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EUA designam quatro organizações como grupos terroristas

Os Estados Unidos anunciaram recentemente a inclusão de quatro milícias apoiadas pelo Irã em sua lista oficial de organizações terroristas estrangeiras, de acordo com um relatório da agência de notícias britânica Reuters. Essa decisão representa um passo significativo na estratégia americana para combater ameaças à segurança no Oriente Médio, especialmente no Iraque, onde esses grupos têm operado ativamente contra interesses dos EUA e de coalizões internacionais. A medida não apenas reforça sanções existentes, mas também destaca o compromisso contínuo dos EUA em lidar com o terrorismo patrocinado por estados, como confirmado em análises do Departamento de Estado e relatórios independentes de organizações como o Council on Foreign Relations.

Detalhes da Decisão do Departamento de Estado

O Departamento de Estado dos EUA emitiu um comunicado oficial detalhando a adição dos seguintes grupos à lista de organizações terroristas estrangeiras: Harakat al-Nujaba, Kataeb Sayyid al-Shuhada, Harakat Ansar Allah al-Awfiya e Kataeb al-Imam Ali. Esses grupos já haviam sido designados anteriormente como Organizações Terroristas Globais Especialmente Designadas (SDGTs, na sigla em inglês), uma classificação que permite o congelamento de ativos e restrições financeiras sob a Ordem Executiva 13224. Especificamente, o Kataeb Sayyid al-Shuhada manteve sua designação SDGT em 2023, e agora avança para o status de organização terrorista estrangeira, o que amplia as penalidades legais, incluindo proibições de apoio material e restrições de viagem para indivíduos associados, conforme explicado em documentos oficiais do Tesouro dos EUA e análises da BBC.

Cada um desses grupos tem um perfil distinto, mas todos compartilham laços fortes com o Irã, recebendo suporte logístico, financeiro e militar da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Por exemplo, o Harakat al-Nujaba, fundado em 2013, é conhecido por suas operações no Iraque e na Síria, onde lutou ao lado de forças pró-Assad durante a guerra civil síria. Relatórios do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) indicam que o grupo possui milhares de combatentes e tem sido responsável por ataques com foguetes contra bases americanas em Erbil e Bagdá. Já o Kataeb Sayyid al-Shuhada, estabelecido em 2013, emergiu como uma fração das Forças de Mobilização Popular (PMF) iraquianas e tem histórico de confrontos diretos com tropas da coalizão, incluindo o uso de drones armados em ataques registrados pela Reuters em 2021 e 2022.

O Harakat Ansar Allah al-Awfiya, menos conhecido publicamente, opera como uma milícia xiita iraquiana com foco em atividades de inteligência e recrutamento, frequentemente atuando como proxy para operações sensíveis do Irã, de acordo com investigações do Instituto de Estudos de Guerra (ISW). Por fim, o Kataeb al-Imam Ali, ligado a figuras proeminentes no cenário político iraquiano, tem sido implicado em ataques a infraestruturas civis e militares, com evidências de envolvimento em bombardeios rodoviários e emboscadas, como documentado em relatórios da Human Rights Watch sobre violações de direitos humanos no Iraque.

Declarações Oficiais e Contexto Imediato

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, enfatizou em um comunicado que esses grupos apoiados pelo Irã têm realizado ataques sistemáticos contra a embaixada americana em Bagdá e bases de coalizão, frequentemente disfarçando sua participação por meio de nomes falsos ou grupos proxy. Essa prática de negação plausível permite que evitem responsabilização direta, complicando esforços diplomáticos e militares, como relatado em análises da Al Jazeera e do Foreign Policy. Blinken destacou que tais ações ameaçam não apenas a segurança americana, mas também a estabilidade do governo iraquiano, que luta para integrar essas milícias em estruturas estatais sem perder o controle.

No contexto mais amplo, esses ataques intensificaram-se após a retirada parcial das tropas americanas do Iraque em 2021, com incidentes notáveis incluindo o bombardeio da Zona Verde em Bagdá em janeiro de 2024, atribuído a proxies iranianos pela inteligência dos EUA. O Departamento de Defesa americano, em relatórios anuais, estima que mais de 150 ataques ocorreram contra forças dos EUA no Iraque e na Síria desde 2021, resultando em dezenas de feridos e algumas mortes. Essa escalada reflete tensões maiores entre Washington e Teerã, agravadas por negociações nucleares paralisadas e sanções econômicas impostas ao Irã, conforme discutido em publicações do Brookings Institution.

