Vida Sustentável

18 Economia Circular e Reciclagem Avançada em Angola em 2026

Em 2026, Angola atravessa um momento decisivo na sua trajetória de sustentabilidade. O país, historicamente dependente da indústria petrolífera, está a acelerar a diversificação da sua economia, com um foco renovado na gestão ambiental. A Economia Circular e Reciclagem Avançada em Angola em 2026 deixaram de ser apenas conceitos teóricos para se tornarem políticas de Estado e oportunidades de negócio tangíveis.

Com a plena implementação do PLANEPP (Plano de Acção Nacional para Eliminação Progressiva dos Plásticos) e o surgimento de tecnologias modernas de tratamento de resíduos, o mercado angolano está a amadurecer. O governo, em parceria com o setor privado e ONGs, está a transformar “lixo” em recursos, criando empregos verdes e protegendo a biodiversidade única do país. Este artigo explora as 18 principais iniciativas, tendências e projetos que definem este novo paradigma ecológico.

Por Que Este Tópico Importa

A transição para uma economia circular em Angola não é apenas uma questão ambiental; é uma necessidade económica e de saúde pública. Com a rápida urbanização de Luanda e de outras províncias, a gestão ineficiente de resíduos gerou historicamente problemas de saneamento e poluição marinha.

Em 2026, a abordagem mudou. A “reciclagem avançada” aqui refere-se à industrialização dos processos de recolha, à introdução de tecnologias de tratamento de resíduos perigosos e eletrónicos, e à formalização do setor. Para investidores, gestores e cidadãos, entender este ecossistema é vital, pois novas regulações exigem conformidade rigorosa e abrem portas para inovações no setor de “Waste-to-Value” (Resíduos para Valor).

Top 18 Iniciativas de Economia Circular & Reciclagem

Item 1: Implementação do PLANEPP (2025–2027)

A pedra angular da política ambiental atual é o PLANEPP. Aprovado pelo Decreto Presidencial n.º 122/25, este plano entrou na sua fase crítica de execução em 2026. O objetivo é eliminar progressivamente os plásticos de uso único e fomentar a substituição por materiais biodegradáveis.

Em 2026, as fiscais aduaneiras e ambientais intensificaram o controlo sobre a importação de sacos de plástico não reutilizáveis. O plano não se limita à proibição; incentiva a indústria local a produzir alternativas, criando um novo subsector industrial focado em embalagens sustentáveis.

Característica Detalhe
Legislação Base Decreto Presidencial n.º 122/25
Meta Principal Redução drástica de plásticos de uso único
Impacto 2026 Fiscalização rigorosa e incentivos à produção local de alternativas

Item 2: A Nova Estratégia da Agência Nacional de Resíduos (ANR)

A ANR consolidou-se em 2026 como a entidade reguladora central. A sua nova estratégia foca-se na descentralização, permitindo que províncias fora de Luanda desenvolvam os seus próprios sistemas de gestão de resíduos adaptados à realidade local.

A agência implementou um sistema digital de licenciamento para operadores de resíduos, aumentando a transparência e garantindo que apenas empresas com capacidade técnica operem no mercado. Isso reduziu significativamente o despejo ilegal em lixeiras a céu aberto.

Característica Detalhe
Foco Descentralização e Digitalização
Inovação Licenciamento digital para operadores
Benefício Maior controlo e redução de aterros ilegais

Item 3: Responsabilidade Estendida do Produtor (REP)

O conceito de Responsabilidade Estendida do Produtor (REP) ganhou força legal. Em 2026, grandes importadores e fabricantes de produtos embalados são obrigados a financiar ou gerir o ciclo de vida pós-consumo dos seus produtos.

Isso levou à criação de “Entidades Gestoras” que recolhem taxas dos produtores para financiar a recolha seletiva. Marcas de bebidas e bens de consumo rápido (FMCG) estão agora diretamente envolvidas na logística reversa das suas embalagens em Angola.

Característica Detalhe
Conceito Poluidor-Pagador / Produtor-Responsável
Setores Alvo Bebidas, Embalagens e Eletrónicos
Mudança Financiamento privado da recolha pública

Item 4: Projeto REEDUCA e a Educação Ambiental

Lançado em parceria com a EcoAngola, o projeto REEDUCA atingiu escala nacional em 2026. O foco é a educação ambiental nas escolas e comunidades, ensinando a segregação na fonte.

O projeto também capacita cooperativas de catadores, transformando a recolha informal numa profissão digna e organizada. A “reciclagem avançada” começa na mudança de mentalidade, e o REEDUCA tem sido fundamental para criar uma geração consciente sobre o valor dos resíduos.

