9 Novas Leis de Petróleo e Gás no Brasil (Atualização de 2025)
O setor de petróleo e gás natural brasileiro passou por transformações significativas em 2025, com a implementação de novas leis e regulamentações que modernizam o marco regulatório do país. Essas mudanças visam fortalecer a sustentabilidade, aumentar a transparência e promover maior competitividade no mercado energético nacional.
O Brasil se destaca como um dos principais produtores globais de petróleo e gás, com produção diária superior a 4,2 milhões de barris de óleo equivalente. O setor representa uma fonte crucial de receitas para União, estados e municípios, com projeções de arrecadação de R$ 99 bilhões em royalties e participações especiais em 2025.
As novas regulamentações abordam desde operações offshore até incentivos para conteúdo local, refletindo o compromisso do governo em equilibrar desenvolvimento econômico com responsabilidade ambiental. Este artigo apresenta as nove principais leis e regulamentações que estão moldando o futuro da indústria petrolífera brasileira.
1. Lei nº 15.097/2025 – Marco Regulatório para Operações Offshore
A Lei nº 15.097, sancionada em 10 de janeiro de 2025, estabelece um novo marco regulatório para operações offshore no Brasil. Esta legislação representa um marco importante para a modernização da exploração de petróleo e gás em águas profundas.
Principais características da lei:
| Aspecto | Detalhes |
| Foco Principal | Sustentabilidade, segurança e transparência |
| Incentivos Fiscais | Reduções tributárias para tecnologias sustentáveis |
| Planos de Contingência | Obrigatórios e revisados periodicamente |
| Relatórios | Periódicos sobre impactos ambientais e segurança |
A nova regulamentação exige que empresas desenvolvam planos de contingência ambiental detalhados, que devem ser submetidos à aprovação dos órgãos reguladores. Esses planos devem incluir estratégias de prevenção e resposta a incidentes ambientais, como vazamentos de óleo.
Incentivos para sustentabilidade:
As empresas que implementarem soluções que minimizem impactos ambientais poderão se beneficiar de reduções tributárias. Este mecanismo incentiva a inovação e a adoção de práticas mais sustentáveis no setor offshore.
A lei também impõe critérios mais rigorosos para concessão de licenças, exigindo que empresas demonstrem conformidade com normas nacionais e internacionais. A expectativa é que esta legislação atraia novos investimentos e fortaleça a competitividade do Brasil no mercado global de energia.
2. Lei nº 15.075/2024 – Incentivos ao Conteúdo Local
A Lei nº 15.075/2024 alterou a Lei nº 9.478/1997 e estabeleceu novos mecanismos de incentivo a investimentos em conteúdo local na cadeia de suprimento da indústria do petróleo e gás natural.
Mecanismos de incentivo estabelecidos:
- Transferência de excedentes de conteúdo local entre contratos de exploração e produção vigentes.
- Concessão de quotas diferenciadas de depreciação acelerada para navios-tanque novos produzidos no Brasil.
- Possibilidade de redução do montante de royalties dos contratos da Rodada Zero para até 5% sobre a produção.
| Benefício | Aplicação | Impacto Esperado |
| Transferência de Excedentes | Contratos vigentes e Rodada Zero | Maior flexibilidade operacional |
| Depreciação Acelerada | Navios-tanque novos brasileiros | Estímulo à indústria naval nacional |
| Redução de Royalties | Contratos Rodada Zero com novas UEPs | Incentivo a investimentos em produção |
A ANP é responsável por apurar, registrar e controlar a transferência de excedentes de conteúdo local, além de mensurar e fiscalizar o cumprimento dos índices mínimos. Esta regulamentação busca fortalecer a cadeia de fornecedores nacionais e promover o desenvolvimento da indústria local.
3. Atualizações da ANP para Conteúdo Local (2025)
Em 25 de março de 2025, a ANP publicou novas normas que regulamentam a aplicação de conteúdo local em contratos de exploração e produção. Essas atualizações baseiam-se na Lei nº 15.075/2024 e visam ampliar a competitividade da indústria nacional.
