14 startups de IA que vão transformar Portugal em 2026
Portugal já não é apenas um destino turístico de eleição; é um laboratório vivo de inovação tecnológica. À medida que nos aproximamos de 2026, o ecossistema empreendedor português está a amadurecer a um ritmo acelerado, especialmente no campo da Inteligência Artificial (IA). De Lisboa ao Porto, passando por Braga e Coimbra, fundadores visionários estão a criar soluções que não só resolvem problemas locais, mas que competem no palco global.
A presença da Web Summit em Lisboa colocou o país no mapa, mas é a qualidade da engenharia e a resiliência dos empreendedores portugueses que mantêm a chama acesa. Neste artigo, vamos mergulhar fundo no tecido empresarial português para destacar 14 startups de IA que prometem revolucionar indústrias inteiras — da saúde ao retalho, passando pelo espaço e cibersegurança — e colocar Portugal na vanguarda da tecnologia mundial em 2026.
Preparado para conhecer os unicórnios do futuro? Vamos a isso.
1. Unbabel: A Quebrar Barreiras Linguísticas
A Unbabel é, sem dúvida, uma das bandeiras da tecnologia portuguesa. A sua missão é ambiciosa: eliminar as barreiras linguísticas mundiais. Combinando tradução automática avançada com o toque humano, a Unbabel permite que empresas comuniquem com clientes em qualquer língua, de forma nativa e fluida.
Para 2026, espera-se que a Unbabel aprofunde ainda mais a sua camada de IA “LangOps” (Operações de Linguagem). A empresa está a evoluir para além do simples apoio ao cliente, integrando-se em marketing e operações internas de grandes multinacionais. O seu modelo híbrido garante que, quando a IA falha ou tem dúvidas, uma comunidade global de editores humanos entra em ação para corrigir, o que por sua vez treina a IA para ser melhor na próxima vez.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | Tradução / LangOps |
| Fundadores | Vasco Pedro e equipa |
| Sede | Lisboa / São Francisco |
| Tecnologia Principal | Tradução Neural Híbrida (IA + Humano) |
2. Feedzai: O Guardião do Sistema Financeiro
Se já fez uma compra online segura, é provável que a tecnologia da Feedzai tenha estado envolvida. Nascida em Coimbra, esta startup tornou-se líder mundial na luta contra o crime financeiro usando Inteligência Artificial. A sua plataforma analisa grandes volumes de dados em tempo real para detetar fraudes antes que elas aconteçam.
O futuro da Feedzai passa pela “IA Explicável”. Em 2026, não bastará dizer que uma transação é fraudulenta; será necessário explicar porquê de forma transparente e ética. A Feedzai está na linha da frente desta revolução, garantindo que os bancos e instituições financeiras protegem o seu dinheiro sem bloquear transações legítimas de clientes honestos.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | FinTech / Cibersegurança |
| Fundadores | Nuno Sebastião e equipa |
| Sede | Coimbra / San Mateo |
| Destaque | Deteção de fraude em milissegundos |
3. Sword Health: O Hospital do Futuro em Casa
A Sword Health é o exemplo perfeito de como a IA pode melhorar a qualidade de vida. Focada na fisioterapia digital, a empresa criou um “terapeuta digital” que permite aos pacientes realizarem a sua recuperação em casa, com feedback em tempo real.
Através de sensores de movimento e algoritmos de IA, o sistema corrige a postura do paciente durante os exercícios, garantindo que a terapia é feita corretamente. Em 2026, a Sword Health deverá expandir a sua atuação para além da fisioterapia músculo-esquelética, integrando mais vertentes de saúde preventiva e tornando os cuidados médicos de ponta acessíveis a qualquer pessoa, em qualquer lugar.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | HealthTech / Saúde Digital |
| Fundadores | Virgílio Bento |
| Sede | Porto / Nova Iorque |
| Inovação | Terapeutas Digitais com IA |
4. Sensei: O Retalho Autónomo
Imagine entrar numa loja, pegar no que precisa e sair sem ter de passar por uma caixa ou esperar numa fila. É esta a realidade que a Sensei está a construir. Pioneira na tecnologia de “lojas autónomas” na Europa, a Sensei utiliza visão computacional e sensores para seguir os produtos que os clientes retiram das prateleiras.
