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Trump Define Condições para Sanções à Rússia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu aos países da Otan que aumentem a pressão econômica sobre a Rússia, condicionando novas sanções americanas a ações conjuntas e coordenadas por parte dos aliados. Todos os membros da aliança devem parar de comprar petróleo russo, exigiu Trump em uma postagem em sua plataforma online Truth Social, onde ele descreveu a continuação dessas compras como algo “chocante” que enfraquece a posição de negociação da Otan contra Moscou. Ele também incentivou os países da Otan a impor tarifas altas sobre a China como um bloco unido, sugerindo taxas entre 50% e 100% para reduzir a influência econômica de Pequim sobre a Rússia, argumentando que isso ajudaria a encerrar rapidamente a guerra na Ucrânia. Essas demandas surgem em um momento de tensões crescentes, após incidentes como a entrada de mais de uma dúzia de drones russos no espaço aéreo polonês na quarta-feira, o que levou forças da Otan a interceptá-los, com Polônia alegando que foi um ato deliberado e Moscou minimizando o evento como não intencional. Trump, que tem ameaçado repetidamente medidas mais duras contra Moscou desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia em 2022, ainda não cumpriu muitas dessas promessas, e agora vincula as sanções americanas à cooperação total da Otan, incluindo o fim das importações de energia russa por nações como Turquia, Hungria e Eslováquia, que continuam a adquirir óleo russo em volumes significativos devido a descontos atrativos. Essa condição reflete uma estratégia mais ampla de Trump para forçar uma mudança coletiva, mas analistas questionam se a aliança conseguiria consenso, especialmente porque a União Europeia já reduziu sua dependência de gás russo de cerca de 45% em 2022 para projetados 13% este ano, embora compras persistentes por alguns membros da Otan tenham totalizado bilhões de euros só em agosto de 2025, ajudando a financiar a economia de guerra russa. Além disso, Trump mencionou em sua “carta” à Otan que está “pronto para ir” assim que os aliados concordarem e iniciarem ações semelhantes, enfatizando que a falta de compromisso total da Otan para “vencer” tem sido inferior a 100%, e que as tarifas sobre a China poderiam ser levantadas após o fim do conflito, posicionando isso como uma ferramenta para enfraquecer o apoio chinês à Rússia. São justificadas essas demandas? Várias análises de fontes europeias e ucranianas questionam a viabilidade e os motivos por trás delas, especialmente considerando que a Europa já gastou cerca de 210 bilhões de euros em óleo e gás russos desde 2022, o que indiretamente financia a invasão, mas uma aceleração no corte poderia ser proposta pela UE em resposta à pressão de Trump, com planos para eliminar completamente as importações até 2027 para óleo e 2028 para gás. Trump já impôs tarifas de 50% sobre a Índia por suas compras de energia russa, incluindo uma penalidade de 25% em transações com a Rússia, mas evitou medidas semelhantes contra a China, que é o maior importador de óleo russo, respondendo por cerca de 20% de suas importações totais em 2024, destacando uma possível inconsistência em sua abordagem.

Espere pela Próxima Carta

O jornal Rzeczpospolita (Polônia) duvida que o novo plano de Trump se concretize, argumentando que ele segue o padrão de ameaças anteriores que não se materializaram “Assim como aconteceu com suas ameaças anteriores de impor tarifas e sanções, incluindo tarifas secundárias contra países como a China que apoiam a máquina de guerra russa comprando petróleo e gás de Putin, nada saiu do papel. Nem podemos esperar que todos os outros países da Otan estejam dispostos a dar um grande golpe econômico na Rússia e na China. No caso da China, é até duvidoso que a maioria apoie tal medida. E agora? Vamos ter que esperar pela próxima carta de Trump. E fortalecer nossas capacidades de defesa junto com outros países dispostos, ameaçados pela Rússia”. Essa visão reflete preocupações reais sobre a falta de unidade na Otan, especialmente porque convencer nações como a Turquia, que é o terceiro maior importador de óleo russo globalmente, a cortar suprimentos seria desafiador, dado seus laços mais próximos com Moscou em comparação a outros membros da aliança. Além disso, a União Europeia, embora não seja sinônimo de Otan, planeja eliminar completamente as importações de energia russa até 2027 para óleo e 2028 para gás, mas uma aceleração pode ser proposta em breve devido à pressão de Trump, como indicado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que comunicou planos para uma fase mais rápida de eliminação. O ceticismo do Rzeczpospolita é apoiado por histórico de Trump, que ameaçou sanções mais duras após o bombardeio maciço da Rússia contra a Ucrânia no início de setembro de 2025, mas não forneceu detalhes específicos quando questionado, respondendo apenas “Sim, eu estou” sem ações subsequentes. Em meio a isso, países como Dinamarca, França e Alemanha se uniram a uma nova iniciativa da Otan para fortalecer o flanco oriental, realocando recursos militares para o leste, o que mostra um esforço independente para lidar com a ameaça russa, independentemente das condições de Trump. O jornal polonês enfatiza a necessidade de os países ameaçados pela Rússia se unirem para fortalecer defesas, destacando que esperar por ações americanas condicionais pode não ser confiável, especialmente com incidentes recentes como o drone russo em espaço aéreo romeno no sábado, que levou a Romênia a scrambling caças para interceptação e condenar as “ações irresponsáveis” de Moscou.

