A SpaceX de Elon Musk ganha contratos no valor de $714 milhões do Pentágono; enquanto a Blue Origin de Jeff Bezos Foguete New Glenn aguarda autorização de segurança nacional
A Força Espacial dos Estados Unidos anunciou a atribuição de cinco das sete missões de lançamento militar críticas para o ano fiscal de 2027 à SpaceX, empresa comandada por Elon Musk, em um pacote que totaliza US$ 714 milhões. Essa decisão reforça o domínio da SpaceX nos contratos espaciais do Pentágono, mesmo após desentendimentos públicos entre Musk e o presidente Donald Trump no início de 2025, conforme relatado por veículos como SpaceNews e Breaking Defense em outubro de 2025. Os contratos destacam a confiabilidade comprovada dos foguetes Falcon 9 e Falcon Heavy da SpaceX, que já realizaram centenas de missões bem-sucedidas para a defesa nacional.
O Que São Esses Contratos e Por Que Eles São Importantes?
Esses prêmios fazem parte do Programa Nacional de Lançamento Espacial de Segurança (NSSL, na sigla em inglês), especificamente da Fase 3, Linha 2, que aloca US$ 13,7 bilhões para cerca de 54 missões programadas entre 2027 e 2032. O programa visa garantir o acesso seguro e rápido a órbitas espaciais para cargas de alto valor, como satélites de comunicação e reconhecimento, essenciais para a superioridade militar dos EUA em um contexto de competição global com nações como China e Rússia. Em abril de 2025, a Força Espacial selecionou três provedores principais: SpaceX como Provedor de Requisito 1 (prevista para 28 missões, ou 60% do total), United Launch Alliance (ULA) como Provedor de Requisito 2 (19 missões) e Blue Origin como Provedor de Requisito 3 (sete missões projetadas).
O Coronel Eric Zarybnisky, do Comando de Sistemas Espaciais dos EUA, descreveu o espaço como “o alto terreno definitivo, crucial para nossa segurança nacional”. Ele acrescentou que “entregar ativos aos combatentes é nossa missão final, e dependemos de parcerias sólidas entre governo e indústria para alcançar esse objetivo”, conforme citado pela Air & Space Forces Magazine em relatórios recentes. Essa ênfase em parcerias reflete a estratégia da Força Espacial de diversificar fornecedores para reduzir dependências e custos, com os lances da SpaceX sendo cerca de 20% mais baixos que os de concorrentes em rodadas anteriores, segundo análises do Departamento de Defesa.
As missões atribuídas à SpaceX incluem lançamentos específicos identificados como USSF-206, USSF-155, NROL-86, USSF-149 e USSF-63, todos programados para 2027, permitindo dois anos de planejamento antecipado para integração de cargas sensíveis. A USSF-206 transportará o 12º satélite do sistema Wideband Global SATCOM (WGS-12), uma plataforma de comunicação militar criptografada desenvolvida pela Boeing, que aprimora as capacidades de transmissão segura de dados para forças armadas em todo o mundo. As outras quatro missões envolvem cargas classificadas, incluindo satélites de reconhecimento e payloads da National Reconnaissance Office (NRO), que são vitais para inteligência espacial e vigilância global, mas detalhes exatos permanecem sigilosos por razões de segurança nacional.
Enquanto isso, a ULA, joint venture entre Boeing e Lockheed Martin, recebeu as duas missões restantes por US$ 428 milhões, com um custo médio de cerca de US$ 214 milhões por lançamento, superior ao da SpaceX devido à complexidade das órbitas. Essas tarefas são NROL-88 e USSF-88, utilizando o foguete Vulcan Centaur, que estreou com sucesso em janeiro de 2024 e oferece propulsão avançada com motores BE-4 da Blue Origin. A USSF-88 carregará o quarto satélite GPS III Follow-on (GPS IIIF-4), projetado para melhorar a precisão de navegação global com criptografia mais robusta e resistência a interferências, beneficiando operações militares e civis. Essa divisão garante uma mistura de capacidades, com a ULA focando em missões de alta performance para órbitas desafiadoras.
