Doblete de Kevin De Bruyne afunda País de Gales enquanto a Bélgica assume o controle do grupo da Copa do Mundo
As ambições do País de Gales por uma classificação automática à Copa do Mundo de 2026 foram severamente abaladas com a derrota por 4 a 2 para a Bélgica, realizada na segunda-feira no Estádio Cardiff City, lotado com 32.781 torcedores. Kevin De Bruyne, o maestro do Manchester City e capitão belga, foi o protagonista absoluto ao converter duas penalidades cruciais, permitindo que sua equipe revertesse um placar inicial adverso e consolidasse a liderança do Grupo J nas eliminatórias europeias da FIFA.
Essa partida eletrizante, repleta de sete gols, reviravoltas e um momento peculiar com um rato invadindo o gramado no segundo tempo – que o substituto Brennan Johnson teve que espantar pessoalmente, gerando interrupções e diversão nas redes sociais –, ilustrou a superioridade técnica da Bélgica, agora com 14 pontos em cinco jogos, quatro à frente do País de Gales, que soma 10 e cai para o terceiro lugar. A Macedônia do Norte, que empatou em 1 a 1 com o Cazaquistão em Skopje, tem 11 pontos e ocupa o segundo posto, intensificando a disputa pela vice-liderança que garante os playoffs de repescagem em março. No formato das eliminatórias da FIFA para a Copa de 2026, que ocorre nos Estados Unidos, Canadá e México com 48 equipes e 54 vagas da UEFA divididas em 12 grupos de seis seleções cada, o líder de cada chave avança diretamente, enquanto os segundos lugares e quatro melhores terceiros vão para os playoffs. Para os galeses de Craig Bellamy, uma vitória nos dois jogos restantes – contra Macedônia do Norte e Liechtenstein – é essencial para sonhar com o segundo lugar, embora o técnico admita que o caminho agora é “mais complicado do que o previsto”.
Início Explosivo do País de Gales e o Marco Histórico de Ben Davies
Sob o comando de Craig Bellamy, que assumiu a seleção em janeiro de 2024 com um currículo impressionante como jogador – incluindo passagens por Manchester City, Newcastle e Cardiff, onde marcou 167 gols em 547 jogos de clube –, o País de Gales adotou uma abordagem agressiva desde o apito inicial, pressionando alto e explorando bolas paradas para criar caos na defesa belga. Aos oito minutos, Joe Rodon, zagueiro central do Leeds United e titular indiscutível na era pós-Gareth Bale, capitalizou uma falha na marcação durante o terceiro escanteio da partida: Sorba Thomas, winger do Huddersfield Town com visão afiada para cruzamentos, cobrou com precisão, e Rodon, com 1,89m de altura e especialista em cabeceios, subiu livre para encostar de cabeça e superar Thibaut Courtois, goleiro do Real Madrid e da seleção belga. Esse gol precoce, o segundo consecutivo de Rodon em eliminatórias no Cardiff City Stadium – o primeiro fora contra a Letônia em setembro –, refletiu a eficiência galesa em set-pieces, uma arma que Bellamy tem priorizado em seu sistema de 3-5-2, inspirado em sua filosofia de “jogo intenso e corajoso”.
Ben Davies, o capitão e lateral esquerdo do Tottenham Hotspur, alinhou-se na posição para disputar sua 100ª partida internacional, um feito que o coloca como o quarto galês a atingir essa marca elitista, superado apenas por Gareth Bale (111 caps, com 41 gols), Chris Gunter (109 caps, recorde de aparições) e Wayne Hennessey (109 caps, mais jogos como goleiro). Aos 32 anos, Davies estreou pela seleção em 2010 contra a Bulgária e tem sido um pilar defensivo, acumulando 90% de acerto em passes e contribuindo com assistências em transições; sua jornada no Tottenham, iniciado em 2014 após 85 jogos e um título da Copa da Liga Inglesa pelo Swansea City em 2013, totaliza 11 anos e mais de 350 aparições, tornando-o o jogador de mais longa permanência no clube. Descrito como o “relutante estrela” da seleção por sua humildade e foco no coletivo, Davies liderou o time em campo apesar de um jogo difícil contra Jeremy Doku, mas comemorou o marco com orgulho, afirmando em entrevista que “representar o País de Gales é o maior privilégio da minha carreira”.
