18 Imobiliário, PropTech e Infraestruturas no Brasil em 2026
O ano de 2026 marca um ponto de virada decisivo para o Brasil. Não estamos apenas falando de mais um ano no calendário fiscal, mas de um período que promete redefinir a forma como moramos, investimos e construímos. Se nos últimos anos vivemos a incerteza dos juros altos e da adaptação pós-pandemia, 2026 chega com uma projeção de investimentos robustos em infraestrutura e uma revolução tecnológica silenciosa, mas poderosa, liderada pelas PropTechs.
Imagine um cenário onde a escassez de novos imóveis encontra um crédito mais acessível e obras públicas de grande porte destravam o valor de regiões inteiras. É exatamente aqui que estamos. Com a taxa Selic projetada para entrar em um ciclo de estabilidade ou queda gradual e leilões de infraestrutura somando bilhões, o mercado imobiliário brasileiro se prepara para um novo ciclo de expansão.
Neste artigo, vamos mergulhar fundo nas tendências que moldarão o setor, desde o canteiro de obras digitalizado até o bolso do consumidor que busca o sonho da casa própria.
1. O Cenário Econômico e o Crédito Imobiliário em 2026
Para entender o mercado imobiliário, precisamos primeiro olhar para o dinheiro. O crédito é o combustível desse setor, e as notícias para 2026 são, em sua maioria, otimistas. Projeções da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) indicam que o volume de financiamentos pode crescer cerca de 16% em 2026.
A Queda da Selic e o Novo Fôlego
A expectativa do mercado é que a taxa Selic termine o ano em patamares mais amigáveis, possivelmente rondando a casa dos 12% a 12,5%. Embora ainda não seja um dígito único, essa redução é suficiente para:
- Reaquecer a demanda: Famílias que adiaram a compra por causa das prestações altas voltam ao jogo.
- Aumentar a portabilidade: Quem financiou com taxas altas no passado poderá renegociar suas dívidas.
- Destravar o Funding: Com a poupança (SBPE) ainda pressionada, novos instrumentos de captação de recursos ganham força.
Projeções de Financiamento para 2026
| Indicador | Projeção 2026 | Tendência |
| Crescimento do Crédito | +16% | Alta moderada a forte |
| Taxa Selic Esperada | ~12,25% | Queda gradual |
| Recursos SBPE (Poupança) | R$ 180 Bilhões | Recuperação lenta |
| Recursos FGTS (Habitação Social) | R$ 145 Bilhões | Estabilidade (Foco no MCMV) |
Esse cenário cria uma “janela de oportunidade”. Com o estoque de imóveis novos em baixa — estimativas apontam que o estoque atual em grandes capitais duraria apenas 8 meses sem novos lançamentos — podemos ver uma pressão de preços. Ou seja, quem deixar para comprar no final de 2026 pode pagar mais caro.
2. A Era das PropTechs: Tecnologia Além do Hype
Se antes a tecnologia no setor imobiliário era vista como “algo a mais”, em 2026 ela é uma questão de sobrevivência. As PropTechs (startups de tecnologia imobiliária) e Construtechs (tecnologia para construção) não estão apenas crescendo em número, mas em maturidade. O Brasil já conta com mais de 1.200 startups desse tipo, e o foco mudou: saiu o “disruptivo pelo disruptivo” e entrou a “eficiência real”.
O BIM como Regra, não Exceção
O Building Information Modeling (BIM) deixou de ser uma sigla bonita em apresentações de powerpoint. Em 2026, com a pressão por custos e prazos, o BIM se tornou a espinha dorsal das construtoras sérias. Ele permite construir o prédio virtualmente antes de colocar o primeiro tijolo, evitando erros que custam milhões.
- Redução de Desperdício: Menos entulho, menos material jogado fora.
- Previsibilidade: Saber exatamente quanto vai custar a obra antes dela começar.
Inteligência Artificial na Venda e Gestão
A IA agora faz o trabalho pesado. Para o corretor e a imobiliária, ferramentas de IA filtram leads (clientes potenciais) com uma precisão assustadora.
- Para o Comprador: Chatbots que realmente entendem o que você quer (“Busco um apê com sol da manhã e perto de metrô”) e não apenas mostram listas aleatórias.
- Para o Gestor: Algoritmos que preveem quais inquilinos têm maior risco de inadimplência antes mesmo de assinar o contrato.
3. Infraestrutura: O Motor de R$ 265 Bilhões
Talvez o maior “game changer” para o mercado imobiliário em 2026 não venha de dentro dos condomínios, mas de fora, das ruas e estradas. O Brasil projeta uma onda massiva de leilões de infraestrutura e Parcerias Público-Privadas (PPPs), somando investimentos na casa dos R$ 265 bilhões.
Quando o governo ou a iniciativa privada investem em infraestrutura, o mercado imobiliário reage quase imediatamente. Uma nova linha de metrô, um aeroporto modernizado ou uma rodovia duplicada valorizam automaticamente os imóveis no entorno.
Principais Frentes de Investimento
- Transporte e Mobilidade:
- Concessões de rodovias em Minas Gerais e São Paulo (como a Rota Mogiana).
- Modernização de portos (R$ 5,1 bilhões aprovados recentemente para portos como o de Santos).
