Mulher Chinesa Presa por Roubo de 6kg de Ouro no Museu de Paris
Uma mulher chinesa na casa dos 20 anos, identificada como tendo 24 anos, foi presa sob suspeita de um audacioso roubo de pepitas de ouro no prestigiado Museu Nacional de História Natural de Paris, na França. Esse incidente, que ocorreu em setembro de 2025, não apenas representa uma perda financeira significativa, mas também um golpe à preservação do patrimônio histórico e científico global. De acordo com relatórios detalhados da Agence France-Presse (AFP), do Ministério Público de Paris e de fontes jornalísticas confiáveis como o Le Monde e o The Guardian, o caso destaca vulnerabilidades em um dos mais antigos e respeitados museus do mundo. Fundado em 1635 como o Jardim das Plantas Reais, o museu abriga uma vasta coleção de mais de 10 milhões de espécimes minerais, botânicos e zoológicos, atraindo anualmente cerca de 2 milhões de visitantes de todo o planeta. O roubo, descoberto acidentalmente, envolveu itens raros que contam histórias de explorações coloniais, descobertas geológicas e trocas diplomáticas entre nações, tornando sua recuperação uma prioridade para autoridades francesas e internacionais.
O Roubo no Museu Nacional de História Natural: Detalhes da Invasão
O crime aconteceu nas primeiras horas da madrugada de 16 de setembro de 2025, transformando o tranquilo bairro do Jardin des Plantes em cena de um arrombamento meticulosamente planejado. A suspeita, agindo sozinha conforme as imagens das câmeras de segurança, entrou no museu por volta das 1h e permaneceu no local por cerca de três horas, saindo às 4h. Durante esse tempo, ela usou ferramentas especializadas para neutralizar sistemas de alarme e acessar a sala de exposições mineralógicas, localizada no prédio principal do museu, conhecido como Galerie de Minéralogie et de Géologie.
A descoberta do roubo veio na manhã seguinte, por volta das 8h, quando uma funcionária de limpeza, responsável pela manutenção diária das salas de exibição, avistou fragmentos de vidro e detritos metálicos espalhados pelo piso de mármore polido da galeria. Alertada, a equipe de segurança acionou imediatamente a polícia, que isolou a área para uma análise forense minuciosa. Os investigadores da Brigada de Investigação Criminal de Paris (BRDP) determinaram que a intrusa havia cortado duas portas internas do museu com uma serra de metal de alta precisão, possivelmente uma ferramenta elétrica sem fio para evitar ruídos excessivos. Em seguida, ela destruiu o vidro temperado da vitrine principal – uma estrutura de segurança projetada para resistir a impactos – utilizando uma tocha de solda a gás, que aquece o material a temperaturas acima de 1.000 graus Celsius, causando uma quebra térmica controlada.
No local do crime, peritos encontraram evidências incriminadoras: uma serra circular semi-descartada, um destornilhador de ponta fina usado para forçar fechaduras secundárias, três botijões de gás propano e oxigênio vazios (essenciais para a operação da tocha de solda) e resquícios de um kit de ferramentas profissionais, incluindo luvas anti-corte e máscaras de proteção contra fumaça. Análises balísticas e de traços confirmaram que nenhuma arma de fogo foi usada, sugerindo um roubo focado em furtividade em vez de violência. O Ministério Público de Paris divulgou que as câmeras de vigilância, instaladas como parte de um upgrade de segurança em 2020 financiado pelo governo francês, capturaram silhuetas claras da suspeita, incluindo sua roupa escura e um boné que não ocultou completamente seu rosto. Esses vídeos foram cruciais para a identificação posterior.
O valor estimado do roubo é de aproximadamente 1,5 milhão de euros, o que equivale a cerca de 8,5 milhões de reais brasileiros ou 2,4 bilhões de won sul-coreanos, dependendo da taxa de câmbio do dia. Esse montante reflete não apenas o preço do ouro puro (cerca de 60.000 euros por quilo no mercado atual), mas o prêmio histórico e científico das peças. As pepitas roubadas, totalizando 6 quilos, eram exibidas em uma seção dedicada à geologia mundial e incluíam itens de coleção única:
- Pepita boliviana do século 18: Doada à Academia de Ciências da França em 1750 por exploradores espanhóis durante a era colonial, essa peça de cerca de 500 gramas representa as minas de ouro andinas que financiaram impérios europeus. Sua superfície irregular preserva marcas naturais de formação geológica, tornando-a um artefato raro para estudos de metalurgia antiga.
- Pepita dos Montes Urais, de 1833: Um presente do czar russo Nicolau I ao rei Luís Filipe da França, pesando aproximadamente 1,2 quilo. Extraída das ricas veias auríferas da Rússia imperial, ela simboliza as alianças diplomáticas do século 19 e foi usada em pesquisas sobre depósitos glaciais na Sibéria.
- Pepita da Corrida do Ouro da Califórnia: Descoberta em 1849 nas colinas de Sierra Nevada, durante o auge da febre do ouro que atraiu mais de 300 mil prospectores para os EUA, essa peça de 800 gramas carrega o legado da expansão americana para o Oeste. Ela foi adquirida pelo museu em uma exposição internacional de 1893 em Chicago.
