14 Projetos de Energia Verde: Solar, Eólica E Armazenamento Em Cabo Verde Em 2026
A transição energética em Cabo Verde atingiu uma velocidade de cruzeiro impressionante neste ano de 2026. O arquipélago, historicamente dependente da importação de combustíveis fósseis para gerar eletricidade e dessalinizar a água, está a virar a página com um plano ambicioso e concreto. Com o apoio de parceiros internacionais como o Banco Mundial e investimentos do setor privado, o país está a implementar uma série de iniciativas que prometem não apenas reduzir a fatura energética, mas também garantir a soberania nacional sobre os seus recursos.
Neste artigo, vamos explorar em detalhe os 14 projetos de energia verde em Cabo Verde em 2026 que estão a mudar o panorama energético das ilhas. Desde centrais solares fotovoltaicas em ilhas mais pequenas até grandes expansões eólicas e sistemas de armazenamento de ponta, estas infraestruturas são a espinha dorsal da meta nacional: ultrapassar os 50% de penetração de renováveis até 2030 e atingir os 100% em 2040.
O Contexto Energético de Cabo Verde em 2026
Para entender a importância destes 14 projetos, é fundamental olhar para o cenário atual. Em janeiro de 2026, o Banco Mundial aprovou um financiamento crucial de 13,3 milhões de dólares para o Projeto de Energias Renováveis e Melhoria do Desempenho das Utilidades (REIUP). Este injeção de capital, juntamente com o envolvimento de empresas privadas como a Cabeólica e a WinPower, permitiu que vários projetos saíssem do papel simultaneamente.
A estratégia é clara: diversificar as fontes. O sol e o vento são recursos abundantes no arquipélago, mas a sua intermitência sempre foi um desafio. É aqui que entram os novos sistemas de armazenamento, permitindo que a energia gerada durante o dia ou em momentos de ventania forte seja utilizada nos picos de consumo noturno.
Abaixo, detalhamos os 14 projetos que compõem este mosaico de sustentabilidade, divididos por tecnologia: Solar, Eólica e Armazenamento.
A Revolução Solar: 8 Novas Centrais Fotovoltaicas
A energia solar é, talvez, a aposta mais democrática de Cabo Verde, com projetos distribuídos por quase todas as ilhas habitadas. O plano atual contempla a execução e finalização de 8 centrais solares estratégicas que, somadas, representam um salto gigantesco na capacidade instalada do país.
1. Central Solar de Santa Maria (Ilha do Sal)
Este é um dos projetos bandeira. Com uma capacidade de 5 MW, a central localizada em Santa Maria não serve apenas a população local, mas é vital para a indústria turística. O Sal, sendo o motor turístico do país, tem uma procura energética elevada, especialmente para a dessalinização de água, essencial para os hotéis e resorts.
2. Central Solar de Norte de Baía (São Vicente)
São Vicente, com a sua vocação industrial e portuária, recebe um reforço de peso com a central de 5 MW na zona de Norte de Baía. Este projeto visa reduzir a dependência da central térmica do Lazareto e estabilizar a rede elétrica da ilha, permitindo uma maior integração de energias limpas.
3. Central Solar de Santiago
Sendo a ilha mais populosa e o centro administrativo do país, Santiago tem as maiores necessidades energéticas. O novo parque solar de 10 MW é a maior infraestrutura solar individual deste pacote de projetos. Localizado estrategicamente para alimentar a cidade da Praia e arredores, este parque é fundamental para diminuir o custo do kWh para as famílias e empresas.
4. Central Solar do Porto Novo (Santo Antão)
Em Santo Antão, a aposta é na descentralização. A central de 1,2 MW no Porto Novo garante que a ilha das montanhas possa produzir uma parte significativa da sua eletricidade localmente, reduzindo a necessidade de transporte de combustível via marítima, que é dispendioso e arriscado ambientalmente.
5. Central Solar de São Nicolau
Embora com uma escala menor, adequada à dimensão da ilha, a central de 0,4 MW em São Nicolau é vital para a autonomia local. Este projeto demonstra que a transição energética em Cabo Verde é inclusiva, não deixando nenhuma ilha para trás.
6. Central Solar do Fogo
A ilha do vulcão beneficia de uma nova central de 1,3 MW. Além de fornecer energia limpa, este projeto serve como um modelo de resiliência, garantindo fornecimento elétrico mesmo em situações de isolamento logístico temporário.
7. Central Solar da Brava
A ilha mais pequena e a mais a sul do arquipélago recebe uma central de 1,3 MW. Para a Brava, este projeto é transformador, pois a ilha tem historicamente sofrido com custos de energia muito elevados devido às dificuldades de transporte de gasóleo.
8. Central Solar do Maio
A ilha do Maio, com o seu potencial turístico crescente, prepara-se para o futuro com uma central de 0,4 MW. Este projeto está desenhado para ser escalável, permitindo aumentos de capacidade à medida que a procura turística e residencial na ilha cresça.
