18 Projetos de Energia Verde: Solar, Eólica E Armazenamento NA Guiné-Bissau Em 2026
A Guiné-Bissau está a viver uma revolução silenciosa, mas poderosa, no seu setor energético. O ano de 2026 marca um ponto de viragem crucial para o país, que historicamente dependeu de geradores a diesel caros e poluentes. Com o apoio de parceiros internacionais como o Banco Mundial, a Organização para o Aproveitamento do Rio Gâmbia (OMVG) e o Banco Africano de Desenvolvimento, a nação está a transformar a sua rede elétrica.
A aposta é clara: energia verde. O sol abundante da África Ocidental e o potencial eólico inexplorado estão no centro do plano estratégico “Terra Ranka” e das novas políticas energéticas nacionais. O objetivo não é apenas iluminar Bissau, mas levar eletricidade fiável às tabancas (aldeias) mais remotas através de mini-redes híbridas e tecnologias de armazenamento avançadas.
Neste artigo detalhado, exploramos os 18 principais projetos e iniciativas de energia verde que estão a moldar o futuro da Guiné-Bissau em 2026. Desde grandes centrais solares nos arredores da capital até sistemas vitais nas ilhas dos Bijagós, este é o seu guia completo sobre a transição energética do país.
O Cenário Energético em 2026: Uma Nova Era
Antes de mergulharmos na lista dos projetos, é importante entender o contexto. Em 2026, a Guiné-Bissau procura atingir uma meta ambiciosa de penetração de energias renováveis. A instabilidade da rede elétrica, que durante anos causou apagões frequentes, está a ser combatida com uma mistura inteligente de energia solar fotovoltaica (PV) e sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS).
O governo guineense, em parceria com o setor privado, está a focar-se em três pilares:
- Redução de Custos: Substituir o fuelóleo pesado por energia solar barata.
- Acesso Universal: Levar energia a zonas rurais através de mini-redes.
- Segurança Energética: Garantir estabilidade através da linha de interconexão regional.
Grandes Centrais Solares (Utility-Scale)
Os projetos de maior impacto são as centrais solares de grande escala, desenhadas para alimentar a rede nacional e estabilizar o fornecimento na capital e grandes cidades.
1. Central Solar de Gardete (Bissau)
Este é o projeto “bandeira” da energia solar no país. Localizada perto de Bissau, a central de Gardete foi projetada para ter uma capacidade inicial de 20 MW, com expansões previstas para atingir 30 MW até ao final de 2026. O objetivo é injetar energia limpa diretamente na rede da EAGB (Eletricidade e Águas da Guiné-Bissau) durante o dia, reduzindo drasticamente o consumo de combustível.
2. Parque Solar de Cacheu
Situada no norte do país, a região de Cacheu recebe um dos maiores investimentos do setor. O projeto de 15 MW visa não apenas fornecer energia doméstica, mas também apoiar a indústria local de processamento de caju e pesca, vital para a economia da região.
3. Central Solar de Gabu
Gabu, um importante centro comercial no leste, sofre historicamente com a falta de energia. O projeto solar de 10 MW em Gabu é estratégico, pois serve como um “hub” energético para a região leste, diminuindo a dependência da energia transportada desde a capital.
4. Projeto Solar Bissau II
Uma infraestrutura complementar à de Gardete, este projeto de 8 MW foca-se na estabilização da voltagem na zona industrial de Bissau, garantindo que as fábricas possam operar sem interrupções.
| Projeto | Localização | Capacidade Estimada | Objetivo Principal |
| Gardete | Bissau | 30 MW | Alimentar a Capital |
| Cacheu | Cacheu | 15 MW | Desenvolvimento Regional |
| Gabu | Gabu | 10 MW | Hub do Leste |
| Bissau II | Bissau | 8 MW | Zona Industrial |
Mini-Redes Híbridas e Eletrificação Rural
A verdadeira mudança de vida para a maioria dos guineenses acontece fora de Bissau. As mini-redes híbridas (Solar + Baterias + Diesel de backup) são a solução escolhida para iluminar o interior.
5. Mini-Rede de Bambadinca (Expansão)
Bambadinca foi pioneira com a sua central híbrida. Em 2026, o projeto foca-se na expansão da capacidade e na renovação dos bancos de baterias, servindo de modelo para outras comunidades rurais na África Ocidental.
6. Sistema Híbrido de Canchungo
Canchungo beneficia de uma central de 1 MW. Este projeto é vital para o comércio local e para o funcionamento do hospital regional, que necessita de refrigeração constante para vacinas e medicamentos.
7. Central Solar de Bissora
Com uma capacidade de cerca de 500 kWp, a central de Bissora ilumina escolas e mercados noturnos, permitindo que a economia local funcione para além do pôr-do-sol.
8. Projeto Solar de Contubuel
Uma iniciativa focada na agricultura. A central de 100 kWp em Contubuel fornece energia para sistemas de irrigação e processamento agrícola, aumentando a segurança alimentar da zona.
9. Mini-Rede de Bafatá
Como a segunda maior cidade, Bafatá necessitava de uma solução robusta. O projeto de 3 MW integra painéis solares com a rede existente, melhorando a qualidade de vida de milhares de famílias.
O Desafio das Ilhas: Projetos no Arquipélago dos Bijagós
Levar energia às ilhas é um desafio logístico imenso. O “Projeto de Acesso e Escala de Energia Solar”, financiado pelo Banco Mundial, tem um foco especial nesta reserva da biosfera.