- Pepita australiana de 1990: A maior do lote, com mais de 5 quilos, foi encontrada em uma mina remota no estado de Queensland por um geólogo amador. Doada ao museu em 1991, ela ilustra avanços modernos em prospecção geológica e é valiosa para análises isotópicas que revelam origens vulcânicas do ouro.
Essas pepitas não eram meros objetos de exibição elas faziam parte de programas educacionais do museu, usados em palestras sobre história da mineração e ciências da Terra. O roubo interrompeu exposições temporárias sobre recursos naturais globais, forçando o fechamento parcial da galeria por semanas para reparos e reforço de segurança.
A Prisão e a Investigação: Da Fuga à Extradição
Cerca de duas semanas após o roubo, em 30 de setembro de 2025, a suspeita foi detida em Barcelona, Espanha, durante uma operação conjunta da Polícia Nacional espanhola e da Interpol. Naquele momento, ela estava em um hotel modesto no bairro de Gràcia, tentando vender ou descartar quase 1 quilo de fragmentos de ouro derretido – resquícios das pepitas processadas em um forno improvisado, conforme análise química posterior. Autoridades relataram que ela portava passaporte chinês válido, mas com vistos irregulares para a União Europeia, e estava usando um pseudônimo para evitar rastreamento. A prisão ocorreu sem resistência, mas itens como um laptop criptografado e celulares descartáveis foram confiscados, sugerindo planejamento digital para o crime.
Imediatamente após o roubo, a mulher tentou deixar a França rumo à China, comprando uma passagem de trem de Paris para Bruxelas e, de lá, um voo para Pequim. No entanto, alertas de fronteira emitidos pela Europol a interceptaram indiretamente. Ela foi extraditada para a França em 13 de outubro de 2025, sob o Acordo de Extradição da União Europeia, e colocada em detenção provisória na prisão de Fresnes, nos arredores de Paris. O Ministério Público a indiciou formalmente por roubo organizado (artigo 311-1 do Código Penal francês) e conspiração criminal, crimes que podem resultar em até 10 anos de prisão se comprovados. Investigadores acreditam que ela pode ter agido como parte de uma rede transnacional de contrabando de artefatos, possivelmente ligada a mercados negros na Ásia, embora isso ainda esteja sob apuração sigilosa para proteger fontes.
A investigação, liderada pelo Escritório Central para a Luta contra o Tráfico de Bens Culturais (OCBC), envolveu buscas em hotéis e aeroportos franceses, análise de DNA nos detritos do museu e rastreamento de transações financeiras. Até o momento, cerca de 20% do ouro roubado foi recuperado na forma de fragmentos, mas o restante permanece desaparecido. Especialistas forenses do Institut de Recherche Criminelle de la Gendarmerie Nationale (IRCGN) continuam examinando as ferramentas abandonadas para ligá-las diretamente à suspeita.
Contexto e Implicações Maiores: Um Padrão de Ameaças a Museus Europeus
Esse roubo não é isolado; ele se insere em uma onda crescente de crimes contra instituições culturais na Europa, impulsionada pelo alto valor de revenda de metais preciosos e artefatos históricos no mercado negro. Apenas três dias antes, em 19 de setembro de 2025, um furto de joias avaliadas em milhões de euros ocorreu no Museu do Louvre, a poucos quilômetros de distância. Nesse caso, ladrões levaram peças de diamantes e rubis de uma exposição de joalheria renascentista, escapando por uma saída de emergência antes que os alarmes fossem ativados. As autoridades francesas, incluindo a Direction Générale de la Police Nationale, ainda rastreiam os culpados, com suspeitas de uma gangue organizada de leste europeu.
Laurence des Cars, diretora do Louvre desde 2021 e uma das principais vozes na preservação patrimonial francesa, está agendada para comparecer ao Comitê de Cultura do Senado francês nesta quarta-feira, 22 de outubro de 2025. Durante a audiência, ela deve discutir falhas sistêmicas em protocolos de segurança, propondo investimentos adicionais em tecnologias como IA para detecção de intrusos e sensores biométricos. O governo francês, sob o presidente Emmanuel Macron, já alocou 50 milhões de euros em 2025 para fortificar museus nacionais, mas incidentes como esses questionam a eficácia.
De acordo com o International Council of Museums (ICOM), roubos de patrimônio cultural aumentaram 20% na Europa desde 2020, frequentemente motivados por demanda em mercados asiáticos e do Oriente Médio. As pepitas de Paris, por exemplo, poderiam ser derretidas e vendidas como ouro anônimo, apagando séculos de contexto histórico. Organizações como a UNESCO, que supervisiona sítios como o Jardin des Plantes (patrimônio mundial desde 1991), enfatizam a necessidade de cooperação global para recuperar itens roubados. No passado, casos semelhantes, como o roubo de quadros de Picasso no Museu de Grenoble em 2012, levaram a recuperações parciais graças a redes internacionais.
A França, lar de mais de 1.200 museus, continua a equilibrar acessibilidade pública com proteção robusta. Esse episódio no Museu Nacional de História Natural serve como lembrete de que, apesar de avanços tecnológicos, o fator humano – como uma limpeza atenta – pode ser decisivo. A investigação prossegue com otimismo moderado, e atualizações de fontes oficiais como a AFP e o portal do Ministério da Justiça francês serão monitoradas de perto.
A informação é coletada da MSN e da BBC.
