Centenas resgatadas de nevasca no Monte Everest enquanto outro alpinista morre de exposição
Uma nevasca inesperada e intensa no lado tibetano do Monte Everest e no Planalto Tibetano resultou na morte de um montanhista e na evacuação de centenas de outros, conforme relatos detalhados de mídia estatal chinesa como CCTV e Xinhua, além de agências internacionais como Reuters e BBC. O evento ocorreu durante o Feriado Dourado chinês, que começou em 1º de outubro de 2025 e se estende até 8 de outubro, combinando o Dia Nacional e o Festival da Lua, atraindo milhares de turistas para regiões montanhosas. Chuvas pesadas e neve acumulada atingiram os Himalaias desde a noite de sexta-feira, 4 de outubro, bloqueando trilhas e acampamentos em altitudes acima de 4.900 metros, o que complicou as operações de resgate e destacou os riscos crescentes de eventos climáticos extremos na região, como alertado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em relatórios sobre o aquecimento global afetando a Ásia.
Detalhes da Nevasca no Tibete e o Início do Incidente
A nevasca começou de forma repentina na sexta-feira à noite, 4 de outubro, e se intensificou no sábado, 5 de outubro, derrubando neve pesada no Vale Karma, em Tingri, no Tibete, uma rota cênica e menos conhecida que leva à base do Everest, permitindo vistas do pico mais alto do mundo. De acordo com a CCTV, cerca de 900 a 1.000 pessoas foram inicialmente afetadas, incluindo trilheiros, guias locais e pastoreadores de iaques, presas em acampamentos a mais de 4.900 metros de altitude na encosta leste do Everest. Outubro geralmente é um mês ideal para trilhas na região, com céus claros e temperaturas amenas, o que pegou muitos turistas de surpresa, especialmente durante o feriado nacional de oito dias que incentiva viagens domésticas para locais naturais famosos.
Autoridades da Área Cênica do Everest suspenderam as vendas de ingressos e fecharam seções de estradas desde o final de sábado devido à baixa visibilidade e condições perigosas de viagem causadas pela nevasca. A acumulação de neve chegou a 1 metro em alguns pontos, alcançando a altura das coxas dos resgatados, e o terreno acidentado do vale, com altitude média de 4.200 metros, tornou o acesso ainda mais desafiador. Equipes de resgate locais, compostas por centenas de moradores, bombeiros e profissionais, foram mobilizadas para limpar caminhos bloqueados, utilizando ferramentas manuais, iaques e cavalos para transportar suprimentos como comida, medicamentos, oxigênio e equipamentos de aquecimento.
Operações de Resgate no Vale Karma
Até domingo à noite, 6 de outubro, mais de 350 trilheiros foram guiados para a segurança na pequena cidade de Qudang e áreas vizinhas, conforme reportado pela CCTV e pela agência de notícias oficial Xinhua. Os resgatados incluíam não apenas turistas, mas também mais de 300 guias locais e pastoreadores de iaques que auxiliavam nos grupos. Equipes de bombeiros tibetanos, em coordenação com o governo do condado de Tingri, mantiveram contato contínuo com os remanescentes, garantindo que suprimentos chegassem aos acampamentos isolados.
Na segunda-feira, 7 de outubro, as operações prosseguiram, com foco nos cerca de 200 trilheiros ainda presos em condições traiçoeiras. Um grupo final de aproximadamente 10 pessoas alcançou uma área de encontro designada, equipada com aquecedores, oxigênio e alimentos, antes de serem escoltados para Qudang. Até terça-feira, 8 de outubro, todas as 580 trilheiros, junto com o pessoal de apoio, foram evacuados com sucesso, marcando o fim de uma das maiores missões de busca e resgate na história da região, segundo a Xinhua. Não houve relatos adicionais de mortes ou ferimentos graves no Tibete, mas as autoridades enfatizaram a importância de cancelar planos de escalada em picos próximos, como o Cho Oyu, na fronteira com o Nepal, onde uma equipe da Madison Mountaineering, sediada nos EUA, teve suas tentativas de cume interrompidas.
O governo local coordenou o retorno ordenado dos resgatados para casa, priorizando aqueles com sintomas de exaustão ou altitude. Críticas surgiram nas redes sociais chinesas, como WeChat e Douyin (versão local do TikTok), onde usuários questionaram o turismo de risco em ambientes perigosos, especialmente para pessoas abastadas que subestimam os perigos climáticos imprevisíveis. Especialistas em turismo de aventura, citados pela Reuters, recomendam maior conscientização sobre mudanças climáticas, que estão tornando eventos como esse mais frequentes nos Himalaias.
