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18 Imobiliário, PropTech e Infraestruturas em Moçambique em 2026

O ano de 2026 marca um ponto de viragem para a economia de Moçambique. Após anos de desafios e reestruturações, o país entra numa fase onde a tecnologia e o betão se encontram. Se é investidor, proprietário ou apenas um observador atento, perceber a dinâmica entre o mercado imobiliário, PropTech e infraestruturas é vital.

Neste artigo, vamos mergulhar nas tendências que definem 2026. Desde a digitalização da procura de casas até às novas estradas que ligam o país, explicamos o que está a mudar e onde estão as oportunidades reais.

O Panorama do Mercado Imobiliário em 2026

O mercado imobiliário moçambicano em 2026 apresenta-se mais maduro e, acima de tudo, mais resiliente. A rápida urbanização em cidades como Maputo, Matola e Nampula continua a ser o grande motor da procura.

Residencial: A Procura por Qualidade e Acessibilidade

A procura por habitação formal continua a superar a oferta. Em 2026, assistimos a um fenómeno interessante: o “mercado de arrendamento” está vibrante. Com as taxas de juro ainda a desafiar a compra de casa própria para a classe média, o arrendamento tornou-se a solução imediata.

  • Rendimentos de Aluguer: Investidores que apostam em apartamentos T1 e T2 nas zonas de expansão de Maputo estão a ver retornos brutos (yields) atrativos, que podem chegar aos 19% em segmentos específicos.
  • Zonas Quentes: Bairros como Polana e Sommerschield mantêm o estatuto de luxo, mas a verdadeira agitação está em Costa do Sol e Catembe. A ponte Maputo-Catembe, agora totalmente integrada na rotina da cidade, transformou a outra margem num subúrbio residencial viável.

Comercial: Escritórios Flexíveis

O conceito de escritório mudou. As grandes empresas em Maputo já não procuram apenas metros quadrados; procuram “portfólios elásticos”. Isto significa contratos mais flexíveis e espaços que permitem o trabalho híbrido. Edifícios que não oferecem boa conectividade e gestão eficiente estão a perder inquilinos para espaços modernos e “verdes”.

Tabela: Previsão de Preços Médios e Retornos em Maputo (2026)

Zona Tipo de Imóvel Preço Médio (Venda) Tendência de Valorização Perfil do Inquilino
Polana Cimento Apartamento T3 (Luxo) Alto Estável Diplomatas, Executivos
Costa do Sol Moradia em Condomínio Médio-Alto Crescente Famílias Jovens, Expatriados
Matola (Novas Zonas) Casa T3 Médio Moderada Classe Média Local
Catembe Terrenos/Vivendas Acessível Alta Investidores a Longo Prazo

A Revolução PropTech: Tecnologia na Propriedade

Se antes comprar casa em Moçambique envolvia pilhas de papel e incerteza, 2026 trouxe a revolução das PropTech (Tecnologia de Propriedade). A tecnologia não é apenas um luxo; tornou-se uma ferramenta de transparência.

Digitalização e Segurança Jurídica (DUAT)

O maior medo do investidor sempre foi a documentação. Hoje, novas plataformas digitais e startups locais estão a ajudar a verificar a titularidade do DUAT (Direito de Uso e Aproveitamento da Terra) com mais rapidez.

  • Portais Imobiliários Inteligentes: Já não se trata apenas de listar fotos. Os portais líderes em 2026 usam dados para mostrar o histórico de preços da zona e a proximidade de serviços, oferecendo uma “visita virtual” imersiva antes de o cliente sair de casa.
  • Gestão Remota: Para a diáspora moçambicana e investidores estrangeiros, aplicações de gestão de propriedades permitem cobrar rendas e gerir manutenção à distância, reduzindo a necessidade de intermediários informais.

Grandes Projetos de Infraestruturas que Mudam o Jogo

Grandes Projetos de Infraestruturas que Mudam o Jogo

O imobiliário não vive isolado. Ele precisa de estradas, pontes e energia. Em 2026, o Governo de Moçambique, com apoio de fundos soberanos e parceiros internacionais, está a focar-se na conectividade.