Característica Detalhe
Parceiros ANR e EcoAngola
Público-Alvo Escolas e Cooperativas de Catadores
Objetivo Segregação na fonte e dignificação do trabalho

Item 5: Narisrec e a Revolução do Lixo Eletrónico (E-Waste)

A Narisrec, líder na gestão de resíduos eletrónicos, expandiu as suas operações em 2026. Com a digitalização de Angola, o volume de lixo eletrónico (computadores, telemóveis) cresceu exponencialmente.

A empresa utiliza técnicas de desmantelamento seguro para recuperar metais preciosos e garantir que componentes tóxicos não contaminem o solo. Eles estabeleceram pontos de recolha em grandes superfícies comerciais de Luanda, facilitando o descarte correto para o consumidor final.

Característica Detalhe
Especialidade Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE)
Processo Desmantelamento certificado e recuperação de metais
Expansão Novos pontos de recolha em retalho

Item 6: Valorização de Resíduos Petrolíferos (AES)

A Angola Environmental Serviços (AES) continua a liderar a gestão de resíduos perigosos do setor de petróleo e gás. Em 2026, a ênfase mudou do simples tratamento para a valorização.

Novas tecnologias de tratamento térmico (TDU – Thermal Desorption Unit) permitem recuperar óleo base de lamas de perfuração, que pode ser reutilizado. Isso alinha o setor petrolífero com as metas de economia circular, reduzindo a pegada ambiental da principal indústria do país.

Característica Detalhe
Setor Oil & Gas
Tecnologia Desorção Térmica (TDU)
Resultado Recuperação de óleo para reutilização

Item 7: Glopol e a Reciclagem Industrial de PET

A Glopol Angola consolidou a sua posição transformando garrafas PET em flakes (flocos) e pellets para exportação e uso local. Em 2026, a capacidade industrial aumentou, absorvendo uma grande parte do plástico recolhido em Luanda.

A empresa investiu em linhas de lavagem avançadas que permitem produzir material reciclado de maior pureza, aumentando o valor comercial do produto final e incentivando a cadeia de recolha com melhores preços pagos aos catadores.

Característica Detalhe
Material Plástico PET
Produto Flakes e Pellets de alta pureza
Impacto Valorização da cadeia de recolha

Item 8: Expo Recicla 2026

Após o sucesso das edições anteriores, a Expo Recicla 2026 tornou-se o maior evento de sustentabilidade da África Central. Realizada em Luanda, a feira conecta startups de tecnologia verde, investidores internacionais e o governo.

O evento de 2026 focou-se em “Tecnologias para a Circularidade”, apresentando máquinas de reciclagem de baixo custo adaptadas à realidade africana e soluções de software para gestão de resíduos.

Característica Detalhe
Tipo Feira de Negócios e Tecnologia
Foco 2026 Tecnologias para a Circularidade
Público Investidores, Governo e Empreendedores

Item 9: Formalização dos “Catadores”

Uma das maiores transformações sociais da Economia Circular e Reciclagem Avançada em Angola em 2026 é a integração formal dos catadores. O governo lançou cartões de identificação profissional e facilitou o acesso à segurança social para estes trabalhadores.

Cooperativas organizadas agora têm contratos diretos com municípios para a recolha seletiva, removendo o estigma da profissão e aumentando a eficiência da recolha nos bairros de difícil acesso para camiões compactadores.

Economia Circular e Reciclagem Avançada em Angola em 2026

Característica Detalhe
Ação Profissionalização e Registo
Benefício Segurança social e contratos formais
Social Inclusão e dignidade laboral

Item 10: Mota-Engil e Aterros Sanitários Modernos

A gestão de aterros evoluiu. A Mota-Engil, através da sua divisão de ambiente, implementou sistemas de captura de biogás em aterros sanitários modernos. Em vez de apenas enterrar o lixo, estas infraestruturas agora tratam o chorume e capturam metano.

Embora o objetivo final seja a “reciclagem”, o aterro sanitário controlado continua a ser essencial para o rejeito final. Em 2026, a gestão técnica rigorosa garante a proteção dos lençóis freáticos.

Característica Detalhe
Infraestrutura Aterros Sanitários Controlados
Tecnologia Tratamento de chorume e biogás
Segurança Proteção ambiental rigorosa

Item 11: Projeto NGC e a Redução de Queima de Gás

O “New Gas Consortium” (NGC) em Soyo, plenamente operacional em 2026, é um exemplo de economia circular no setor energético. O projeto captura gás não associado que anteriormente poderia ser desperdiçado ou subutilizado.

Ao processar este gás para o Angola LNG e para consumo doméstico, o país maximiza o uso dos seus recursos naturais, reduzindo emissões e criando uma fonte de energia mais limpa para a indústria local de reciclagem.