Relatos Pessoais de Sobreviventes no Tibete
FeiFei, uma jovem de 30 anos da província de Jiangsu, no leste da China, compartilhou sua experiência aterrorizante com a AFP durante sua evacuação na segunda-feira. Ela estava em uma trilha de vários dias com três amigos e um guia local quando a neve enterrou seu acampamento na noite de sábado para domingo. “Tivemos que limpar a neve das tendas o tempo todo, mas eu colapsei de exaustão e a minha ficou completamente soterrada”, relatou, descrevendo como encontrou refúgio em outra tenda. Após dois dias de caminhada lenta, com bombeiros abrindo caminhos usando iaques e cavalos, o grupo chegou ao centro de resgate na entrada da trilha. Pelo caminho, ela viu dezenas de trilheiros enfraquecidos pela fome, frio e altitude, mas nenhum em condição crítica.
Outros sobreviventes ecoaram experiências semelhantes. Dong Shuchang, um fotógrafo de natureza de 27 anos que visitou os Himalaias mais de uma dúzia de vezes, planejava capturar paisagens deslumbrantes, mas foi pego pela tempestade horas após iniciar a trilha no sábado. “O trovão e os raios foram incessantes. A neve era tão pesada que mal consegui dormir”, contou à BBC, mencionando que seu grupo de 20 pessoas chegou a 4.600 metros antes de recuar. Vários membros mostraram sinais de hipotermia, e as capas de chuva se mostraram ineficazes contra a neve e o granizo. “O caminho de volta era coberto de neve lamacenta e gelo escorregadio. Eu escorregava o tempo todo”, acrescentou, expressando gratidão pela ajuda dos resgatadores que os abrigaram em Qudang com geradores para energia.
Chen Geshuang, um astrofotógrafo, descreveu à NBC News uma noite “de nervos à flor da pele” em seu acampamento, onde acordou com neve profunda de cerca de 1 metro. “Começou com chuva, depois virou granizo e, eventualmente, uma nevasca completa”, relatou, destacando a visibilidade zero e o uso de pás improvisadas para desenterrar tendas. Feng Holiday, outra trilheira de 30 anos, usou panelas de cozinha para cavar sua saída da neve, transformando uma caminhada amigável em uma provação de sobrevivência, conforme noticiado pela CNN.
A Morte e Resgates na Província de Qinghai
Na província vizinha de Qinghai, na região de Laohugou, nas Montanhas Qilian, com altitude média superior a 4.000 metros e terreno complexo, um homem de 41 anos morreu no domingo, 6 de outubro, vítima de hipotermia e mal de altitude agudo, segundo a CCTV e a Xinhua. Mais de 100 entusiastas de trilhas haviam se aventurado na área durante o feriado, mas a neve contínua os isolou. Até segunda-feira de manhã, 137 foram evacuados em condição estável, com o apoio de mais de 300 resgatadores, 10 equipes usando cavalos e dois drones de médio porte para buscas exaustivas.
Até terça-feira, 8 de outubro, o total de resgatados subiu para 251, com todas as buscas concluídas sem mais vítimas, de acordo com o China Daily. As operações foram “muito desafiadoras” devido à neve persistente, mas as autoridades de Haibei garantiram que nenhum trilheiro permanecia desaparecido. Autoridades locais alertaram contra entradas na área sem preparação adequada, destacando sua natureza subdesenvolvida e propensa a condições imprevisíveis.
Impactos Regionais em Nepal e Índia
Além da China, chuvas torrenciais no Nepal e na Índia causaram deslizamentos de terra e inundações que mataram mais de 70 pessoas, conforme autoridades citadas pela Reuters e BBC. No Nepal, pelo menos 40 mortes foram registradas em distritos como Mustang e Dolpa, próximos ao Everest, onde comunidades remotas ficaram isoladas e estradas destruídas dificultaram o acesso de equipes de resgate na segunda-feira. O governo nepalês mobilizou helicópteros para vilarejos cortados, priorizando suprimentos básicos em meio a enchentes nos sopés dos Himalaias.
Na Índia, o estado de Uttarakhand registrou dezenas de vítimas em enchentes e deslizamentos, com mais de 30 mortes confirmadas em áreas montanhosas remotas. Equipes lutavam contra terrenos íngremes e rios transbordados para alcançar sobreviventes, enquanto a OMM atribui esses eventos a padrões climáticos alterados pelo aquecimento global, prevendo mais precipitações intensas na região nos próximos anos. Esses desastres destacam a vulnerabilidade compartilhada dos Himalaias, afetando milhões que dependem das montanhas para turismo e subsistência.
Essas operações de resgate massivas reforçam a necessidade de maior preparo para atividades ao ar livre em alta montanha, especialmente durante feriados. Fontes credíveis como AFP, CCTV, Xinhua, BBC, Reuters e CNN confirmam os fatos, enfatizando a coordenação eficaz entre governos locais, equipes especializadas e tecnologia como drones para salvar vidas em ambientes hostis. Com o fim das evacuações, as autoridades chinesas agora focam em avaliações pós-incidente para prevenir recorrências, enquanto o mundo observa os impactos crescentes das mudanças climáticas nos Himalaias.
