10 Projetos de Energia Verde: Solar, Eólica E Armazenamento Em Portugal Em 2026
Portugal está a viver um momento histórico. Se olhar à sua volta, verá que a paisagem está a mudar. Não são apenas os campos verdes do Alentejo ou as ondas da Nazaré que definem o nosso país hoje; são também os painéis que brilham ao sol e as torres eólicas que giram no horizonte. Em 2026, Portugal não quer apenas participar na transição energética — quer liderá-la.
Com a meta ambiciosa de alcançar 80% de eletricidade proveniente de fontes renováveis até 2026, o país transformou-se num estaleiro de inovação a céu aberto. Mas quais são as obras que estão realmente a fazer a diferença? Onde está a ser investido o dinheiro e qual será o impacto na sua fatura de luz e no ambiente?
Neste artigo, vamos mergulhar nos 10 projetos de energia verde em Portugal que marcarão o ano de 2026. Desde a maior central solar da Europa até às ilhas de energia no meio do oceano, prepare-se para conhecer o futuro da energia nacional.
O Contexto: Porquê 2026?
Antes de conhecermos os projetos, é importante entender o “porquê”. O ano de 2026 não é uma data aleatória. É um marco estratégico definido pelo governo português e pelas grandes empresas do setor, como a EDP, a Galp e a Iberdrola, para antecipar as metas europeias de neutralidade carbónica.
A guerra na Ucrânia e a crise energética de 2022 aceleraram a necessidade de independência energética. Portugal, com o seu sol abundante e ventos fortes do Atlântico, tem recursos que valem ouro. O foco agora é triplo:
- Aceleração Solar: Construir depressa e em grande escala.
- Aposta no Mar: Explorar o vento offshore (no mar).
- Armazenamento: Guardar a energia para quando não há sol nem vento.
Vamos conhecer os protagonistas desta revolução.
Os 10 Principais Projetos de Energia Verde em Portugal (2026)
1. Central Solar Fernando Pessoa (Santiago do Cacém)
Este é, sem dúvida, o “gigante” da lista. Localizada em Santiago do Cacém, a Central Solar Fernando Pessoa não é apenas grande para os padrões portugueses; é a maior da Europa.
Batizada em homenagem ao nosso poeta, esta central é um projeto da Iberdrola em parceria com a Prosolia Energy. A sua escala é impressionante e promete mudar o mapa energético da Península Ibérica. Em 2026, espera-se que esteja em plena operação ou na fase final de ligação à rede, fornecendo energia limpa a centenas de milhares de famílias.
Por que é importante?
Ela simboliza a capacidade de Portugal atrair megaprojetos. Além disso, evita a importação de milhões de metros cúbicos de gás natural todos os anos.
| Característica | Detalhe |
| Localização | Santiago do Cacém, Setúbal |
| Capacidade | 1.200 MW (1,2 GW) |
| Promotor | Iberdrola / Prosolia Energy |
| Impacto | Energia para 430.000 casas |
| Tipo | Solar Fotovoltaico |
2. MadoquaPower2X (Hidrogénio Verde em Sines)
Sines é o coração industrial de Portugal, e o projeto MadoquaPower2X é o seu novo “pacemaker”. Este projeto foca-se na produção de hidrogénio verde e amónia verde à escala industrial.
Liderado por um consórcio internacional, o objetivo é usar a energia renovável (solar e eólica) para separar o hidrogénio da água (eletrólise) sem emitir CO2. Em 2026, as obras estarão num ritmo acelerado, com as primeiras fases de produção a aproximarem-se. É crucial para descarbonizar indústrias pesadas e o transporte marítimo.
O que o torna especial?
