EnergiaSolar

14 Projetos de Energia Verde: Solar, Eólica E Armazenamento Em Angola Em 2026

Angola está a viver uma transformação histórica. Conhecida durante décadas como um gigante do petróleo, a nação está a virar a página para um futuro mais limpo e sustentável. O ano de 2026 marca um ponto de viragem crucial nesta jornada. Com sol abundante e ventos fortes na costa, o país está a apostar tudo nas energias renováveis.

Mas porquê 2026? Este é o ano em que muitos dos grandes investimentos, parcerias internacionais e planos de infraestruturas começam a dar frutos reais na rede elétrica nacional. O objetivo é claro: reduzir a dependência do gasóleo, cortar emissões de carbono e levar luz a milhões de angolanos.

Neste artigo, vamos explorar os 14 projetos de energia verde mais impactantes que estarão a moldar Angola em 2026. Vamos falar de enormes parques solares, ventos que geram luz e baterias gigantes que guardam energia. Tudo explicado de forma simples.

O Cenário da Energia Verde em Angola

Antes de mergulharmos na lista, é importante entender o contexto. O governo angolano, em parceria com empresas globais como a MCA Group, Sun Africa e a TotalEnergies, lançou um plano ambicioso. A meta é atingir cerca de 70% de matriz energética renovável. Embora a energia hídrica (barragens) já seja forte, a diversificação para solar e eólica é a nova prioridade para garantir segurança energética, especialmente em anos de seca.

Tabela: Metas de Energia Renovável (Estimativa 2025-2026)

Tipo de Energia Contribuição Atual Meta de Crescimento Principal Vantagem
Hidroelétrica Alta (aprox. 60%) Manutenção/Expansão Potência base estável
Solar Em crescimento rápido Alta Prioridade Baixo custo, rapidez de instalação
Eólica Inicial Desenvolvimento Complementar à noite/seca
Biomassa Baixa Moderada Aproveitamento de resíduos

A Revolução Solar: Os Gigantes do Leste e Sul

A energia solar é a grande protagonista dos projetos para 2026. A geografia de Angola oferece uma irradiação solar invejável, especialmente nas províncias do leste e sul. Aqui estão os principais projetos que compõem a nossa lista.

1. Parque Solar de Biópio (Benguela)

Embora já inaugurado, o projeto de Biópio continua a ser uma referência em 2026. É o maior projeto solar da África Subsariana. Em 2026, a sua integração total na rede nacional permite estabilizar o fornecimento não apenas para Benguela, mas para o centro do país. Com cerca de 188 MW de capacidade, este projeto evita toneladas de emissões de CO2 anualmente.

2. Central Fotovoltaica de Baía Farta (Benguela)

Vizinha do Biópio, a central da Baía Farta, com cerca de 96 MW, é essencial para alimentar a indústria pesqueira e as populações locais. Em 2026, espera-se que sistemas de otimização e manutenção preditiva estejam em pleno funcionamento, garantindo máxima eficiência.

3. Projeto Solar de Caraculo (Namibe)

Uma parceria estratégica entre a Sonangol e a Eni (através da Azule Energy). Este projeto é vital para a região desértica do Namibe. A primeira fase foca-se em 25 MW, mas a expansão prevista para estar operante ou em fase avançada em 2026 visa duplicar esta capacidade. O objetivo é reduzir o consumo de diesel na região sul.

4. Central Solar de Quilemba (Huíla)

Liderada pela TotalEnergies, a central de Quilemba é um marco para a cidade do Lubango. Com uma capacidade prevista de 35 MW, este projeto destaca-se por ser uma iniciativa de uma grande petrolífera a investir forte no verde. Em 2026, Quilemba será fundamental para estabilizar a rede na Huíla, uma província com grande atividade comercial.

A Grande Expansão do Leste (Projeto MCA/Sun Africa)

O maior “bloco” de projetos para 2026 vem do mega-acordo para eletrificar o leste de Angola e outras províncias carentes. Estes projetos não são apenas painéis; são infraestruturas completas.

