16 iniciativas de AgriTech e Inovação Alimentar em Portugal para 2026
Portugal está a viver um momento histórico na convergência entre tradição agrícola e tecnologia de ponta. Em 2026, o ecossistema de AgriTech e Inovação Alimentar em Portugal não é apenas uma promessa, mas uma realidade em plena escala, impulsionada por fundos europeus, laboratórios colaborativos (CoLABs) e uma nova geração de empreendedores.
Desde o Alentejo até aos centros urbanos de Lisboa e Porto, startups e projetos de investigação estão a redefinir como produzimos, distribuímos e consumimos alimentos. A sustentabilidade, a eficiência hídrica e as novas fontes de proteína já não são nichos, mas sim os pilares centrais de uma indústria que procura liderar a nível europeu.
Neste artigo, exploramos 16 inovações e empresas que estão a escalar as suas operações e impacto este ano.
Por Que o Setor Agroalimentar Português Está a Crescer?
Antes de mergulharmos na lista, é crucial entender o contexto. Portugal tornou-se um laboratório vivo para a AgriTech e Inovação Alimentar em Portugal devido a três fatores principais: a necessidade urgente de gestão de água no sul da Europa, o acesso a talento qualificado em biotecnologia e engenharia, e um forte apoio ao empreendedorismo através de redes como a Portugal Ventures e a EIT Food.
Em 2026, a atenção vira-se para a “escala”. As tecnologias que foram testadas em pilotos nos anos anteriores estão agora a ser implementadas em grandes herdades e cadeias de retalho nacionais e internacionais.
Top 16 Inovações e Startups em Destaque
1. Sensei: O Retalho Autónomo Escala Globalmente
A Sensei, pioneira em lojas sem caixas (“checkout-free”), consolidou a sua posição em 2026. A sua tecnologia, que utiliza visão computacional e fusão de sensores, permite que os retalhistas ofereçam uma experiência de compra onde o cliente simplesmente “entra, recolhe e sai”.
A inovação reside na capacidade de adaptar lojas existentes (“retrofitting”) em vez de construir novas de raiz. Em 2026, a Sensei não só expandiu a sua presença em Portugal com grandes cadeias de supermercados, como está a escalar agressivamente para mercados europeus e sul-americanos.
| Característica | Detalhe |
| Tecnologia | Visão Computacional e IA |
| Benefício | Eliminação de filas e gestão de stock em tempo real |
| Status 2026 | Expansão internacional (Série A/B) |
2. EntoGreen: Biofertilizantes e Proteína de Inseto
A EntoGreen é um dos líderes na economia circular aplicada ao agroalimentar. A empresa foca-se na bioconversão de desperdícios agrícolas utilizando a mosca soldado-negro para produzir dois produtos valiosos: fertilizantes orgânicos para a agricultura e proteína de inseto para alimentação animal.
Em 2026, as suas unidades industriais estão em plena operação, processando toneladas de resíduos vegetais que, de outra forma, acabariam em aterros. Esta solução responde diretamente às metas da UE para a redução de fertilizantes sintéticos.
| Característica | Detalhe |
| Matéria-Prima | Subprodutos agrícolas e vegetais |
| Produto Final | Proteína para ração animal e biofertilizante |
| Impacto | Redução da pegada de carbono e desperdício zero |
3. Oceano Fresco: Aquacultura de Bivalves “Science-Based”
Portugal tem uma ligação histórica ao mar, e a Oceano Fresco está a modernizá-la. A empresa utiliza biotecnologia para o cultivo sustentável de amêijoas de alta qualidade em mar aberto, ao largo do Algarve.
A grande inovação de 2026 é a escala do seu centro de biomarinha (Bio Marine Center) na Nazaré, onde controlam o ciclo reprodutivo dos bivalves para garantir espécies mais resistentes e produtivas sem recorrer à captura selvagem, preservando os stocks naturais do oceano.
| Característica | Detalhe |
| Foco | Melhoramento genético e cultivo de amêijoas |
| Localização | Nazaré (I&D) e Algarve (Produção) |
| Sustentabilidade | Proteção da biodiversidade marinha selvagem |
4. Gestão Hídrica de Precisão (Trigger.Systems)
Num país onde a seca é uma realidade frequente, a gestão da água é crítica. Empresas como a Trigger.Systems desenvolveram plataformas que controlam os sistemas de rega de forma autónoma, baseando-se em previsões meteorológicas e sensores de humidade do solo.