A expansão para 2026 prevê a integração desta tecnologia não apenas em pequenas lojas de conveniência, mas em grandes supermercados. A IA da Sensei consegue distinguir entre milhares de produtos e comportamentos complexos dos compradores, prometendo acabar com um dos maiores inconvenientes das compras físicas: o tempo de espera.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | RetailTech / Retalho |
| Fundadores | Vasco Portugal e equipa |
| Sede | Lisboa |
| Tecnologia | Visão Computacional e Sensores |
5. Defined.ai: O Combustível da Inteligência Artificial
Para que a IA funcione, ela precisa de dados — muitos dados e de alta qualidade. A Defined.ai (anteriormente DefinedCrowd) posicionou-se como o mercado premium para dados de treino de IA. Eles fornecem a matéria-prima que gigantes como a Microsoft ou a BMW usam para treinar os seus algoritmos.
Com a explosão da IA Generativa (como o ChatGPT), a procura por dados éticos, diversificados e de alta qualidade disparou. A Defined.ai será crucial em 2026 para fornecer dados de voz, texto e imagem que sejam livres de preconceitos e juridicamente seguros, permitindo que outras empresas construam IAs mais justas e inteligentes.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | Big Data / IA Marketplace |
| Fundadores | Daniela Braga |
| Sede | Lisboa / Seattle |
| Foco | Dados de alta qualidade para treino de IA |
6. Neuraspace: A Limpar o Lixo Espacial
Portugal também olha para as estrelas. A Neuraspace é uma das startups mais fascinantes do ecossistema atual, utilizando IA para combater o problema crescente do lixo espacial. Com milhares de satélites em órbita, o risco de colisão é real e catastrófico.
A plataforma da Neuraspace usa algoritmos de Machine Learning para prever rotas de colisão com maior precisão do que os métodos tradicionais e sugere manobras de evasão automáticas. Em 2026, com o aumento das constelações de satélites privados, a tecnologia da Neuraspace será vital para garantir a sustentabilidade da economia espacial.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | SpaceTech / Aeroespacial |
| Fundadores | Chiara Manfletti |
| Sede | Coimbra |
| Missão | Gestão de Tráfego Espacial com IA |
7. Smartex: IA na Indústria Têxtil
A indústria têxtil é historicamente conhecida pelo desperdício, mas a Smartex está a mudar isso a partir do Porto. A sua tecnologia utiliza câmaras e IA dentro das máquinas de tricotar circulares para detetar defeitos no tecido em tempo real.
Se a máquina deteta um defeito, ela para automaticamente ou corrige o problema, evitando que rolos inteiros de tecido sejam desperdiçados. Este nível de eficiência não só poupa dinheiro às fábricas como tem um impacto ambiental gigante. Para 2026, a Smartex planeia ser o padrão global para a “Fábrica Moderna”, onde o desperdício têxtil é reduzido a quase zero graças à visão computacional.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | Industry 4.0 / Têxtil |
| Fundadores | Gilberto Loureiro e equipa |
| Sede | Porto |
| Impacto | Redução drástica de desperdício industrial |
8. Didimo: Humanos Digitais em Segundos
O metaverso e os jogos digitais exigem avatares cada vez mais realistas. A Didimo criou uma tecnologia capaz de gerar “Humanos Digitais” 3D de alta fidelidade a partir de uma simples fotografia, em poucos segundos.
A sua plataforma permite que estúdios de jogos e empresas de moda integrem personagens realistas nas suas aplicações sem demorar semanas a modelar cada rosto. Em 2026, à medida que as interações digitais se tornam mais imersivas, a Didimo estará na base da nossa identidade virtual, permitindo-nos levar o nosso “eu” digital para qualquer plataforma.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | DeepTech / Gaming / VR |
| Fundadores | Verónica Orvalho |
| Sede | Porto |
| Produto | Avatares 3D realistas via IA |
9. Automaise: O Génio do Apoio ao Cliente
A Automaise foca-se em tornar o serviço ao cliente mais eficiente e menos frustrante. A sua plataforma, o “Automaise Support Genius”, atua como um copiloto para os agentes de apoio ao cliente, sugerindo respostas, classificando emails e automatizando tarefas repetitivas.
