16 Cidades Inteligentes, IoT e Mobilidade em Cabo Verde em 2026
Em 2026, o arquipélago de Cabo Verde não é apenas conhecido pelas suas praias paradisíacas e pela morabeza do seu povo, mas também por se afirmar como um laboratório vivo de tecnologia em África. A estratégia nacional de transformação digital, impulsionada pela visão “Cabo Verde Digital” e pela inauguração recente do “Smart City Cabo Verde 2.0”, está a redefinir a vida urbana nas ilhas.
Com a meta de atingir 25% da frota nacional composta por veículos elétricos e uma penetração de internet superior a 90%, o país consolidou a sua posição como um Hub Digital no Atlântico Médio. Este artigo explora em profundidade as 16 principais áreas urbanas e iniciativas que estão a moldar este futuro, focando na integração de IoT (Internet das Coisas), mobilidade sustentável e governação digital.
O Cenário de 2026: Uma Nação Digital
A transformação digital em Cabo Verde deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade palpável. Em 2026, a infraestrutura tecnológica do país, suportada pelo cabo submarino EllaLink e pela rede 5G, permite que empresas e cidadãos operem com latência reduzida e alta velocidade.
O governo, em parceria com o setor privado e instituições como o Banco Africano de Desenvolvimento, expandiu o conceito de “Cidade Segura” (Safe City) para “Cidade Inteligente” (Smart City). Isto significa que a tecnologia já não serve apenas para videovigilância, mas para gerir o tráfego, otimizar o consumo de água e energia, e melhorar os serviços públicos.
Principais Metas Atingidas em 2026
| Indicador | Meta / Estado em 2026 |
| Penetração de Internet | > 90% da população |
| Mobilidade Elétrica | 25% da frota nacional (30% na Administração Pública) |
| Energias Renováveis | Caminho para 100% de penetração na rede |
| Segurança | Expansão do projeto Safe City para todas as ilhas habitadas |
| Economia Digital | TechPark CV em plena operação (Praia e Mindelo) |
As 16 Cidades e Centros Urbanos em Transformação
A iniciativa de Cidades Inteligentes não se limita à capital. Em 2026, a “mancha digital” espalha-se por todo o arquipélago, abrangendo municípios e vilas que adotam tecnologias para resolver problemas locais. Abaixo, detalhamos como 16 centros urbanos estão a liderar esta mudança.
1. Praia: O Coração Tecnológico
A capital, Praia, é o epicentro do ecossistema. Com o TechPark CV a operar na sua capacidade máxima, a cidade acolhe startups de toda a África Ocidental. O sistema de gestão de tráfego inteligente utiliza sensores IoT para ajustar semáforos em tempo real, reduzindo os engarrafamentos nas horas de ponta em Achada Santo António e Plateau.
2. Mindelo: A Capital Oceânica e Cultural
Mindelo posicionou-se como o hub da Economia Azul digitalizada. O Porto Grande utiliza IoT para logística portuária, enquanto o centro da cidade oferece Wi-Fi gratuito de alta velocidade (Konekta). A cidade é também pioneira em coworking flutuante e centros de dados ligados à economia marítima.
3. Espargos (Sal): Turismo Inteligente
No Sal, Espargos funciona como o cérebro logístico da ilha mais turística. Sensores de gestão de resíduos alertam os serviços de recolha quando os contentores estão cheios, otimizando rotas e mantendo a cidade limpa para habitantes e turistas.
4. Santa Maria (Sal): A Smart Beach City
Santa Maria implementou quiosques digitais interativos e pulseiras RFID para turistas, permitindo pagamentos cashless em toda a cidade. A segurança é reforçada por câmaras inteligentes que monitorizam as praias sem invadir a privacidade.
5. Sal Rei (Boa Vista): Sustentabilidade Hídrica
Enfrentando a escassez de água, Sal Rei adotou a telemetria avançada na rede de distribuição. Sensores detetam fugas em milissegundos, poupando milhares de litros de água dessalinizada diariamente.
6. Assomada (Santa Catarina): O Mercado Digital
O coração comercial do interior de Santiago, Assomada, digitalizou o seu famoso mercado. Produtores locais utilizam aplicações móveis para vender produtos diretamente a restaurantes na Praia, com rastreabilidade garantida por blockchain simples.
7. Porto Novo (Santo Antão): Agricultura 4.0
Porto Novo lidera a revolução na agricultura. Sistemas de rega gota-a-gota controlados por smartphones e alimentados por energia solar permitem aos agricultores monitorizar a humidade do solo remotamente, combatendo a seca de forma eficiente.
8. São Filipe (Fogo): Conectividade Vulcânica
A cidade de São Filipe integrou a monitorização sísmica e vulcânica na plataforma de gestão da cidade. Alertas em tempo real são enviados para os telemóveis dos cidadãos, garantindo uma resposta rápida em caso de emergência.
9. Tarrafal de Santiago: O Retiro Nómada
Tarrafal transformou-se numa “Vila Nómada Digital”. Com fibra ótica de última geração e alojamentos equipados para trabalho remoto, atrai profissionais europeus que procuram sol e conectividade durante o inverno.
10. Ribeira Grande (Santo Antão): Mobilidade Verde
Devido à sua geografia acidentada, Ribeira Grande aposta em bicicletas elétricas partilhadas e miniautocarros elétricos para conectar as vilas do vale, reduzindo a pegada de carbono no transporte escolar e turístico.