A tendência em 2026 é a integração total com sistemas de IA que preveem o stress hídrico das plantas antes que este ocorra. Esta tecnologia é vital para as grandes explorações de amendoal e olival no Alentejo.
| Característica | Detalhe |
| Inovação | Automação de rega baseada em dados preditivos |
| Poupança | Redução do consumo de água até 40% |
| Setores | Agricultura, espaços verdes e golfe |
5. PFX Biotech: Proteínas de Leite Humano via Fermentação
Uma das áreas mais promissoras da biotecnologia alimentar é a fermentação de precisão. A PFX Biotech está a escalar a produção de proteínas idênticas às do leite humano para uso em nutrição infantil e adulta, sem necessidade de animais.
Esta tecnologia posiciona Portugal na vanguarda da “Cellular Agriculture”. Em 2026, a empresa foca-se na otimização dos bioreatores e na aprovação regulatória para comercialização em larga escala, oferecendo uma alternativa ética e sustentável aos laticínios tradicionais.
| Característica | Detalhe |
| Tecnologia | Fermentação de precisão |
| Produto | Proteínas de leite funcional e hipoalergénico |
| Mercado | Nutrição avançada e suplementação |
6. Food4Sustainability CoLAB: O Hub de Inovação
O Food4Sustainability CoLAB, sediado em Idanha-a-Nova, não é uma startup, mas um motor de inovação crucial. Em 2026, os seus projetos de “Living Labs” estão a testar novas técnicas de agricultura regenerativa em ambiente real.
Este laboratório colaborativo liga a academia à indústria, focando-se na medição de carbono no solo e na criação de certificações para produtos “carbono zero”. O seu papel é essencial para validar cientificamente as práticas que os agricultores adotam.
| Característica | Detalhe |
| Tipo | Laboratório Colaborativo (Associação) |
| Missão | Transição para agricultura livre de químicos |
| Destaque 2026 | Métricas de sequestro de carbono no solo |
7. SilicoLife: IA para Biologia Industrial
A SilicoLife combina inteligência artificial com biologia para desenhar processos celulares otimizados. Eles criam “fábricas celulares” (microrganismos) que produzem ingredientes específicos, como aromas, fragrâncias ou suplementos alimentares, de forma sustentável.
Em 2026, a sua plataforma tecnológica está a ser utilizada por grandes multinacionais para substituir processos químicos poluentes por alternativas biológicas, consolidando a AgriTech e Inovação Alimentar em Portugal no mapa da biotecnologia global.

| Característica | Detalhe |
| Core | Biologia Sintética e Bioinformática |
| Aplicação | Produção de ingredientes via fermentação |
| Vantagem | Aceleração do I&D de novos compostos |
8. Nutrium: Digitalização da Nutrição Clínica
A Nutrium, originária de Braga, transformou a relação entre nutricionistas e pacientes. O seu software permite o acompanhamento em tempo real dos planos alimentares, promovendo uma alimentação mais saudável e preventiva.
A inovação de 2026 passa pela integração de dados de saúde mais complexos e pela expansão para sistemas de saúde corporativos (B2B), ajudando empresas a gerir a saúde alimentar dos seus colaboradores.
| Característica | Detalhe |
| Público | Nutricionistas e Pacientes |
| Funcionalidade | App móvel com planos e chat direto |
| Expansão | Programas de bem-estar corporativo |
9. Allmicroalgae: O Poder das Microalgas
Localizada em Pataias, a Allmicroalgae é uma das maiores produtoras europeias de microalgas. Com a crescente procura por proteínas alternativas e ingredientes funcionais (“superfoods”), a empresa está a escalar a produção de Chlorella e Nannochloropsis.
Em 2026, os seus ingredientes estão cada vez mais presentes em produtos do dia-a-dia, desde massas e bolachas a bebidas energéticas, oferecendo um perfil nutricional rico e vegan.
| Característica | Detalhe |
| Produto | Biomassa de microalgas e extratos |
| Aplicação | Alimentação humana, animal e cosmética |
| Escala | Produção industrial em fotobiorreatores |
10. Wine Tech e Viticultura Inteligente
O setor do vinho em Portugal é um dos mais avançados na adoção de tecnologia. Projetos que integram imagens de satélite e drones para monitorizar a maturação da uva são agora a norma nas grandes quintas do Douro e Alentejo.
A novidade para 2026 é a rastreabilidade via Blockchain, permitindo ao consumidor final, através de um QR Code na garrafa, saber exatamente a pegada de carbono e a história daquela colheita específica, valorizando o produto “Made in Portugal”.
| Característica | Detalhe |
| Tecnologia | IoT, Drones e Blockchain |
| Objetivo | Qualidade da uva e transparência de mercado |
| Tendência | Rótulos digitais inteligentes |
11. Phenix Portugal: Combate ao Desperdício Alimentar
Embora de origem francesa, a Phenix tem uma operação robusta e autónoma em Portugal que está a escalar massivamente em 2026. A sua app conecta supermercados, restaurantes e consumidores para vender excedentes alimentares a preços reduzidos.
