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12 Fornecimento de Mineração e Minerais Críticos em Angola em 2026

Bem-vindo a 2026, um ano que promete ser um divisor de águas para a economia angolana. Se você tem acompanhado as notícias globais, sabe que o mundo está numa corrida frenética por recursos que alimentam o futuro — carros elétricos, turbinas eólicas e smartphones. E adivinhe quem está no centro dessa conversa? Angola.

Por décadas, quando pensávamos na riqueza de Angola, a imagem que vinha à mente era o petróleo ou os diamantes brilhantes. Mas hoje, a história é diferente. O país está a transformar-se num gigante adormecido no fornecimento de minerais críticos. Com o apoio de grandes potências mundiais e infraestruturas renovadas, como o famoso Corredor do Lobito, Angola não está apenas a abrir minas; está a abrir portas para um futuro diversificado e sustentável.

Neste artigo, vamos explorar como está o fornecimento de mineração e minerais críticos em Angola em 2026. Vamos mergulhar nos projetos que estão a sair do papel, entender o impacto na economia local e descobrir por que este é o momento certo para olhar para Angola com outros olhos.

O Cenário da Mineração em Angola em 2026

O ano de 2026 marca um ponto de viragem. O governo angolano, ciente de que o petróleo não durará para sempre, acelerou os seus planos de diversificação. A estratégia nacional agora foca-se intensamente no que chamamos de “minerais do futuro”. Estamos a falar de elementos essenciais para a transição energética global.

Neste momento, a estabilidade política e as reformas legais feitas nos últimos cinco anos começam a dar frutos visíveis. O ambiente de negócios está mais transparente, e a burocracia, que antes assustava investidores, tem sido reduzida através de processos digitais e fast-tracks para licenciamento.

O que torna 2026 especial é que muitos projetos que eram apenas “promessas” ou “estudos” em 2024 e 2025 estão agora na fase de construção avançada ou início de operação. Angola já não é apenas um país com “potencial geológico”; é um país com minas ativas e infraestrutura logística a funcionar.

Indicadores Económicos do Setor Mineiro (Estimativas 2026)

Para lhe dar uma visão clara, veja a tabela abaixo com alguns indicadores chave projetados para este ano:

Indicador Situação em 2026 Tendência
Dependência do Petróleo Ainda alta, mas em declínio gradual ↘️ A diminuir
Receita de Minerais (Não-Diamantes) Crescimento expressivo ↗️ A aumentar rápido
Investimento Estrangeiro Direto (IED) Foco em EUA, UE e China ↗️ Forte entrada
Emprego no Setor Aumento na província do Huambo e Moxico ↗️ A crescer
Exportações via Lobito Volume recorde de minérios ↗️ Expansão

Principais Minerais Críticos em Foco

Angola possui uma “tabela periódica” invejável no seu subsolo. Mas, em 2026, três grupos de minerais roubam a cena: as Terras Raras, o Cobre e, claro, os Diamantes (que continuam a ser reis, mas agora com companhia).

1. Terras Raras: O Projeto Longonjo

Você já ouviu falar de Neodímio ou Praseodímio? São nomes complicados, mas essenciais para fazer ímanes permanentes usados em motores de carros elétricos. O projeto Longonjo, gerido pela Pensana, é a joia da coroa de Angola neste setor.

Em 2026, este projeto encontra-se numa fase crucial. As atividades de construção estão a todo vapor, visando o comissionamento total para breve. O que torna Longonjo especial é que ele não vai apenas extrair terra e exportá-la bruta. O plano inclui processamento local, o que deixa mais valor (e dinheiro) dentro do país.

A localização é perfeita: fica bem ao lado da linha férrea do Lobito. Isso significa que o minério sai da mina, entra no comboio e chega ao porto no Atlântico de forma rápida e barata.

2. Cobre: O Despertar do Gigante

O cobre é o “fio condutor” do mundo moderno. Sem cobre, não há eletricidade. Angola, vizinha da Zâmbia e da República Democrática do Congo (RDC) — dois gigantes do cobre —, partilha a mesma geologia rica.

A mina de cobre de Tetelo, na província do Uíge, é um exemplo prático. Em 2026, espera-se que operações como esta estejam a consolidar a sua produção. Estima-se uma produção inicial na ordem das dezenas de milhares de toneladas, com planos de expansão agressivos. O cobre angolano é visto como uma alternativa vital para diversificar o fornecimento global, diminuindo a dependência excessiva de outras regiões instáveis.

3. Lítio e Outros Metais de Bateria

No sul de Angola, na província do Namibe, a prospeção de Lítio tem mostrado resultados promissores. Embora esteja num estágio menos maduro que os diamantes, 2026 é o ano em que os estudos de viabilidade começam a atrair capital de risco sério. O governo está a mapear estas áreas com precisão para evitar a especulação e garantir que quem entra tem capacidade real de investir.

Comparativo de Minerais em Destaque

Mineral Aplicação Principal Localização Chave Status 2026
Diamantes Joalharia / Indústria Lunda Sul / Norte Produção madura e estável
Terras Raras Ímanes (EVs, Eólicas) Longonjo (Huambo) Construção / Pré-produção
Cobre Cabos elétricos / Energia Uíge / Moxico Início de escala industrial
Lítio Baterias Namibe Prospeção avançada

O Corredor do Lobito: A Espinha Dorsal da Logística

Não adianta ter minerais se não conseguir levá-los aos compradores. É aqui que entra o Corredor do Lobito. Em 2026, este não é apenas um caminho de ferro; é uma artéria económica pulsante.

Com financiamentos robustos dos Estados Unidos e da União Europeia, a linha férrea foi modernizada para conectar as minas do interior de Angola (e da RDC e Zâmbia) diretamente ao Porto do Lobito.

