Suspeitos do roubo do Louvre acusados, joias não recuperadas: procurador de Paris
A procuradora pública de Paris anunciou na quarta-feira que dois suspeitos detidos desde o último fim de semana foram formalmente acusados de roubo organizado e conspiração para cometer um crime relacionado ao audacioso assalto ao Museu do Louvre em 19 de outubro. Esse incidente, que ocorreu na madrugada de um domingo tranquilo, chocou o mundo da arte e a França inteira, expondo vulnerabilidades em uma das instituições culturais mais emblemáticas do planeta, visitada por mais de 10 milhões de pessoas anualmente. O roubo envolveu joias valiosas estimadas em milhões de euros, incluindo peças históricas raras da seção de joalheria antiga do museu, como broches e colares do século XVIII que representam o esplendor da monarquia francesa.
De acordo com relatos iniciais da polícia, os ladrões escalaram uma janela lateral do prédio, desativaram temporariamente os alarmes por meio de uma técnica sofisticada ainda em análise e fugiram em um scooter antes que os guardas pudessem reagir. Autoridades francesas, citando fontes da AFP (Agência France-Presse), confirmaram que o valor total das joias roubadas pode ultrapassar os 7 milhões de euros, tornando este um dos maiores furtos de arte em Paris desde o roubo do quadro de Picasso em 2017.
Detalhes das Acusações e Detenção
Ambos os suspeitos foram colocados em prisão preventiva, o que significa que permanecerão detidos em uma unidade de alta segurança na região parisiense até o julgamento, uma medida comum em casos de crimes graves para prevenir fugas ou interferências. Laure Beccuau, a procuradora pública de Paris, uma figura experiente com mais de duas décadas no sistema judiciário francês, afirmou em uma coletiva de imprensa realizada na sede do Ministério Público na quarta-feira que os investigadores estão avançando significativamente no caso, com equipes trabalhando 24 horas por dia para mapear a rede criminosa. Ela revelou novas informações sobre os acusados, incluindo detalhes sobre seus backgrounds, mas enfatizou repetidamente que as joias roubadas ainda não foram recuperadas, apesar de buscas intensas em toda a Europa, incluindo raids em depósitos e residências suspeitas em Seine-Saint-Denis e além. Se condenados, os homens enfrentam até 15 anos de prisão e multas substanciais que podem chegar a centenas de milhares de euros, conforme previsto no Código Penal francês para crimes de roubo organizado, que considera fatores agravantes como o valor dos bens e o local do crime – um museu de prestígio mundial.
O prazo legal de 96 horas para acusar ou libertar os suspeitos expirou na quarta-feira à tarde, mas as autoridades, após consultas com juízes de instrução, optaram pela detenção contínua para permitir interrogatórios mais profundos e análise de evidências adicionais. Os dois são originários da periferia parisiense de Seine-Saint-Denis, um departamento conhecido por seus desafios socioeconômicos, alta taxa de desemprego e incidência elevada de crimes organizados, o que tem levado a um escrutínio maior das políticas de integração social na França. Beccuau destacou que os suspeitos “admitiram parcialmente sua participação nos eventos” durante interrogatórios intensos conduzidos por investigadores da Polícia Judiciária (SRPJ), o que ajudou a conectar evidências físicas ao crime, embora eles neguem ter planejado o furto em detalhes minuciosos. Essa admissão parcial, segundo especialistas em direito criminal consultados pela Le Monde, pode ser uma estratégia para negociar penas menores, mas fortalece o caso da acusação.
Avanços na Investigação e Evidências Cruciais
A procuradora detalhou extensivamente como pistas forenses foram decisivas na identificação rápida dos suspeitos, um testemunho do avanço da ciência criminal na França. DNA recuperado de um scooter usado na fuga – um veículo de baixa cilindrada encontrado abandonado em uma rua adjacente ao Louvre – e de uma janela quebrada no pavilhão Richelieu do museu permitiu a identificação dos suspeitos através de comparação com bancos de dados nacionais de perfis genéticos. Cuja nomes ainda não foram divulgados publicamente para preservar a integridade da investigação e evitar retaliações, uma prática padrão em casos sensíveis coordenados pelo Ministério da Justiça francês. Essa abordagem científica, que inclui análise de traços como impressões digitais parciais e fibras de roupa, foi corroborada por relatórios da SRPJ e do Instituto Nacional de Polícia Científica (INPS), que confirmam o uso de tecnologias de sequenciamento de DNA de última geração para rastrear os envolvidos em menos de 72 horas.