- Saneamento Básico:
- Com o Marco do Saneamento, cidades médias estão recebendo investimentos pesados em água e esgoto. Imóvel em rua com esgoto tratado vale, em média, 14% a mais.
- Projetos Urbanos:
- A criação de novos centros administrativos e revitalização de centros históricos (retrofit) em capitais.
Tabela: Onde o Dinheiro Vai (Previsão 2026)
| Setor | Impacto no Imobiliário | Regiões em Alta |
| Rodovias | Valorização de galpões logísticos e áreas industriais | Interior de SP e MG |
| Saneamento | Valorização residencial geral | Cidades médias (GO, PR) |
| Portos | Expansão de áreas comerciais e logísticas | Litoral (Santos, Pecém) |
| Mobilidade Urbana | Alta valorização de residenciais compactos | Grandes Capitais (SP, RJ) |
4. Tendências de Moradia: O Que o Brasileiro Busca Agora?

O comportamento do consumidor mudou. O “sonho da casa própria” em 2026 tem contornos diferentes dos anos anteriores. A busca por qualidade de vida superou a busca por metragem pura.
A Ascensão das Cidades Médias
Capitais como São Paulo e Rio de Janeiro continuam sendo potências, mas o custo de vida e o trânsito empurram a demanda para cidades do interior com boa infraestrutura. Cidades como São José dos Campos, Sorocaba, Maringá e Joinville tornaram-se ímãs para a classe média que trabalha em modelo híbrido.
Sustentabilidade que Paga a Conta
Ninguém mais quer “pagar de verde”. O comprador de 2026 quer sustentabilidade que gere economia.
- Painéis Solares: Já são vistos como item básico em novos empreendimentos para reduzir a conta do condomínio.
- Reuso de Água: Essencial para manter jardins e áreas comuns sem explodir a taxa mensal.
- Carregadores de Carro Elétrico: A frota de elétricos cresceu, e prédios sem pontos de recarga já nascem obsoletos.
5. Minha Casa, Minha Vida e o Mercado Popular
O programa habitacional do governo continua sendo a locomotiva do setor em termos de volume. Em 2026, o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) segue robusto, mas com novidades. A Faixa 4 (para rendas um pouco maiores) e o uso do FGTS Futuro ampliaram o leque de quem pode comprar.
Isso cria um mercado duplo:
- Mercado de Luxo/Alto Padrão: Resiliente, quase imune às taxas de juros, focado em exclusividade e localização.
- Mercado Econômico (MCMV): Dependente de subsídios, mas com demanda infinita.
- O “Meio do Caminho”: A classe média tradicional é a que mais deve se beneficiar da queda da Selic em 2026, pois ficou “espremida” nos últimos anos sem subsídios e sem dinheiro para o luxo.
6. Desafios: Nem Tudo São Flores
Apesar do otimismo, o setor enfrenta gargalos que precisam de atenção.
- Mão de Obra: Falta pedreiro, mestre de obras e engenheiro qualificado. A construção civil compete hoje com o agronegócio e serviços por trabalhadores. Isso pode atrasar obras.
- Custo de Materiais: Embora a inflação esteja controlada, o custo da construção (INCC) subiu muito nos últimos anos e dificilmente baixará. O “novo normal” de preços é alto.
Palavras Finais
O ano de 2026 desenha-se como um período de colheita e plantio simultâneos. Colheita para quem investiu em tecnologia e eficiência nos anos difíceis, e plantio para novos investidores que aproveitarão a retomada do crédito e os investimentos massivos em infraestrutura.
Para o comprador, o conselho é: não espere a “tempestade perfeita” de juros baixíssimos e preços lá no chão — ela raramente acontece. Com o estoque de imóveis caindo, o melhor momento para negociar é agora, aproveitando a tendência de queda dos juros para, quem sabe, refinanciar no futuro. O Brasil está em obras, e o mercado imobiliário é o primeiro a sentir essa vibração.
FAQ – Perguntas Frequentes
- Vale a pena comprar imóvel em 2026?
Sim. Com a tendência de queda da Selic e o baixo estoque de imóveis novos, espera-se uma valorização dos preços. Comprar antes que a demanda exploda pode garantir um valor de metro quadrado mais acessível.
- O que são PropTechs e como elas me ajudam?
PropTechs são empresas que usam tecnologia no mercado imobiliário. Para você, isso significa processos de aluguel sem fiador (mais rápidos), visitas virtuais de alta qualidade e financiamentos menos burocráticos.
- Quais cidades devem se valorizar mais em 2026?
Além das capitais tradicionais, cidades médias com forte investimento em infraestrutura e qualidade de vida (como no interior de SP, SC e PR) e regiões portuárias que receberão investimentos (como Santos e Pecém) têm alto potencial.
- O financiamento imobiliário vai ficar mais barato?
A tendência é que sim. Com a projeção da Selic caindo para cerca de 12% ao ano, os bancos tendem a reduzir as taxas de juros do crédito imobiliário para atrair clientes, aumentando a competição.
- O programa Minha Casa, Minha Vida continua em 2026?
Sim, e segue forte. O governo manteve e ampliou faixas de renda, permitindo que mais famílias acessem o crédito subsidiado, sendo um dos pilares de vendas das grandes construtoras.
