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12 Economia Circular e Reciclagem Avançada em Angola em 2026

Angola está a viver um momento histórico em 2026. O país, conhecido mundialmente pela sua riqueza petrolífera, está a dar passos gigantes em direção a um futuro mais verde. A transição para uma Economia Circular e Reciclagem Avançada em Angola deixou de ser apenas uma promessa política para se tornar uma realidade económica palpável. Com o sucesso da “Expo Recicla 2025” e o lançamento de novos fundos de investimento da União Europeia, o ano de 2026 marca o início de uma nova era na gestão de resíduos e na sustentabilidade industrial.

Neste artigo, vamos explorar como o governo, as empresas privadas e a sociedade civil estão a unir forças. Vamos analisar as novas tecnologias de reciclagem, o impacto na criação de emprego e os desafios que ainda persistem. Se quer entender para onde caminha a economia angolana, este guia completo é para si.

O Estado Atual da Gestão de Resíduos em 2026

A gestão de resíduos em Angola sempre foi um desafio, especialmente em grandes centros urbanos como Luanda. No entanto, o cenário mudou significativamente nos últimos anos. Em 2026, vemos uma estrutura mais organizada, impulsionada pela Estratégia Nacional de Gestão de Resíduos que entrou em vigor recentemente.

Antigamente, a maioria do lixo acabava em aterros sanitários a céu aberto ou era queimada, prejudicando a saúde pública e o ambiente. Hoje, o foco é a valorização. O lixo não é visto como um problema, mas como uma matéria-prima secundária.

Dados Relevantes sobre Resíduos (Estimativa 2026)

Abaixo, apresentamos uma tabela que resume a evolução da gestão de resíduos no país:

Indicador Situação em 2020 Situação em 2026 (Estimada)
Recolha de Lixo Urbano Irregular e focada no centro Expandida para periferias
Taxa de Reciclagem Menor que 2% Aproximadamente 10-15%
Aterros Controlados Escassos Em crescimento nas províncias
Foco Económico Descarte linear Reutilização circular

Esta mudança deve-se, em grande parte, à pressão internacional e aos compromissos assumidos por Angola no Acordo de Paris e nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC 3.0), que cobrem o período de 2025 a 2035.

O Que é a Economia Circular no Contexto Angolano?

A economia circular é um modelo de produção e consumo que envolve partilhar, alugar, reutilizar, reparar, renovar e reciclar materiais existentes durante o maior tempo possível. Em Angola, este conceito é vital para diversificar a economia para além do petróleo.

Em vez do modelo tradicional “extrair, usar e deitar fora”, Angola está a adotar o ciclo dos 3 Rs de forma mais agressiva:

  1. Reduzir: Menor consumo de plásticos de uso único.
  2. Reutilizar: Incentivo a embalagens retornáveis.
  3. Reciclar: Transformação industrial de resíduos.

A Importância da Diversificação

Para um país que depende da exportação de crude, a economia circular oferece uma “almofada” de segurança. Ela cria novas indústrias locais que não dependem da volatilidade dos preços do barril de petróleo. Empresas locais estão a surgir para transformar pneus velhos em asfalto, garrafas PET em fibras têxteis e resíduos orgânicos em fertilizantes para a agricultura.

Avanços na Reciclagem Tecnológica

O termo “reciclagem avançada” refere-se ao uso de tecnologias químicas e digitais para tratar resíduos que a reciclagem mecânica tradicional não consegue processar. Em 2026, Angola começa a ver os primeiros frutos de investimentos estrangeiros nesta área.

Projetos e Investimentos em Destaque

Um dos grandes impulsionadores foi o financiamento da União Europeia, anunciado em 2024 e implementado a partir de 2025, no valor de cerca de 100 milhões de euros. Parte deste fundo foi destinado especificamente para modernizar a cadeia de valor dos resíduos sólidos.

  • Full Bliss Angola: Continua a ser uma referência na reciclagem de plásticos, processando milhares de toneladas anualmente e empregando centenas de jovens angolanos.
  • Novas Startups: Pequenas empresas tecnológicas em Luanda estão a usar aplicações móveis para conectar “catadores” informais às grandes indústrias recicladoras, formalizando o trabalho e aumentando a eficiência da recolha.

Diferenças entre Reciclagem Tradicional e Avançada

Característica Reciclagem Tradicional Reciclagem Avançada (2026)
Processo Mecânico (lavar, triturar) Químico e Térmico (pirólise)
Materiais Plásticos limpos (PET, HDPE) Plásticos mistos e contaminados
Produto Final Grânulos de plástico de menor qualidade Combustíveis, ceras ou plásticos virgens
Custo Baixo investimento Alto investimento inicial

Impacto Económico e Social

A transição para a Economia Circular e Reciclagem Avançada em Angola não é apenas ambiental; é profundamente social. O desemprego jovem é uma questão crítica no país, e o setor verde está a surgir como um grande empregador.