Tabela Resumo: Projetos de Energia Solar 2026
| Projeto | Ilha | Capacidade (MW) | Impacto Principal |
| Central Santa Maria | Sal | 5.0 MW | Suporte ao turismo e dessalinização |
| Central Norte de Baía | São Vicente | 5.0 MW | Estabilização da rede industrial |
| Central Santiago | Santiago | 10.0 MW | Abastecimento da capital (Praia) |
| Central Porto Novo | Santo Antão | 1.2 MW | Redução de importação de gasóleo |
| Central Fogo | Fogo | 1.3 MW | Resiliência energética local |
| Central Brava | Brava | 1.3 MW | Redução de custos de operação |
| Central Maio | Maio | 0.4 MW | Suporte ao desenvolvimento sustentável |
| Central S. Nicolau | S. Nicolau | 0.4 MW | Autonomia energética básica |
A Força do Vento: Expansão Eólica
O vento (os alísios) é o recurso natural mais antigo explorado em Cabo Verde. A empresa Cabeólica, uma parceria público-privada de sucesso, tem sido a pioneira. Em 2026, o foco não é apenas manter, mas expandir agressivamente esta capacidade.
9. Expansão do Parque Eólico de Santiago (Cabeólica)
Este é o nono projeto da nossa lista e um dos mais significativos em termos de volume. A expansão do parque eólico existente em Santiago adiciona cerca de 13 MW extra à rede. Esta expansão não se trata apenas de colocar mais turbinas; envolve a instalação de aerogeradores mais modernos e eficientes, capazes de produzir energia mesmo com velocidades de vento variáveis. Com este projeto, a Cabeólica reforça a sua posição como o maior produtor independente de energia (IPP) do país.
O Elo Perdido: Armazenamento e Baterias (BESS)
A grande novidade para 2026 é a introdução massiva de sistemas de armazenamento. Sem baterias, a energia solar e eólica perde-se se não for consumida no momento. Os seguintes 5 projetos focam-se exclusivamente em “guardar o sol e o vento” para uso posterior.
10. Sistema BESS Santiago
Como parte do projeto de expansão eólica e solar, Santiago recebe um sistema de baterias de larga escala (Battery Energy Storage System – BESS). Este sistema permite suavizar as oscilações da rede quando nuvens passam sobre os painéis solares ou quando o vento abranda subitamente.
11. Sistema BESS Sal
Na ilha do Sal, a estabilidade da rede é crítica para os hotéis. O projeto BESS local garante que a energia solar captada durante o dia possa ser utilizada durante o pico de consumo noturno dos hotéis (jantares, ar condicionado, espetáculos), reduzindo drasticamente a queima de diesel nas horas de ponta.
12. Sistema BESS São Vicente
Apoiando a indústria e a população do Mindelo, este sistema de baterias trabalha em conjunto com a nova central solar e os parques eólicos existentes para garantir uma frequência de rede estável, essencial para máquinas industriais e equipamentos sensíveis.
13. Sistema BESS Boa Vista
A Boa Vista, outra ilha turística chave, recebe também o seu sistema de armazenamento. A lógica é semelhante à do Sal: maximizar a penetração das renováveis e garantir que a ilha turística se possa vender como um destino “verde” e sustentável.
14. Central de Bombagem Hídrica de Santiago (Pumped Storage)
Este é, tecnicamente, o projeto mais complexo e fascinante. Localizado em Chã Gonçalves, este sistema funciona como uma “bateria de água”. Quando há excesso de energia eólica ou solar, a água é bombeada para um reservatório elevado. Quando é preciso energia, a água é libertada para girar turbinas. Com uma capacidade prevista de 20 MW, este sistema de armazenamento por bombagem é crucial para a meta de 2030, oferecendo uma capacidade de armazenamento de longa duração que as baterias de lítio ainda têm dificuldade em igualar economicamente.
Tabela Resumo: Projetos de Armazenamento e Eólica
| Projeto | Tecnologia | Ilha | Capacidade / Tipo |
| Expansão Cabeólica | Eólica | Santiago | +13 MW (Expansão) |
| BESS Santiago | Baterias | Santiago | Estabilização de Rede |
| BESS Sal | Baterias | Sal | Shifting de Energia (Dia para Noite) |
| BESS São Vicente | Baterias | São Vicente | Frequência e Qualidade de Energia |
| BESS Boa Vista | Baterias | Boa Vista | Integração de Renováveis |
| Bombagem Hídrica | Hídrica | Santiago | 20 MW (Armazenamento em Longa Duração) |
Impacto Económico e Ambiental
A implementação destes 14 projetos não é apenas uma questão ambiental; é uma manobra de sobrevivência económica. Cabo Verde não possui recursos fósseis. Cada litro de gasóleo queimado tem de ser importado, pago em moeda forte e transportado.
