14 projetos de energia verde: solar, eólica e armazenamento no Brasil em 2026
O Brasil consolida sua posição como líder global em energia renovável em 2026, com investimentos superiores a R$ 34 bilhões em novos projetos. A previsão é adicionar cerca de 10 GW de capacidade solar e eólica até o final do ano, transformando o mapa energético nacional. Os 14 Green Energy: Solar, Wind & Storage Projects in Brazil in 2026 representam a transição definitiva para uma matriz mais limpa e sustentável.
Com mais de 240 usinas previstas para entrar em operação até janeiro de 2026, o país enfrenta também desafios como o cancelamento de 509 licenças que representavam 22 GW de capacidade. Apesar disso, os projetos em andamento demonstram maturidade técnica e viabilidade financeira comprovada. A expectativa é que a capacidade solar atinja 76 GW acumulados até o fim de 2026, com investimentos de US$ 5,8 bilhões apenas no setor fotovoltaico.
Por Que a Energia Verde Importa em 2026
O setor de energia renovável brasileiro passa por uma fase de consolidação e crescimento disciplinado. As limitações de capacidade de transmissão e os requisitos regulatórios mais rigorosos eliminaram projetos especulativos, favorecendo empreendimentos com maior solidez financeira. O governo federal lançou pacotes de incentivos para acelerar a expansão da energia verde, diversificando a matriz energética e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
A integração de sistemas de armazenamento de energia marca um ponto de virada crucial para 2026. O primeiro leilão de baterias do país está previsto para contratar sistemas de pelo menos 30 MW com capacidade de descarga de quatro horas diárias. Cerca de 18 GW de projetos de baterias estão prontos para registro, com potencial para desbloquear R$ 10 bilhões em investimentos.
14 Projetos de Energia Verde Transformando o Brasil
1. Complexo Solar Janaúba – Expansão em Minas Gerais
O Complexo Solar de Janaúba continua sua trajetória como um dos maiores parques solares da América Latina. Operado pela Elera Renováveis, o projeto recebe investimentos contínuos para otimização e expansão em 2026. A capacidade de injeção na rede será vital para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, garantindo segurança energética para a região mais industrializada do país.
| Característica | Detalhes |
| Localização | Janaúba, Minas Gerais |
| Operador | Elera Renováveis |
| Status 2026 | Expansão e otimização |
| Subsistema | Sudeste/Centro-Oeste |
2. Parque Solar Arinos (Voltalia)
A Voltalia aposta no Brasil com o projeto Arinos em Minas Gerais, estratégico não apenas pelo tamanho, mas pelos contratos de longo prazo (PPA) que garantem viabilidade financeira. Em 2026, o complexo deve estar em plena operação comercial, abastecendo grandes indústrias. A empresa enfrenta desafios com curtailment que atingiu 14% de sua geração no primeiro semestre de 2025, mas busca compensação através de canais regulatórios.
| Característica | Detalhes |
| Localização | Minas Gerais |
| Desenvolvedor | Voltalia (França) |
| Tipo de Contrato | PPAs de longo prazo |
| Foco | Grandes consumidores industriais |
3. Projetos Solares CPFL em Rio Grande do Norte
A CPFL Energia confirmou investimento de R$ 800 milhões (US$ 144,8 milhões) para instalar novos projetos fotovoltaicos no Rio Grande do Norte. A estratégia combina tecnologias solar e eólica nos mesmos sítios em municípios como Touros, João Câmara, Pedra Preta e Parazinho, otimizando o uso da terra e reduzindo custos operacionais. Durante a construção, os projetos devem criar cerca de mil empregos.
| Característica | Detalhes |
| Investimento Total | R$ 800 milhões |
| Localização | Rio Grande do Norte (4 municípios) |
| Grupo Controlador | State Grid (China) |
| Empregos Gerados | ~1.000 na fase de construção |
4. Usina Solar Urucuia (Scatec) – Minas Gerais
A Scatec iniciou a construção da usina solar de 142 MW em Minas Gerais em dezembro de 2024, com operação comercial prevista para o primeiro semestre de 2026. O projeto tem investimento total de US$ 85 milhões, financiado por dívida de longo prazo (35%) e capital da Scatec com facilidade de EUR 25 milhões do IFU dinamarquês. Este é o primeiro projeto da empresa no submercado sudeste, onde a demanda de energia é forte.
| Característica | Detalhes |
| Capacidade | 142 MW |
| Investimento | US$ 85 milhões |
| Início Operação | Primeiro semestre de 2026 |
| Localização | Minas Gerais (submercado Sudeste) |
5. Parque Solar São Gonçalo (Enel Green Power) – Piauí
O projeto São Gonçalo da Enel Green Power utiliza painéis solares bifaciais de última geração no Piauí. A tecnologia bifacial permite capturar radiação solar em ambos os lados do painel, aumentando a eficiência de geração em até 30% comparado a painéis convencionais. O Piauí se consolida como hub solar estratégico devido aos altos índices de irradiação na região nordeste.