O ímpeto inicial, no entanto, foi temperado por um cartão amarelo precoce para Harry Wilson, meia-atacante do Fulham com 50 caps e 12 gols, por uma falta tática que o suspenderá para o duelo contra Liechtenstein em novembro, privando Bellamy de sua criatividade em chutes de média distância e passes decisivos – Wilson tem média de 2,1 chances criadas por jogo nas eliminatórias. Bellamy, em sua análise pós-jogo, destacou a intensidade inicial como positiva, mas lamentou perdas de bola que expuseram a defesa.
A Reviravolta Belga: Decisões Polêmicas do VAR e a Maestria de De Bruyne
A Bélgica, treinada por Rudi Garcia desde fevereiro de 2024 após uma era de transição pós-ouro olímpico de 2016, reagiu com compostura, explorando erros individuais para inverter o placar. Aos 17 minutos, Charles De Ketelaere, meio-campista do Atalanta com visão de jogo refinada e 25 caps, arriscou um chute de fora da área que desviou no braço de Ethan Ampadu, zagueiro do Leeds e companheiro de Rodon no clube. O árbitro Daniel Siebert, da Alemanha, foi chamado ao monitor do VAR para revisar, e apesar de o braço de Ampadu estar junto ao corpo – um fator mitigante segundo as regras da IFAB –, a penalidade foi confirmada, gerando fúria em Bellamy, que protestou veementemente e acumulou seu segundo amarelo na campanha, resultando em suspensão para o próximo jogo e forçando-o a assistir das tribunas. Bellamy criticou duramente o VAR em entrevista, chamando a decisão de “injusta e inconsistente”, argumentando que “mudou o fluxo do jogo e frustrou nossos esforços”.
Kevin De Bruyne, com 98 caps e 30 gols pela Bélgica, além de seis títulos da Premier League com o Manchester City, cobrou com frieza cirúrgica, enviando Karl Darlow, goleiro reserva do Newcastle United que atuou pela lesão de Danny Ward, para o lado errado e equalizando em 1 a 1. Esse foi o sétimo gol de De Bruyne contra o País de Gales, quatro a mais do que contra qualquer outra seleção, consolidando sua reputação como “pesadelo galês” em um histórico onde ele tem 100% de conversão em pênaltis nas eliminatórias (quatro de quatro). Seis minutos depois, Jeremy Doku, o veloz winger de 23 anos do Manchester City com 25 caps e treinado por Bellamy no Anderlecht anos antes, recebeu na intermediária, driblou Ben Davies com uma finta elétrica e passou para Thomas Meunier, lateral do Borussia Dortmund, que finalizou de primeira no ângulo esquerdo, virando para 2 a 1. Doku, com média de 3,2 dribles bem-sucedidos por jogo, foi uma ameaça constante, explorando os espaços deixados pelo pressing alto galês, como Bellamy admitiu: “Doku é um jogador de elite, e conhecendo-o de perto, sabia do perigo”.
O restante do primeiro tempo foi de domínio belga, com posse de bola em 58% e múltiplas chances: Arthur Theate, zagueiro do Rennes, isolou um rebote na área pequena; Rodon, herói inicial, bloqueou um chute de Leandro Trossard, atacante do Arsenal com 40 caps e 10 gols; De Bruyne e Maxim De Cuyper, do Club Brugge, finalizaram por cima; e Courtois, com 110 caps e recorde de 50 clean sheets pela Bélgica, defendeu um voleio potente de Jordan James, meia do Cardiff City, aos 42 minutos. Doku quase ampliou com um chute cruzado que raspou a trave, enquanto o País de Gales, shell-shocked, mal ameaçou, escapando de um autogol de Wilson. A Bélgica, invicta há 46 jogos em eliminatórias da Copa e Euro (sua maior sequência desde 2010), demonstrou paciência, esperando pelos erros galeses.