Criação de Empregos Verdes

Estima-se que, para cada 1.000 toneladas de resíduos reciclados, são criados muito mais empregos do que se esses resíduos fossem enviados para um aterro ou queimados.

  • Empregos Diretos: Operadores de máquinas, engenheiros químicos, motoristas de logística.
  • Empregos Indiretos: Catadores organizados em cooperativas, artesãos que usam material reciclado.

Inclusão Social

Projetos como a “RecicliArte” mostram como o lixo pode virar arte e mobiliário, gerando renda para famílias vulneráveis. Além disso, a formalização dos catadores de lixo dá dignidade e direitos a trabalhadores que antes eram invisíveis.

Legislação e Governo: O Motor da Mudança

Sem leis claras, o setor privado tem receio de investir. Felizmente, o Governo de Angola tem trabalhado arduamente para criar um ambiente seguro para os negócios verdes.

O Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) e a estratégia “Angola 2050” colocam a sustentabilidade no centro. Em 2026, as regras sobre a responsabilidade estendida do produtor começam a ganhar força. Isso significa que as empresas que produzem embalagens (como garrafas de refrigerante) são agora financeiramente responsáveis pelo destino final dessas embalagens.

Nota Importante: A fiscalização aumentou. O Ministério do Ambiente tem agora mais recursos para garantir que as indústrias cumprem as normas de descarte e reciclagem.

Desafios que Persistem em 2026

Apesar do otimismo, o caminho não é isento de obstáculos. Angola é um país vasto e as infraestruturas no interior ainda precisam de melhorias.

Principais Barreiras

  1. Logística: Transportar lixo reciclável do interior para as fábricas em Luanda ou Benguela ainda é caro devido ao estado de algumas estradas.
  2. Energia: A reciclagem avançada consome muita energia. Embora Angola tenha investido em energia solar e hidroelétrica, a estabilidade da rede elétrica ainda é um desafio em algumas zonas industriais.
  3. Educação Ambiental: Mudar a mentalidade da população leva tempo. Muitas pessoas ainda deitam lixo no chão ou misturam resíduos orgânicos com recicláveis, dificultando o processo de triagem.

O Papel da Educação e Sociedade Civil

As escolas desempenham um papel crucial. Em 2026, o currículo escolar angolano integra cada vez mais temas sobre ambiente e sustentabilidade. As crianças aprendem desde cedo a separar o lixo.

As ONGs também são vitais. Elas atuam onde o governo não consegue chegar, realizando campanhas de limpeza de praias e workshops em comunidades rurais sobre como fazer compostagem doméstica.

Perspetivas Futuras: Para Onde Vamos?

Olhando para o futuro, Angola tem tudo para se tornar um líder regional na África Austral em termos de gestão de resíduos. A cooperação com países vizinhos e a integração na Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) abrem portas para Angola exportar tecnologia de reciclagem e produtos reciclados.

A meta é clara: reduzir drasticamente a dependência de aterros até 2030 e aumentar a percentagem de materiais que voltam ao ciclo produtivo.

Perguntas Frequentes (FAQ)

  1. O que é a economia circular em Angola?

É um modelo económico que visa eliminar o desperdício e promover a reutilização contínua de recursos. Em Angola, foca-se na diversificação da economia para reduzir a dependência da extração de recursos virgens.

  1. Quais são os principais materiais reciclados em Angola em 2026?

Os materiais mais reciclados incluem plásticos (PET e HDPE), metais (alumínio e ferro), papel/cartão e, crescentemente, resíduos eletrónicos.

  1. Como posso investir na reciclagem em Angola?

O governo angolano oferece incentivos fiscais para empresas verdes. Recomenda-se contactar a Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX) para saber mais sobre as oportunidades no setor ambiental.

  1. A reciclagem avançada já é uma realidade no país?

Sim, está em fase de crescimento. Embora a reciclagem mecânica ainda domine, tecnologias químicas para tratar plásticos complexos começaram a ser implementadas com apoio de investimento estrangeiro a partir de 2025.

  1. Qual o papel da Expo Recicla?

A Expo Recicla tornou-se o maior evento do setor no país. Serve como ponto de encontro para empresários, governo e investidores discutirem soluções, fecharem negócios e apresentarem inovações tecnológicas.

Palavras Finais

A Economia Circular e Reciclagem Avançada em Angola em 2026 representam mais do que uma tendência ambiental; são uma estratégia de sobrevivência e crescimento económico. O país está a provar que é possível crescer sem destruir. Ao transformar “lixo” em riqueza, Angola protege as suas belas paisagens naturais, cria empregos para a sua juventude e constrói uma economia mais resiliente contra choques externos.

O caminho ainda é longo e exige o esforço de todos — desde o cidadão que separa o lixo em casa até ao grande industrial que investe em novas máquinas. Mas, com a vontade política atual e o apoio internacional, o futuro de Angola parece, sem dúvida, mais verde e próspero.