Ao contrário de chatbots simples, a Automaise usa Processamento de Linguagem Natural (NLP) avançado para entender o contexto e a emoção do cliente. Em 2026, a visão da empresa é que a IA trate de toda a burocracia, deixando os humanos focados apenas nas interações que exigem empatia e resolução complexa de problemas.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | Customer Service / Automação |
| Fundadores | Ernesto Pedrosa e Carlos Oliveira |
| Sede | Braga |
| Foco | Otimização da produtividade humana |
10. YData: Dados Sintéticos para Proteger a Privacidade
Num mundo onde a privacidade (RGPD) é lei, como treinar IA sem usar dados pessoais reais? A resposta da YData são os “Dados Sintéticos”. A startup criou uma plataforma que gera dados falsos, mas estatisticamente idênticos aos reais.
Isto permite que bancos e hospitais partilhem dados para investigação e desenvolvimento sem nunca expor a identidade dos seus clientes ou pacientes. A YData está a resolver o bloqueio da inovação causado pela falta de acesso a dados. Em 2026, a sua tecnologia será um pilar fundamental para o desenvolvimento ético de IA na Europa.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | Data Privacy / AI Development |
| Fundadores | Gonçalo Martins Ribeiro e Fabiana Clemente |
| Sede | Lisboa |
| Solução | Geração de Dados Sintéticos de alta qualidade |
11. Infraspeak: Inteligência na Gestão de Edifícios
Gerir a manutenção de hotéis, hospitais ou centros comerciais é uma tarefa complexa. A Infraspeak criou uma plataforma de gestão de manutenção que centraliza tudo, mas o seu grande trunfo é o “Infraspeak Gear”, o cérebro de IA da plataforma.
Este motor inteligente analisa padrões de avarias, sugere fornecedores e prevê quando um equipamento vai falhar antes que aconteça. A visão para 2026 é tornar os edifícios “auto-geridos”, onde a infraestrutura comunica diretamente com as equipas técnicas, otimizando recursos e energia de forma autónoma.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | Facility Management / PropTech |
| Fundadores | Felipe Ávila da Costa e Luís Martins |
| Sede | Porto |
| Tecnologia | Manutenção Preditiva e Inteligente |
12. Visor.ai: Automação Inteligente para Seguradoras e Banca
A Visor.ai começou com chatbots, mas evoluiu para uma plataforma robusta de automação de interações. O seu foco está em grandes empresas, como seguradoras e bancos, onde a complexidade dos pedidos é elevada.
A sua IA consegue automatizar não só a conversa, mas os processos de back-office associados, como a validação de documentos ou a alteração de dados de conta. Para 2026, a Visor.ai aposta numa abordagem “low-code”, permitindo que as próprias empresas criem os seus fluxos de IA sem dependerem constantemente de programadores.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | Enterprise AI / Chatbots |
| Fundadores | Gianluca Pereyra e equipa |
| Sede | Lisboa |
| Diferencial | Foco em grandes corporações e processos complexos |
13. DeepNeuronic: O “Olho” da Segurança Pública
A DeepNeuronic está a revolucionar a videovigilância. Em vez de ter seguranças a olhar para dezenas de ecrãs à espera que algo aconteça, a IA da DeepNeuronic analisa as imagens em tempo real para detetar comportamentos anómalos, como uma queda, uma agressão ou um incêndio, alertando as autoridades instantaneamente.
O que distingue esta startup é a sua capacidade de o fazer respeitando a privacidade, processando os dados localmente ou anonimizando rostos. Em 2026, a segurança de cidades inteligentes (“Smart Cities”) em Portugal passará muito por esta tecnologia de visão computacional proativa.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | Computer Vision / Segurança |
| Fundadores | Vasco Passos e equipa |
| Sede | Lisboa |
| Inovação | Deteção automática de incidentes visuais |
14. Ethiack: Hackers Éticos Artificiais
A segurança cibernética é uma das maiores preocupações da década. A Ethiack combina o conhecimento de hackers éticos humanos com a velocidade da inteligência artificial para testar as defesas das empresas.
