16 Empresas Inovadoras Em Fintech E Pagamentos Digitais NA Guiné-Bissau Em 2026
A Guiné-Bissau está a viver uma transformação silenciosa, mas poderosa, no seu setor financeiro. Em 2026, o país não é apenas um consumidor de tecnologia, mas um palco ativo para a inovação digital na África Ocidental. A dependência do dinheiro físico está a diminuir, dando lugar a carteiras digitais, aplicações bancárias ágeis e soluções de pagamento que conectam Bissau ao resto do mundo.
Este artigo explora o ecossistema financeiro atual. Vamos analisar as empresas que estão a mudar a forma como os guineenses poupam, gastam e investem. Desde gigantes das telecomunicações até startups regionais, estas são as 16 empresas e plataformas que definem o cenário Fintech Guiné-Bissau 2026.
O Cenário Financeiro na Guiné-Bissau em 2026
Antes de conhecermos as empresas, é importante entender o contexto. A Guiné-Bissau, membro da UEMOA (União Económica e Monetária do Oeste Africano), beneficia de uma regulação comum que facilita a entrada de fintechs regionais.
A penetração móvel disparou. O telemóvel é agora o “banco” principal para milhares de cidadãos. As barreiras tradicionais, como a falta de agências bancárias nas zonas rurais (Tabancas), foram quebradas pela tecnologia USSD e pelas aplicações móveis leves.
Principais Tendências para 2026:
- Interoperabilidade: Enviar dinheiro entre redes diferentes é mais fácil.
- Remessas Digitais: A diáspora envia dinheiro diretamente para carteiras móveis, evitando taxas altas.
- Microcrédito: Pequenos empréstimos aprovados em segundos via telemóvel.
1. MTN Mobile Money (MoMo)
A MTN continua a ser a líder indiscutível no mercado. Em 2026, o serviço “MoMo” evoluiu de simples transferências para uma “Super App”. A empresa domina porque possui a maior rede de agentes no país, permitindo que o dinheiro digital seja convertido em dinheiro físico em quase qualquer esquina de Bissau ou Gabú.
| Característica | Detalhe |
| Serviço Principal | Transferências, Pagamento de Contas, Microcrédito (MoMo Kash). |
| Público-Alvo | População geral, não bancarizados. |
| Inovação 2026 | Integração com comércio eletrónico local e API aberta para programadores. |
2. Orange Money
A grande rival da MTN, a Orange Money, mantém uma quota de mercado robusta. A sua força reside na estabilidade da rede e na facilidade de pagamentos internacionais. Muitos comerciantes em Bissau preferem a Orange pela sua fiabilidade nas transações transfronteiriças, especialmente com o Senegal e a Guiné-Conacri.
| Característica | Detalhe |
| Serviço Principal | Pagamentos mercantis e transferências internacionais. |
| Vantagem | Forte presença na região da África Ocidental (UEMOA). |
| Foco | Pagamentos QR Code e integração com faturas de energia/água. |
3. Wave Mobile Money
A “onda” azul chegou para ficar. A Wave revolucionou o mercado com a sua política radical de taxas baixas (apenas 1% para transferências). Em 2026, a Wave na Guiné-Bissau não é apenas uma opção barata; é a preferida dos pequenos comerciantes e feirantes devido à sua aplicação extremamente simples, que funciona bem mesmo sem dados móveis e usa cartões QR físicos.
| Característica | Detalhe |
| Diferencial | Taxa fixa de 1% e levantamentos gratuitos. |
| Tecnologia | Cartões QR físicos ligados à conta digital. |
| Impacto | Forçou os concorrentes a baixarem os preços. |
4. Ecobank Mobile (Xpress Account)

O Ecobank opera sob o lema “O Banco Pan-Africano”. A sua aplicação móvel é uma das mais sofisticadas. O produto “Xpress Account” permite abrir uma conta bancária digitalmente, sem papelada, apenas com o número de telemóvel. É a ponte perfeita entre a banca tradicional e a fintech moderna.
| Característica | Detalhe |
| Tipo | Neobanco / Banco Digital. |
| Acessibilidade | Abertura de conta instantânea (KYC simplificado). |
| Uso Comum | Pagamentos digitais Visa/Mastercard virtuais. |
5. Baluwo
A Baluwo é essencial para a diáspora guineense em Portugal e na Europa. Não é apenas uma empresa de remessas; é uma plataforma de “serviços pré-pagos”. Em vez de enviar dinheiro, o emigrante pode comprar eletricidade, saldo de telemóvel ou até materiais de construção diretamente para a família na Guiné-Bissau.
