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10 Projetos de Energia Verde: Solar, Eólica E Armazenamento Em São Tomé E Príncipe Em 2026

São Tomé e Príncipe, um arquipélago paradisíaco no Golfo da Guiné, está à beira de uma transformação histórica. Historicamente dependente de geradores a diesel caros e poluentes para mais de 90% da sua eletricidade, o país traçou uma meta ambiciosa: atingir 50% de energias renováveis na sua matriz até 2030. O ano de 2026 será um ponto de viragem crucial, com vários projetos de grande escala a entrar em operação ou em fases avançadas de construção.

Neste artigo, exploramos os 10 projetos e iniciativas de energia verde mais impactantes que estão a moldar o futuro energético das ilhas em 2026. Desde centrais solares inovadoras a reabilitações hidroelétricas vitais, saiba como o país está a “limpar” a sua rede e a reduzir os custos para a população.

O Contexto da Transição Energética

Antes de mergulharmos nos projetos, é importante entender o cenário. A empresa estatal de eletricidade, EMAE (Empresa de Água e Eletricidade), tem enfrentado desafios com cortes de energia frequentes e custos elevados de importação de combustíveis. Com o apoio de parceiros internacionais como o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e a UNIDO, São Tomé está a modernizar a sua infraestrutura.

Sabia que? A dependência do gasóleo não só polui o ar como drena as reservas cambiais do país. A transição para o solar e hídrico é tanto uma decisão económica quanto ambiental.

1. Central Solar Fotovoltaica de Água Casada (11 MW)

O projeto de bandeira para 2026 é, sem dúvida, a nova central solar em Água Casada. Desenvolvida em parceria com a empresa norueguesa Scatec (através da sua subsidiária Release), esta central representa um salto gigantesco para a rede nacional.

Este projeto funciona num modelo de “leasing” inovador, permitindo que a EMAE aceda a energia limpa sem o peso total do investimento inicial de capital.

Característica Detalhe
Capacidade 11 MW (Megawatts)
Localização Água Casada, Distrito de Lobata
Parceiro Scatec / Release
Impacto Redução de 13.000 toneladas de CO2/ano

Esta central sozinha tem o potencial de estabilizar significativamente a rede durante o dia, reduzindo a necessidade de queimar gasóleo nas horas de ponta.

2. Central Solar de Santo Amaro (Fases 1 e 2)

Localizada perto da maior central térmica do país, a central solar de Santo Amaro foi o primeiro grande passo do país na energia fotovoltaica ligada à rede. Em 2026, espera-se que este projeto esteja totalmente integrado e otimizado.

Financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) no âmbito do Programa de Apoio à Transição Energética e Institucional (ETISP), este projeto serve como um modelo de aprendizagem para os técnicos locais da EMAE.

  • Capacidade: Aprox. 2.2 MWp
  • Financiamento: BAD (ETISP)
  • Benefício: Substituição direta da geração térmica antiga e ineficiente.

3. Reabilitação da Central Hidroelétrica de Contador

A hidroeletricidade não é novidade em São Tomé, mas a infraestrutura antiga estava a operar muito abaixo da capacidade. O projeto de reabilitação da Central de Contador é vital. Historicamente capaz de gerar 4 MW, a sua produção tinha caído para menos de 2 MW devido à falta de manutenção.

Com o apoio do Banco Europeu de Investimento (BEI) e do Banco Mundial, as obras visam restaurar e modernizar as turbinas e o canal de adução. Em 2026, espera-se que Contador volte a ser a espinha dorsal “limpa” da rede elétrica, fornecendo energia de base estável (baseload).

Projeto Reabilitação de Contador
Meta de Capacidade Restaurar para 4 MW ou mais
Financiadores Banco Mundial / BEI
Estado em 2026 Operacionalidade total prevista

4. Mini-Hídrica do Papagaio (Ilha do Príncipe)

A Ilha do Príncipe, Reserva da Biosfera da UNESCO, tem as suas próprias necessidades energéticas. O projeto da Mini-Hídrica do Papagaio é crucial para a autonomia da ilha.

Este projeto visa reabilitar a central existente, aumentando a sua eficiência e capacidade para cerca de 1 MW. Para uma ilha pequena como o Príncipe, isto representa uma grande percentagem da procura total, reduzindo a necessidade de transporte marítimo de combustível vindo da ilha principal.

  • Foco: Autonomia energética da Ilha do Príncipe.
  • Parceiros: PNUD e GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente).

5. Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS)

A energia solar é intermitente (só funciona com sol). Para que os projetos de Água Casada e Santo Amaro funcionem sem desestabilizar a rede, o armazenamento é essencial. Em 2026, veremos a implementação e a operação de sistemas BESS (Battery Energy Storage Systems).

Estes sistemas não são apenas “pilhas gigantes”; eles possuem software inteligente que controla a frequência da rede, evitando apagões quando uma nuvem passa sobre os painéis solares.

Nota Técnica: A introdução de BESS é obrigatória quando a energia solar ultrapassa os 10-20% da matriz energética, como acontecerá em São Tomé.

