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A SpaceX utiliza o foguete Falcon 9 para lançar o satélite de comunicações Spainsat NG 2

A SpaceX executou com sucesso, na noite de quinta-feira, 23 de outubro de 2025, o lançamento do foguete Falcon 9 a partir da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, marcando a 21ª e última voo do primeiro estágio em uma missão rara de configuração expendável, sem recuperação do booster, para posicionar em órbita o satélite de comunicações SpainSat NG 2, desenvolvido para o governo espanhol. Essa operação, que representa a 134ª missão orbital da SpaceX no ano de 2025, iguala o total de lançamentos realizados pela empresa ao longo de todo o ano de 2024 e reforça a ambição da companhia de ultrapassar 170 missões até o final do ano, consolidando seu domínio no setor de lançamentos espaciais comerciais e governamentais. O primeiro estágio, designado como B1076, que estreou em novembro de 2022 com a missão de reabastecimento CRS-26 para a Estação Espacial Internacional, acumulou uma carreira impressionante ao longo de quase três anos, incluindo voos para constelações como OneWeb, O3b mPOWER, Starlink e Intelsat, além de satélites como Ovzon-3, Eutelsat 36D, SXM-9, Turksat 6A e os observadores terrestres WorldView Legion da Maxar, demonstrando a robustez e a eficiência do design reutilizável do Falcon 9.​

O lançamento, inicialmente programado para a noite de quarta-feira, 22 de outubro, foi adiado por 24 horas devido a razões técnicas não especificadas publicamente pela SpaceX, um procedimento comum para garantir a máxima segurança e precisão em operações espaciais de alta complexidade, onde o foguete foi avistado na plataforma de lançamento na manhã de quarta-feira antes de retornar ao hangar de montagem para ajustes finais e, em seguida, ser posicionado novamente para a decolagem. A decolagem ocorreu pontualmente no início da janela de lançamento de quatro horas, às 21h30 no horário de verão do leste dos Estados Unidos (01h30 UTC do dia 24 de outubro), com o veículo sendo erguido pela impressionante potência de 7.607 quilonewtons de empuxo gerados pelos nove motores Merlin 1D do primeiro estágio, que impulsionaram o conjunto de 70 metros de altura e 3,7 metros de diâmetro para o céu noturno da Flórida. Essa janela estendida permitiu flexibilidade para eventuais atrasos menores, e uma oportunidade de backup estava disponível na sexta-feira, 24 de outubro, no mesmo horário, embora não tenha sido necessária.​​

A decisão de tornar a missão expendável, ou seja, sem tentativa de recuperação do booster, foi motivada pela exigência de desempenho adicional para entregar a carga útil à órbita de transferência geoestacionária, uma trajetória elíptica que exige mais energia do que órbitas baixas típicas, permitindo que o primeiro estágio operasse sem os componentes de pouso, como as quatro pernas de aterrissagem e as quatro aletas de grade de titânio, que adicionam peso significativo ao veículo e são essenciais para manobras de descida controlada em missões reutilizáveis. Essa configuração economizou aproximadamente algumas centenas de quilogramas, aumentando a capacidade de carga útil para até 8.300 kg em órbita de transferência geoestacionária, e evitou o uso de uma droneship no Oceano Atlântico para captura, tornando esta a primeira missão Falcon 9 não recuperável desde o lançamento do SpainSat NG 1 em janeiro de 2025. Em contraste, a SpaceX recentemente celebrou seu 500º pouso bem-sucedido de booster na missão Starlink Group 10-52 da semana anterior, destacando como a reutilização é o padrão, mas a expendabilidade ainda tem seu lugar em cenários de alta demanda de performance.​