5. Parque Solar de Luena (Moxico)

O Moxico é a maior província de Angola e historicamente isolada da rede nacional. O Parque Solar do Luena é a resposta. Em 2026, este parque permitirá que a capital da província desligue geradores a diesel ruidosos e poluentes, trazendo energia limpa e silenciosa para milhares de famílias.

6. Parque Solar de Saurimo (Lunda Sul)

Conhecida pelos diamantes, a Lunda Sul precisa de energia fiável para a indústria e população. O projeto solar de Saurimo é robusto e desenhado para atender a uma procura crescente. A sua conclusão e operação plena são pilares para o desenvolvimento económico local em 2026.

7. Central Solar de Dundo (Lunda Norte)

No extremo norte, o Dundo recebe um projeto solar vital. A logística para construir aqui é complexa, mas o impacto social é enorme. Este projeto reduz a dependência de combustíveis que têm de viajar longas distâncias por estrada, baixando o custo da energia.

8. Parque Solar do Luau (Moxico)

Situado na fronteira, o Luau é um ponto estratégico (caminho de ferro de Benguela). O parque solar aqui instalado visa apoiar o comércio transfronteiriço e a comunidade local, integrando a região na nova era energética.

9. Projeto Solar do Cuito (Bié)

O Bié, no coração de Angola, recebe um projeto solar que simboliza o renascimento. A central do Cuito, parte deste pacote de eletrificação, garante que o centro geodésico do país tenha energia sustentável para apoiar a agricultura e o ensino.

10. Central Solar do Bailundo (Huambo)

No planalto central, o Bailundo beneficia de um clima excelente para a energia solar (dias claros e temperaturas amenas que ajudam na eficiência dos painéis). Este projeto reforça a rede do Huambo, uma das províncias mais populosas.

11. Parque Solar de Ondjiva (Cunene)

O Cunene sofre ciclicamente com secas severas. A energia hídrica aqui é difícil. Por isso, o sol é a solução. O projeto de Ondjiva é crítico para bombear água e manter serviços essenciais. Em 2026, este será um dos projetos humanitários mais importantes disfarçado de infraestrutura energética.

Eólica e Armazenamento: O Vento e as Baterias

Não é só de sol que vive a energia verde. O vento e a capacidade de guardar energia são a próxima fronteira.

12. Projeto Eólico do Tombwa (Namibe)

O Namibe tem alguns dos ventos mais constantes de África. O Projeto Eólico do Tombwa é a grande aposta de Angola nesta tecnologia. Embora complexo, os estudos e desenvolvimentos apontam para uma capacidade que pode revolucionar o fornecimento de energia no litoral sul. Em 2026, espera-se que este projeto esteja numa fase madura de implementação ou operação inicial, aproveitando as correntes frias de Benguela.

13. Sistemas de Armazenamento de Energia (BESS)

Este não é um local único, mas um “projeto” distribuído vital para 2026. Os parques solares mencionados acima (especialmente os do consórcio MCA) incluem sistemas gigantes de baterias (BESS – Battery Energy Storage Systems).

Sem baterias, a energia solar falha à noite. Estes sistemas armazenam o excesso do dia para usar no pico noturno. Angola está a instalar uma das maiores capacidades de armazenamento de África, garantindo que a luz não falha quando o sol se põe.

14. Mini-Redes Híbridas (Solar + Armazenamento) em Zonas Rurais

O décimo quarto projeto é a pulverização da energia. São dezenas de pequenas centrais (mini-grids) em comunas afastadas, que combinam painéis solares e baterias, eliminando a necessidade de estender cabos por centenas de quilómetros. Em 2026, o programa “Aldeia Solar” visa ter iluminado milhares de casas que nunca tiveram um interruptor.

Detalhes Técnicos e Impacto Económico

Para entender a dimensão destes 14 projetos, precisamos olhar para os números e a tecnologia.

Tecnologia de Ponta

Muitos destes parques, como os construídos pela Sun Africa e MCA, utilizam painéis bifaciais. O que é isto? São painéis que captam luz dos dois lados (frente e verso, refletida no chão). Isso aumenta a eficiência em até 15%. Além disso, os sistemas de “trackers” fazem com que os painéis sigam o sol como girassóis, maximizando a produção desde a manhã até ao fim da tarde.