6. Programa de Eficiência Energética e Iluminação LED

A energia mais verde é aquela que não precisa de ser produzida. O Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética (NEEAP), apoiado pela UNIDO, tem uma forte componente de iluminação pública.

A substituição de lâmpadas de vapor de sódio (amarelas e ineficientes) por tecnologia LED em todo o arquipélago reduzirá o consumo noturno drasticamente. Em 2026, espera-se que grande parte da iluminação pública nas áreas urbanas de São Tomé já tenha sido convertida, poupando combustível valioso para outras necessidades.

7. Eletrificação Solar para Comunidades Piscatórias

Um projeto inovador financiado pelo Banco Mundial e parceiros japoneses foca-se na economia azul. Este projeto não se limita a ligar casas à rede; ele fornece estações de carregamento solar para baterias de motores elétricos de barcos de pesca.

Em 2026, este projeto piloto na Ilha do Príncipe e em comunidades costeiras de São Tomé visa reduzir a dependência dos pescadores da gasolina, aumentando os seus lucros e protegendo o ecossistema marinho.

Setor Pesca Artesanal
Tecnologia Motores elétricos fora de borda + Carregamento Solar
Objetivo Reduzir custos de combustível para pescadores

8. Reforma Regulatória e Abertura aos IPPs

Embora não seja uma “obra” física, esta é uma das iniciativas mais importantes. Até recentemente, a lei não favorecia Produtores Independentes de Energia (IPPs).

As reformas lideradas pela Autoridade Geral de Regulação (AGER) estão a criar um ambiente onde empresas privadas (como a Scatec) podem investir em energia verde com segurança jurídica. Em 2026, este quadro legal estará mais maduro, permitindo que novos investidores proponham projetos de biomassa ou eólica sem a burocracia do passado.

9. Modernização da Rede de Transporte e Distribuição

De nada serve produzir energia limpa se ela se perder nos fios. As perdas técnicas e comerciais da EMAE historicamente ultrapassaram os 30%.

O Projeto de Recuperação do Setor Energético inclui a instalação de contadores inteligentes e a renovação de linhas de alta e média tensão. Em 2026, a rede deverá estar mais robusta, capaz de gerir o fluxo bidirecional de energia e reduzir as perdas, garantindo que a energia solar produzida chega efetivamente às casas dos são-tomenses.

10. Estudo e Implementação de Biomassa e Resíduos

São Tomé e Príncipe tem um potencial inexplorado em biomassa (resíduos de cacau, óleo de palma e resíduos florestais). O Plano de Ação Nacional de Energias Renováveis (NREAP) prevê a utilização destes recursos.

Embora em 2026 possa não haver uma grande central de biomassa a operar, espera-se que projetos pilotos e estudos de viabilidade estejam concluídos ou em fase inicial de implementação, visando transformar o lixo orgânico em eletricidade firme, complementando a intermitência do solar.

Desafios a Superar

Apesar do otimismo, o caminho para 2026 não é isento de obstáculos.

  1. Estabilidade Financeira da EMAE: A empresa precisa de melhorar a cobrança para pagar aos produtores independentes.
  2. Manutenção: A formação de técnicos locais é crucial para que os painéis e turbinas não se degradem como no passado.
  3. Clima: As alterações climáticas podem afetar o caudal dos rios, impactando a produção das hídricas como a de Contador.

Palavras Finais

O ano de 2026 promete ser um marco na história de São Tomé e Príncipe. A transição de uma dependência quase total do diesel para um mix energético diversificado com Solar, Hídrica e Armazenamento não é apenas um sonho ecológico — é uma necessidade de sobrevivência económica.

Com projetos como a central de 11 MW em Água Casada e a renovação de Contador, o arquipélago está a enviar uma mensagem clara ao mundo: até as nações mais pequenas podem liderar a luta contra as alterações climáticas. Para os habitantes, isto significará, a longo prazo, uma luz mais estável, mais barata e um ar mais limpo.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Qual é a meta de energia renovável de São Tomé e Príncipe?

O governo estabeleceu a meta de atingir 50% de eletricidade gerada a partir de fontes renováveis até 2030, reduzindo drasticamente a importação de combustíveis fósseis.

2. O que é o projeto de Água Casada?

É uma central solar fotovoltaica de 11 MW, desenvolvida em parceria com a Scatec. É um dos maiores projetos de energia solar do país e visa reduzir as emissões de CO2 em 13.000 toneladas por ano.

3. A energia solar vai acabar com os apagões em São Tomé?

Sozinha, não. A energia solar precisa de baterias (armazenamento) e de uma rede elétrica modernizada para ser estável. Os projetos atuais incluem estas componentes para melhorar a fiabilidade da rede.

4. Quem está a financiar estes projetos?

Os principais financiadores são o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o Banco Mundial, o Banco Europeu de Investimento (BEI), a UNIDO e parcerias público-privadas com empresas internacionais.

5. Existe energia eólica em São Tomé?

Atualmente, o foco principal é Solar e Hídrico devido ao custo-benefício e facilidade de implementação. No entanto, estudos sobre o potencial eólico continuam a ser considerados nos planos de longo prazo.