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USA y China buscam evitar a escalada da guerra comercial, salvar reunião Trump-Xi nas conversas na Malásia

Autoridades econômicas de alto escalão dos Estados Unidos e da China deram início a negociações intensas em Kuala Lumpur neste sábado, 25 de outubro de 2025, com o objetivo principal de impedir que a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo se agrave ainda mais e de assegurar que um encontro crucial entre o presidente americano Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping ocorra na próxima semana. Essas discussões estão acontecendo à margem da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), um evento que reúne líderes regionais para debater questões de cooperação econômica e segurança, mas que agora serve como palco para uma diplomacia bilateral urgente. A localização em Kuala Lumpur, capital da Malásia, reflete a importância da neutralidade regional em meio a tensões globais, como destacado em relatórios recentes do Instituto de Estudos de Defesa e Estratégicos da Malásia, que enfatizam o papel do Sudeste Asiático como mediador em disputas sino-americanas.

As conversas visam mapear um caminho viável para superar as ameaças recentes feitas por Trump, que incluiu a imposição de tarifas de até 100% sobre uma ampla gama de produtos chineses, além de outras barreiras comerciais não tarifárias, com vigência a partir de 1º de novembro. Essa escalada seria uma resposta direta aos controles ampliados de exportação impostos pela China sobre ímãs e minerais de terras raras, materiais críticos que dominam cerca de 80% do suprimento global controlado por Pequim, segundo dados da Administração de Informações de Energia dos EUA (EIA). Esses minerais são fundamentais para a fabricação de tecnologias avançadas, como baterias de veículos elétricos, smartphones, turbinas eólicas e equipamentos militares, e sua restrição ameaça disruptar cadeias de suprimentos internacionais inteiras. De acordo com uma análise detalhada da Reuters, baseada em fontes próximas às negociações, essas ações recentes romperam uma trégua comercial delicada que havia sido construída ao longo de quatro rodadas de reuniões desde maio de 2025, envolvendo o secretário do Tesouro americano Scott Bessent, a representante comercial dos EUA Jamieson Greer e o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng. Essa trégua, inicialmente acordada em Genebra, havia estabilizado o comércio bilateral por meses, mas agora enfrenta o risco de colapso total.

O principal negociador de comércio da China, Li Chenggang, que atua como vice-ministro do Comércio e tem experiência em disputas comerciais internacionais, também está participando ativamente das discussões. Uma testemunha da Reuters observou Li chegando ao lado de He Lifeng na icônica torre Merdeka 118, o segundo edifício mais alto do mundo com 678,9 metros de altura, localizado no coração de Kuala Lumpur e escolhido como local das negociações por sua segurança e isolamento. Nem o governo malaio, nem as delegações americana e chinesa forneceram detalhes preliminares sobre o cronograma exato do encontro ou sobre planos para briefings à mídia sobre os resultados, optando por uma abordagem discreta que prioriza a confidencialidade, conforme recomendado por especialistas em diplomacia do Council on Foreign Relations (CFR). Essa discrição é comum em negociações sensíveis, evitando vazamentos que poderiam complicar as posições de ambos os lados, e reflete lições aprendidas de rodadas anteriores de diálogo comercial.

Pontos de Discussão

Os três negociadores chave – Scott Bessent, conhecido por sua expertise em finanças globais e ex-executivo de hedge funds; Jamieson Greer, uma advogada especializada em comércio internacional com foco em enforcement de acordos; e He Lifeng, um economista de confiança de Xi Jinping com histórico em planejamento econômico – estão trabalhando para pavimentar o caminho para o encontro entre Donald Trump e Xi, agendado para quinta-feira, 30 de outubro, durante a cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) em Busan, na Coreia do Sul. Essa conversa de alto risco pode girar em torno de medidas de alívio interino, como reduções temporárias em tarifas, flexibilizações em controles de exportação de tecnologia e compromissos renovados da China para aumentar as compras de soja e outros produtos agrícolas dos EUA, que totalizaram cerca de US$ 14 bilhões em 2024, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Esses temas não são apenas econômicos; eles tocam em questões de segurança nacional e estabilidade alimentar global, afetando milhões de agricultores americanos em estados como Iowa e Illinois, onde as exportações de soja representam uma fatia significativa da renda rural.