Não Disposto a Pressionar Moscou

O presidente dos EUA está basicamente dizendo que não vai impor sanções à Rússia sem condições, escreve o blogueiro e analista financeiro Sergey Fursa em uma postagem no Facebook, destacada pelo Censor.net (Ucrânia): “Na prática, ele está dizendo à UE: ‘Ou vocês se juntam à minha guerra comercial contra a China, ou eu não estou disposto a falar sobre pressionar a Rússia’. Mas, claro, a UE não vai aceitar isso – não vai prejudicar sua própria economia para ajudar Trump, que perdeu para a China, a salvar a cara. Acima de tudo, isso não pressionaria a Rússia porque a China não faria concessões. … Além disso, a confiabilidade das promessas de Trump é limitada, e mesmo se a UE aceitasse seus termos – o que parece irreal – seu afeto por Putin poderia gerar outros caprichos a qualquer momento”. Essa análise ganha peso com o fato de que Trump já impôs tarifas de 25% sobre a Índia por continuar comprando energia russa, mas evitou medidas semelhantes contra a China, que importou 109 milhões de toneladas de óleo russo no ano passado, representando cerca de 20% de suas importações totais, enquanto a Índia importou 88 milhões de toneladas, ou 35% de suas necessidades. Fursa aponta para a relutância da UE em adotar tarifas drásticas contra a China, que poderiam afetar cadeias de suprimentos globais, especialmente porque Pequim declarou abertamente em Bruxelas que não tem interesse em acabar com a guerra, e sanções europeias contra a China até agora têm sido mínimas. Além disso, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, elogiou a iniciativa de Trump de pressionar a Otan por sanções mais rigorosas contra a China, argumentando que apenas cortando fontes financeiras de Putin coletivamente pode-se exercer pressão econômica suficiente para parar a violência, mas isso ignora as complexidades econômicas da UE, que já cortou grande parte de suas compras russas, embora compras por membros da Otan como Hungria e Eslováquia persistam. A postagem de Fursa também destaca a imprevisibilidade de Trump, cuja administração anunciou recentemente o fim de um programa de treinamento e suporte para forças da Otan nos Bálticos, próximos à Rússia, o que pode enfraquecer a aliança em um momento crítico.

O Que Vai Ser Preciso para Acordar o Presidente dos EUA?

Quando Trump vai finalmente reconhecer Vladimir Putin como ele realmente é, questiona o Reflex (República Tcheca) “As declarações cautelosas de Trump mostram uma coisa ele ainda não entendeu a estratégia agressiva da ditadura de Putin e está tentando ignorá-la. Mas isso só destaca o fracasso de suas próprias iniciativas de paz, que, paradoxalmente, apesar de certas manobras humilhantes como no Alasca, não levaram a um cessar-fogo, mas a uma escalada nas demandas russas e a uma intensificação de suas operações militares – desta vez até no território de um membro da Otan. O ataque de drone à Polônia deveria servir como um alerta para o presidente americano”. Incidentes como o recente abate de drones russos no espaço aéreo polonês por forças da Otan destacam a tensão crescente, e Trump tem criticado a aliança por não fazer o suficiente, mesmo enquanto sua administração planeja encerrar programas de treinamento no Báltico. O Reflex sugere que Trump subestima a agressão de Putin, especialmente após encontros como o de julho de 2025 no Alasca, onde discussões de paz não resultaram em progresso, e em vez disso, levaram a um aumento nos ataques aéreos russos, incluindo o maior bombardeio contra a Ucrânia desde o início do conflito. Além disso, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy ecoou apelos para que a Europa pare de comprar qualquer tipo de energia russa e evite acordos com Moscou, afirmando em uma entrevista à ABC News que “não podemos ter negócios se quisermos pará-los”, reforçando a necessidade de ações mais decisivas. Trump expressou impaciência com Putin em uma entrevista recente à Fox News, mencionando a possibilidade de sanções adicionais contra bancos e produtos energéticos russos, dizendo “Vamos vir muito forte”, mas sem especificar prazos ou detalhes, o que levanta dúvidas sobre sua determinação.