10. Iniciativa Solar de Bolama
A antiga capital, Bolama, possui um património histórico que necessita de energia para o turismo e conservação. O sistema híbrido local (aprox. 360-500 kWp) elimina a necessidade de transporte constante de combustível por barco.
11. Central Híbrida de Bubaque
Sendo o centro turístico dos Bijagós, Bubaque recebe um sistema de 650 kWp. Este projeto é crucial para os hotéis e para a fábrica de gelo, essencial para os pescadores locais.
12. Eletrificação de Rubane
Rubane, conhecida pelos seus resorts ecológicos, está a implementar micro-redes solares para garantir que o turismo sustentável seja, de facto, alimentado por energia limpa, preservando o ecossistema sensível.
| Ilha / Local | Capacidade | Beneficiários Chave |
| Bolama | ~500 kWp | População local e Turismo histórico |
| Bubaque | 650 kWp | Hotéis e Pescas |
| Rubane | Micro-redes | Ecoturismo |
Infraestrutura, Armazenamento e Iniciativas Especiais
Para que a energia solar funcione à noite, é preciso armazenamento e uma rede forte.
13. Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) – Bissau
Este é um dos projetos mais tecnológicos de 2026. Um grande banco de baterias instalado em Bissau serve para “suavizar” a entrada da energia solar na rede e garantir estabilidade quando nuvens passam sobre os painéis.
14. Interconexão OMVG (Subestações)
Embora seja um projeto regional, a linha da OMVG (Organização para o Aproveitamento do Rio Gâmbia) é vital. As subestações na Guiné-Bissau permitem importar energia hídrica barata dos países vizinhos e exportar excedentes solares no futuro.
15. Projeto de Bombeamento Solar Nacional
Uma iniciativa dispersa por todo o país que substitui bombas de água a diesel por bombas solares. É um projeto vital para a agricultura e acesso a água potável em tabancas isoladas.
16. Energia Comunitária de Quinara
Um projeto de 2 MW focado no empoderamento comunitário na região de Quinara, gerido por cooperativas locais para garantir a sustentabilidade a longo prazo.
17. Escolas Solares (Programa SREP/UNIDO)
Um programa específico para instalar painéis solares em escolas rurais, permitindo aulas noturnas e o uso de computadores, essencial para a alfabetização digital.
18. Postos de Saúde Verdes
A instalação de sistemas solares autónomos em centros de saúde remotos para garantir que partos e cirurgias de emergência nunca sejam feitos à luz de velas ou lanternas.
Por Que a Guiné-Bissau é um Caso de Sucesso em 2026?
A transição energética na Guiné-Bissau não é apenas sobre tecnologia; é sobre resiliência. O país está a saltar etapas (“leapfrogging”), passando de uma infraestrutura quase inexistente diretamente para redes inteligentes e renováveis.
O apoio de instituições como o Banco Mundial e a ALER (Associação Lusófona de Energias Renováveis) tem sido fundamental. Em 2026, espera-se que estes projetos aumentem a taxa de acesso à eletricidade de forma significativa, saindo dos baixos valores da década anterior. Além disso, a redução na importação de combustíveis fósseis alivia a balança comercial do país, libertando fundos para a educação e saúde.
Benefícios Diretos para a População:
- Economia: Eletricidade mais barata para pequenos negócios.
- Saúde: Hospitais funcionais 24h.
- Educação: Escolas com luz e internet.
- Ambiente: Redução drástica das emissões de CO2.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- A Guiné-Bissau tem potencial para energia eólica?
Sim, embora o foco principal em 2026 seja a energia solar, existem estudos e pequenos projetos-piloto para energia eólica, especialmente nas zonas costeiras e nas ilhas, onde os ventos são mais constantes.
- Quem financia estes projetos de energia verde?
A maioria dos projetos é financiada por uma combinação de doações e empréstimos de entidades como o Banco Mundial (IDA), Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Banco Oeste Africano de Desenvolvimento (BOAD) e a União Europeia.
- O que é o projeto OMVG?
É um projeto regional que liga as redes elétricas da Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau e Senegal. Permite à Guiné-Bissau importar energia hidroelétrica limpa e vender a sua própria energia solar quando houver excedente.
- As zonas rurais vão ter acesso à rede principal?
Nem todas. Em muitas zonas remotas, a solução mais eficiente e rápida é a criação de “mini-redes” isoladas que funcionam de forma autónoma, sem precisarem de estar ligadas à rede nacional de Bissau.
- Qual é o papel das baterias nestes projetos?
As baterias são essenciais porque o sol não brilha à noite. Elas armazenam a energia gerada durante o dia para ser usada durante os picos de consumo noturnos, garantindo luz 24 horas.
Palavras Finais
O ano de 2026 define-se como o ano da luz para a Guiné-Bissau. Os 18 projetos listados acima não são apenas obras de engenharia; são sementes de desenvolvimento. Ao apostar no sol e na modernização da rede, a Guiné-Bissau está a construir uma soberania energética que servirá as gerações futuras.
Para investidores, turistas e, acima de tudo, para o povo guineense, esta infraestrutura verde promete um país mais conectado, produtivo e sustentável. Acompanhar a execução destes projetos será fundamental para entender o novo dinamismo económico da África Ocidental.
