Nottingham Forest quebra invencibilidade de Farioli e FC Porto cai em casa
O Nottingham Forest causou um abalo monumental na UEFA Europa League, ao derrotar o até então invicto FC Porto por 2-0 no City Ground, na noite de quinta-feira. A vitória, selada por dois penáltis, marcou uma estreia perfeita para o novo treinador Sean Dyche e pôs fim à impressionante sequência de 11 jogos sem perder de Francesco Farioli como treinador dos portistas.
Factos-chave: A surpresa em números
- Resultado final: Nottingham Forest 2 – 0 FC Porto
- Fim da série: Esta foi a primeira derrota do FC Porto na temporada 2025-26 em todas as competições, encerrando uma sequência invicta de 11 jogos (10 vitórias e 1 empate) sob o comando de Francesco Farioli.
- Estreia perfeita de Dyche: O jogo foi o primeiro de Sean Dyche ao comando do Forest, apenas três dias após a sua contratação. Ele sucedeu a Ange Postecoglou, despedido após uma sequência de oito jogos sem vencer.
- Momentos decisivos: Ambos os golos do Forest surgiram de penáltis — um convertido por Morgan Gibbs-White (19’) e outro por Igor Jesus (77’).
- Curiosidade estatística: Antes deste jogo, o Porto de Farioli tinha sofrido apenas dois golos em toda a temporada. O Forest duplicou esse número numa única noite.
A nova era de Dyche começa com estrondo
Foi uma noite de contrastes marcantes no City Ground. De um lado, o FC Porto de Francesco Farioli chegou a Nottingham como uma das equipas mais em forma da Europa. O treinador italiano de 36 anos, nomeado em julho de 2025, implementara à perfeição a sua filosofia de posse de bola, liderando os “dragões” a 10 vitórias e um empate nos primeiros 11 jogos. Era uma equipa ofensiva, que até então só sofrera dois golos.
Do outro lado, o Nottingham Forest vivia em turbulência. A ambiciosa era de Ange Postecoglou, iniciada em setembro, durou apenas 39 dias. Uma derrota pesada por 3-0 frente ao Chelsea no fim de semana ditou o seu despedimento, deixando o clube sem vitórias em oito jogos e na zona de despromoção da Premier League.
Então entra Sean Dyche. Nomeado na terça-feira, o homem frequentemente apelidado de “Sr. Pragmático” teve apenas duas sessões de treino para impor a sua marca numa equipa sem confiança. Um confronto europeu contra um Porto invicto parecia a mais cruel das estreias.
Em vez disso, foi uma lição tática. Dyche, enérgico na linha lateral com o seu fato de treino azul, instigou os seus jogadores desde o primeiro minuto. O ambiente, que dias antes era tóxico, transformou-se completamente. Os adeptos, carentes de esperança, entoaram o nome do novo treinador enquanto a equipa respondia com garra, disciplina e uma surpreendente vertente ofensiva.
Como o jogo se desenrolou: A história de dois penáltis
Desde o primeiro minuto, o Forest demonstrou uma intensidade há muito ausente. Elliot Anderson rematou por cima logo nos primeiros 60 segundos, sinalizando a intenção da equipa. Embora o Porto tenha assumido o controlo e obrigado Matz Sels a intervir num remate de Alan Varela, foi o Forest quem deu o primeiro golpe decisivo.
Primeira parte: Gibbs-White quebra o gelo
Aos 19 minutos, um cruzamento do Forest em direção a Igor Jesus desviou no braço do defesa-central portista Jan Bednarek. O árbitro assinalou penálti.
Morgan Gibbs-White, o talismã da equipa, assumiu a responsabilidade. Frente a Diogo Costa — conhecido especialista em penáltis e portador do incomum número 99 — Gibbs-White respirou fundo e enganou o guarda-redes com frieza. O City Ground explodiu em celebração. Era a primeira vez na temporada que o Porto de Farioli ficava em desvantagem num jogo.
O Forest segurou o resultado até ao intervalo, conseguindo neutralizar um Porto surpreendentemente sem ideias.
Segunda parte: Drama com o VAR e o golpe final de Igor Jesus
Na segunda parte, o VAR tornou-se protagonista. O Porto começou forte e acreditou ter empatado logo aos seis minutos, após um canto curto bem trabalhado que terminou nas redes. Contudo, o VAR assinalou fora de jogo de Samu Aghehowa, mantendo a vantagem mínima do Forest.
O Porto pressionava e dominava a posse de bola, mas foi o Forest quem voltou a marcar — novamente com intervenção do VAR. O suplente Nicolò Savona, que entrou para o lesionado Oleksandr Zinchenko, caiu na área após um contacto com Martim Fernandes. O árbitro romeno, Radu Petrescu, mostrou-lhe cartão amarelo por simulação.
Depois da revisão, o árbitro anulou o amarelo, reverteu a decisão e assinalou penálti. Desta vez, Gibbs-White ofereceu a bola a Igor Jesus, que não desperdiçou: remate certeiro aos 77 minutos, 2-0, e delírio nas bancadas. Como observou o The Guardian, “Todos os jogadores do Forest, exceto Sels, juntaram-se à celebração. Assim, o ambiente em Nottingham mudou completamente.”
Mergulho nos números: a estatística por trás da surpresa
Apesar do resultado inesperado, as estatísticas revelam um duelo equilibrado e intenso — reflexo da organização instantânea imposta por Dyche.
Estatísticas do jogo: Nottingham Forest vs. FC Porto (23 de outubro de 2025)
| Métrica | Nottingham Forest | FC Porto |
| Posse de bola | 50,6% | 49,4% |
| Remates | 8 | 10 |
| Remates à baliza | 3 | 2 |
| Cantos | 3 | 8 |
| Faltas cometidas | 13 | 15 |
| Foras de jogo | 0 | 2 |
Dois números destacam-se: primeiro, o Forest igualar o Porto em posse de bola (50,6%) mostra que não foi uma simples tática defensiva “estacionar o autocarro”. Dyche mostrou coragem com bola. Segundo, a eficácia: o Forest converteu dois dos seus três remates à baliza (ambos de penálti), enquanto o Porto só conseguiu dois remates certeiros em dez tentativas.
Análise e reações oficiais
Embora as declarações oficiais ainda não tenham sido divulgadas, a análise imediata aponta para um “efeito treinador novo” executado na perfeição. Sean Dyche terá ficado “muito satisfeito com o resultado e com a exibição”, segundo o bet365 News. A sua organização tática neutralizou uma das equipas mais dominantes do continente.
Para Francesco Farioli, este é o primeiro grande teste da sua passagem pelo Porto. A equipa, conhecida pelo seu estilo ofensivo e elegante, mostrou-se ineficaz perante o bloco defensivo do Forest. A forma como reagirem a esta derrota será crucial.
O momento mais simbólico da noite veio das bancadas: nos minutos finais, ecoava em uníssono — “Forest are back” —, um cântico que simbolizou o renascimento do clube.
O que esperar a seguir
Esta vitória reabre completamente o grupo do Forest na Liga Europa, garantindo-lhes o primeiro triunfo após somarem apenas um ponto nos dois primeiros jogos. O grande desafio imediato de Sean Dyche será transportar esta confiança europeia para a luta pela sobrevivência na Premier League.
Para o FC Porto, este jogo serve como um aviso. Continuam bem colocados na Primeira Liga e na Liga Europa, mas a aura de invencibilidade desapareceu. Agora cabe a Farioli reagrupar a equipa e provar que consegue superar a adversidade.