Enfraquecendo a Aliança Militar por Dentro

O chefe da Casa Branca está se tornando um problema para a Otan, conclui o Público (Portugal): “Ela continua sendo a aliança militar mais poderosa do mundo. O problema da Otan é se os Estados Unidos vão continuar honrando o Artigo 5, que garante a defesa coletiva e é seu maior dissuasor. O problema da Otan é Donald Trump e sua visão de mundo, que não inclui o conceito de forjar alianças permanentes para defender democracias – na Europa como na Ásia – contra regimes autocráticos, respeitando o direito internacional”. Trump já expressou apoio ao Artigo 5 em cúpulas recentes, afirmando que os EUA estão “com eles até o fim”, mas suas declarações passadas geraram dúvidas, especialmente ao condicionar o compromisso ao aumento de gastos em defesa pelos aliados, e ele sugeriu que um ataque de drone russo à Polônia pode ter sido um “erro”, minimizando a agressão de Moscou. Sua relação com Putin, marcada por encontros como o de 2017 na Alemanha e o recente no Alasca, evoluiu de elogios mútuos para decepções, com Trump admitindo que subestimou a relutância de Putin em buscar a paz, mas analistas veem isso como uma tática para dividir a aliança e atrasar ações decisivas. O Público destaca que as demandas de Trump, como tarifas coletivas sobre a China, criam divisões, especialmente porque nações como a Turquia mantêm laços mais próximos com a Rússia, e convencer todos os 32 membros da Otan a adotar tais medidas seria improvável.

A Europa Precisa Fazer Mais e Falar Menos

Trump acertou em um ponto sensível, observa o Tages-Anzeiger (Suíça): “A Europa frequentemente fala sobre o quão ameaçadora e épica é a ameaça da Rússia, e como sua própria segurança depende do resultado da guerra. Mas, apesar disso, a Europa continua comprando bilhões de euros em petróleo, gás natural e outros bens russos todos os anos, enchendo os cofres de guerra do Kremlin. No melhor dos casos, as sanções europeias contra a China podem ser descritas como ridículas, mesmo que o regime em Pequim esteja fazendo de tudo para apoiar a Rússia e tenha declarado abertamente em Bruxelas que não tem interesse em acabar com a guerra. … É essa lacuna entre a suposta seriedade da ameaça e as medidas defensivas ainda mornas que Trump está denunciando”. De fato, enquanto a UE cortou grande parte de suas compras russas pós-invasão, importações persistentes por alguns membros da Otan, como a Turquia (terceiro maior comprador global de óleo russo em 2025), Hungria e Eslováquia totalizaram bilhões de euros só em agosto, financiando indiretamente o conflito, e o Centro para Pesquisa em Energia e Ar Limpo relata que apenas três nações da Otan ainda compram óleo russo em volumes significativos. Trump sugere tarifas de 50% a 100% sobre a China para quebrar sua influência sobre a Rússia, argumentando que isso aceleraria o fim da guerra, mas especialistas questionam se a aliança adotaria tal mudança drástica, especialmente porque Bruxelas vê as demandas de Trump como uma tentativa de vincular a guerra na Ucrânia à sua agenda comercial contra a China, sem garantia de follow-through. O Tages-Anzeiger enfatiza a necessidade de ações mais concretas da Europa, como a iniciativa recente de França e Alemanha para fortalecer o flanco oriental da Otan, realocando recursos militares, o que mostra um movimento independente para lidar com a ameaça russa além das condições impostas por Trump.