As metades do carenado de payload, com 5,2 metros de diâmetro e 13 metros de altura, projetadas para proteger o satélite durante a ascensão através da atmosfera densa, foram separadas com sucesso cerca de três minutos após a decolagem e recuperadas no Oceano Atlântico por meio de descida assistida por paraquedas, um processo otimizado pela SpaceX que permite a reutilização dessas estruturas caras em futuras missões, contribuindo para a redução de custos operacionais em até 30% em comparação com foguetes descartáveis tradicionais. O segundo estágio, equipado com um motor Merlin 1D Vacuum otimizado para o vácuo espacial, continuou a viagem sozinho após a separação, realizando uma queima de cerca de oito minutos para injetar o payload na trajetória correta, com o satélite sendo liberado aproximadamente 36 minutos após o liftoff, iniciando sua fase de manobras autônomas usando propulsores a bordo para alcançar a órbita geoestacionária a 35.786 km de altitude. Essa separação precisa foi confirmada por telemetria em tempo real, e o satélite, com massa de 6,1 toneladas quando totalmente abastecido, agora usará seu sistema de propulsão elétrico e químico para circular gradualmente para sua posição final, um processo que pode levar semanas a meses dependendo das condições orbitais.​

As condições meteorológicas foram ideais para o lançamento, conforme previsto pela 45ª Esquadra de Meteorologia da Força Espacial dos Estados Unidos, com probabilidade superior a 95% de tempo favorável durante toda a janela, sem preocupações específicas como ventos de cisalhamento de alto nível, cumulonimbus ou violações cumulativas que poderiam comprometer a integridade estrutural do foguete ou a visibilidade para rastreamento. Essa previsão precisa é crucial em Cabo Canaveral, onde o clima tropical pode variar rapidamente, e reflete a colaboração estreita entre a SpaceX e as autoridades militares que gerenciam o complexo de lançamento, garantindo que missões sensíveis como esta, envolvendo comunicações governamentais seguras, prossigam sem interrupções desnecessárias. A transmissão ao vivo da SpaceX, iniciada cerca de 15 minutos antes da decolagem em seu site oficial e na plataforma X (antigo Twitter), atraiu espectadores globais, destacando o impacto midiático e educacional das operações da empresa.​​

Dupla Estratégica em Órbita: O Programa SpainSat NG e Sua Cobertura Global

O SpainSat NG 2 representa o segundo e último satélite do programa SpainSat Next Generation (NG), gerenciado pela Hisdesat, a principal operadora espanhola de serviços de comunicações por satélite para aplicações governamentais e de defesa, completando assim o constellation que substitui os veteranos SpainSat e XTAR-EUR, lançados há mais de duas décadas e que operaram com capacidades limitadas em comparação com as demandas modernas de conectividade segura em cenários de conflito e cooperação internacional. O irmão gêmeo, SpainSat NG 1, foi lançado em 29 de janeiro de 2025 também em uma missão Falcon 9 expendável, tendo sido posicionado com sucesso na longitude de 30 graus oeste e entrando em operação plena em 11 de agosto de 2025 após uma série de testes orbitais que validaram seus sistemas de comunicação e propulsão, enquanto o NG 2 assumirá a posição de 29 graus leste, formando uma dupla geoestacionária que garante redundância e cobertura contínua 24 horas por dia, 7 dias por semana, com vida útil nominal de 15 anos, estendendo as operações até aproximadamente 2040 e permitindo planejamento de longo prazo para as forças armadas espanholas.​

Essa configuração orbital estratégica cobre uma vasta região do hemisfério ocidental ao oriental, estendendo-se do leste dos Estados Unidos, através da Europa, África e Oriente Médio, até o sudeste asiático incluindo Singapura, abrangendo zonas críticas para operações militares, diplomáticas e humanitárias, como o Atlântico, o Mediterrâneo e rotas comerciais chave no Índico, onde interferências e ameaças cibernéticas são crescentes. O programa, o mais ambicioso da história espacial da Espanha desde a fundação da Hisdesat em 2001, multiplica por 16 vezes a capacidade nas bandas X e Ka militares em relação aos predecessores, incorporando um novo payload em banda UHF para comunicações táticas de baixa largura de banda, essenciais em ambientes de alta mobilidade como navios, aviões e veículos terrestres, e opera com antenas ativas em banda X tanto para recepção quanto transmissão, permitindo a reconfiguração eletrônica de feixes de cobertura em até 16 áreas distintas simultaneamente, adaptando-se dinamicamente a necessidades operacionais em tempo real.​