Impacto no PIB e Emprego

A construção e manutenção destes 14 projetos geram milhares de empregos. Não falamos apenas de engenheiros estrangeiros, mas de formação de técnicos angolanos.

  • Empregos Diretos: Construção civil, eletricistas, segurança.
  • Empregos Indiretos: Logística, alimentação, serviços de apoio.
  • Poupança: O Estado angolano gasta biliões a subsidiar o gasóleo. Com a energia solar, essa conta desce drasticamente, libertando dinheiro para saúde e educação.

Tabela: Benefícios Esperados até 2026

Setor Impacto Positivo
Ambiente Redução de milhões de toneladas de CO2.
Economia Redução da importação de diesel.
Social Eletrificação de escolas e hospitais rurais.
Indústria Energia mais barata atrai fábricas.

O Papel do Armazenamento (Baterias)

Porque é que o armazenamento é tão citado nos projetos de 2026? A energia solar é “intermitente”. Se passa uma nuvem, a produção cai. Se anoitece, a produção para.

As baterias de iões de lítio entram aqui como a peça mágica. Elas agem como um amortecedor.

  1. Estabilidade: Mantêm a voltagem da rede constante.
  2. Deslocamento de Carga: Guardam energia do meio-dia (quando sobra) para usar às 19h (quando todos chegam a casa e ligam as luzes).

O projeto de eletrificação do leste de Angola é pioneiro mundialmente por integrar tantas baterias em grande escala numa rede nacional.

Desafios a Superar

Nem tudo é fácil. Para que estes 14 projetos brilhem em 2026, Angola enfrenta desafios:

  • Linhas de Transmissão: Não adianta gerar energia se não houver cabos para a transportar. O investimento na “Rede Nacional de Transporte” tem de acompanhar a construção dos parques solares.
  • Manutenção: Areia e poeira são inimigos dos painéis solares. É preciso criar uma cultura de manutenção rigorosa para que os equipamentos durem 25 anos.
  • Formação: É urgente formar mais engenheiros eletrotécnicos angolanos especializados em renováveis.

Perguntas Frequentes (FAQ)

  1. Qual é o maior projeto solar de Angola?

Atualmente, é o Parque Solar de Biópio, em Benguela, com cerca de 188 MW de capacidade instalada.

  1. A energia solar vai baixar a conta da luz em Angola?

A longo prazo, sim. A energia solar é muito mais barata de produzir do que a energia a diesel. Isso reduz os custos operacionais da rede pública.

  1. O que acontece a estes projetos à noite?

Os projetos mais modernos, especialmente os do leste, estão equipados com sistemas de baterias (armazenamento) que fornecem energia acumulada durante o dia. Outros dependem da integração com as barragens hídricas.

  1. Quem está a financiar estes projetos?

Existe um mix de financiamento. Grandes bancos internacionais, agências de crédito à exportação (como a EximBank dos EUA e da Suécia) e parcerias público-privadas com empresas como a TotalEnergies e a Sun Africa.

  1. O que é a energia eólica no Namibe?

É o aproveitamento dos ventos fortes da costa sul (Deserto do Namibe) para gerar eletricidade. O projeto do Tombwa é o principal exemplo desta tecnologia em Angola.

Palavras Finais

Ao olharmos para o horizonte de 2026, fica claro que Angola não quer ser apenas uma potência petrolífera. Os 14 projetos de energia verde que explorámos mostram um país determinado a modernizar-se. Do sol escaldante do Cunene aos ventos do Namibe, e passando pelas baterias de alta tecnologia na Lunda Sul, a revolução está em marcha.

Esta transição não é apenas sobre eletricidade; é sobre dignidade. É sobre a criança que poderá estudar à noite no Moxico, ou o hospital que não ficará às escuras na Huíla. Se os prazos forem cumpridos e a manutenção assegurada, 2026 será lembrado como o ano em que Angola abraçou definitivamente o futuro sustentável. A energia verde deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade palpável no dia a dia dos angolanos.