| Característica | Detalhes |
| Localização | São Gonçalo, Piauí |
| Operador | Enel Green Power |
| Tecnologia | Painéis Bifaciais |
| Ganho de Eficiência | Até 30% vs. painéis convencionais |
6. Complexo Solar Assú Sol (Engie) – Rio Grande do Norte
O projeto Assú Sol da Engie em Rio Grande do Norte destaca-se pela sinergia com parques eólicos existentes. A integração solar-eólica no mesmo local permite aproveitamento complementar dos recursos: geração solar concentrada durante o dia e eólica à noite e madrugada. Esta estratégia híbrida maximiza o uso da infraestrutura de transmissão e reduz custos de conexão à rede.
| Característica | Detalhes |
| Localização | Assú, Rio Grande do Norte |
| Operador | Engie |
| Modelo | Híbrido Solar-Eólica |
| Vantagem | Geração complementar dia/noite |
7. Casa dos Ventos Fótons de São Claus – Bahia
A Casa dos Ventos recebeu autorização da ANEEL para iniciar operação comercial das fotovoltaicas Fótons de São Claus 1 e 2, com potência somada de 100 MW. As usinas ficam situadas no município baiano de Várzea Nova e contemplam parceria em autoprodução de energia com a Ibrame Indústria de Metais. A operação foi aprovada pelo CADE e representa modelo inovador de autoprodução industrial.
| Característica | Detalhes |
| Capacidade Total | 100 MW (50 MW cada usina) |
| Localização | Várzea Nova, Bahia |
| Modelo | Autoprodução Industrial |
| Parceiro | Ibrame Indústria de Metais |
8. Usinas Solares Bom Jardim (Qair Brasil) – Ceará
A Qair Brasil iniciou operação em teste das usinas solares Bom Jardim II (48,1 MW) e Bom Jardim V (44,6 MW) no município de Icó, Ceará. O complexo representa investimento significativo da empresa francesa no mercado brasileiro, focando em contratos de médio e longo prazo. O Ceará se destaca como estado estratégico para energia renovável devido aos ventos fortes e alta irradiação solar.
| Característica | Detalhes |
| Capacidade Total | 92,7 MW (duas usinas) |
| Localização | Icó, Ceará |
| Desenvolvedor | Qair Brasil (França) |
| Status 2026 | Operação em teste/comercial |
9. Projeto Eólico Everest (Casa dos Ventos) – Torre de 166 Metros
A Casa dos Ventos iniciou o Projeto Everest voltado à construção de protótipo de torre eólica com 166 metros de altura. Considerando a ponta da pá, o conjunto alcança 257 metros, o maior já projetado no Brasil. A iniciativa usa concreto pré-moldado com sistema auto-içável, eliminando necessidade de guindastes de alta capacidade indisponíveis no país. O investimento é de R$ 94,9 milhões com apoio da Finep.
| Característica | Detalhes |
| Altura da Torre | 166 metros (257m com pá) |
| Investimento | R$ 94,9 milhões |
| Tecnologia | Auto-içável, sem guindastes grandes |
| Parceiros | Goldwind (turbinas) + Cortez Engenharia |
10. Projeto Eólico Envision-Casa dos Ventos 630 MW
A Envision firmou parceria estratégica com a Casa dos Ventos para projeto eólico de 630 MW baseado em inteligência artificial. Esta é a primeira implantação de energia líquida zero da Envision no Brasil, fornecendo soluções de energia renovável de ponta a ponta habilitadas para IA. O projeto visa acelerar a transição energética brasileira e gerar benefícios socioeconômicos com empregos verdes para comunidades locais.
| Característica | Detalhes |
| Capacidade | 630 MW |
| Tecnologia | IA aplicada à geração eólica |
| Parceria | Envision + Casa dos Ventos |
| Impacto | Empregos verdes e desenvolvimento local |
11. Complexos Híbridos Solar-Eólica – Nordeste
A tendência de 2026 é criar complexos híbridos inteligentes que combinam geração solar e eólica no mesmo local. Rio Grande do Norte lidera esta estratégia com integração de capacidade em parques existentes. A abordagem otimiza uso da terra, reduz custos de infraestrutura e permite geração mais constante ao longo do dia. State Grid e CPFL investem fortemente neste modelo híbrido.
| Característica | Detalhes |
| Modelo | Híbrido Solar + Eólica |
| Principal Estado | Rio Grande do Norte |
| Vantagens | Geração complementar, custos reduzidos |
| Principais Players | State Grid, CPFL, Engie |
12. Primeiro Leilão de Armazenamento de Energia 2026
O Ministério de Minas e Energia abriu consulta pública para o leilão de capacidade de armazenamento de 2026, o primeiro do Brasil. O leilão contratará sistemas de pelo menos 30 MW com obrigação de fornecer potência máxima por quatro horas diárias. Os contratos terão duração de dez anos, com fornecimento iniciando em agosto de 2028. Projetos em pontos estratégicos do Sistema Interligado Nacional receberão bônus competitivo.
