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A UE elogia os progressos da Ucrânia, mas alerta para os riscos persistentes de corrupção.

A Comissão Europeia deve elogiar o “notável compromisso” da Ucrânia com a adesão à União Europeia em seu relatório anual de ampliação nesta terça-feira, ao mesmo tempo que alerta que o preocupante retrocesso nas reformas anticorrupção deve ser revertido de forma decisiva para que Kyiv avance em sua candidatura de adesão.

O relatório de ampliação de 2025, que será divulgado em 4 de novembro, afirmará que a Ucrânia cumpriu as condições para abrir três dos seis grupos de adesão exigidos, apesar da guerra em curso com a Rússia, segundo um rascunho visto por vários meios de comunicação. No entanto, Bruxelas advertirá que a recente pressão sobre agências anticorrupção especializadas e sobre a sociedade civil ameaça as aspirações europeias da Ucrânia.

Avaliação positiva apesar dos desafios da guerra

“Apesar das circunstâncias muito difíceis em que o país se encontra devido à guerra de agressão da Rússia, a Ucrânia continuou a demonstrar um notável compromisso com o caminho de adesão à UE ao longo do último ano”, deverá declarar a Comissão.

O relatório confirmará que a Ucrânia cumpriu as condições para abrir o Cluster 1 (fundamentos), o Cluster 2 (mercado interno) e o Cluster 6 (relações externas), com expectativas de cumprir os requisitos para os três clusters restantes até o final do ano. Isso representa um progresso significativo para um país que enfrenta condições de guerra enquanto implementa reformas complexas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou essa mensagem após uma ligação na segunda-feira com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, publicando nas redes sociais que “a Ucrânia está pronta para avançar”.

Crescem as preocupações com a corrupção

Apesar dos elogios gerais, a Comissão alertará para “tendências negativas recentes, incluindo uma crescente pressão sobre as agências anticorrupção especializadas e a sociedade civil”, que “devem ser revertidas de forma decisiva”.

As preocupações de Bruxelas derivam de eventos ocorridos em julho, quando as autoridades ucranianas tentaram expandir os poderes da Procuradoria-Geral sobre o independente Escritório Nacional Anticorrupção (NABU) e o Escritório do Procurador Especializado Anticorrupção (SAPO). Embora raros protestos em tempos de guerra tenham forçado o governo a recuar, o episódio alarmou parceiros internacionais e destacou tensões contínuas entre as agências anticorrupção e o gabinete presidencial.

As agências especializadas, criadas após a revolução ucraniana de 2014, são consideradas cruciais para garantir ajuda ocidental e a adesão à UE. Relatórios recentes sugerem pressão contínua dos serviços de segurança sobre ex-detetives do NABU que agora trabalham em empresas estatais.

Hungria bloqueia o progresso

Apesar da prontidão técnica da Ucrânia, a Hungria continua sendo o único obstáculo à abertura dos capítulos de negociação, com o governo do primeiro-ministro Viktor Orbán mantendo seu veto ao processo de adesão da Ucrânia à UE. O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, declarou recentemente que “enquanto eu servir como ministro das Relações Exteriores e Viktor Orbán for primeiro-ministro, os capítulos de adesão da Ucrânia não começarão”.

A comissária da UE para o Alargamento, Marta Kos, disse a jornalistas que a Comissão está pressionando para obter pelo menos um sinal político dos Estados-membros que permita o avanço dos trabalhos técnicos, mesmo sem aprovação unânime para as etapas formais.