Característica Detalhe
Localização Soyo
Foco Aproveitamento de Gás Não Associado
Circularidade Eficiência energética e redução de desperdício

Item 12: Ecopontos Comunitários e Digitais

A rede de Ecopontos expandiu-se para além do centro de Luanda. Em 2026, novos ecopontos “inteligentes” começaram a ser testados, onde os cidadãos podem ganhar créditos de telemóvel ou descontos em supermercados ao depositar materiais recicláveis.

Esta gamificação da reciclagem aumentou a adesão dos jovens e das famílias, tornando o ato de reciclar numa troca de valor imediata e percetível.

Característica Detalhe
Inovação Gamificação e Recompensas
Mecanismo Troca de recicláveis por créditos/descontos
Expansão Zonas urbanas e periurbanas

Item 13: Reciclagem de Vidro na Construção Civil

Com a falta de indústrias de fundição de vidro em grande escala, Angola inovou em 2026 utilizando vidro triturado como agregado para a construção civil e pavimentação de estradas.

Projetos piloto demonstraram que a mistura de vidro moído no asfalto ou no fabrico de blocos de cimento melhora a durabilidade e reduz a necessidade de extração de areia, preservando os rios.

Característica Detalhe
Material Vidro misto
Aplicação Agregado para construção e estradas
Vantagem Substituição de areia de rio

Item 14: Compostagem de Resíduos de Mercados

Os grandes mercados municipais de Angola geram toneladas de resíduos orgânicos diariamente. Em 2026, programas de compostagem descentralizada foram instalados próximos destes mercados.

O composto orgânico resultante é vendido ou doado para cinturas verdes agrícolas ao redor das cidades, fechando o ciclo do nutriente e reduzindo o volume de lixo húmido transportado para os aterros.

Característica Detalhe
Origem Mercados Municipais
Produto Adubo orgânico de alta qualidade
Destino Agricultura periurbana

Item 15: Proibição de Importação de Veículos em Fim de Vida

Para combater a transformação do país num “cemitério de carros”, a legislação sobre importação de veículos usados foi endurecida. Em 2026, há um incentivo ao abate e reciclagem de viaturas antigas que já circulam no país.

Centros de abate licenciados descontaminam os veículos (retirando óleos e baterias) e compactam a sucata ferrosa para venda às siderurgias nacionais, alimentando a indústria do aço local com matéria-prima reciclada.

Característica Detalhe
Política Restrição de importação de sucata
Ação Centros de abate e descontaminação
Setor Siderurgia (Aço)

Item 16: Startups de “Waste Tech”

O ecossistema empreendedor de Luanda viu nascer startups focadas em logística de resíduos. Apps tipo “Uber do Lixo” conectam geradores de resíduos (restaurantes, hotéis) a transportadores e recicladores licenciados em tempo real.

Estas plataformas digitais trazem eficiência e dados fiáveis ao setor, permitindo que as empresas geradoras emitam relatórios de sustentabilidade com dados rastreáveis sobre o destino do seu lixo.

Característica Detalhe
Tipo Tecnologia / Software (SaaS)
Função Conexão entre gerador e reciclador
Valor Rastreabilidade e dados

Item 17: Educação Superior em Engenharia Ambiental

As universidades angolanas ajustaram os seus currículos para atender à demanda de 2026. Novos cursos e especializações em Gestão de Resíduos e Economia Circular estão a formar engenheiros e gestores qualificados.

A parceria entre a academia e empresas como a Sonangol e a Azule Energy permite estágios práticos, garantindo que os novos profissionais saibam lidar com tecnologias de reciclagem avançada e remediação de solos.

Característica Detalhe
Setor Académico / Ensino Superior
Foco Capacitação técnica especializada
Resultado Mão de obra qualificada local

Item 18: Incentivos Fiscais para “Empresas Verdes”

O governo introduziu benefícios fiscais para empresas que demonstrem práticas de economia circular. Em 2026, a importação de equipamentos para reciclagem goza de isenções aduaneiras.

Além disso, empresas que utilizam uma percentagem mínima de material reciclado nas suas embalagens ou produtos têm reduções no imposto industrial, estimulando a procura interna por materiais reciclados.

Característica Detalhe
Tipo Política Fiscal
Incentivo Isenção na importação de máquinas
Objetivo Estimular o investimento no setor verde

Conclusão

A Economia Circular e Reciclagem Avançada em Angola em 2026 representam um salto qualitativo no desenvolvimento do país. O que começou como iniciativas isoladas transformou-se num sistema integrado que envolve legislação robusta (PLANEPP), tecnologia industrial e inclusão social.

Angola prova que é possível dissociar o crescimento económico do aumento da produção de resíduos. Para o futuro, o desafio será manter a fiscalização e expandir estas soluções para as zonas rurais. O caminho está traçado: um país mais limpo, mais eficiente e com uma economia mais verde e resiliente.