Não produz apenas eletricidade; produz combustível limpo. É a chave para que navios e fábricas deixem de usar petróleo.
| Característica | Detalhe |
| Localização | ZILS, Sines |
| Capacidade Eletrolisador | 500 MW (Fase 1) |
| Produto Final | Hidrogénio Verde e Amónia Verde |
| Empregos | +200 diretos (qualificados) |
| Meta | Exportação e consumo industrial |
3. Leilão Eólico Offshore (Viana do Castelo e Figueira da Foz)
Embora não seja uma “central” única, o lançamento e a concretização da estratégia eólica offshore é o grande “projeto-mãe” de 2026. Após o sucesso do projeto-piloto WindFloat Atlantic, Portugal prepara-se para lançar leilões para instalar até 2 GW de capacidade no mar até 2030, com 2026 a ser o ano decisivo para licenciamentos e início de desenvolvimentos.
As zonas ao largo de Viana do Castelo, Leixões e Figueira da Foz são as escolhidas. A tecnologia flutuante permite colocar as turbinas em águas profundas, onde o vento é mais forte e constante, sem perturbar a vista costeira.
O desafio:
Construir no mar é caro e complexo. 2026 será o ano em que veremos se os investidores globais confiam no mar português.
| Característica | Detalhe |
| Áreas Principais | Norte e Centro (Atlântico) |
| Meta do Leilão | 2 GW (inicial) a 10 GW (futuro) |
| Tecnologia | Eólica Flutuante (Floating Wind) |
| Estado em 2026 | Licenciamento e Início de Projetos |
| Potencial | Abastecer milhões de casas |
4. Central Solar da Cerca (Azambuja e Alenquer)
A EDP Renováveis continua a ser um motor de investimento nacional. A Central Solar da Cerca é um dos seus maiores trunfos em terra firme. Localizada perto de Lisboa, esta central visa injetar uma quantidade massiva de energia diretamente na zona de maior consumo do país.
Com cerca de 200 MW de capacidade, é um exemplo de como a energia solar pode ser integrada perto de grandes centros urbanos, reduzindo as perdas no transporte de energia.
Ponto Forte:
A proximidade com Lisboa. Produzir onde se consome é a regra de ouro da eficiência energética.
| Característica | Detalhe |
| Localização | Azambuja / Alenquer |
| Capacidade | ~202 MW |
| Promotor | EDP Renováveis |
| Produção Anual | ~330 GWh |
| Tipo | Solar Fotovoltaico |
5. Galp H2 Park (Eletrolisador de 100MW)
A Galp está a transformar a sua refinaria em Sines. Deixou de processar crude para se focar em energias limpas. O projeto do eletrolisador de 100 MW é o primeiro passo concreto para criar um “Vale de Hidrogénio” em Portugal.
Em 2026, espera-se que esta unidade já esteja a dar cartas, substituindo o hidrogénio cinzento (feito com gás natural) que a refinaria usa hoje, por hidrogénio verde. É um projeto vital para a sustentabilidade da própria empresa e da economia nacional.
Curiosidade:
Este projeto prova que as “velhas” empresas de petróleo podem mudar. É um símbolo da transição energética real.
| Característica | Detalhe |
| Localização | Refinaria de Sines |
| Capacidade | 100 MW |
| Objetivo | Descarbonizar a refinação |
| Promotor | Galp |
| Status 2026 | Operacional / Expansão |
6. Programa de Armazenamento BESS (Leilão de Baterias)
O sol não brilha à noite. É aqui que entra o armazenamento. O governo português anunciou um leilão específico para baterias (BESS – Battery Energy Storage Systems) com uma meta de instalar cerca de 750 MW de capacidade de armazenamento.
2026 será o ano em que estas baterias gigantes começarão a ser instaladas em pontos críticos da rede. Elas funcionam como “power banks” gigantes: carregam quando há sol a mais (e a energia é barata) e descarregam à noite (quando a energia é cara).