Apenas minutos antes do início das negociações em Kuala Lumpur, o presidente Trump embarcou de Washington para sua turnê pela Ásia e delineou vários pontos de discussão cruciais para o diálogo com Xi Jinping. Ele destacou que os agricultores americanos, duramente atingidos pelo congelamento nas compras chinesas de soja – uma medida que reduziu as exportações em mais de 50% desde o início das tensões em 2024, conforme relatórios da USDA – estarão no topo da agenda, ao lado da situação da ilha democrática de Taiwan, que a China reivindica como parte de seu território e onde os EUA mantêm laços militares e econômicos sob a Taiwan Relations Act de 1979. Trump foi enfático ao afirmar que não tem planos de visitar Taiwan durante a viagem, uma declaração que busca acalmar tensões imediatas sem comprometer a política de “ambiguidade estratégica” dos EUA na região, como analisado pelo Brookings Institution. Além disso, ele mencionou a libertação do proeminente magnata da mídia de Hong Kong, Jimmy Lai, de 77 anos, cujo caso se tornou o exemplo mais visível da repressão chinesa a direitos humanos e liberdades de imprensa na ex-colônia britânica, com Lai detido desde 2020 sob acusações de colusão com forças estrangeiras, conforme documentado por relatórios da Anistia Internacional e do Departamento de Estado dos EUA.

“Tenemos muito para conversar com o presidente Xi, e ele tem muito para conversar conosco. Acho que teremos uma boa reunião”, disse Trump em uma declaração otimista reportada pela Associated Press, usando uma mistura de idiomas para enfatizar a informalidade do diálogo. O presidente partiu de Washington na noite de sexta-feira, 24 de outubro, para uma viagem de cinco dias que inclui paradas na Malásia, Japão e Coreia do Sul – sua primeira visita oficial à região desde que assumiu o segundo mandato em janeiro de 2025, após a reeleição em novembro de 2024, e a mais longa jornada internacional até o momento. A bordo do Air Force One, Trump compartilhou com repórteres que também espera cooperação chinesa para ajudar os EUA em suas relações com a Rússia, particularmente no contexto da guerra na Ucrânia e sanções econômicas, um pedido que ecoa preocupações geopolíticas mais amplas discutidas em fóruns como o G7 e analisadas pelo Carnegie Endowment for International Peace como parte de uma estratégia para isolar Moscou.

Equilíbrio Delicado

Josh Lipsky, que ocupa a cadeira de economia internacional no Atlantic Council, um think tank influente em Washington, enfatiza que os negociadores precisam primeiro encontrar uma forma de mitigar a disputa central sobre as restrições americanas a exportações de tecnologia – que incluem itens como semicondutores e software de IA, afetando empresas como Huawei e SMIC – e os controles chineses sobre terras raras, que os EUA insistem em reverter para restaurar o fluxo global de suprimentos. “Não sei se os chineses podem concordar com isso de imediato. É a principal alavanca estratégica que eles têm no momento, especialmente dada a dependência ocidental desses materiais”, observou Lipsky em uma entrevista exclusiva à Reuters, destacando como Pequim usa seu monopólio de 60-70% na produção de terras raras como ferramenta de barganha, conforme dados da USGS (Serviço Geológico dos EUA).

Alguns dos anúncios mais impactantes podem caber diretamente ao presidente Trump, que está programado para chegar à capital malaia no domingo, 26 de outubro, potencialmente injetando urgência nas negociações. Scott Kennedy, um dos principais especialistas em economia chinesa no Center for Strategic and International Studies (CSIS), em Washington, adverte sobre os riscos: “Não saberemos se Pequim conseguiu efetivamente equilibrar os controles de exportação dos EUA com restrições próprias ou se isso apenas induziu uma continuação da espiral escalatória até que Trump e Xi se reúnam pessoalmente. Se um acordo for alcançado, a estratégia chinesa terá se mostrado bem-sucedida. Caso contrário, todos os atores envolvidos – de empresas multinacionais a governos aliados – precisarão se preparar para as coisas ficarem muito mais hostis, com impactos em preços globais e inovação.” Essa avaliação é respaldada por relatórios extensos do CSIS, que rastreiam as dinâmicas da guerra comercial desde o primeiro mandato de Trump em 2018, quando tarifas iniciais atingiram US$ 360 bilhões em bens chineses.