Implicações da Designação para a Segurança Regional

A designação como organizações terroristas estrangeiras tem implicações práticas e de longo prazo. Financeiramente, ela permite que os EUA congelem ativos globais desses grupos e proíbam transações com entidades americanas, potencialmente cortando linhas de financiamento iraniano estimadas em milhões de dólares anuais, de acordo com estimativas do Tesouro dos EUA. Historicamente, medidas semelhantes contra grupos como o Hezbollah reduziram suas capacidades operacionais, embora não as eliminem completamente, como observado em estudos do Rand Corporation.

No Iraque, onde as Forças de Mobilização Popular incluem facções pró-Irã, essa decisão pode criar fricções internas. O governo iraquiano, liderado pelo primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani, tem tentado equilibrar relações com os EUA e o Irã, mas ataques contínuos complicam isso. Relatórios da ONU apontam que essas milícias controlam rotas de comércio e territórios, influenciando a economia local e exacerbando divisões sectárias entre sunitas e xiitas. Além disso, há preocupações humanitárias: a Human Rights Watch documentou casos de recrutamento forçado de jovens, execuções extrajudiciais e deslocamentos populacionais causados por esses grupos, o que reforça a urgência de medidas internacionais.

Globalmente, a ação pode incentivar aliados como o Reino Unido, a França e a União Europeia a adotarem sanções semelhantes, fortalecendo uma rede de cooperação antiterrorismo. Por exemplo, a UE já designou partes da IRGC como entidade terrorista em 2023, alinhando-se parcialmente com os EUA, segundo o European Council on Foreign Relations.

Contexto Histórico e Regional Mais Amplo

Essas milícias surgiram no vácuo de poder após a invasão do Iraque pelos EUA em 2003, ganhando força durante a insurgência contra o Estado Islâmico (ISIS) de 2014 a 2017. O Irã, vendo uma oportunidade, forneceu treinamento extensivo, armas avançadas como mísseis balísticos de curto alcance e financiamento através de canais como o Banco Central Iraniano, como revelado em relatórios desclassificados do Departamento de Defesa dos EUA e investigações da Reuters. Grupos como o Harakat al-Nujaba expandiram operações para além do Iraque, apoiando o regime de Bashar al-Assad na Síria e até enviando combatentes para o Iêmen, integrando-se à rede de proxies iranianos que inclui o Houthi e o Hezbollah.

No cenário regional, essa designação ocorre em meio a conflitos mais amplos, como a guerra em Gaza e tensões no Estreito de Ormuz, onde o Irã tem ameaçado rotas marítimas. Análises do Foreign Affairs sugerem que o apoio iraniano a milícias é parte de uma estratégia de “eixo de resistência” contra Israel e os EUA, com impactos em economias dependentes de petróleo. Os EUA, com cerca de 2.500 tropas restantes no Iraque para missões antiterrorismo, enfrentam dilemas: retirar forças poderia enfraquecer a luta contra resquícios do ISIS, mas manter presença invita mais ataques, como visto em incidentes de 2024 reportados pela Associated Press.

Além disso, há dimensões econômicas: o Iraque, como membro da OPEP, depende de estabilidade para exportações de petróleo, e instabilidades causadas por milícias afetam investimentos estrangeiros. Estudos do World Bank indicam que a violência sectária reduziu o PIB iraquiano em até 10% em anos recentes, destacando a necessidade de reformas para integrar ou desarmar essas grupos.

Perspectivas Futuras e Respostas Internacionais

Olhando para o futuro, especialistas preveem que essa designação possa levar a mais operações de contraterrorismo, incluindo ataques aéreos precisos contra líderes de milícias, semelhantes aos realizados em 2020 contra Qasem Soleimani. O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) sugere que, sem pressão contínua, esses grupos poderiam se expandir para novas áreas, como o Curdistão iraquiano. Respostas internacionais, incluindo resoluções da ONU, poderiam reforçar essa iniciativa, promovendo diálogos para desmobilização de milícias no Iraque.

Em resumo, essa ação dos EUA não é isolada, mas parte de uma abordagem multifacetada para conter a influência iraniana, protegendo interesses globais e promovendo paz regional, com base em evidências de fontes como o Departamento de Estado e organizações independentes.