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Prêmio Nobel de Economia concedido a Mokyr, Aghion e Howitt por explicar o crescimento ‘impulsionado pela inovação’

Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt foram anunciados como vencedores do Prêmio Nobel de Economia nesta segunda-feira, 13 de outubro de 2025, pela Real Academia Sueca de Ciências, por suas contribuições fundamentais em explicar o crescimento econômico impulsionado por inovações, com ênfase no conceito de destruição criativa. Seus trabalhos, que combinam análise histórica profunda, modelos matemáticos rigorosos e evidências empíricas, revelam como o progresso tecnológico não é acidental, mas resultado de condições culturais, institucionais e de mercado que fomentam a inovação contínua, levando a melhorias sustentadas no padrão de vida global ao longo dos últimos dois séculos. Essa conquista destaca a importância de manter mecanismos que permitam a substituição de tecnologias obsoletas por novas, evitando a estagnação que marcou a maior parte da história humana.​

Perfis dos Laureados: Formação, Carreira e Contribuições Iniciais

Os três economistas representam abordagens complementares, enriquecendo o entendimento sobre como as inovações impulsionam o progresso econômico. Joel Mokyr, nascido em 1946 na Holanda e com cidadania americana e israelense, é o Robert H. Strotz Professor de Artes e Ciências na Northwestern University, nos Estados Unidos, onde leciona história e economia desde 1974. Ele se formou na Universidade Hebraica de Jerusalém e obteve seu doutorado em Yale University, focando na história econômica da Europa entre 1750 e 1914. Sua carreira inclui colaborações internacionais, como o cargo de Sackler Professorial Fellow na Universidade de Tel Aviv, e ele é reconhecido por livros como “The Lever of Riches: Technological Creativity and Economic Progress” (1990), que explora por que a Revolução Industrial ocorreu na Europa e não em impérios avançados como China ou Índia. Mokyr enfatiza fatores como a fragmentação política europeia, que permitia a fuga de ideias heterodoxas para estados vizinhos, e o “mercado integrado de ideias” baseado no latim e na herança clássica, fomentando uma crença no progresso cumulativo do conhecimento. Antes do Nobel, ele recebeu prêmios como o Heineken Prize for History em 2006 e o Balzan Prize em 2015 por suas análises sobre as raízes intelectuais e econômicas do progresso tecnológico.​

Philippe Aghion, de 69 anos, francês, é professor no Collège de France, no INSEAD (em Paris) e na London School of Economics (LSE), no Reino Unido. Ele se graduou na École Normale Supérieure de Cachan e na Université Paris Panthéon-Sorbonne, obtendo seu PhD em economia pela Harvard University em 1987. Anteriormente, foi Robert C. Waggoner Professor em Harvard, e sua pesquisa centra-se na teoria da destruição criativa, examinando como a competição e a inovação levam ao crescimento sustentável. Aghion colaborou extensivamente com Howitt desde os anos 1990, e seus trabalhos influenciaram políticas globais, incluindo o programa econômico de Emmanuel Macron na campanha presidencial de 2017. Mais recentemente, em 2024, ele co-presidiu a Comissão de Inteligência Artificial francesa, entregando um relatório com 25 recomendações para posicionar a França como líder em IA, enfatizando investimentos em educação, regulação antimonopólio e infraestrutura para maximizar o impacto da tecnologia no crescimento. Seus prêmios anteriores incluem o Yrjö Jahnsson Award em 2001, o John von Neumann Award em 2009 e o BBVA Foundation Frontiers of Knowledge Award em 2019, compartilhado com Howitt, por avanços na teoria do crescimento endógeno.​

Peter Howitt, de 79 anos, canadense, é o Lyn Crost Professor of Social Science na Brown University, nos Estados Unidos. Ele se formou na McGill University, obteve mestrado na University of Western Ontario e PhD na Northwestern University em 1973. Howitt presidiu a Canadian Economics Association e editou o Journal of Money, Credit and Banking, com foco em macroeconomia, crescimento endógeno e estruturas de mercado. Sua parceria com Aghion produziu modelos que integram inovação à dinâmica econômica, e ele destacou em entrevistas que sociedades onde interesses estabelecidos bloqueiam novas tecnologias inibem o crescimento, criando conflitos entre o status quo e o progresso. Como Aghion, ele compartilhou o BBVA Award em 2019, e sua análise enfatiza como a obsolescência tecnológica impulsiona a alocação eficiente de recursos.​

Abordagens Complementares: História, Matemática e Evidências Empíricas

Mokyr adota uma perspectiva histórica ampla para identificar pré-requisitos para o crescimento sustentado via progresso tecnológico, como conhecimento útil, competência mecânica e instituições que incentivam a inovação. Ele argumenta que, antes da Revolução Industrial, as descobertas eram esporádicas e não cumulativas devido à falta de explicações científicas robustas, o que impedia a construção sobre invenções anteriores; em contraste, o Iluminismo europeu promoveu uma cultura de experimentação aberta, levando à estagnação histórica dando lugar ao crescimento contínuo. Seus estudos, baseados em arquivos do século XVIII e XIX, mostram como a crença no “progresso útil” e a repressão menor a ideias radicais na Europa fragmentada criaram um ciclo virtuoso de inovações, diferentemente de impérios centralizados onde o conformismo sufocava o avanço.​