O foco atual está na vertente B2B, ajudando grandes cadeias de distribuição a doar excedentes a instituições de solidariedade de forma automatizada e com benefícios fiscais otimizados digitalmente.
| Característica | Detalhe |
| Modelo | Marketplace de excedentes e gestão de doações |
| Impacto | Milhões de refeições salvas do lixo |
| Parceiros | Grande retalho e IPSS |
12. Robótica Agrícola e Automação (Tomix / Herculano)
A falta de mão-de-obra é um desafio crítico. Fabricantes históricos de maquinaria agrícola em Portugal, como a Tomix ou Herculano, têm vindo a integrar sensores inteligentes e automação nos seus equipamentos.
Em 2026, vemos a ascensão de robôs colaborativos e pulverizadores de precisão que aplicam fitofármacos apenas onde é detetada uma doença, reduzindo drasticamente o uso de químicos e os custos operacionais.
| Característica | Detalhe |
| Foco | Pulverização de precisão e colheita assistida |
| Benefício | Redução de químicos e eficiência laboral |
| Evolução | Tratores autónomos e alfaias conectadas |
13. Embalagens Comestíveis e Sustentáveis
A procura por alternativas ao plástico impulsionou a investigação em novos materiais. Projetos ligados a universidades portuguesas (como a Universidade do Minho ou Aveiro) estão a criar películas comestíveis à base de algas ou amido para conservar frutas e legumes.
Em 2026, estas soluções começam a sair dos laboratórios para as prateleiras, especialmente em produtos de exportação onde a conservação (“shelf-life”) é vital para reduzir o desperdício durante o transporte.
| Característica | Detalhe |
| Material | Biopolímeros naturais (algas, quitosano) |
| Uso | Revestimento de frutas e vegetais |
| Vantagem | Aumenta validade e é 100% biodegradável |
14. Agricultura Vertical Urbana (Raiz Vertical Farms)
A Raiz Vertical Farms e outros projetos similares trouxeram a agricultura para dentro das cidades. Utilizando sistemas hidropónicos e aeropónicos em contentores ou armazéns recuperados, produzem ervas aromáticas e micro-vegetais com 95% menos água.
A escala em 2026 verifica-se na aproximação aos restaurantes de “fine dining” e hotéis, que procuram ingredientes ultra-frescos colhidos no próprio dia, a poucos quilómetros da cozinha.
| Característica | Detalhe |
| Ambiente | Controlado (Indoor Farming) |
| Produtos | Microgreens, aromáticas e folhas baby |
| Logística | Km 0 e ausência de pesticidas |
15. Soja de Portugal e a Economia Circular
O grupo Soja de Portugal, um gigante do setor, tem investido fortemente em I&D para valorizar subprodutos da indústria agroalimentar. Através das suas unidades, transformam subprodutos de origem animal em ingredientes seguros para aquacultura e “pet food”.
Esta abordagem industrial à economia circular é fundamental em 2026 para garantir a soberania alimentar e reduzir a dependência de importações de proteínas vegetais externas.
| Característica | Detalhe |
| Setor | Nutrição animal e pet food |
| Estratégia | Valorização de coprodutos |
| Inovação | Novos ingredientes funcionais para rações |
16. Queijaria Vegana e Fermentação Tradicional Inovadora
Portugal tem uma tradição queijeira forte, e novas startups estão a reinventar este setor usando frutos secos (como o caju) e fermentação tradicional para criar queijos 100% vegetais curados.
Marcas artesanais estão a ganhar escala industrial em 2026, entrando nas grandes superfícies e oferecendo alternativas que respeitam o paladar tradicional português, mas respondem à procura crescente por produtos “plant-based” autênticos e com rótulos limpos.
| Característica | Detalhe |
| Base | Frutos secos e leguminosas |
| Processo | Fermentação e cura tradicional |
| Tendência | Clean Label (poucos ingredientes) |
O Futuro da AgriTech e Inovação Alimentar em Portugal
A lista acima demonstra que a AgriTech e Inovação Alimentar em Portugal está numa fase de maturação vibrante em 2026. A colaboração entre startups ágeis e gigantes industriais está a criar um ecossistema resiliente.
Para investidores e empreendedores, as oportunidades residem na intersecção entre a sustentabilidade ambiental e a eficiência económica. O desafio para o resto da década será a internacionalização destas soluções, levando a tecnologia “Made in Portugal” a outros mercados que enfrentam desafios climáticos semelhantes.
Se procura investir ou colaborar, a altura é agora. O setor está sedento de parcerias que possam acelerar ainda mais esta revolução verde e digital.
