando este projeto altamente eficiente.
11. Scaling Solar (Fase 2)
O programa do Banco Mundial “Scaling Solar” prevê adicionar mais 360 MW à rede. Embora seja um programa, materializa-se em projetos específicos que estarão em fase de concurso e construção em 2026.
- Localização: Foco em regiões com défice energético no centro e sul do país.
Hidroelétrica: A Base Verde
A energia hídrica continua a ser a bateria de Angola. Embora não sejam “novas” tecnologias como o solar, as grandes barragens são a fonte de energia verde renovável mais potente do país.
12. Barragem de Caculo Cabaça
Este é o “monstro” da energia em Angola. Com 2.172 MW previstos, será a maior barragem do país.
- Marco 2026: Prevê-se que a entrada em funcionamento das primeiras turbinas ou a conclusão física da obra ocorra por volta de 2026/2027. Será decisiva para a exportação de energia para a região da SADC.
13. Otimização de Laúca
A Barragem de Laúca (2.070 MW) já é uma realidade, mas a sua otimização continua. Em 2026, a gestão eficiente da sua albufeira e a integração total com as linhas de transporte Norte-Sul serão cruciais para equilibrar a intermitência da energia solar.
14. Projeto Hidroelétrico de Baynes
Um projeto binacional entre Angola e a Namíbia no rio Cunene, com capacidade prevista de 600 MW.
- Status 2026: Esperam-se avanços significativos nos estudos de viabilidade e início de construção ou financiamento, sendo estratégico para a segurança energética do sul de Angola.
O Futuro: Hidrogénio, Biomassa e Armazenamento
Para 2026, Angola não olha apenas para a eletricidade, mas também para os vetores energéticos do futuro.
15. Hub de Hidrogénio Verde da Barra do Dande
A Sonangol, em parceria com a CWP Global e a Gauff Engineering, está a planear uma unidade de produção de hidrogénio e amónia verde.
- Visão: Utilizar a energia hídrica excedente para produzir H2V para exportação (para a Alemanha, por exemplo) e uso interno.
- Fase: Em 2026, espera-se que o projeto piloto ou as infraestruturas de base estejam em desenvolvimento avançado.
16. Projeto de Amónia Verde de Capanda
A Minbos Resources planeia utilizar a energia hídrica de Capanda para produzir amónia verde, essencial para a produção local de fertilizantes.
- Impacto: Segurança alimentar e energia verde a trabalharem juntas.
17. Projeto de Biomassa da Biocom
Localizada em Malanje, a Biocom não produz apenas açúcar e etanol. A sua central de cogeração a biomassa (bagaço de cana) tem capacidade para injetar excedentes na rede.
- Meta: Estabilizar e potencialmente expandir a geração térmica renovável para além dos 100 MW de capacidade instalada no complexo.
18. Eletrificação Rural com Mini-Redes (US Exim)
Um projeto massivo financiado pelo Exim Bank dos EUA para construir 65 mini-redes solares com armazenamento em baterias nas províncias do sul (Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango).
- Inovação: Este é o maior projeto de armazenamento descentralizado em Angola. Leva energia onde a rede nacional não chega, transformando a vida de comunidades rurais em 2026.
Desafios e Oportunidades para 2026
Embora a lista de projetos seja impressionante, o caminho não é isento de obstáculos.
A Necessidade de Armazenamento
Com a entrada de centenas de megawatts de energia solar (intermitente), a rede de Angola precisa de estabilidade. O projeto das 65 mini-redes é um começo, mas grandes baterias (BESS) serão necessárias junto aos parques solares maiores, como o de Biópio, para garantir energia à noite.
Linhas de Transporte
Produzir energia é apenas metade da batalha; é preciso transportá-la. A conclusão da interligação Norte-Sul e Leste é vital para que a energia de Laúca chegue ao Namibe ou que o sol do Moxico alimente indústrias no litoral.
Investimento Privado
A nova legislação angolana favorece as Parcerias Público-Privadas (PPP). O sucesso de projetos como o da TotalEnergies em Quilemba servirá de teste para atrair mais investidores internacionais em 2026.
Resumo dos Destaques 2026
Para facilitar a sua leitura, aqui fica um resumo dos tipos de energia e os seus principais representantes nesta lista:
| Tipo de Energia | Principais Projetos | Capacidade Estimada/Potencial | Foco Principal |
| Solar Fotovoltaico | Sun Africa (7 parques), Quipungo, Quilemba, Caraculo | > 800 MW (Total acumulado) | Diversificação e redução do diesel |
| Hidroelétrica | Caculo Cabaça, Laúca, Baynes | > 4.000 MW | Carga de base e exportação |
| Hidrogénio/Amónia | Barra do Dande, Capanda | Pilotos Industriais | Exportação e Fertilizantes |
| Biomassa | Biocom | ~100 MW (Co-geração) | Agroindústria sustentável |
| Armazenamento | 65 Mini-Redes (Sul de Angola) | Variável (Descentralizado) | Eletrificação rural off-grid |
Palavras Finais
O ano de 2026 perfila-se como o ano da consolidação verde para Angola. A transição de uma economia petrolífera para uma potência de energias renováveis na África Austral já não é apenas um plano num papel; é uma realidade visível em Biópio, em Laúca e nas futuras instalações de Quipungo.
Estes 18 projetos de energia verde representam mais do que megawatts; representam empregos, desenvolvimento industrial e um compromisso sério com o combate às alterações climáticas. Para investidores, engenheiros e cidadãos, o setor energético de Angola é, sem dúvida, um espaço a observar com muita atenção nos próximos anos.