Além de servir primariamente o Governo da Espanha, incluindo o Exército, a Marinha e a Força Aérea, os satélites estendem funcionalidades à União Europeia por meio do programa Govsatcom, que visa soberania compartilhada em comunicações seguras, e à OTAN para missões aliadas, como exercícios conjuntos e respostas a crises globais, reforçando a interoperabilidade em coalizões internacionais e contribuindo para a autonomia estratégica da Europa em um contexto de tensões geopolíticas crescentes, onde a dependência de provedores estrangeiros pode representar riscos de segurança. A entrada em serviço conjunta dos dois satélites está prevista para a primavera de 2026, após o NG 2 completar sua fase de comissionamento, que inclui verificações de sinal, calibração de antenas e testes de resiliência contra jamming, garantindo que o sistema atenda aos rigorosos padrões de criptografia e latência baixa exigidos por aplicações governamentais.​

Construção Avançada e Inovações Tecnológicas nos Satélites

Os satélites SpainSat NG foram desenvolvidos pela Airbus Defence and Space, líder europeu em sistemas espaciais, utilizando a plataforma modular Eurostar Neo, uma evolução da comprovada linha Eurostar que prioriza eficiência em combustível, com dimensões compactas de cerca de 7 metros de altura quando montado e uma envergadura de quase 50 metros (164 pés) quando os painéis solares de alta eficiência, com mais de 20 kW de potência gerada, são desplegados em órbita, permitindo operações contínuas sem interrupções sazonais. Essa plataforma incorpora avanços em materiais compostos leves e sistemas de controle térmico passivo, reduzindo o consumo de propelentes e estendendo a vida útil, enquanto o payload, que constitui cerca de metade da massa total do satélite, foi projetado e fabricado majoritariamente pela indústria espacial espanhola sob liderança da Airbus, com contribuições significativas do escritório local da Thales Alenia Space para os módulos em bandas Ka militar e UHF, incluindo amplificadores de estado sólido de alta potência e filtros adaptativos para minimizar interferências.​

Uma das inovações centrais é o sistema de antenas ativas em banda X, pioneiro no setor aeroespacial europeu, que fornece funcionalidade equivalente a 16 antenas parabólicas tradicionais fixas, permitindo a formação de feixes digitais que podem ser reconfigurados até 1.000 vezes por segundo para otimizar a cobertura em áreas específicas, como teatros de operação militar em movimento, e detectando e geolocalizando tentativas de jamming com precisão de até poucos metros, uma capacidade vital em cenários de guerra eletrônica onde adversários buscam disruptir comunicações. Além disso, o design é endurecido contra pulsos eletromagnéticos nucleares (HEMP) em órbita, com blindagem especial em eletrônicos sensíveis e redundâncias em circuitos críticos, garantindo continuidade de operações mesmo em ambientes hostis, e as tecnologias de antenas ativas foram desenvolvidas no âmbito da parceria Pacis 3 entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Hisdesat, financiada pelo programa ARTES da ESA e apoiada pela Agência Espacial Espanhola (AEE), promovendo transferência de conhecimento e inovação local.​