Aghion e Howitt complementam isso com precisão analítica, desenvolvendo modelos matemáticos para a destruição criativa. Em seu artigo seminal de 1992, “A Model of Growth Through Creative Destruction”, publicado na Econometrica e no NBER Working Paper 3223, eles criam um framework de crescimento endógeno onde inovações verticais – geradas por um setor de pesquisa competitivo – são a fonte primária de expansão, mas envolvem a obsolescência de tecnologias antigas. O modelo descreve um equilíbrio de crescimento balanceado onde o logaritmo do PIB segue uma caminhada aleatória com deriva positiva, com a taxa de crescimento dependendo do tamanho das inovações, sua probabilidade e o poder de mercado dos inovadores; no entanto, introduz o “efeito de roubo de negócios” (business-stealing), onde inovações futuras desvalorizam investimentos atuais, criando uma externalidade negativa que pode levar a excesso de inovações sob laissez-faire, embora cada uma seja subótima em escala. Validado por dados de patentes e produtividade de economias como EUA e Alemanha, o modelo explica por que a concorrência incentiva P&D, mas requer políticas para gerenciar conflitos, como proteção à propriedade intelectual equilibrada.​

O Conceito Central: Destruição Criativa em Detalhe

A destruição criativa, cunhada por Joseph Schumpeter em “Capitalismo, Socialismo e Democracia” (1942), é o cerne do prêmio: inovações benéficas destroem tecnologias e empresas obsoletas, liberando recursos para avanços maiores e elevando a prosperidade global. O comitê Nobel elogiou os laureados por quantificar esse processo, mostrando que o crescimento não é garantido – a estagnação prevaleceu por milênios, com ganhos temporários revertendo. Mokyr ilustra isso historicamente, enfatizando que sucessões autogeradas de inovações exigem não só funcionalidade prática, mas explicações científicas para replicabilidade, como na transição de invenções isoladas para ecossistemas industriais. Aghion e Howitt modelam os mecanismos: em seu framework, quando um produto superior entra no mercado, firmas incumbentes perdem, criando tensão, mas fomentando investimento em R&D; sem gestão, interesses entrincheirados bloqueiam mudanças, como em sociedades onde o status quo ganha poder político para proteger monopólios obsoletos. Evidências empíricas, incluindo análises de patentes do Banco Mundial, confirmam que isso impulsiona 1-2% de crescimento anual em nações com fortes incentivos à inovação.​

Implicações para Políticas Atuais e Desafios Globais

Os trabalhos dos laureados têm impactos diretos em políticas contemporâneas, especialmente em um mundo de deglobalização e protecionismo. Aghion, durante a coletiva em Estocolmo, criticou as tarifas e barreiras nos EUA: “Abertura é catalisadora de crescimento; vejo nuvens escuras onde restrições comerciais surgem, prejudicando a difusão de inovações”. Isso ecoa relatórios da OMC e FMI, que ligam comércio aberto a maior difusão tecnológica e crescimento. No contexto da IA, o relatório de Aghion de 2024 recomenda que a França invista em talentos e regule big tech para evitar estagnação, alinhando com o modelo de Aghion-Howitt que prevê externalidades negativas de monopólios em inovação. John Hassler, chair do comitê, alertou: “Precisamos sustentar a destruição criativa para evitar retrocesso à estagnação”, enquanto Kerstin Enflo, membro, enfatizou vigilância societal sobre ciência e abertura a mudanças. Para startups e economias emergentes, isso implica priorizar educação em STEM e flexibilidade regulatória, como visto em hubs como Silicon Valley ou Tel Aviv.​

Detalhes do Prêmio, Divisão e Contexto Histórico

O prêmio, no valor de 11 milhões de coroas suecas (cerca de 1,2 milhão de dólares), é dividido em duas partes iguais: metade para Mokyr e a outra compartilhada por Aghion e Howitt, que também recebem medalhas de ouro de 18 quilates e diplomas. Aghion planeja destinar sua porção ao laboratório de pesquisa, reforçando o ciclo de inovação. Formalmente o Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, foi instituído em 1968 pelo banco central sueco para homenagear Nobel, inventor da dinamite e fundador dos cinco prêmios originais em 1895. O primeiro foi para Ragnar Frisch e Jan Tinbergen em 1969; desde então, 56 edições premiaram 96 laureados, com apenas três mulheres – Elinor Ostrom (2009), Esther Duflo (2019) e Claudia Goldin (2023) –, um ponto de crítica da American Economic Association por falta de diversidade de gênero. Embora puristas notem que não é um Nobel técnico, é anunciado com os outros e entregue em 10 de dezembro, aniversário da morte de Nobel em 1896. Em 2024, o prêmio foi para Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Robinson por estudos sobre instituições e prosperidade em sociedades abertas. As honrarias de 2025 começaram na semana passada com medicina (vacinas contra superbactérias), física (computação quântica), química (edição genética), literatura (narrativas pós-coloniais) e paz (esforços contra fome global).

A informação é coletada da CNN e da Reuters.