O Corredor de Maputo e a Mobilidade Urbana

O projeto MOVE Maputo está a redefinir o transporte na capital. A melhoria das vias para autocarros rápidos (BRT) e a reabilitação de estradas suburbanas estão a valorizar bairros que antes eram considerados “longe de tudo”. Quando o tempo de deslocação diminui, o valor das casas nessas zonas aumenta.

Estradas Nacionais e Conexão Rural

Não é só Maputo que cresce. A reabilitação da Estrada Nacional N1 continua a ser crítica para ligar o Norte ao Sul. Além disso, novos projetos rodoviários, como a ligação entre os distritos de Boane, Moamba e Magude, estão a abrir novos corredores logísticos e habitacionais na província de Maputo.

Principais Obras em Destaque (2025-2026):

  1. Reabilitação da N1: Crucial para o transporte de mercadorias e redução de custos de construção no Norte.
  2. Ponte sobre o Rio Save (Massangena): Financiada pelo Fundo Soberano, melhora a circulação no interior.
  3. Estradas Boane-Moamba: Criação de um anel externo que facilita o escoamento sem passar pelo centro da capital.

Sustentabilidade e Construção Verde

A preocupação ambiental deixou de ser apenas “marketing”. Com Moçambique a enfrentar desafios climáticos cíclicos, a construção em 2026 foca-se na resiliência.

  • Materiais Locais: Há uma tendência crescente no uso de materiais nacionais, que são mais adaptados ao clima tropical e reduzem a pegada de carbono da importação.
  • Energia Solar: Cada vez mais condomínios novos já nascem com pré-instalação de painéis solares, uma resposta direta às falhas de energia e ao custo da eletricidade.

Desafios e Oportunidades de Investimento

Investir em Moçambique em 2026 é promissor, mas exige cautela. O crescimento do PIB, projetado em cerca de 2.8% a 3%, sinaliza uma recuperação, impulsionada também pelos projetos de Gás Natural Liquefeito (GNL).

Onde estão as Oportunidades?

  • Logística: Armazéns e parques industriais perto dos novos corredores rodoviários.
  • Habitação para a Classe Média: O segmento mais carente de oferta de qualidade.
  • Turismo Local: Alojamento local em zonas costeiras acessíveis por estrada.

Quais são os Riscos?

  • Burocracia: Apesar da digitalização, alguns processos de licenciamento ainda são lentos.
  • Clima: O risco de cheias e ciclones exige que a escolha da localização do imóvel seja feita com estudos rigorosos de drenagem e elevação.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Vale a pena investir em imobiliário em Moçambique em 2026?

Sim, especialmente no mercado de arrendamento residencial em Maputo e Matola, onde a procura é constante. A chave é focar na localização e na regularidade documental (DUAT).

2. O que são PropTechs e como ajudam quem compra casa?

PropTechs são empresas que usam tecnologia no setor imobiliário. Em Moçambique, elas ajudam a encontrar imóveis online com dados reais, facilitam visitas virtuais e aumentam a segurança na verificação de documentos.

3. Quais as zonas de Maputo com maior potencial de valorização?

Zonas como Catembe (pela nova acessibilidade) e os bairros ao longo da “Estrada Circular” e do projeto MOVE Maputo têm grande potencial de valorização a médio prazo.

4. Estrangeiros podem comprar terra em Moçambique?

A terra em Moçambique pertence ao Estado e não pode ser vendida. No entanto, estrangeiros podem deter o DUAT (direito de uso) para fins de investimento, e podem comprar e vender legalmente as infraestruturas (casas, edifícios) construídas sobre essa terra.

Palavras Finais

Moçambique em 2026 é um país em construção. A fusão entre o desenvolvimento de infraestruturas pesadas e a agilidade das soluções digitais (PropTech) está a criar um mercado mais transparente e dinâmico. Para quem olha para o futuro, o segredo não está apenas em comprar terra ou tijolo, mas em entender para onde a cidade se move e como a tecnologia facilita esse caminho. O mercado recompensa quem está informado e quem aposta na qualidade e na sustentabilidade.