‘Vergonha’: Óculos ‘AI’ da Meta de Mark Zuckerberg falham em demonstração ao vivo, vídeo surge
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, enfrentou um momento embaraçoso durante o evento anual Meta Connect ao demonstrar novos dispositivos de inteligência artificial (IA), mas uma falha técnica nos óculos Ray-Ban Display e na pulseira neural transformou a apresentação em um vídeo viral que destacou tanto as inovações quanto as limitações da tecnologia. Com reações mistas nas redes sociais, o incidente reforçou discussões sobre a confiabilidade de produtos de IA e preocupações éticas, enquanto a Meta continua a investir bilhões em avanços para integrar IA no cotidiano das pessoas.
Detalhes da Apresentação das Novidades no Meta Connect
O Meta Connect, realizado anualmente pela Meta (antiga Facebook), é um evento chave para a empresa anunciar avanços em realidade virtual, aumentada e IA. Na edição de quarta-feira, Zuckerberg apresentou uma linha de produtos que visam tornar a IA mais acessível e integrada à vida diária, alinhando-se à visão da companhia de que a tecnologia deve “servir as pessoas, não ficar presa em data centers”, como ele mesmo afirmou durante o keynote.
Entre as novidades, destacam-se a segunda geração dos óculos Meta Ray-Ban, que evoluem o modelo original lançado em parceria com a EssilorLuxottica. Esses óculos agora incluem recursos aprimorados de assistente de voz impulsionado pela IA Llama da Meta, câmeras para captura de fotos e vídeos, e integração com aplicativos como Spotify e WhatsApp. De acordo com o site oficial da Meta, os óculos permitem comandos de voz para navegação, tradução em tempo real e até identificação de objetos via IA visual.
Outro destaque é a pulseira neural, um dispositivo vestível que detecta sinais neurais dos nervos do pulso para interpretar gestos sutis, como pinçar os dedos para digitar ou controlar interfaces. Essa tecnologia, inspirada em pesquisas de controle mental, permite interações sem toque, o que pode revolucionar acessibilidade para pessoas com deficiências motoras, conforme relatado pela Wired em sua cobertura do evento.
Os óculos Ray-Ban Display vão além, incorporando uma tela heads-up display (HUD) na lente direita, que projeta informações como notificações, mapas de navegação e lembretes diretamente no campo de visão do usuário. Fontes como o Business Insider, baseadas em hands-on do evento, explicam que isso elimina a dependência de smartphones para tarefas rápidas, com a IA processando dados localmente para maior privacidade. Já o modelo esportivo, desenvolvido com a Oakley, foca em atletas, oferecendo métricas de desempenho em tempo real, como velocidade e altitude, integrado a óculos de sol resistentes.
Esses lançamentos fazem parte de um investimento maciço da Meta em IA, com mais de US$ 10 bilhões alocados em 2024 para hardware e software, segundo relatórios financeiros da empresa divulgados pela Reuters. O objetivo é posicionar a Meta como líder no mercado de wearables inteligentes, que, de acordo com a Statista, deve atingir US$ 119 bilhões em valor global até 2025, impulsionado por demandas por dispositivos conectados e IA pessoal.
A Falha Técnica Durante a Demonstração ao Vivo
A demonstração ao vivo, um momento crucial para impressionar investidores e o público, sofreu um revés quando Zuckerberg testou a integração entre a pulseira neural e os óculos Ray-Ban Display. Inicialmente, o CEO demonstrou com sucesso o envio de mensagens para Andrew Bosworth, CTO da Meta, usando gestos discretos para “digitar” no ar, destacando a precisão da tecnologia em captar intenções neurais sem movimentos exagerados.
No entanto, ao tentar iniciar uma chamada de vídeo apenas com um gesto de mão, o sistema não respondeu. Zuckerberg repetiu o gesto várias vezes, ajustando a posição e a intensidade, mas o dispositivo permaneceu inerte. Bosworth, então, subiu ao palco para intervir, atribuindo o problema à “Wi-Fi brutal” do local. Zuckerberg, visivelmente frustrado mas mantendo o tom leve, comentou: “É, eu não sei. Vamos depurar isso depois. A gente pratica essas coisas umas 100 vezes, e aí nunca se sabe o que vai acontecer”.