Principais mudanças implementadas:
| Área | Mudança | Objetivo |
| Certificação | Certificados baseados em critérios técnicos padronizados | Maior transparência |
| Relatórios | Publicação trimestral de percentuais por contrato | Acompanhamento público |
| Fiscalização | Critérios de transparência regulatória aprimorados | Segurança jurídica |
A partir do segundo semestre de 2025, a ANP emitirá certificados de conteúdo local com base em critérios técnicos padronizados. A agência também divulgará publicamente relatórios trimestrais com informações sobre os percentuais alcançados por contrato.
Impactos econômicos esperados:
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as novas medidas poderão gerar até 80 mil empregos diretos e indiretos no país até 2030. A Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (ABESPetro) destaca que as medidas devem atrair fornecedores nacionais para áreas tecnicamente exigentes.
4. Projeto de Lei nº 5.066/2020 – Regionalização de P&D
O Projeto de Lei nº 5.066/2020, aprovado pelo Senado em maio de 2025, busca estimular a Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) na exploração de petróleo e gás natural em todo o país.
Características principais do projeto:
- Estabelece que pelo menos 10% dos recursos destinados à PD&I sejam aplicados em cada região do Brasil.
- Prevê período de transição de cinco anos conforme marco regulatório da ANP.
- Determina aplicação orientada de recursos provenientes da cláusula de P&D.
| Aspecto | Detalhamento | Benefício |
| Distribuição Regional | Mínimo 10% por região | Descentralização de investimentos |
| Período de Transição | 5 anos | Adaptação gradual do setor |
| Flexibilidade | Investimentos voluntários permitidos | Liberdade operacional para empresas |
O superintendente de Políticas Energéticas da Secretaria de Estado do Desenvolvimento de Alagoas destacou que a medida pode favorecer estados que vêm se estruturando para atrair novos negócios. O projeto visa promover uma distribuição mais equilibrada dos investimentos em inovação no setor energético.
5. Plano Nacional Integrado de Infraestruturas de Gás Natural e Biometano
O Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano (PNIIGB) foi estabelecido pelo Decreto nº 12.153/2024 e representa uma iniciativa importante para o desenvolvimento integrado do setor.
Características do PNIIGB:
| Elemento | Especificação | Periodicidade |
| Publicação | A cada dois anos | Iniciando em 2025 |
| Horizonte Temporal | 10 anos | Planejamento de longo prazo |
| Consultas Públicas | Para metodologia e plano final | Participação da sociedade |
O plano abordará infraestrutura de gás natural e biometano, previsão de oferta e demanda, e análise de projetos de infraestruturas. A EPE utilizará planos existentes como o Plano Nacional de Energia (PNE) e o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) como suporte.
Diretrizes principais:
- Zelar pelo interesse público.
- Estratégia de desenvolvimento da oferta e demanda de longo prazo.
- Atender à demanda da sociedade de forma sinérgica com o PDE.
- Permitir ampliação da exploração dos recursos energéticos nacionais.
6. Nova Lei do Gás – Lei nº 14.134/2021 e Regulamentações 2025
A Lei nº 14.134/2021, conhecida como Nova Lei do Gás, continua sendo implementada com novas regulamentações em 2025. Esta lei estabeleceu o novo marco legal para formar um mercado de gás natural aberto, dinâmico e competitivo.
Principais aspectos da Nova Lei do Gás:
| Objetivo | Implementação | Status 2025 |
| Mercado Aberto | Quebra de monopólios | Em implementação |
| Competitividade | Livre concorrência | Regulamentações ativas |
| Transparência | Critérios claros de operação | Monitoramento contínuo |
A regulamentação foi feita pelo Decreto nº 10.712/2021, e em 2022, o CNPE publicou a Resolução nº 3 com foco no período de transição da abertura do mercado. O processo de implementação continua em 2025 com novas diretrizes e aperfeiçoamentos.
A ANP tem papel fundamental na regulamentação de tarifas de transporte e na estipulação da receita máxima permitida, conforme estabelecido no artigo 9º da Nova Lei do Gás.
7. Agenda Regulatória do MME 2025-2027
Em 21 de março de 2025, o Ministério de Minas e Energia publicou a Portaria nº 829/2025, instituindo a Agenda Regulatória para o período 2025-2027.
