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12 Economia Circular e Reciclagem Avançada em Moçambique em 2026

Moçambique está a viver uma fase de grande transformação ambiental. O mundo moderno exige soluções rápidas para o problema do lixo. Neste cenário, a economia circular em Moçambique surge como a resposta mais forte. O país está a deixar para trás o modelo antigo de usar e deitar fora. Em 2026, a reciclagem avançada ganha espaço. Novos projetos surgem. Novas leis entram em vigor. O lixo passa a ter valor.

Este artigo explica tudo o que precisa de saber sobre este tema. Vamos explorar os dados reais, os projetos em andamento e as perspetivas para o futuro. O texto foi escrito com frases curtas e palavras simples. O objetivo é que qualquer pessoa possa entender a importância deste assunto. Vamos descobrir como Moçambique está a transformar um grande problema numa grande oportunidade económica e ambiental.

O Cenário da Gestão de Resíduos em 2026

Para entender a mudança, precisamos de olhar para os números atuais. A rápida urbanização e o crescimento da economia trouxeram um grande desafio. As cidades cresceram muito depressa. O consumo aumentou. Como resultado, a quantidade de lixo também cresceu de forma assustadora.

Dados Atuais de Produção de Lixo

Hoje, estima-se que Moçambique gere pelo menos 4,2 milhões de toneladas de resíduos por ano. É um número muito alto. Infelizmente, mais de 98% destes resíduos vão parar a lixeiras não controladas. Apenas 1% a 2% do lixo é reciclado. Esta pequena reciclagem é feita sobretudo por redes informais. Na capital, Maputo, cada habitante produz cerca de meio quilo de lixo por dia. A maior parte deste lixo ainda é queimada a céu aberto. Isso causa graves problemas de saúde e poluição.

Indicador de Resíduos Dados Atuais (2025/2026)
Produção Anual de Resíduos 4,2 milhões de toneladas
Resíduos em Lixeiras Não Controladas 98% a 99%
Taxa de Reciclagem Atual 1% a 2%
Produção Diária em Maputo 0,5 kg por habitante

O Que é a Economia Circular?

A economia circular é um modelo de produção e consumo. O seu objetivo é prolongar a vida útil dos materiais. Em vez do modelo linear (extrair, produzir, deitar fora), a economia circular foca-se em reduzir, reutilizar e reciclar. O lixo de uma pessoa torna-se a matéria-prima de outra.

Benefícios para o País

Adotar a economia circular em Moçambique traz muitas vantagens. Em primeiro lugar, protege o meio ambiente. Reduz a poluição do solo, da água e do ar. Em segundo lugar, cria novos empregos. A recolha e o tratamento do lixo precisam de mão de obra. Em terceiro lugar, ajuda a poupar dinheiro e recursos naturais. Os materiais reciclados são muitas vezes mais baratos do que os materiais novos.

Vantagem Descrição Prática
Ambiental Menos poluição e redução de gases de efeito estufa.
Económica Criação de novos negócios e poupança de recursos.
Social Geração de emprego formal e inclusão de catadores.
Saúde Pública Redução de doenças causadas por lixeiras a céu aberto.

Projetos de Reciclagem Avançada em Moçambique

O Governo e os parceiros internacionais decidiram agir. Perceberam que não podiam continuar com o modelo antigo. Por isso, grandes investimentos começaram a ser feitos. O foco é criar instalações modernas de tratamento de lixo.

O Programa ValoRe e Novas Infraestruturas

Um dos grandes marcos de 2026 é a segunda fase do programa ValoRe. Este programa foi lançado inicialmente em 2019. Agora, conta com um investimento de cerca de 24 milhões de euros (quase 26 milhões de dólares). O dinheiro vai servir para construir três novas infraestruturas de reciclagem. As cidades escolhidas são Pemba, Nacala e Nampula. O objetivo é pagar um valor por cada tonelada de lixo recolhida para valorização. A ideia é garantir que só vá para o aterro sanitário aquilo que não tem valor comercial.