Redução da Fatura de Importação
Estima-se que, com a entrada em funcionamento total destes projetos em 2026, o país possa poupar milhões de euros anualmente na importação de combustíveis. O Primeiro-Ministro e o Ministro da Indústria, Comércio e Energia têm reiterado que essa poupança será reinvestida na educação, saúde e na própria manutenção da rede elétrica.
Criação de Empregos Verdes
A construção, operação e manutenção destas centrais exigem mão de obra qualificada. Desde engenheiros a técnicos de manutenção, estes projetos estão a criar uma nova classe de profissionais em Cabo Verde, especializados em tecnologias de futuro. O Banco Mundial, através do projeto REIUP, também tem focado na formação técnica, garantindo que o <i>know-how</i> permaneça no país.
Dessalinização Sustentável
Um ponto crítico é a água. Em Cabo Verde, água é energia (pela dessalinização). Ao baixar o custo da eletricidade com o sol e o vento, baixa-se também o custo de produção de água potável, aliviando o orçamento das famílias e a competitividade da agricultura local.
Desafios e O Futuro
Apesar do otimismo, existem desafios. A integração de tantas fontes intermitentes numa rede elétrica pequena e fragmentada (cada ilha é um sistema isolado) exige uma gestão técnica muito apurada. A empresa elétrica nacional (Electra) e os produtores independentes têm de trabalhar em sintonia perfeita.
O futuro, contudo, é promissor. O governo já olha para além de 2030, estudando o potencial do hidrogénio verde e da energia das ondas. Mas, por agora, em 2026, o foco é garantir que estes 14 projetos atinjam a sua plenitude operacional.
O Papel do Investimento Privado
A transição não é feita apenas com fundos públicos. O modelo de Cabo Verde tem atraído investidores privados que veem no país um laboratório perfeito para tecnologias verdes. A segurança jurídica e a estabilidade política do arquipélago são ativos tão valiosos quanto o sol e o vento para atrair esse capital.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Aqui respondemos às dúvidas mais comuns sobre os projetos de energia verde em Cabo Verde.
1. Qual é a meta de energia renovável de Cabo Verde para 2030?
A meta oficial do Governo de Cabo Verde é ultrapassar os 50% de penetração de energias renováveis na produção de eletricidade até 2030. Alguns planos mais ambiciosos apontam para chegar perto dos 100% até 2040.
2. O que é o sistema de armazenamento por bombagem em Santiago?
É um sistema que utiliza dois reservatórios de água em alturas diferentes (em Chã Gonçalves). Usa-se o excesso de energia renovável para bombear água para cima e, quando é preciso eletricidade, deixa-se a água cair para girar turbinas. Funciona como uma bateria gigante e recarregável.
3. Como é que estes projetos afetam o preço da luz?
A tendência a médio e longo prazo é a estabilização e redução dos preços. A energia solar e eólica é mais barata de produzir do que a térmica (diesel). No entanto, o investimento inicial nas infraestruturas é alto, pelo que a redução na fatura do consumidor será gradual à medida que os investimentos forem amortizados e a importação de combustíveis diminuir.
4. As ilhas mais pequenas também beneficiam destes projetos?
Sim. Como detalhado na lista dos 14 projetos, ilhas como Maio, Brava, São Nicolau e Fogo têm centrais solares específicas dimensionadas para as suas necessidades, garantindo que o desenvolvimento é descentralizado.
5. Quem está a financiar estes 14 projetos?
O financiamento é misto. Inclui fundos do Banco Mundial (como o projeto REIUP aprovado em 2026), investimentos privados de empresas como a Cabeólica e a WinPower, e fundos do orçamento do Estado de Cabo Verde e da cooperação internacional (como o Luxemburgo e a União Europeia).
Palavras Finais
O ano de 2026 marca um ponto de viragem histórico para Cabo Verde. A implementação destes 14 projetos de energia verde não é apenas uma lista de obras públicas; é a materialização de uma visão de futuro onde o arquipélago deixa de ser vítima das flutuações do preço do petróleo para se tornar um mestre dos seus próprios recursos.
Do sol escaldante do Sal ao vento forte de São Vicente e às montanhas de Santiago, a natureza de Cabo Verde está finalmente a ser aproveitada para gerar prosperidade. Para os cabo-verdianos, estes projetos significam luz mais fiável, água mais acessível e um ambiente mais limpo. Para o mundo, Cabo Verde posiciona-se como um exemplo brilhante do que as Pequenas Nações Insulares em Desenvolvimento (SIDS) podem alcançar com vontade política, parcerias certas e tecnologia de ponta.
Se está a planear investir ou visitar Cabo Verde, saiba que a energia que ilumina a sua estadia ou o seu negócio está, cada vez mais, a vir do céu e do vento deste país magnífico.