Impacto no Consumidor:
Mais baterias significam menos oscilações de preço e uma rede mais estável, sem “apagões”.
| Característica | Detalhe |
| Tipo | Baterias de Iões de Lítio (Utility Scale) |
| Capacidade Total | 750 MW (Meta do Leilão) |
| Localização | Vários pontos da Rede Nacional |
| Função | Estabilizar a rede elétrica |
| Estado 2026 | Instalação e Operação Inicial |
7. Hibridização do Alqueva (Solar Flutuante Expandido)
O Alqueva já é famoso pelo turismo e pela barragem, mas agora é também um laboratório de energia. Depois do sucesso do maior parque solar flutuante da Europa (na altura da inauguração), a EDP tem planos para expandir massivamente a hibridização.
O conceito é simples: a barragem já tem ligação à rede. Porque não juntar painéis solares na água e talvez vento nas margens? Em 2026, veremos a consolidação deste modelo “híbrido”, onde a água e o sol trabalham juntos no mesmo local.
Vantagem:
A água arrefece os painéis, tornando-os mais eficientes, e os painéis reduzem a evaporação da água. É um ganho duplo.
| Característica | Detalhe |
| Localização | Albufeira do Alqueva |
| Tecnologia | Híbrida (Hídrica + Solar Flutuante) |
| Inovação | Uso partilhado da rede elétrica |
| Benefício | Eficiência e poupança de água |
| Promotor | EDP |
8. Central Híbrida de Alcoutim (Solar + Baterias)
No Algarve, onde o sol é rei, a Galp uniu-se à norte-americana Powin para criar um projeto pioneiro de armazenamento. Em Alcoutim, uma central solar já existente ganha agora uma “bateria gigante” (BESS).
Este projeto é um modelo para o futuro de todos os parques solares em Portugal. Em 2026, a norma será que novos parques solares tragam a sua própria bateria. Alcoutim é o projeto-piloto que mostra como se faz, permitindo injetar energia na rede mesmo depois do pôr do sol.
O Futuro:
Acabar com o desperdício. Se o parque produz energia que a rede não precisa ao meio-dia, a bateria guarda-a para o jantar.
| Característica | Detalhe |
| Localização | Alcoutim, Algarve |
| Capacidade Solar | Parque Existente |
| Capacidade Bateria | 5MW / 20MWh |
| Tecnologia | Solar + Armazenamento |
| Promotor | Galp / Powin |
9. Repowering Eólico (Renovação de Parques Antigos)
Muitos parques eólicos em Portugal foram construídos há 15 ou 20 anos. As turbinas eram pequenas e menos eficientes. O “Repowering” (reequipamento) é um “projeto” nacional massivo que ganha força em 2026.
A ideia é substituir, por exemplo, 10 turbinas velhas e pequenas por 2 ou 3 novas e gigantes. Produz-se mais energia (às vezes o dobro ou triplo) com menos máquinas na paisagem. É uma reciclagem tecnológica essencial para atingir as metas de 2030 sem ocupar novos terrenos.
Sustentabilidade:
Menos ferro e cimento na serra, mais eletricidade na rede.
| Característica | Detalhe |
| Localização | Serras do Norte e Centro |
| Conceito | Trocar turbinas velhas por novas |
| Ganho | + Eficiência, – Impacto Visual |
| Promotores | Vários (EDPR, Generg, etc.) |
| Meta 2026 | Modernizar parques com +15 anos |
10. Central Solar de Morgavel
Localizada também na zona de Sines (Santiago do Cacém), a Central de Morgavel é outro peso-pesado que coloca Portugal no mapa da energia solar global. Desenvolvida para apoiar o forte consumo industrial da região e as futuras necessidades de produção de hidrogénio.
Este projeto destaca-se pela sua integração numa zona que está a tornar-se o “hub” energético da Europa. Em 2026, juntamente com a central Fernando Pessoa, fará do Alentejo Litoral uma das regiões com maior produção per capita de energia solar do mundo.
