A Palestina se candidata à adesão aos BRICS, diz enviado; China pronta para receber mais ‘parceiros com ideias semelhantes’
A Palestina deu um passo significativo ao apresentar um pedido formal de adesão ao BRICS, o bloco de economias emergentes que inclui algumas das nações mais influentes do Sul Global. Essa iniciativa surge em um contexto de crescente reconhecimento internacional da Palestina como Estado soberano, com vários países anunciando apoio nos últimos dias, o que pode fortalecer sua posição diplomática e abrir portas para novas parcerias econômicas e políticas. De acordo com declarações oficiais, essa solicitação reflete o desejo da Palestina de se integrar a plataformas multilaterais que promovam o desenvolvimento sustentável e a cooperação entre nações em desenvolvimento, alinhando-se aos objetivos do BRICS de fomentar um mundo mais multipolar e equitativo.
O embaixador palestino na Rússia, Abdel Hafiz Nofal, confirmou a submissão do pedido durante uma entrevista a meios de comunicação russos na sexta-feira, 26 de setembro de 2025. Ele destacou que, embora a aplicação tenha sido enviada, ainda não houve uma resposta oficial do grupo. “Enviamos o pedido, mas, como sabem, a Palestina enfrenta certas condições e restrições devido ao seu status atual. Acredito que poderemos participar inicialmente como convidados em eventos e reuniões do BRICS, até que as circunstâncias permitam uma adesão plena como membro”, explicou Nofal. Essa abordagem gradual é comum em processos de expansão de blocos internacionais, permitindo que nações candidatas demonstrem alinhamento com os princípios do grupo antes de uma integração total. Fontes como a agência de notícias russa TASS e relatórios da ONU corroboram que a Palestina tem buscado ativamente parcerias globais para superar desafios econômicos e políticos, incluindo o bloqueio em Gaza e disputas territoriais com Israel.
Resposta da China e Visão do Grupo
A China, como um dos pilares fundadores do BRICS, reagiu positivamente às declarações do embaixador palestino, sinalizando abertura para a inclusão de novos membros. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou durante uma coletiva de imprensa em Pequim que o país está pronto para acolher mais “parceiros com ideias semelhantes” no bloco. Ele enfatizou o papel do BRICS como uma plataforma vital para a cooperação entre mercados emergentes e países em desenvolvimento, servindo como um impulso para a multipolaridade e uma maior democracia nas relações internacionais. “O BRICS é amplamente reconhecido pelos países do Sul Global por sua contribuição em promover agendas compartilhadas, como o comércio justo e o desenvolvimento sustentável. Estamos abertos a expandir essa cooperação com nações que compartilhem nossos valores, trabalhando juntos por uma ordem internacional mais justa e equitativa”, declarou Guo.
Essa posição da China não é isolada; ela reflete uma estratégia mais ampla do país de fortalecer alianças no Sul Global, como evidenciado por iniciativas como a Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative), que já conecta mais de 150 países, segundo dados do Banco Mundial. Análises de instituições como o Instituto de Estudos Internacionais de Xangai indicam que a China vê o BRICS como uma alternativa às estruturas dominadas pelo Ocidente, como o FMI e o Banco Mundial, promovendo moedas locais em transações comerciais para reduzir a dependência do dólar americano. No caso da Palestina, o apoio chinês poderia incluir investimentos em infraestrutura e ajuda humanitária, áreas onde Pequim já tem histórico de engajamento no Oriente Médio.
Expansão Recente do BRICS
O BRICS começou como uma aliança informal em 2009, reunindo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, com o objetivo de coordenar políticas econômicas e desafiar o domínio ocidental em fóruns globais. Em 2024, o grupo passou por sua maior expansão até então, incorporando Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos, o que aumentou sua influência em regiões como África e Oriente Médio. Já em 2025, a Indonésia se tornou o mais recente membro, elevando o total para dez nações e representando coletivamente mais de 3,5 bilhões de pessoas – cerca de 45% da população mundial – e aproximadamente 28% do PIB global, conforme relatórios do FMI e do Banco Mundial.
Essa expansão não é apenas numérica; ela fortalece o BRICS em áreas chave como comércio, tecnologia e energia. Por exemplo, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), criado pelo grupo em 2014, já aprovou mais de US$ 30 bilhões em projetos de infraestrutura sustentável em membros e parceiros, segundo seu site oficial. Relatórios da BBC e da Reuters destacam que o bloco tem priorizado a inclusão de países que enfrentam sanções ou marginalização em instituições tradicionais, como o Irã, que se beneficiou de laços comerciais com a China e a Rússia. Para a Palestina, uma potencial adesão poderia significar acesso a esses recursos, ajudando em setores como agricultura e energia renovável, especialmente em meio a desafios econômicos agravados por conflitos.
Reconhecimentos Internacionais e Contexto
O pedido de adesão da Palestina ao BRICS ocorre em um momento de momentum diplomático, com reconhecimentos recentes de seu status como Estado por vários países ocidentais. Nesta semana, Canadá, Austrália, Portugal e Reino Unido anunciaram formalmente o reconhecimento, juntando-se a nações como França, que expressou intenções semelhantes durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York. De acordo com reportagens da Reuters e do jornal The Hindu, esses passos foram influenciados por debates sobre a solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino, com mais de 140 países já reconhecendo a Palestina, segundo dados da Autoridade Palestina e da ONU.
Esse movimento reflete uma mudança na opinião pública global, impulsionada por eventos recentes como a guerra em Gaza e resoluções da ONU condenando assentamentos israelenses. Think tanks como o Carnegie Endowment for International Peace e o Council on Foreign Relations analisam que esses reconhecimentos podem pressionar por negociações de paz, embora enfrentem oposição de Israel e alguns aliados, como os Estados Unidos. No contexto do BRICS, a Palestina poderia ganhar aliados influentes como a Rússia e a China, que vetaram resoluções pró-Israel no Conselho de Segurança da ONU em múltiplas ocasiões. Além disso, o apoio de membros como a África do Sul, que comparou a situação palestina ao apartheid, adiciona peso moral à candidatura.
Historiquement, a Palestina tem participado de fóruns internacionais como observadora na ONU desde 2012, e sua aplicação ao BRICS poderia ser um passo para maior integração econômica, potencialmente incluindo acordos de livre-comércio e investimentos em tecnologia. No entanto, questões como a divisão entre Cisjordânia e Gaza, controladas por facções diferentes, e o não reconhecimento por potências como os EUA, podem complicar o processo, conforme apontado em análises da Al Jazeera e do Middle East Institute.
Essa evolução no BRICS destaca seu papel crescente em remodelar a geopolítica, oferecendo uma voz mais forte para o Sul Global em meio a tensões globais, como a guerra na Ucrânia e disputas comerciais entre China e EUA.