Cidade Financiamento Fonte do Financiamento
Pemba 3,7 milhões de euros Orçamento do Estado Moçambicano
Nacala Parte de 18,4 milhões € Fundo Climático (UE, Reino Unido, Alemanha)
Nampula Parte de 18,4 milhões € Fundo Climático (UE, Reino Unido, Alemanha)
Apoio Extra 2 milhões de euros Agência Belga de Desenvolvimento

Inovação de Materiais na Construção e Comércio

Além do Governo, várias empresas estão a inovar. A startup Yopipila, no norte de Moçambique, tem um projeto brilhante. Eles usam garrafas de plástico vazias, enchem-nas de areia e usam-nas como blocos de construção. Estas estruturas são, em média, 20% mais baratas que os blocos de cimento normais. Em Maputo, a empresa Goodtrade tenta promover a reutilização através de estações de recarga de produtos. Eles vendem embalagens sustentáveis, mesmo absorvendo custos extras.

Empresa / Projeto Inovação Circular Impacto Principal
Yopipila Garrafas com areia para construção Construção 20% mais barata e ecológica.
Goodtrade Estações de recarga em Maputo Redução do uso de plásticos descartáveis.
Conceptos Plasticos Tijolos de plástico reciclado Moradias acessíveis e gestão de lixo.

O Papel dos Certificados de Recuperação (KXC)

Em 2026, Moçambique deu um passo enorme na rastreabilidade da reciclagem. O mercado global exige cada vez mais provas de que o lixo foi realmente reciclado. Para resolver isso, surgiram os certificados digitais de recuperação de resíduos.

A Pioneira Topack e a Plataforma Kolekt

O primeiro Kolekt Exchange Certificate (KXC) de Moçambique foi emitido no início de 2026. A empresa Topack, a maior recicladora do país, recebeu este certificado. Ele prova que a Topack comprou, processou e comercializou 247 toneladas de plástico PET pós-consumo. Tudo isto é registado numa plataforma digital. O sistema permite rastrear o plástico até ao catador informal original. Isto garante que o catador recebeu um pagamento justo, superior ao salário mínimo. Este sistema ajuda as grandes marcas a cumprirem as suas metas de Responsabilidade Estendida do Produtor (EPR).

Detalhe do Certificado Informação Relevante
Emissor do Certificado Plataforma Kolekt Exchange
Empresa Recebedora Topack (Moçambique)
Volume Processado 247 toneladas de plástico PET
Benefício Social Pagamento justo e rastreável ao catador informal.

Iniciativas Locais e o Impacto em Maputo

Iniciativas Locais e o Impacto em Maputo

A cidade de Maputo é a capital e o principal centro urbano de Moçambique. Sendo a cidade com mais pessoas, é também a cidade com mais lixo. Por isso, Maputo tem sido o laboratório para muitas iniciativas de gestão de resíduos sólidos.

Nova Taxa de Lixo e Reciclagem Comunitária

Em 2026, Maputo decidiu rever a sua taxa de lixo. O modelo antigo tinha mais de 20 anos e estava desatualizado. A nova lei baseia-se fortemente na economia circular. A nova taxa de lixo é agora calculada de forma proporcional ao consumo de energia elétrica de cada família. Quem consome menos energia, paga menos taxa de lixo. Isto ajuda as famílias de baixo rendimento. Além do governo, existem organizações muito ativas em Maputo. Cooperativas como a Recicla e a Fertiliza, além da associação Amor e da empresa Pagalata, processam toneladas de lixo. A cooperativa Recicla, por exemplo, emprega antigos catadores com salário fixo e segurança social, processando cerca de 15 toneladas de plástico por mês.

Organização em Maputo Atividade Principal
Recicla Valorização de lixo plástico (produz plástico para indústria).
Fertiliza Valorização de lixo orgânico (compostagem).
Amor Associação Moçambicana de Reciclagem.
Pagalata Empresa privada de centro de reciclagem.

Desafios e Oportunidades no Setor de Reciclagem

Mudar o sistema inteiro não é fácil. Existem várias barreiras no caminho da economia circular em Moçambique. No entanto, cada desafio apresenta também uma nova oportunidade de crescimento e melhoria.

