Não aceitei sair do Man Utd – Fernandes
Bruno Fernandes, capitão do Manchester United, disse que não discutirá seu futuro com ninguém até depois da Copa do Mundo do próximo ano.
Aos 31 anos, o jogador fará sua 300ª partida pelo United neste sábado, quando o clube tentará encerrar uma sequência de três derrotas consecutivas em casa contra o Brighton.
É uma conquista ainda mais notável pelo fato de Fernandes ter perdido apenas 17 jogos desde sua contratação por £47 milhões vinda do Sporting, em janeiro de 2020 — e apenas três deles por lesão ou doença.
O português rejeitou uma grande proposta do Al-Hilal no verão e depois descartou o interesse subsequente de outros clubes da Liga Saudita e da Europa. Fernandes sabe que os rumores sobre seu futuro não vão desaparecer.
Fontes próximas ao jogador disseram à BBC Sport que ele também não tem desejo de se mudar para a Arábia Saudita no próximo verão, sendo que grandes clubes europeus fora da Premier League manifestam maior interesse.
Sabe-se que o contrato de Fernandes — que termina em 2027, com opção de mais um ano — inclui uma cláusula que permitiria sua transferência para um clube fora da Inglaterra por £56,68 milhões (€65 milhões), se acionada a tempo.
No entanto, Fernandes não quer falar sobre isso ainda.
“Como sempre disse, sinto-me bem aqui. Ainda quero realizar meus sonhos”, afirmou.
“Não posso falar pelo clube. Vi muitas pessoas dizendo que eu já tinha um acordo para sair na próxima temporada. Se o clube fez esse acordo, não foi comigo. Não falei com ninguém.
Meu empresário também sabe como eu trabalho. Se ele quiser conversar comigo, será depois da Copa do Mundo. Até lá, não falarei com ninguém.”
Fernandes conversou com várias pessoas quando o interesse do Al-Hilal se tornou público, durante a viagem de pré-temporada do United à Ásia.
Ele falou com o diretor-executivo Omar Berrada, o diretor-técnico Jason Wilcox, o treinador Ruben Amorim, seu companheiro de seleção portuguesa Cristiano Ronaldo — que joga na Arábia Saudita — e sua família, todos de forma independente.
Todos reconheceram que o valor envolvido era impressionante, mesmo para um dos maiores salários da Premier League. A taxa, esperada em mais de £100 milhões, teria sido uma venda recorde para o clube.
Mas ninguém estava pressionando Fernandes a sair. Na verdade, Amorim dizia o oposto.
“Ele me disse: ‘Não, queremos mais jogadores para te ajudar a fazer a equipe melhor. Se trouxermos algumas pessoas e perdermos você, ainda vamos perder algo’”, contou Fernandes sobre seu treinador.
Sua esposa, Ana, foi direta:
“Minha família se sente muito bem aqui”, disse Fernandes. “Meus filhos adoram ir à escola. Eles amam o estilo de vida aqui, mesmo com o clima.
Todos estão adaptados. Às vezes, dizemos que a casa que temos aqui parece mais lar do que a que temos em Portugal.
A primeira coisa que ela me disse foi: ‘Você já conquistou tudo o que queria no clube?’ Ela sabe que ainda não.
Quando falo sobre não ter realizado meus sonhos no clube, vem muito do que ela me disse.”
Colocando o time em primeiro lugar
Menos de 24 horas após a primeira vitória do United sobre o Liverpool em Anfield desde 2016, Fernandes estava nos campos de treinamento de Carrington sob forte chuva.
Depois de completar sua sessão na academia, ele quis ver seus companheiros treinarem.
Quando os mais próximos a ele dizem que Fernandes está comprometido com o United “de corpo e alma”, é disso que estão falando.
Apoiar os colegas é algo que ele leva a sério em seu papel de capitão, embora o reconhecimento pessoal, mesmo que bom de receber, não seja sua principal motivação.
“Obviamente, quero que as pessoas falem bem de mim”, disse ele. “Eu estaria mentindo se dissesse que não.
Mas quero as conquistas coletivas. Isso é o que falta no meu tempo aqui no United.
Ainda não consegui dar ao clube o sucesso que ele quer e aquele que eu almejei quando assinei.
Meu desempenho individual pode me levar a algum lugar, mas não ao lugar que quero estar. Quero conquistar troféus e ser reconhecido pelas muitas coisas boas que fiz pelo clube, não apenas pelos meus números individuais.”
“Kobbie me torna um jogador melhor”
A estratégia de contratações do United tem sido muito criticada nos últimos anos, com contratações caras como Antony, André Onana e Jadon Sancho entre os que hoje jogam em outros lugares após não terem tido impacto significativo.
Para Fernandes, habilidade sozinha não é suficiente para jogar no United.
“Neste clube, precisamos contratar grandes personalidades”, afirmou. “Ser um bom jogador às vezes não basta, por causa da pressão e da atenção que recebemos.
Neste verão, trouxemos jogadores que entendem a dimensão do clube.
Matheus Cunha tem aquela confiança de dizer ‘me dá a bola, quero jogar, quero fazer as coisas acontecerem’.
Por dentro, queremos esse Cunha. Queremos que ele assuma riscos, que chute, que enfrente os adversários, que crie. O Bryan [Mbeumo] é igual.
Às vezes, fico irritado com ele nos treinos porque ele quer dar um toque a mais. Digo: ‘Bryan, você não precisa disso. Pode tocar e chutar. Você fez isso contra nós quando estava no Brentford! Agora tem que fazer por nós. A camisa mudou, mas você é o mesmo jogador.’”
Muito tem se falado sobre a disputa entre Fernandes e o jovem inglês Kobbie Mainoo por uma vaga no meio-campo do United.
O veterano, porém, não vê a situação de maneira tão simples.
“No futebol de hoje, é preciso saber correr”, disse ele. “Quando comecei, os jogadores corriam 6-7 km por partida e eram considerados os melhores. Hoje, se você correr menos de 9-10 km, está abaixo dos números.
Quero a melhor competição possível para minha posição. Não acho que o Kobbie seja concorrência, porque ele é muito capaz de fazer o que eu faço, mas de um jeito diferente.
Se olhar os números, pode dizer que o Bruno é mais capaz de marcar gols e o Kobbie é melhor em dribles. Somos diferentes, mas conseguimos oferecer ótimas coisas ao time.
Kobbie tem grande capacidade de jogar em alto nível. Ele me torna um jogador melhor.”