| Característica | Detalhe |
| Modelo | Cash-to-Goods / Cash-to-Service. |
| Sede | Baseada na Europa, com forte operação local. |
| Valor | Garante que o dinheiro é usado para o fim pretendido (compras/contas). |
6. InnovaLab GW (Ecossistema e Aceleração)
Embora não seja um banco, a InnovaLab é o coração da inovação. É uma incubadora e aceleradora que apoia startups locais. Em 2026, muitos dos pequenos projetos de fintech que surgem em Bissau nasceram ou foram mentoreados aqui. Eles fornecem a infraestrutura e o conhecimento técnico para jovens empreendedores.
| Característica | Detalhe |
| Função | Hub de Tecnologia e Aceleradora. |
| Importância | Forma talento em programação e gestão financeira. |
| Parceiros | Conecta startups a investidores internacionais. |
7. Banco da África Ocidental (BAO) Digital
O BAO é uma instituição histórica na Guiné-Bissau. Contudo, a sua transformação digital merece destaque. Lançaram plataformas de Home Banking que competem com fintechs, permitindo a gestão corporativa de salários e pagamentos a fornecedores de forma totalmente online, algo raro há alguns anos.
| Característica | Detalhe |
| Foco | Banca Corporativa e PMEs. |
| Serviço | Gestão de folha de pagamento digital. |
| Segurança | Protocolos bancários de nível internacional. |
8. Orabank (Keaz)
O Orabank trouxe para a Guiné-Bissau a plataforma “Keaz”. Esta plataforma omnicanal permite fazer tudo: desde operações via WhatsApp até à banca online tradicional. A flexibilidade do Keaz atrai o público jovem e conectado que prefere conversar com um “bot” para pagar uma conta do que ir a um balcão.
| Característica | Detalhe |
| Plataforma | Keaz (App e Web). |
| Inovação | “Social Banking” (banca via redes sociais). |
| Público | Jovens profissionais e estudantes. |
9. Bizao
A Bizao é uma fintech focada em pagamentos B2B (Business to Business). Ela resolve um problema grave: a fragmentação. A Bizao permite que empresas na Guiné-Bissau aceitem pagamentos de Orange Money, MTN MoMo e cartões bancários através de uma única API. É o “Stripe” da África Francófona.
| Característica | Detalhe |
| Foco | Agregador de pagamentos para empresas. |
| Tecnologia | API única para múltiplos meios de pagamento. |
| Cliente | Grandes comerciantes e serviços públicos. |
10. MFS Africa (Onafriq)
Agora rebatizada como Onafriq, esta é a “canalização” que conecta tudo. Embora o consumidor final não veja a marca deles, eles são a tecnologia que permite que uma transferência da MTN no Gana chegue a uma carteira Orange na Guiné-Bissau. A sua presença é vital para a interoperabilidade transfronteiriça.
| Característica | Detalhe |
| Papel | Hub de comutação digital (Switch). |
| Cobertura | Conecta mais de 400 milhões de carteiras em África. |
| Missão | Eliminar fronteiras nos pagamentos digitais. |
11. MoneyGram Digital
A velha gigante das remessas reinventou-se. Em 2026, a sua operação na Guiné-Bissau é fortemente digital. A parceria com carteiras móveis locais significa que o dinheiro enviado dos EUA ou Europa cai diretamente no telemóvel do destinatário, sem necessidade de ir a um quiosque físico.
| Característica | Detalhe |
| Modelo | Híbrido (Físico + Digital). |
| Parceria | Integração direta com carteiras móveis locais. |
| Velocidade | Transferências quase instantâneas. |
12. Coris Bank International
O Coris Bank tem um foco muito específico: o financiamento de PMEs (Pequenas e Médias Empresas). A sua abordagem digital foca-se em acelerar a aprovação de crédito para comerciantes. Usam dados de transações para avaliar o risco, em vez de exigir garantias físicas impossíveis para muitos empreendedores.
| Característica | Detalhe |
| Especialidade | Financiamento de PMEs e Comércio. |
| Método | Análise de crédito baseada em fluxo de caixa. |
| Lema | “O banco de outra forma”. |
13. TouchPay
Presente em vários países da zona UEMOA, a TouchPay oferece terminais de pagamento e soluções digitais para estações de serviço e grandes retalhistas. Na Guiné-Bissau, facilitam a digitalização de pagamentos em locais que tradicionalmente só aceitavam dinheiro vivo.