O processo de construção do SpainSat NG 2 envolveu integração em instalações avançadas da Airbus em Getafe, na Espanha, e testes finais em Toulouse, na França, onde o satélite passou por simulações ambientais extremas, incluindo vácuo, temperaturas de -180°C a +120°C, vibrações simulando o lançamento e testes de compatibilidade eletromagnética, antes de ser embalado e enviado para a Flórida em setembro de 2025 a bordo de um navio especializado, um trajeto logístico que demandou coordenação precisa para evitar danos. Empresas espanholas como a Sener forneceram subsistemas de engenharia, incluindo mecanismos de implantação de antenas e sistemas de orientação, fortalecendo a cadeia de suprimentos nacional e posicionando a Espanha como um hub de excelência em tecnologias espaciais dual-use, com aplicações civis potenciais em telecomunicações de emergência e monitoramento ambiental. A Thales Alenia Space, com sua expertise em payloads de micro-ondas, integrou módulos que suportam taxas de dados elevadas em banda Ka para transmissões de vídeo em alta definição e dados de inteligência em tempo real, enquanto o payload UHF atende a comunicações legadas de aliados, garantindo compatibilidade com frotas existentes.​

Financiamento Público, Compromisso Nacional e Impacto Estratégico

O programa SpainSat NG beneficiou-se de um investimento substancial de 74 milhões de euros (equivalente a cerca de 86 milhões de dólares americanos) proveniente do Ministerio de Ciencia, Innovación y Universidades da Espanha, canalizado através da Agencia Espacial Española (AEE) e do Centro para el Desarrollo Tecnológico y la Innovación (CDTI), instituições chave no fomento à pesquisa e desenvolvimento espacial, que não apenas financiaram a fase de desenvolvimento, mas também incentivaram a participação de mais de 50 empresas espanholas, gerando empregos qualificados e transferindo know-how para setores como eletrônica e materiais avançados. Esse apoio governamental reflete uma visão estratégica de longo prazo, alinhada com a Estratégia Espacial Espanhola 2021-2030, que visa elevar o país a um papel de liderança na Europa em comunicações seguras soberanas, reduzindo dependências externas e fomentando exportações de tecnologia espacial.​

A Ministra de Ciência, Inovação e Universidades, Diana Morant, destacou a relevância do projeto em declaração oficial, afirmando que “este satélite colocará a indústria espanhola no topo da Europa em sistemas de comunicação segura avançada e é hoje o satélite de comunicações mais inovador e avançado do nosso continente, um exemplo palpável do compromisso do Ministério com o desenvolvimento, o progresso e a inovação”, enfatizando como o SpainSat NG não só multiplica as capacidades operacionais, mas também impulsiona a economia do conhecimento, com retornos estimados em múltiplos do investimento inicial através de parcerias internacionais e spin-offs tecnológicos. Essa declaração, traduzida e adaptada de fontes oficiais, sublinha o orgulho nacional em um projeto que integra defesa, ciência e indústria, posicionando a Espanha entre os poucos países com acesso a redes de comunicações seguras de nível militar, ao lado de potências como Estados Unidos e França.​

No contexto mais amplo, os satélites SpainSat NG reforçam a resiliência estratégica da Espanha e de seus aliados em um mundo interconectado, onde comunicações seguras são fundamentais para operações militares em múltiplos domínios — aéreo, marítimo, terrestre e cibernético —, missões de alívio humanitário em zonas de desastre e resgates internacionais, como os vistos em conflitos recentes ou epidemias globais, garantindo que dados sensíveis, como comandos táticos e inteligência, permaneçam protegidos contra eavesdropping e ataques cibernéticos. Como o maior empreendimento da Hisdesat desde sua criação, o programa exemplifica a evolução de um operador nacional para um benchmark global em comunicações por satélite, com potencial para expansão futura, incluindo integrações com constelações de órbita baixa para hibridização de serviços, e contribui para a meta europeia de autonomia espacial sob o programa IRIS² da UE. A conclusão bem-sucedida desta missão não só fecha um capítulo importante na história da SpaceX e da exploração espacial comercial, mas também abre caminhos para colaborações futuras entre empresas americanas e europeias em tecnologias de defesa espacial.

A informação é coletada da SpaceX e da Spaceflight Now.