A sua plataforma realiza testes de intrusão (pentesting) de forma contínua e automatizada, encontrando vulnerabilidades antes que os criminosos o façam. Considerada uma das grandes promessas para 2026, a Ethiack pretende democratizar a cibersegurança ofensiva, permitindo que empresas de qualquer dimensão se protejam com a mesma eficácia que os grandes bancos.
| Categoria | Detalhe |
| Setor | Cibersegurança / Ethical Hacking |
| Fundadores | Jorge Monteiro e André Baptista |
| Sede | Coimbra |
| Missão | Automação de testes de segurança ofensiva |
O Ecossistema Português: Desafios e Oportunidades para 2026
Portugal tem todos os ingredientes para ser uma potência de IA, mas o caminho até 2026 não está isento de desafios.
A Retenção de Talento
As universidades portuguesas formam engenheiros de classe mundial (Técnico, FEUP, Universidade de Coimbra, entre outras). O desafio para 2026 será manter este talento em solo nacional, competindo com os salários oferecidos por empresas dos EUA e Alemanha que contratam remotamente. Startups como a Feedzai e a Sword Health têm sido fundamentais para mostrar que é possível ter uma carreira de topo mundial sem sair de Portugal.
Investimento e Escala
Embora o acesso ao capital “semente” (inicial) tenha melhorado muito, Portugal ainda precisa de mais fundos de Growth (crescimento) para apoiar estas empresas quando elas precisam de escalar internacionalmente. A maturidade do ecossistema em 2026 dependerá da capacidade de atrair grandes rondas de investimento estrangeiro (Séries B e C).
Qualidade de Vida como Íman
O grande trunfo de Portugal continua a ser a qualidade de vida. Sol, segurança, boa gastronomia e um custo de vida ainda competitivo (apesar da inflação) atraem nómadas digitais e fundadores estrangeiros que escolhem Portugal para sediar as suas startups de IA, enriquecendo o ecossistema local.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- Portugal tem unicórnios na área da Inteligência Artificial?
Sim. A Feedzai, a Sword Health e a Talkdesk (embora esta última tenha foco em Call Center na nuvem, usa muita IA) são consideradas unicórnios (empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares) com forte ADN português e componentes de IA centrais.
- Qual é o papel da Web Summit nestas startups?
A Web Summit, realizada anualmente em Lisboa, funciona como uma montra global. Permite que startups portuguesas apresentem os seus produtos a investidores de todo o mundo sem terem de viajar para Silicon Valley, acelerando parcerias e financiamento.
- Estas startups contratam em Portugal?
Sim, todas as 14 startups listadas têm centros de engenharia e desenvolvimento em Portugal e estão frequentemente à procura de talento nas áreas de engenharia de software, ciência de dados e produto.
- O que faz da Defined.ai e da YData empresas tão importantes?
Ambas resolvem o problema dos “Dados”. A IA só é inteligente se for treinada com bons dados. A Defined.ai fornece dados reais de qualidade, enquanto a YData cria dados sintéticos para ultrapassar barreiras de privacidade. São as “vendedoras de pás” na corrida do ouro da IA.
Palavras Finais
Olhar para esta lista de 14 startups é olhar para o futuro da economia portuguesa. Já não estamos a falar de promessas vagas, mas de empresas com faturação real, clientes globais e tecnologia patenteada que está a mudar o mundo.
Em 2026, a narrativa sobre Portugal não será apenas sobre turismo ou gastronomia. Será sobre como uma nação pequena, na ponta da Europa, usou a inteligência artificial para curar pessoas à distância, proteger o sistema financeiro global e limpar o espaço sideral. Estas empresas provam que a inovação não tem nacionalidade, mas tem origem — e, neste caso, a origem é orgulhosamente portuguesa.
