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Trump dá ultimato ao Hamas: Aceitem o acordo e libertem os reféns ou enfrentem as consequências

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu um ultimato firme ao Hamas, declarando que se trata de seu “último aviso” para que o grupo aceite um acordo de cessar-fogo e libere os reféns restantes em Gaza, ou enfrente consequências graves. Essa declaração, feita em 7 de setembro de 2025, reflete a intensificação dos esforços diplomáticos e militares na região, com Trump afirmando que Israel já concordou com os termos propostos, e agora cabe ao Hamas seguir o exemplo para evitar uma escalada maior no conflito que se arrasta desde outubro de 2023.

Contexto Histórico do Conflito e o Papel de Trump

O conflito entre Israel e o Hamas ganhou nova urgência com a reeleição de Donald Trump em 2024, quando ele derrotou a vice-presidente Kamala Harris, conquistando tanto o voto popular quanto o Colégio Eleitoral, e se tornando o 47º presidente dos EUA em janeiro de 2025. Trump, que já havia servido como 45º presidente de 2017 a 2021, é conhecido por sua abordagem direta em questões internacionais, incluindo o apoio incondicional a Israel e políticas de “América em Primeiro Lugar”, como a imposição de tarifas comerciais para impulsionar empregos domésticos. Durante sua primeira administração, Trump promoveu acordos como os Acordos de Abraham, normalizando relações entre Israel e vários países árabes, e agora, em seu segundo mandato, ele tem se concentrado em resolver o impasse em Gaza, onde o Hamas capturou reféns durante o ataque de 7 de outubro de 2023.

Esse ataque inicial do Hamas resultou na morte de cerca de 1.219 pessoas, a maioria civis, e no sequestro de 251 indivíduos, de acordo com dados oficiais israelenses compilados pela AFP. Em retaliação, Israel lançou uma ofensiva que já causou pelo menos 64.368 mortes em Gaza, a maioria civis, conforme relatórios do Ministério da Saúde controlado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU. Trump, que sobreviveu a duas tentativas de assassinato em 2024 – uma em julho durante um comício na Pensilvânia e outra em setembro em seu campo de golfe na Flórida – tem usado sua influência para pressionar por uma resolução rápida, prevendo em agosto de 2025 um fim “conclusivo” à guerra em poucas semanas.

Detalhes da Mensagem e do Ultimato de Trump

Em uma postagem detalhada no Truth Social, plataforma de mídia social criada por Trump, o presidente escreveu: “Todos querem os reféns EM CASA. Todos querem que esta Guerra termine”. Ele prosseguiu “Os israelenses aceitaram meus Termos. É hora do Hamas aceitar também. Eu avisei o Hamas sobre as consequências de não aceitar. Este é meu último aviso, não haverá outro! Obrigado pela atenção a este assunto”. Essa não é a primeira vez que Trump emite tal advertência; em março de 2025, ele já havia exigido a libertação imediata de todos os reféns vivos e a entrega dos corpos dos falecidos, ameaçando que, caso contrário, “seria o FIM” para o Hamas.

O acordo proposto por Trump, mediado pelo enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, envolve a libertação de todos os 48 reféns restantes (incluindo vivos e mortos) no primeiro dia de uma trégua, em troca de milhares de prisioneiros palestinos detidos por Israel. Além disso, o plano inclui negociações durante o cessar-fogo para encerrar a guerra de forma permanente, com os EUA defendendo o fim da operação militar israelense. Witkoff, em entrevistas anteriores, culpou integralmente o Hamas pelos atrasos, afirmando que um acordo similar estava na mesa há semanas e poderia ter libertado pelo menos 10 reféns dos 20 estimados como ainda vivos. Trump, ao comentar sobre as negociações, expressou otimismo em 7 de setembro, dizendo a repórteres: “Acho que teremos um acordo em Gaza muito em breve”.