Uma caçada massiva continua em andamento na quarta-feira por pelo menos outros dois suspeitos, com forças policiais expandindo a busca para cidades vizinhas como Lyon e Marselha, além de alertas internacionais via Interpol. Beccuau não descartou a possibilidade de mais cúmplices, mencionando que depoimentos iniciais sugerem uma divisão de tarefas no grupo, mas observou que, até o momento, as evidências – como gravações de câmeras de segurança e registros de chamadas telefônicas – não indicam participantes adicionais de forma conclusiva. Especialistas em crimes artísticos, como os do Departamento de Crimes contra o Patrimônio da Interpol, que monitoram roubos em museus globais, notaram que o Louvre já sofreu incidentes semelhantes no passado, incluindo furtos menores de artefatos em 2015 e um arrombamento frustrado em 2020, mas este caso destaca a sofisticação dos ladrões, que evitaram sistemas de alarme por um breve período de 10 minutos, possivelmente usando ferramentas de jamming eletrônico. A investigação também explora conexões com redes de receptadores de arte roubada, que operam em feiras clandestinas na Bélgica e na Holanda, conforme dados de relatórios anuais da Europol sobre tráfico cultural.
Perfis dos Suspeitos e Histórico Criminal
O primeiro suspeito, um homem na casa dos 30 anos, foi preso por volta das 20h de sábado no Aeroporto Internacional Charles de Gaulle, um dos hubs de viagem mais movimentados da Europa, enquanto tentava embarcar em um voo sem bilhete de retorno, carregando apenas uma bagagem de mão suspeita. Beccuau informou que ele reside na França desde 2010, após imigrar de uma região da África Ocidental, e tem um histórico de condenação por roubo anterior em 2018, envolvendo um assalto a uma joalheria em Bobigny, o que o classifica como reincidente sob a lei francesa e agrava potenciais sentenças. Essa prisão oportuna, segundo fontes da polícia aeroportuária citadas pela Reuters, foi resultado de uma vigilância reforçada pós-roubo, impedindo uma possível fuga para destinos como o Norte da África ou o Oriente Médio, rotas comuns em casos de tráfico de bens culturais de alto valor, onde itens roubados são frequentemente desmontados e vendidos no mercado negro.
O segundo suspeito, um motorista de táxi de 42 anos com rotina diária nas ruas de Paris, foi detido às 20h40 do mesmo sábado perto de sua residência em um conjunto habitacional em Saint-Denis. Seu DNA foi encontrado em uma das janelas do museu, especificamente em marcas de luvas deixadas durante o arrombamento, ligando-o diretamente à entrada dos ladrões e sugerindo que ele pode ter atuado como vigia ou executor principal. Ele tem condenações anteriores por “roubos agravados” em 2008, quando liderou um assalto armado a uma loja de eletrônicos, e em 2014, por um furto em uma galeria de arte suburbana, crimes que envolviam violência ou planejamento meticuloso, de acordo com registros judiciais acessíveis via o portal oficial do Ministério da Justiça francês. Inicialmente, investigadores da ABC News sugeriram que ele planejava viajar para o Mali, possivelmente para vender as joias em redes familiares, mas Beccuau corrigiu isso na quarta-feira, afirmando que não havia intenção de deixar o país no momento da prisão, o que pode indicar uma rede local mais ampla de cúmplices em Seine-Saint-Denis, incluindo possíveis intermediários para lavagem dos bens roubados. Seu trabalho como taxista levanta suspeitas de que o veículo pode ter sido usado para reconhecimento prévio do local, uma tática comum em roubos urbanos.
Contexto do Roubo e Implicações Maiores
O roubo no Louvre, ocorrido na seção de joias antigas e decorativas, envolveu itens de valor inestimável, como um colar de diamantes atribuído à era napoleônica e brincos de esmeraldas do século XVII, avaliados em pelo menos 5 milhões de euros em leilões recentes semelhantes, conforme estimativas preliminares do museu divulgadas pela AFP e confirmadas por peritos independentes. O incidente, que durou menos de 15 minutos, expôs falhas de segurança em um local que abriga a Mona Lisa e outras obras-primas, levando o diretor do Louvre, Laurence des Cars, em uma declaração oficial, a prometer revisões imediatas nos protocolos de vigilância, incluindo a instalação de sensores biométricos adicionais e aumento no número de guardas noturnos. Autoridades francesas, em coordenação com a Europol e o FBI’s Art Crime Team, intensificaram patrulhas em outros museus parisienses, como o Musée d’Orsay e o Centre Pompidou, para prevenir cópias ou roubos em cascata, especialmente em meio a uma onda de crimes culturais na Europa pós-pandemia.
Esse caso reforça uma tendência preocupante de roubos de arte na Europa, com mais de 50 incidentes reportados em 2025 pela Interpol, muitos envolvendo itens culturais vendidos no mercado negro via dark web ou leilões falsos na Ásia e Oriente Médio. A recuperação das joias depende agora de rastrear possíveis compradores internacionais, uma tarefa complexa dada a expertise dos ladrões em evitar rastreamento – por exemplo, desmontando peças para venda separada de pedras preciosas. Beccuau expressou otimismo quanto ao progresso, citando cooperação internacional, mas alertou que a investigação pode se estender por meses ou anos, similar ao caso do roubo de Van Gogh em 1991, que levou uma década para resoluções parciais. Culturalmente, o furto reacende debates sobre a proteção do patrimônio francês, com o presidente Emmanuel Macron ordenando uma auditoria nacional em museus, enquanto o público expressa indignação nas redes sociais, temendo perdas irreparáveis para a história da humanidade.
A informação foi coletada da ABC News e da BBC.