| Característica | Detalhes |
| Capacidade Mínima | 30 MW por sistema |
| Duração do Contrato | 10 anos |
| Início Fornecimento | Agosto de 2028 |
| Descarga Diária | 4 horas de potência máxima |
13. Projetos de Baterias de Grande Escala – 18 GW
Cerca de 18 GW de projetos de baterias estão prontos para registro no leilão de 2026. A contratação de 2 GW pode desbloquear cerca de R$ 10 bilhões (US$ 1,8 bilhão) em investimentos. Tanto projetos standalone quanto híbridos compartilhando conexões de rede com ativos de geração serão elegíveis. O governo dispensará temporariamente licenciamento ambiental durante qualificação para acelerar participação.
| Característica | Detalhes |
| Capacidade Total Pronta | 18 GW |
| Investimento Potencial | R$ 10 bilhões |
| Tipos Elegíveis | Standalone e híbridos |
| Facilitação | Dispensa temporária de licença ambiental |
14. Linha de Transmissão Graça Aranha-Silvânia
A State Grid Brasil venceu leilão para construir a linha de transmissão Graça Aranha-Silvânia, corredor de alta capacidade conectando o nordeste rico em solar e eólica aos centros de consumo no sudeste. O projeto é crucial para desbloquear o vasto potencial de energia renovável brasileiro e reduzir dependência de combustíveis fósseis. A infraestrutura de transmissão é considerada gargalo crítico para expansão renovável no país.
| Característica | Detalhes |
| Rota | Nordeste → Sudeste |
| Operador | State Grid Brasil |
| Função | Escoar energia solar/eólica do NE |
| Importância | Desbloquear potencial renovável |
Desafios e Oportunidades dos Projetos de Energia Verde
O setor enfrenta desafios significativos em 2026, incluindo limitações de capacidade de transmissão especialmente em regiões ricas em renováveis. O curtailment (corte de geração) tornou-se problema crescente, com empresas como Voltalia reportando 14% de sua geração brasileira sendo cortada. Sem investimentos significativos, analistas preveem que o curtailment pode atingir 8% até 2035.
Apesar dos obstáculos, o Brasil move-se para modelo de crescimento mais disciplinado e estruturado. O cancelamento de 509 licenças em 2025 representando 22 GW eliminou projetos especulativos, favorecendo desenvolvimentos com maior bankabilidade e prontidão de execução. O futuro crescimento alinhará melhor com infraestrutura de rede disponível, PPAs mais robustos e maior integração de armazenamento de energia.
Investimentos e Capacidade Solar em 2026
Os investimentos em energia solar devem atingir US$ 5,8 bilhões em 2026, segundo projeções do setor. A fonte solar alcançará volume acumulado de aproximadamente 76 GW de capacidade instalada até o final do ano. A geração distribuída deve atingir 50 GW em 2026, representando crescimento significativo de sistemas em telhados e pequenas usinas.
Mais de 383 projetos de geração centralizada estão em fase de construção iniciada, sendo 313 deles (mais de 80%) de empreendimentos fotovoltaicos e eólicos. Especificamente, são 168 usinas de energia solar e 145 usinas eólicas em implementação no país. Este pipeline robusto garante continuidade da expansão renovável nos próximos anos.
O Papel do Armazenamento na Matriz Energética
O armazenamento de energia torna-se essencial em 2026 para garantir estabilidade e confiabilidade da rede nacional. Como vento e sol são intermitentes e não armazenáveis diretamente, sistemas de baterias de grande escala compensam estas limitações. O primeiro leilão de baterias marca mudança decisiva na forma como o Brasil integra fontes renováveis à matriz elétrica.
A consulta pública de 2026 visa definir o papel do armazenamento no mercado de energia brasileiro. Projetos conectados em pontos que oferecem maior benefício operacional ao Sistema Nacional receberão vantagem competitiva. A iniciativa coloca o Brasil em grupo crescente de mercados que usam leilões competitivos para garantir confiabilidade de rede e apoiar integração renovável.
Conclusão
Os 14 Green Energy: Solar, Wind & Storage Projects in Brazil in 2026 demonstram que o país não apenas participa da transição energética global, mas lidera o movimento na América Latina. De usinas solares bifaciais no Piauí a torres eólicas de 257 metros e hubs de hidrogênio no Ceará, o mapa energético brasileiro está sendo redesenhado. Com mais de R$ 34 bilhões em investimentos diretos e 240 usinas previstas para entrar em operação, 2026 marca o fim de um ciclo de planejamento e o início da era de execução.
A integração de sistemas de armazenamento de energia com o primeiro leilão de baterias consolida a maturidade do setor renovável brasileiro. Apesar de desafios como curtailment e limitações de transmissão, o futuro aponta para crescimento mais estruturado, alinhado com infraestrutura disponível e modelos de negócio mais robustos. O Brasil se posiciona definitivamente como superpotência global em energia verde, iluminando o caminho para desenvolvimento sustentável e próspero.