Focos principais da agenda:
- Diretrizes para desenvolvimento do setor elétrico.
- Segurança energética.
- Transição para fontes renováveis.
- Descarbonização do setor energético.
| Área de Foco | Objetivo | Impacto no Setor O&G |
| Segurança Energética | Estabilidade do fornecimento | Papel estratégico do petróleo e gás |
| Fontes Renováveis | Diversificação da matriz | Integração com combustíveis tradicionais |
| Descarbonização | Redução de emissões | Tecnologias limpas no setor |
A agenda visa alinhar o setor elétrico brasileiro com metas globais de sustentabilidade e redução de emissões de carbono, impactando diretamente as operações de petróleo e gás.
8. Regulamentação de Tarifas de Transporte de Gás
A ANP iniciou consulta pública em 2025 para revisar a Resolução ANP nº 15/2014, que estabelece critérios para cálculo de tarifas de transporte de gás natural.
Principais aspectos da revisão:
- Estabelecimento da receita máxima permitida de transporte.
- Critérios de reajuste e revisão periódica.
- Critérios de revisão extraordinária.
- Sistemática de aprovação de tarifas propostas pelos transportadores.
| Componente | Responsabilidade | Prazo |
| Receita Máxima Permitida | ANP após consulta pública | A definir em 2025 |
| Propostas de Tarifa | Transportadores | Aprovação pela ANP |
| Revisões | ANP conforme critérios estabelecidos | Periódicas e extraordinárias |
A regulamentação busca promover um mercado de gás natural líquido, competitivo e integrado, conforme previsto na Nova Lei do Gás.
9. Outras Regulamentações Importantes em 2025
Além das leis principais, outras regulamentações importantes foram implementadas em 2025:
Programa Gás Para Todos:
O programa deve aumentar a demanda por gás liquefeito de petróleo (GLP) em 2025, com projeções de consumo chegando a 7,7 milhões de toneladas.
Diretrizes para Leilões de Energia:
O MME publicou diretrizes para os Leilões de Energia Existente de 2025, programados para 14 de novembro de 2025.
Regulamentação do Hidrogênio:
O MME realizou workshop sobre diretrizes na regulamentação do hidrogênio de baixa emissão de carbono.
| Programa/Regulamentação | Objetivo | Impacto |
| Gás Para Todos | Acesso a tecnologias limpas | Aumento demanda GLP |
| Leilões de Energia | Contratos de fornecimento | Segurança energética |
| Hidrogênio Verde | Energia limpa | Diversificação matriz |
Impactos Econômicos e Produção Atual
Os dados de produção de 2025 mostram o dinamismo do setor. Em janeiro de 2025, a produção total foi de 4,460 milhões de barris de óleo equivalente por dia, com o pré-sal representando 77,9% da produção brasileira.
Crescimento da produção no pré-sal:
Em março de 2025, a produção no pré-sal alcançou 3,716 milhões de barris diários, representando 79,8% da produção nacional. A produção de gás natural cresceu 15% em comparação com março de 2024.
Investimentos projetados:
Entre 2025 e 2029, estão previstos aproximadamente R$ 609 bilhões em investimentos na fase de produção dos contratos atuais. Somente em 2025, os investimentos devem chegar a cerca de R$ 140 bilhões.
| Indicador | 2025 | Projeção 2025-2029 |
| Investimentos | R$ 140 bilhões | R$ 609 bilhões |
| Produção Média | 4,28 milhões bbl/d | Manutenção dos níveis |
| Gás Natural | 221 milhões m³/d | Crescimento sustentado |
Conclusão
As nove novas leis e regulamentações de petróleo e gás implementadas no Brasil em 2025 representam um avanço significativo na modernização do setor energético nacional. Essas mudanças abordam aspectos cruciais como sustentabilidade ambiental, competitividade econômica e segurança energética.
A Lei nº 15.097/2025 estabelece novos padrões para operações offshore, priorizando sustentabilidade e transparência. Os incentivos ao conteúdo local, através da Lei nº 15.075/2024 e das atualizações da ANP, fortalecem a cadeia de fornecedores nacional e podem gerar até 80 mil empregos até 2030.