O Progresso da Blue Origin e os Desafios de Certificação
A Blue Origin, fundada por Jeff Bezos, não foi selecionada para nenhuma das sete missões iniciais da Linha 2 da Fase 3 do NSSL, principalmente porque seu foguete New Glenn ainda não obteve certificação completa para operações de segurança nacional. Projetado como rival direto do Falcon Heavy, o New Glenn tem 98 metros de altura, capacidade para 45 toneladas em órbita baixa da Terra e 13 toneladas em órbita de transferência geoestacionária, impulsionado por sete motores BE-4 que usam gás natural liquefeito e oxigênio líquido para maior eficiência e sustentabilidade. Seu primeiro voo orbital, NG-1, ocorreu com sucesso em 16 de janeiro de 2025 a partir do Cabo Canaveral, servindo como voo de certificação inicial para o NSSL e demonstrando a recuperação da primeira etapa em uma plataforma marítima chamada “Jacklyn”.
Apesar desse marco, a certificação total exige testes adicionais de confiabilidade e integração com sistemas de defesa, um processo que a Blue Origin iniciou em junho de 2024 com contratos para competir em missões da Linha 1 e no Programa de Serviços Orbitais-4 (OSP-4). A empresa ganhou um contrato em julho de 2025 para missões de alta performance em órbitas estressantes, mas precisa de mais voos para provar consistência. O segundo voo, NG-2, está previsto para o final de outubro ou início de novembro de 2025, transportando a missão ESCAPADE da NASA – dois satélites para estudar a magnetosfera de Marte, adiada de 2024 e agora alinhada com janelas de lançamento favoráveis. Essa parceria com a NASA, parte do programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS), testa tecnologias de pouso e propulsão que podem acelerar a aprovação do New Glenn para cargas militares, potencialmente permitindo que a Blue Origin capture até 30% do mercado NSSL até 2030, conforme projeções da Bloomberg Intelligence.
A ausência da Blue Origin neste ciclo inicial reflete os desafios de entrada no mercado dominado pela SpaceX, que completou mais de 300 lançamentos até 2025, incluindo dezenas para a Força Espacial. No entanto, analistas da Ars Technica notam que o custo crescente do Vulcan da ULA – agora mais caro que o esperado – pode abrir espaço para a Blue Origin se ela demonstrar custos competitivos e reutilização parcial, reduzindo despesas em até 50% em voos futuros.
Implicações para a Corrida Espacial e a Indústria Americana
Esses contratos sublinham a liderança da SpaceX em lançamentos de segurança nacional, com a empresa responsável por mais de 70% das missões alocadas no pacote inicial da Fase 3. A companhia de Musk não só beneficia economicamente – esses US$ 714 milhões representam uma fração de seus US$ 4,7 bilhões em contratos NSSL totais até 2029 – mas também impulsiona inovações como a reutilização total de foguetes, que cortou custos de lançamento pela metade desde 2015. Essa eficiência permite que o Pentágono invista mais em payloads avançados, como IA para análise de dados espaciais e sistemas anti-satélite, fortalecendo a postura defensiva dos EUA.
A competição entre SpaceX, ULA e Blue Origin beneficia o governo ao fomentar inovação e baixar preços, com o NSSL Phase 3 projetado para um total de 54 missões que cobrem desde comunicações seguras até vigilância de alta resolução. Relatórios do Congressional Research Service indicam que essa abordagem público-privada tem economizado bilhões desde a privatização inicial em 2019, enquanto mantém a independência estratégica em um era de ameaças espaciais crescentes. Para a Blue Origin, o foco em certificação e missões como a ESCAPADE representa um passo crucial para equilibrar o mercado, potencialmente diversificando opções para o Pentágono em 2027.
No geral, esses desenvolvimentos ilustram a maturidade da indústria espacial comercial americana, onde parcerias com o Departamento de Defesa impulsionam avanços tecnológicos que transcendem a defesa, influenciando comunicações globais, navegação e exploração planetária. Com o NG-2 da Blue Origin no horizonte, a dinâmica pode evoluir rapidamente, prometendo uma corrida espacial mais equilibrada e inovadora.
As informações são coletadas do Gadgets Now e do MSN.