Controle sobre Terras Raras

As duas maiores economias do planeta, responsáveis por mais de 40% do PIB global segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), estão se esforçando para evitar um retorno à escalada tarifária extrema, com taxas chegando a níveis de três dígitos em ambos os lados, o que poderia adicionar trilhões em custos cumulativos ao comércio mundial, como estimado em estudos do Peterson Institute for International Economics. A primeira reunião entre Bessent, Greer e He, realizada em Genebra em maio de 2025, resultou em uma trégua inicial de 90 dias que reduziu drasticamente as tarifas para cerca de 55% do lado americano – abaixo dos picos de 104% em alguns itens – e 30% do lado chinês, reiniciando o fluxo de ímãs de terras raras essenciais para a indústria automotiva e de defesa. Essa pausa temporária foi estendida por meio de conversas subsequentes em Londres e Estocolmo, com foco em monitoramento mútuo de conformidade, e estava originalmente programada para expirar em 10 de novembro, criando uma janela crítica para renovação.

Entretanto, a frágil trégua começou a se desfazer no final de setembro de 2025, quando o Departamento de Comércio dos EUA anunciou uma expansão massiva de sua “lista de entidades” de exportações, uma medida que agora inclui automaticamente qualquer empresa chinesa com mais de 50% de propriedade por companhias já listadas – potencialmente abrangendo milhares de firmas em setores como telecomunicações, manufatura e biotecnologia, e proibindo efetivamente exportações americanas de tecnologias sensíveis para elas. Essa política, justificada pelo governo Trump como proteção à segurança nacional sob a Export Control Reform Act, foi criticada por Pequim como protecionista excessivo. Em retaliação, a China implementou em 10 de outubro novos controles globais rigorosos sobre exportações de terras raras, especificamente visando impedir seu uso em aplicações militares ocidentais, como mísseis e drones, e exigindo licenças para envios que antes eram rotineiros. Bessent e Greer condenaram publicamente a ação chinesa como uma “tentativa descarada de controle sobre as cadeias de suprimentos globais” em um comunicado conjunto do Tesouro e do USTR, prometendo que os EUA e seus aliados – incluindo Austrália, Canadá e a União Europeia – não aceitarão essas restrições e estão diversificando fontes de suprimento, com investimentos em mineração doméstica nos EUA que totalizam US$ 1 bilhão desde 2024, conforme o Departamento de Energia.

A Reuters, citando fontes familiarizadas com as deliberações internas da administração Trump, reportou que os EUA estão considerando elevar ainda mais as apostas com uma série de restrições a exportações baseadas em software para a China, abrangendo desde laptops e servidores até motores de jatos e sistemas de automação industrial – uma medida que poderia afetar gigantes como Apple, Boeing e Intel, que dependem do mercado chinês para bilhões em receitas anuais. Adicionando à tensão, na sexta-feira, 24 de outubro, a administração Trump anunciou o lançamento de uma nova investigação tarifária sobre o “aparente fracasso” da China em cumprir integralmente os termos do Acordo Comercial “Fase Um” de 2020, assinado durante o primeiro mandato de Trump para pausar a guerra comercial inicial. Esse acordo, verificado por relatórios anuais do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), previa que a China comprasse US$ 200 bilhões adicionais em bens e serviços americanos ao longo de dois anos, com foco em agricultura, energia e manufaturados; no entanto, as metas foram atingidas em apenas 57% até 2021, impactadas pela pandemia de COVID-19 e interrupções logísticas, como detalhado em avaliações independentes do USTR e do FMI.

Essas negociações em Kuala Lumpur representam um momento pivotal para estabilizar as relações bilaterais sino-americanas, com ramificações profundas para o comércio global, a inovação tecnológica e a geopolítica asiática. Analistas do Peterson Institute for International Economics argumentam que um acordo bem-sucedido poderia impulsionar as exportações de ambos os lados, reduzindo custos para consumidores e empresas em até 20%, enquanto uma falha poderia agravar a fragmentação econômica mundial, acelerando a “desglobalização seletiva” observada desde 2018. Com o mundo ainda se recuperando de choques como a inflação pós-pandemia e conflitos regionais, o sucesso dessas conversas dependerá da capacidade de ambos os lados de equilibrar interesses nacionais com a interdependência econômica.

A informação foi coletada da CNBC e do Daily Sun.