Conexão:
A proximidade ao Porto de Sines facilita a atração de indústrias que procuram energia verde barata para operar.
| Característica | Detalhe |
| Localização | Morgavel, Sines |
| Tipo | Solar Fotovoltaico |
| Escala | Utility Scale (Grande Escala) |
| Objetivo | Apoio à Indústria e Rede |
| Região | Alentejo Litoral |
O Futuro do Armazenamento de Energia
O armazenamento é, muitas vezes, o elo esquecido, mas em 2026 será o protagonista. Além das baterias de iões de lítio que mencionámos, Portugal continua a beneficiar da Gigabateria do Tâmega. Embora a sua construção principal tenha terminado antes de 2026, o seu papel na gestão diária da rede será mais crítico do que nunca neste ano.
Com o aumento da energia solar (que é intermitente), a bombagem de água nas barragens (como Tâmega, Alqueva e Venda Nova) funcionará como o “pulmão” do sistema elétrico.
- Tecnologias Emergentes: Em 2026, poderemos ver também os primeiros testes pilotos com baterias de fluxo ou uso de hidrogénio para armazenamento sazonal, embora as baterias e as barragens continuem a ser a base.
Impacto Económico e Ambiental
Estes projetos não são apenas “coisas verdes” para ficar bem na fotografia. Eles têm um impacto real na economia portuguesa:
- Criação de Emprego: Desde engenheiros em Sines a técnicos de manutenção em Viana do Castelo. Estima-se que o setor das renováveis crie milhares de empregos qualificados até 2030.
- Redução da Fatura Energética: Quanto mais sol e vento usarmos, menos dependemos do preço instável do gás natural nos mercados internacionais. A longo prazo, isso estabiliza os preços para as famílias.
- Independência: Portugal deixa de ser um importador passivo de energia para se tornar, potencialmente, um exportador de hidrogénio e eletrões limpos para a Europa.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Estes projetos vão baixar a minha conta de luz em 2026?
R: A tendência a médio prazo é de estabilização e redução dos custos de produção. Embora os custos de rede e impostos também influenciem a fatura final, a entrada massiva de energia solar (que é a mais barata de produzir atualmente) ajuda a baixar o preço grossista da eletricidade.
2. O que é o Hidrogénio Verde e para que serve?
R: É um gás combustível produzido separando a água (H2O) com eletricidade renovável. Serve para substituir o gás natural e o petróleo em indústrias difíceis de eletrificar (como fábricas de cimento, aço e vidro) e em transportes pesados (navios e camiões).
3. As eólicas offshore não estragam a vista das praias?
R: Os novos projetos para 2026 focam-se em tecnologia flutuante, que permite instalar as turbinas muito mais longe da costa (a dezenas de quilómetros), onde o vento é melhor e o impacto visual é mínimo ou inexistente para quem está na praia.
4. Portugal vai conseguir atingir a meta de 80% renováveis?
R: Tudo indica que sim. Em alguns períodos de 2024 e 2025, Portugal já funcionou dias inteiros apenas com renováveis. Com a entrada da Central Fernando Pessoa e o reforço das eólicas, a meta de 80% anual é muito realista para 2026.
5. O que acontece às baterias solares depois de velhas?
R: A reciclagem de baterias é um setor em crescimento. A União Europeia tem regras estritas que obrigam os produtores a reciclar uma grande percentagem dos materiais (como lítio e cobalto) para serem usados em novas baterias, criando uma economia circular.
Palavras Finais
O ano de 2026 perfila-se como o ano da maturidade para a energia verde em Portugal. Deixámos de falar apenas em “projetos-piloto” e passámos para a escala industrial.
Seja através dos painéis infinitos em Santiago do Cacém, das torres que flutuam no mar do Norte ou das moléculas de hidrogénio em Sines, o país está a construir uma nova identidade. Já não somos apenas o país do fado e do sol; somos o país da energia do futuro.
Estes 10 projetos provam que a transição energética é uma oportunidade de reindustrialização, de emprego e de soberania. Para o consumidor comum, resta a esperança de um futuro mais limpo e, eventualmente, mais barato. O caminho está traçado, e o destino é verde.