Resposta do Hamas e Condições Exigidas

Pouco após o ultimato de Trump, o Hamas respondeu em um comunicado oficial, declarando estar pronto para “sentar imediatamente à mesa de negociações” com base em “algumas ideias do lado americano visando um acordo de cessar-fogo”. No entanto, o grupo manteve suas demandas principais, que incluem uma declaração clara pelo fim da guerra, a retirada total das forças israelenses de Gaza e a formação de um comitê de palestinos independentes para gerenciar a Faixa de Gaza, assumindo funções imediatamente. Essas condições ecoam propostas anteriores do Hamas, que aceitou um plano de trégua de 60 dias com liberações escalonadas de reféns no mês passado, mas Israel rejeitou, insistindo na libertação total de reféns, desarmamento do Hamas e perda de controle sobre Gaza.

O Hamas negou usar edifícios residenciais para fins militares, uma acusação frequente de Israel, e criticou as negociações passadas como não sendo de boa-fé. Essa resposta veio em meio a relatos de que o Hamas está revisando a proposta dos EUA, mas sem alterar substancialmente suas posições, o que pode prolongar o impasse.

Ameaças e Preparativos Militares de Israel

Em sintonia com o ultimato de Trump, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, emitiu uma advertência ainda mais dura em 8 de setembro de 2025, chamando-a de “aviso final” ao Hamas. Em uma postagem no X (antigo Twitter), Katz declarou: “Este é um aviso final aos assassinos e estupradores do Hamas em Gaza e em hotéis de luxo no exterior: Libertem os reféns e deponham suas armas – ou Gaza será destruída e vocês serão aniquilados”. Ele acrescentou: “Hoje, um furacão poderoso atingirá os céus da Cidade de Gaza e os telhados das torres do terror tremerão”, referindo-se à preparação do Exército de Defesa de Israel (IDF) para expandir operações e conquistar a Cidade de Gaza.

Israel já intensificou bombardeios, com pelo menos 48 pessoas mortas em ataques em Gaza no domingo, 7 de setembro, e mais 10 durante a noite na Cidade de Gaza, de acordo com a agência de defesa civil local. O IDF bombardeou um terceiro arranha-céu em três dias, alegando que era usado pelo Hamas para monitorar tropas, e emitiu alertas para que palestinos evacuassem áreas específicas, incluindo mapas que destacam edifícios-alvo devido à “presença de infraestrutura terrorista”. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reforçou que só aceitará um cessar-fogo abrangente que garanta o retorno de todos os reféns e o fim da guerra nos termos de Israel, incluindo o controle total de Gaza para libertar a população do domínio do Hamas.

Essas ações fazem parte da Operação Carruagens de Gideão II, uma expansão de operações terrestres que visa derrotar o Hamas de forma decisiva após quase dois anos de conflito. Katz havia emitido uma ameaça similar em agosto, alertando que “todas as portas do inferno se abrirão” sobre o Hamas se não aceitasse as condições de Israel, e comparando o destino potencial da Cidade de Gaza ao de Rafah e Beit Hanoun, áreas já devastadas pela guerra.

Impactos Humanitários e Perspectivas Globais

O conflito tem gerado uma crise humanitária severa em Gaza, com restrições de mídia e dificuldades de acesso limitando verificações independentes de baixas e danos. A ONU e organizações como a AFP relatam que os números de mortes palestinas são confiáveis, mas o foco em reféns – dos quais 47 permanecem em Gaza, com 25 presumidamente mortos – continua a impulsionar as negociações. Trump, em sua postagem, enfatizou o desejo universal pelo fim da guerra, ecoando apelos internacionais por uma solução pacífica.

Analistas, como os da Al-Monitor e Reuters, observam que esse ultimato pode redefinir o curso do conflito no Oriente Médio, potencialmente fortalecendo o legado de política externa de Trump se um acordo for alcançado. No entanto, com o Hamas mantendo demandas firmes e Israel preparando ofensivas, o risco de escalada permanece alto, com possíveis negociações diretas no horizonte. O enviado Witkoff enviou a proposta recentemente, e Trump indicou que mais detalhes seriam divulgados em breve, mantendo otimismo apesar das tensões.

Essa situação destaca a complexidade das dinâmicas regionais, com Trump posicionando os EUA como mediador chave, enquanto Israel avança militarmente para pressionar o Hamas. Atualizações sobre as negociações são esperadas nos próximos dias, à medida que as partes respondem às propostas e ameaças.