Por que o Lobito muda tudo?

Antigamente, tirar minério da região central de África demorava semanas de camião até portos distantes no Índico ou na África do Sul. Pelo Lobito, a viagem é reduzida para dias. Em 2026, a capacidade de transporte aumentou drasticamente, reduzindo custos logísticos e, mais importante, a pegada de carbono do transporte.

Além dos minérios, o corredor está a estimular a agricultura local. Onde passa o comboio, nascem pequenos negócios, armazéns e oportunidades para as comunidades locais.

Dados Logísticos do Corredor (Estimados):

  • Extensão: Cerca de 1.300 km em Angola.
  • Capacidade de Carga: Aumento significativo (meta de milhões de toneladas/ano).
  • Tempo de Trânsito: Redução de semanas para dias até ao Atlântico.
  • Investimento: Centenas de milhões de dólares em modernização.

Projetos de Mineração Ativos e Futuros

Vamos falar de nomes. Quem está no terreno a fazer acontecer em 2026?

A Força dos Diamantes: Luaxe

O projeto Luaxe, na Lunda Sul, é frequentemente citado como uma das maiores descobertas de diamantes das últimas décadas. Em 2026, a mina de Luaxe é um motor potente, contribuindo com milhões de quilates para a produção nacional. A diferença agora é a tecnologia: métodos de extração mais limpos e menor impacto visual na paisagem.

Novos Players no Mercado

Além da De Beers e da Rio Tinto, que mantêm o seu interesse estratégico, vemos a entrada de empresas juniores e médias, focadas em minerais críticos. Estas empresas são mais ágeis e estão dispostas a explorar áreas que as “majors” ignoraram no passado.

A diversificação também traz parceiros de novas geografias. Se antes a China era o parceiro dominante quase exclusivo, em 2026 vemos consórcios americanos e europeus a disputar espaço, especialmente motivados pela segurança da cadeia de fornecimento de minerais para as suas indústrias tecnológicas.

Quadro Legal e Incentivos ao Investimento

Você deve estar a perguntar-se: “É seguro investir o meu dinheiro lá?”. O governo de Angola sabe que a confiança é a chave. Por isso, em 2026, o quadro legal está mais robusto.

A Agência Nacional de Recursos Minerais (ANRM) assumiu um papel central na regulação, garantindo que as regras são cumpridas. O tempo para obter uma licença de exploração foi encurtado. O que antes levava anos e ficava perdido em gavetas, agora tem prazos definidos.

Incentivos Fiscais

Para atrair quem quer minerar cobre, lítio e terras raras, o governo oferece “férias fiscais” e reduções de impostos na fase de arranque. A ideia é simples: “Venha, instale-se, crie empregos, e nós facilitamos os impostos nos primeiros anos”.

Além disso, a Lei do Investimento Privado garante a repatriação de lucros, um ponto que sempre preocupou investidores estrangeiros. Em 2026, o fluxo financeiro é mais livre, desde que, claro, as obrigações locais sejam cumpridas.

Desafios e Sustentabilidade: O Novo Padrão

Nem tudo são flores. A mineração é uma indústria pesada e traz desafios. Em 2026, a pressão por práticas ESG (Ambiental, Social e Governança) é enorme. Os compradores na Europa não querem minerais que venham de minas onde há trabalho infantil ou destruição ambiental descontrolada.

O Compromisso Verde

Angola está a tentar posicionar-se como uma fonte “ética” de minerais. Projetos como o Longonjo foram desenhados para ter baixo consumo de água e usar energia hidroelétrica da rede nacional (barragem de Laúca), em vez de geradores a diesel poluentes.

As empresas são obrigadas a ter planos claros de fecho de mina e recuperação ambiental desde o dia um. As comunidades locais, muitas vezes esquecidas no passado, agora têm mecanismos legais para exigir contrapartidas, como escolas, postos de saúde e formação técnica.

Desafios Remanescentes

  • Mão de Obra Qualificada: Embora esteja a melhorar, ainda há falta de engenheiros e geólogos especializados em minerais raros. Muitas empresas precisam de trazer expatriados enquanto formam locais.
  • Estradas Secundárias: O comboio funciona bem, mas as estradas que ligam as minas distantes às estações ferroviárias ainda precisam de obras.
  • Burocracia Residual: Apesar das melhorias, quem lida com a administração pública ainda pode encontrar processos lentos em níveis locais.

O Papel da Tecnologia na Mineração Angolana

A imagem do mineiro com picareta é coisa do passado. Em 2026, as minas em Angola são cada vez mais digitais. Drones são usados para topografia, sensores monitorizam a estabilidade das barragens de rejeitos em tempo real, e softwares avançados gerem a extração para maximizar o rendimento.

Essa modernização não só aumenta a segurança dos trabalhadores, como também atrai jovens angolanos para o setor. A mineração tornou-se uma carreira tecnológica, não apenas braçal.

Palavras Finais

Ao olharmos para o fornecimento de mineração e minerais críticos em Angola em 2026, vemos um país em plena metamorfose. Angola deixou de ser um monólogo sobre petróleo para se tornar uma conversa vibrante sobre o futuro da energia limpa.

O caminho não está isento de obstáculos. A necessidade de manter a estabilidade, garantir que a riqueza chegue às populações mais pobres e proteger o meio ambiente são tarefas diárias. No entanto, com o Corredor do Lobito a funcionar e projetos de classe mundial como Longonjo e Luaxe a avançar, as peças estão no lugar certo.

Se você é um investidor, um parceiro comercial ou apenas um observador atento, Angola em 2026 oferece uma oportunidade rara: a hipótese de participar no início de uma nova era industrial em África. O convite está feito. O futuro é elétrico, e Angola está a ajudar a ligar o interruptor.