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A Rússia Rescinde Acordos Militares Com Portugal, França E Canadá.

A Rússia encerrou oficialmente os seus acordos de cooperação militar de longa data com Portugal, França e Canadá, marcando uma mudança significativa na sua postura diplomática e de defesa em relação ao Ocidente. A decisão, anunciada através de um decreto assinado pelo primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin em 5 de dezembro de 2025, sinaliza o esforço contínuo de Moscovo para se desvincular de parcerias de segurança e técnica com membros da OTAN em meio a tensões geopolíticas crescentes.

Os acordos encerrados

Os três acordos de cooperação militar encerrados pela Rússia datam do final da década de 1980 e início dos anos 2000, períodos marcados pela melhoria das relações entre a Rússia e as nações ocidentais após o colapso da União Soviética. Estes acordos estabeleceram quadros para o diálogo em defesa, intercâmbio de pessoal militar, exercícios conjuntos e partilha de informações entre a Rússia e cada um dos três países.

O término desses pactos não é um evento isolado; segue-se um padrão mais amplo de rompimento dos laços militares da Rússia com vários estados ocidentais, incluindo a Alemanha, cuja cooperação técnico-militar foi anulada anteriormente em 2025.

Razões por trás do encerramento

As autoridades russas afirmaram que os acordos perderam a sua relevância estratégica no atual clima geopolítico. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, a evolução das relações russo-ocidentais, especialmente no contexto da guerra em Ucrânia e da expansão da OTAN, tornou esses acordos obsoletos.

Moscovo citou especificamente as “excessivas ambições de política externa” dos países ocidentais, que, segundo afirma, ameaçam diretamente os interesses vitais de segurança da Rússia. Em julho de 2025, Mishustin já havia revogado um acordo semelhante com a Alemanha, acusando Berlim de adotar uma “política abertamente hostil” e uma “postura militarista cada vez mais agressiva.”

A decisão é amplamente interpretada como parte da estratégia russa de minimizar a interdependência militar e técnica com membros da OTAN, consolidando suas próprias capacidades de defesa de forma independente.

Processo de notificação diplomática

Após o decreto, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia foi instruído a notificar formalmente Portugal, França e Canadá sobre a decisão de Moscovo de encerrar os acordos. Essa notificação é uma etapa diplomática necessária para concluir oficialmente os acordos e assegurar que todas as partes estejam cientes das mudanças em suas relações bilaterais de defesa.

O processo envolve a troca de comunicações oficiais, a cessação de todas as atividades militares conjuntas e a finalização de quaisquer projetos de cooperação em andamento.

Impacto na cooperação militar

O término desses acordos terá várias consequências práticas para a cooperação militar entre a Rússia e os três países. Diálogos de defesa, exercícios conjuntos e intercâmbios de pessoal serão encerrados, e quaisquer projetos em andamento relacionados à tecnologia militar ou à partilha de informações serão suspensos ou finalizados.

Esse movimento deverá isolar ainda mais a Rússia dos círculos de defesa ocidentais e poderá aumentar as tensões e a desconfiança entre Moscovo e os países afetados.

Contexto geopolítico mais amplo

A decisão da Rússia de encerrar esses acordos faz parte de uma tendência mais ampla de desengajamento militar em relação ao Ocidente. Nos últimos anos, Moscovo retirou-se de diversos tratados e acordos internacionais, incluindo o Tratado sobre as Forças Armadas Convencionais na Europa (CFE), citando o descumprimento ocidental e políticas hostis.

O término dos acordos militares com Portugal, França e Canadá segue um padrão semelhante, refletindo o crescente afastamento da Rússia em relação à OTAN e seus esforços para afirmar sua própria autonomia estratégica.

A decisão também destaca o aprofundamento do fosso entre a Rússia e o Ocidente sobre questões como Ucrânia, expansão da OTAN e garantias de segurança.

Reações de Portugal, França e Canadá

Os governos de Portugal, França e Canadá expressaram preocupação com a decisão da Rússia de encerrar os acordos militares. Autoridades francesas descreveram o movimento como mais um sinal de isolamento russo e de sua relutância em manter diálogo construtivo com o Ocidente.

As autoridades canadenses ecoaram essas preocupações, alertando que o fim dos acordos poderia aumentar a instabilidade na Europa e minar esforços para manter canais abertos de comunicação entre os membros da OTAN e a Rússia.

Funcionários portugueses também manifestaram preocupação, observando que o encerramento dos acordos pode ter implicações para a segurança regional e para a capacidade dos membros da OTAN de coordenar questões de defesa.

Todos os três países enfatizaram a importância de manter linhas de comunicação abertas com a Rússia, mesmo diante do aumento das tensões.

Implicações para as relações futuras

O fim desses acordos militares provavelmente terá implicações duradouras para as relações da Rússia com Portugal, França e Canadá. A medida sinaliza um maior enfraquecimento dos laços bilaterais de defesa e pode aumentar a desconfiança entre Moscovo e os países afetados.

Também pode levar os membros da OTAN a fortalecer suas próprias capacidades de defesa e buscar novas parcerias para contrabalançar o crescente isolamento da Rússia.

A decisão pode ainda ter implicações mais amplas para a segurança internacional, reduzindo as oportunidades de diálogo e cooperação entre a Rússia e o Ocidente.

Conclusão

O encerramento dos acordos de cooperação militar da Rússia com Portugal, França e Canadá representa um marco significativo no impasse geopolítico contínuo entre Moscovo e o Ocidente.

A medida reflete o crescente distanciamento russo da OTAN e seus esforços para afirmar autonomia estratégica diante das ameaças percebidas vindas do Ocidente.

É provável que a decisão tenha consequências de longo prazo para os laços bilaterais de defesa e para o cenário geral de segurança na Europa. À medida que as tensões aumentam, torna-se ainda mais essencial manter canais de comunicação e diálogo abertos entre a Rússia e o Ocidente.