11. Vila do Maio: A Ilha Ecológica
Maio, reserva da biosfera, utiliza a tecnologia para proteção ambiental. Drones autónomos monitorizam as áreas protegidas e a desova das tartarugas, enviando dados para o centro de controlo na Vila.
12. Mosteiros (Fogo): Café Tech
A produção do famoso café do Fogo em Mosteiros beneficia agora de sensores climáticos que ajudam a prever as melhores épocas de colheita, garantindo a qualidade premium do produto para exportação online.
13. Tarrafal de São Nicolau: Pesca Inteligente
Os pescadores locais utilizam GPS e sondas acessíveis conectadas a apps nacionais para localizar cardumes e registar capturas, melhorando a segurança no mar e a gestão dos stocks pesqueiros.
14. Ribeira Brava (São Nicolau): Educação Conectada
As escolas de Ribeira Brava foram piloto no projeto “WebLab 2.0”, onde cada aluno tem acesso a tablets e laboratórios de robótica, preparando a próxima geração para o TechPark.
15. Cidade Velha: Património com Realidade Aumentada
O berço da nacionalidade utiliza Realidade Aumentada (AR) para o turismo. Visitantes apontam os telemóveis para as ruínas e veem como eram os edifícios no século XVI, uma fusão perfeita de história e tecnologia.
16. São Domingos: O Corredor de Inovação
Localizado entre a Praia e o interior, São Domingos acolhe centros de logística para o comércio eletrónico, servindo como base de distribuição rápida para a ilha de Santiago.
A Revolução da IoT (Internet das Coisas)

A Internet das Coisas é o motor invisível destas 16 cidades. Em 2026, a IoT em Cabo Verde foca-se em resolver os desafios estruturais do arquipélago: energia e água.
Gestão de Água e Energia
A Electra e a Águas de Cabo Verde implementaram contadores inteligentes (smart meters) em grande escala.
- Benefício: O consumidor consulta o seu consumo em tempo real através de uma app, evitando surpresas na fatura.
- Rede: A integração de microprodução solar nas casas é gerida por algoritmos que decidem quando armazenar energia em baterias ou injetá-la na rede.
Agricultura de Precisão
Projetos como o “Smart Farming” permitiram que Cabo Verde aumentasse a sua produção agrícola apesar dos ciclos de seca. Sensores de baixo custo medem:
- Humidade do solo.
- Temperatura e radiação solar.
- Níveis de nutrientes.
Mobilidade Elétrica: A Meta de 2026
A “Carta de Política para a Mobilidade Elétrica” é um dos documentos mais ambiciosos do governo. Em 2026, as ruas de Cabo Verde estão mais silenciosas e limpas.
Transportes Públicos e Privados
A meta de substituir 25% da frota nacional por veículos elétricos (VE) está em curso.
- Autocarros: As empresas de transporte na Praia e Mindelo operam agora com autocarros 100% elétricos em rotas chave.
- Incentivos: O governo oferece benefícios fiscais na importação de VEs e carregadores domésticos.
- Infraestrutura: A rede de postos de carregamento (“CV Charge”) cobre todas as ilhas, com estações de carregamento rápido nos aeroportos e portos.
Nota: A administração pública lidera pelo exemplo, com 30% da sua frota já eletrificada, reduzindo drasticamente os gastos do Estado com combustíveis fósseis.
Desafios e Governação de Dados
Com a digitalização, surgem desafios de cibersegurança e privacidade. Cabo Verde fortaleceu a sua CNPD (Comissão Nacional de Proteção de Dados).
Soberania Digital
A criação do Data Center do TechPark garante que os dados dos cidadãos cabo-verdianos residam no território nacional, cumprindo as normas internacionais de proteção de dados. A segurança cibernética é uma prioridade, com equipas de resposta a incidentes (CSIRT) ativas 24/7.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é o projeto Smart City Cabo Verde?
É uma iniciativa governamental e privada que visa utilizar a tecnologia para melhorar a eficiência urbana, a segurança e a qualidade de vida nas ilhas, integrando videovigilância, gestão de dados e serviços digitais.
2. Cabo Verde já tem rede 5G em 2026?
Sim, a rede 5G foi implementada nas principais cidades (Praia, Mindelo, Espargos) e está em expansão para as zonas rurais, suportando a IoT e a internet de alta velocidade.
3. Como funciona a mobilidade elétrica para turistas?
Os turistas podem alugar carros, bicicletas e scooters elétricas em ilhas como Sal e Boa Vista, utilizando apps para localizar postos de carregamento alimentados por energia solar.
4. O TechPark CV está aberto ao público?
Sim, o TechPark funciona como um centro de negócios, formação e incubação. Possui áreas abertas para eventos e coworking, sendo um ponto de encontro para nómadas digitais e empreendedores.
Considerações Finais
Em 2026, a visão de “16 Cidades Inteligentes” em Cabo Verde não é apenas sobre gadgets ou internet rápida; é sobre resiliência. Num país insular, vulnerável às alterações climáticas, a tecnologia tornou-se a ferramenta vital para gerir recursos escassos e conectar a população ao mundo.
De Santo Antão à Brava, a transformação digital está a democratizar oportunidades, permitindo que um jovem em Ribeira Brava tenha as mesmas ferramentas digitais que um empreendedor na Praia. Cabo Verde prova, assim, que a dimensão geográfica não limita a ambição digital.
Próximo Passo: Gostaria que eu criasse um plano de conteúdo para redes sociais para divulgar este artigo sobre as “Cidades Inteligentes de Cabo Verde”?