Inclusão dos Catadores Informais

O grande desafio social é a informalidade. Cerca de 1 a 2% da reciclagem atual é feita por catadores informais. Eles trabalham em condições muito difíceis e perigosas. O desafio é trazer estas pessoas para o sistema formal. O programa ValoRe, por exemplo, pretende beneficiar diretamente mais de 1680 catadores de lixo. A ideia é dar-lhes formação, equipamentos de proteção e um rendimento seguro. A inclusão social é um pilar vital da verdadeira economia circular.

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Explore

Desafio Atual Oportunidade / Solução
Trabalho informal sem segurança Formalização de cooperativas e contratos seguros.
Lixeiras não controladas Construção de centros de triagem e aterros sanitários.
Falta de fundos públicos Parcerias público-privadas e fundos climáticos europeus.
Falta de educação ambiental Campanhas nas escolas e comunidades locais.

A Educação Ambiental como Motor de Mudança

Outro projeto inspirador ocorre na Ilha de Moçambique. O projeto chama-se “Solução Participada para Plásticos Marítimos”. Em parceria com a tecnologia “Precious Plastic”, foi instalada uma oficina de reciclagem comunitária. O projeto ensina os jovens a recolher plástico nas praias e a transformá-lo em objetos úteis. A educação ambiental é essencial. Sem a população a separar o lixo em casa, as fábricas de reciclagem não conseguem trabalhar bem.

Ação de Educação Público-Alvo Resultado Esperado
Oficinas Precious Plastic Jovens e Associações Locais Limpeza das praias e criação de produtos artesanais.
Campanhas de Separação Famílias em Maputo Facilitação da recolha seletiva nas casas.
Formação de Catadores Trabalhadores informais Melhoria nas técnicas de triagem e segurança.

Final Words

O caminho rumo a uma economia circular em Moçambique é longo, mas o cenário de 2026 mostra que os primeiros passos já foram dados com firmeza. A transição de um sistema linear e poluidor para um sistema circular, justo e sustentável está em marcha. Com investimentos de milhões de euros através do programa ValoRe, a modernização das taxas municipais em Maputo e a introdução de certificados digitais de reciclagem (KXC), Moçambique demonstra ao mundo que é possível mudar. A gestão de resíduos deixou de ser apenas um problema de saúde pública para se tornar uma grande oportunidade de negócio e de inclusão social. O lixo já não é o fim da linha, mas sim o início de um novo ciclo. Gostaria que eu detalhasse como a sua empresa ou comunidade pode participar e lucrar com a economia circular?

Perguntas Frequentes (FAQ)

  1. O que é a economia circular em Moçambique?

A economia circular é um modelo económico focado em reduzir o desperdício, reutilizar materiais e reciclar o lixo. Em Moçambique, o modelo procura acabar com as lixeiras a céu aberto, transformando resíduos (como o plástico) em novos produtos ou materiais de construção, gerando emprego e protegendo o ambiente.

  1. Quanto lixo Moçambique produz por ano?

De acordo com dados de 2025/2026, Moçambique produz cerca de 4,2 milhões de toneladas de resíduos por ano. Na capital, Maputo, estima-se que cada habitante produza cerca de meio quilo de lixo por dia.

  1. Quais cidades recebem as novas infraestruturas de reciclagem do programa ValoRe?

As três cidades pioneiras a receber as novas infraestruturas do programa ValoRe (com um investimento de quase 26 milhões de dólares) são Pemba, Nacala e Nampula. O foco é a reciclagem e a separação de resíduos na origem.

  1. O que é o certificado KXC?

O KXC (Kolekt Exchange Certificate) é um certificado digital que comprova que uma determinada quantidade de lixo foi recolhida e reciclada de forma justa. Em Moçambique, o primeiro certificado foi emitido para a empresa Topack, comprovando a reciclagem de 247 toneladas de plástico PET e garantindo um pagamento justo aos catadores informais.

  1. Como funciona a nova taxa de lixo em Maputo em 2026?

A nova taxa de lixo em Maputo foi modernizada para se basear na economia circular. Ela passa a ser proporcional ao consumo de energia elétrica de cada família. Isto significa que as famílias de baixo rendimento, que consomem menos energia, pagarão uma taxa de lixo menor, tornando o sistema mais justo e equitativo.