Segundo Tempo Surreal: Incidentes, Reações e o Fim Dramático
No intervalo, Bellamy ajustou com a entrada de Brennan Johnson, atacante de 23 anos do Tottenham com 20 caps e velocidade explosiva, filho do ex-jogador David Johnson e omitido inicialmente por rotação após a derrota por 3 a 0 para a Inglaterra em Wembley. Mas o reinício trouxe o absurdo: um rato surgiu no gramado perto do círculo central, interrompendo o jogo por 30 segundos, e Johnson, em um ato improvisado, o espantou com o pé, aliviando a tensão e virando meme viral no Twitter, com fãs brincando sobre “defesa contra pragas”.
Aos 76 minutos, Jordan James, de 22 anos e com 15 caps pelo Blackburn Rovers, cometeu uma mão na bola desnecessária na área, mais evidente que a anterior, levando a segunda penalidade. De Bruyne, com sua técnica impecável – ele tem 92% de acerto em pênaltis na carreira –, converteu novamente, ampliando para 3 a 1 e marcando seu segundo duplo na campanha, igualando sua melhor marca em eliminatórias. Aos 89 minutos, Nathan Broadhead, substituto de 22 anos do Ipswich Town com apenas três caps mas gol decisivo contra a Turquia, entrou e, dois minutos após, finalizou com precisão rasteira de fora da área após passe de Neco Williams, encurtando para 3 a 2 e reacendendo a torcida. No entanto, em um contra-ataque letal um minuto depois, Trossard, livre após erro de Ampadu, recebeu de Romelu Lukaku – ausente mas mencionado em análises – e chutou no canto, fazendo 4 a 2 e selando a vitória.
Bellamy, com recorde inicial de oito jogos invicto agora manchado por quatro derrotas nos últimos cinco, expressou orgulho: “Precisávamos vencer para sonhar com o topo, mas amamos enfrentar elites como a Bélgica; foi coração na boca, mas vi qualidades nos jogadores que me enchem de orgulho, apesar da frustração dos fãs”. Ele admitiu que o pressing agressivo deixou espaços para contra-ataques, mas defendeu o espírito combativo, enfatizando que “o playoff é o caminho realista agora”.
Rivalidade Enraizada e Perspectivas nas Eliminatórias
Esse foi o 11º confronto desde 2012, uma rivalidade marcada por momentos icônicos: o País de Gales venceu nas eliminatórias da Euro 2016 (1 a 0 em Cardiff, gol de Bale) e nas quartas do torneio (3 a 1, hat-trick de Bale), mas a Bélgica domina os últimos cinco, com 4 vitórias e 1 empate, incluindo um 4 a 3 em Bruxelas há quatro meses onde De Bruyne decidiu nos acréscimos. No geral desde 1920, Bélgica lidera com 20 vitórias contra 10 dos galeses e 10 empates, mas o período recente favorece os Red Devils, que marcam 15 gols contra 12.
As ausências iniciais de Johnson e Kieffer Moore (do Bournemouth, com 40 caps e físico imponente) foram táticas de Bellamy para refrescar o ataque após Wembley, optando por Mark Harris (Oxford United) e Thomas, mas a estratégia de intensidade cedeu à qualidade belga. Com a Bélgica a uma vitória da vaga direta – restam jogos contra Cazaquistão e Liechtenstein –, e invicta em casa nessas eliminatórias, os galeses precisam de perfeição nas rodadas finais para playoffs, onde o vencedor avança. Bellamy, sob escrutínio crescente, mantém o otimismo: “Ainda temos potencial para chegar à Copa, mas precisamos de mais controle para não sermos punidos assim”. Essa derrota, a última chance em Cardiff contra uma potência, reforça a resiliência galesa, mas destaca a necessidade de evolução em um calendário exaustivo rumo a 2026.
A informação foi coletada da BBC e do The Independent.