| Característica | Detalhe |
| Uso Principal | Terminais de pagamento e quiosques. |
| Setor | Varejo e Combustíveis. |
| Vantagem | Robustez do sistema em áreas com internet instável. |
14. GIM-UEMOA (Gimtel)
O GIM-UEMOA não é uma startup, é a infraestrutura regional. Eles emitem os cartões “GIM” que funcionam em todos os 8 países da união. Em 2026, o foco está no “Gimpay”, um ecossistema que permite interoperabilidade total entre bancos e carteiras móveis. É a espinha dorsal regulatória e técnica.
| Característica | Detalhe |
| Tipo | Switch Regional Interbancário. |
| Produto | Cartões GIM e plataforma Gimpay. |
| Objetivo | Inclusão financeira regional. |
15. InTouch
Fundada no Senegal, a InTouch expandiu-se rapidamente. A sua plataforma “Guiché Único” é usada em postos de gasolina TotalEnergies e lojas de conveniência. Permite que um único comerciante aceite todos os tipos de pagamento (dinheiro, cartão, mobile money) e venda serviços digitais (seguros, assinaturas) num só dispositivo.
| Característica | Detalhe |
| Solução | Agregador de serviços num único POS. |
| Parceiro | TotalEnergies (presença física forte). |
| Benefício | Simplifica a contabilidade do comerciante. |
16. Banco da União (BDU-GB)
Parte do grupo BD-Mali, o BDU tem investido na modernização. A sua aposta recente são os serviços de SMS Banking e alertas em tempo real, fundamentais para comerciantes que precisam de monitorizar as suas contas sem acesso constante à internet de alta velocidade.
| Característica | Detalhe |
| Foco | Banca Comercial. |
| Tecnologia | SMS Banking e alertas de segurança. |
| Perfil | Conservador mas em modernização constante. |
O Desafio da Literacia Digital
Apesar destas inovações, a Guiné-Bissau enfrenta desafios. Ter 16 empresas a operar é excelente, mas o público precisa de saber usar estas ferramentas.
A “Inclusão Financeira” não é apenas ter uma conta, é saber usá-la para melhorar a vida. Em 2026, vemos um esforço conjunto entre o governo e estas fintechs para educar a população. Campanhas em crioulo, interfaces de voz (IVR) para quem não sabe ler e atendimento ao cliente local são cruciais.
Barreiras a Superar:
- Conectividade: A internet nas zonas rurais ainda precisa de melhorias.
- Confiança: Muitos cidadãos ainda preferem guardar dinheiro “debaixo do colchão”.
- Documentação: A falta de Bilhete de Identidade dificulta o acesso a níveis superiores de contas (KYC).
FAQ: Perguntas Frequentes
Qual é a melhor carteira móvel na Guiné-Bissau?
Depende do seu uso. A MTN MoMo tem a maior rede de agentes. A Wave é geralmente a mais barata para transferências. A Orange Money é excelente para pagamentos regionais.
É seguro usar apps financeiras na Guiné-Bissau?
Sim. As empresas listadas são reguladas pelo Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO). Elas seguem regras estritas de segurança cibernética e proteção de fundos.
Posso receber dinheiro de Portugal diretamente no telemóvel?
Sim. Serviços como a Baluwo, MoneyGram e transferências bancárias internacionais via Ecobank permitem enviar euros que são convertidos automaticamente em francos CFA (XOF) na conta do destinatário.
O que é uma Fintech?
“Fintech” é a união de “Finanças” e “Tecnologia”. São empresas que usam software e inovação para oferecer serviços financeiros mais rápidos, baratos e acessíveis do que os bancos tradicionais.
Palavras Finais
O panorama Fintech Guiné-Bissau 2026 é vibrante e promissor. Passámos de um sistema baseado quase exclusivamente em dinheiro vivo para um ecossistema digital diversificado. As 16 empresas listadas acima não são apenas negócios; são motores de desenvolvimento.
Ao permitirem que um agricultor em Bafatá receba o pagamento da sua colheita instantaneamente, ou que um estudante em Bissau pague as propinas sem filas, estas empresas estão a construir uma economia mais eficiente. O futuro é digital, e a Guiné-Bissau está a agarrar essa oportunidade com as duas mãos. A colaboração entre bancos tradicionais e novas startups será a chave para desbloquear todo o potencial económico do país nos próximos anos.