Bosworth complementou: “Eu prometo, ninguém está mais chateado com isso do que eu. Porque é o meu time que agora vai ter que depurar por que isso não funcionou no palco”. Análises da The Verge, que acompanhou o evento, sugerem que falhas em demos ao vivo são comuns em tecnologias emergentes, citando exemplos como o lançamento do Apple Watch em 2014, onde recursos de saúde falharam devido a conexões instáveis. No caso da Meta, especialistas apontam que questões de latência em redes Wi-Fi sobrecarregadas podem interferir em dispositivos que dependem de processamento em nuvem, embora a empresa prometa mais processamento local em atualizações futuras.
Reações nas Redes Sociais e o Vídeo que Viralizou
O vídeo da falha, capturado durante a transmissão ao vivo, se espalhou rapidamente por plataformas como X (antigo Twitter), Reddit e TikTok, acumulando milhões de visualizações em poucas horas. Reações variaram de humor a críticas sérias. Um usuário no X questionou: “Não é muito crível que seja um problema de Wi-Fi – parece mais um bug no software”. Outro comentou de forma irônica: “Quero ver a filmagem crua e sem cortes dele gritando com o time depois”, refletindo o ceticismo sobre apresentações polidas de grandes techs.
Preocupações éticas também surgiram, com um comentário destacando “Isso é tão assustador! E nem um pouco interessante. O jeito como os gigantes da tecnologia usam essas ferramentas para identificar pessoas e obter informações. Vergonha”. Essa visão ecoa relatórios da CNN Business sobre privacidade em wearables, que alertam para riscos de coleta de dados biométricos sem consentimento adequado, especialmente com câmeras e sensores neurais. A Electronic Frontier Foundation (EFF), uma organização de defesa de direitos digitais, publicou análises semelhantes, enfatizando a necessidade de regulamentações mais rigorosas para IA em dispositivos pessoais.
Outras reações foram mais positivas, com entusiastas elogiando o potencial apesar do tropeço, como um post no Reddit “Falhas acontecem, mas isso mostra que a Meta está inovando de verdade”. A viralidade do vídeo, segundo métricas da Social Blade, impulsionou o engajamento em torno do Meta Connect, gerando discussões que beneficiam a visibilidade da marca.
Problemas na Demonstração de Culinária com IA
Para demonstrar aplicações práticas da IA, Zuckerberg convidou Jack Mancuso, um criador de conteúdo especializado em culinária, para uma sessão ao vivo usando os óculos Meta Ray-Ban atualizados. O objetivo era mostrar como a IA pode auxiliar em tarefas cotidianas, como receitas guiadas por voz e visão.
Mancuso pediu instruções para um molho de bife inspirado na culinária coreana, mas o assistente de IA, baseado no modelo Llama, falhou em fornecer orientação sequencial. Em vez de começar com os passos iniciais, como preparar ingredientes base, a IA pulou para sugestões avançadas “Adicione molho de soja e óleo de gergelim”. Quando Mancuso questionou repetidamente “O que eu devo fazer primeiro?”, a resposta se repetiu “Você já combinou os ingredientes base, então agora rale a pera e misture gentilmente com o molho base”.
Essa repetição destacou limitações em compreensão contextual da IA, um problema comum em assistentes como o da Meta, conforme analisado pela Forbes. A publicação nota que, apesar de avanços, IAs generativas ainda lutam com ambiguidades em interações em tempo real, exigindo mais treinamento em datasets diversificados. Mancuso lidou com o momento de forma bem-humorada, mas o incidente reforçou a necessidade de melhorias, especialmente em cenários práticos.
Contexto Maior, Implicações e Visão Futura da Meta
Apesar das falhas, Zuckerberg classificou o lançamento como “um daqueles momentos especiais” para a Meta, enfatizando o progresso em direção a um ecossistema de IA ubíqua. A empresa, que enfrentou críticas passadas por questões de privacidade no Facebook e Instagram, agora foca em transparência, com recursos como criptografia de dados nos óculos Ray-Ban, conforme detalhado em seu blog oficial.
No contexto maior, esses produtos competem com rivais como os óculos inteligentes da Apple (rumores do Apple Glasses) e o Google Glass revivido. Relatórios da Gartner preveem que o mercado de AR/VR crescerá 25% ao ano até 2030, impulsionado por aplicações em saúde, educação e entretenimento. Para a Meta, superar esses tropeços é crucial, especialmente após investimentos em metaverso que renderam perdas de US$ 47 bilhões desde 2020, segundo balanços financeiros reportados pela Bloomberg.
Especialistas da MIT Technology Review sugerem que falhas como essa aceleram inovações, forçando equipes a refinar algoritmos e hardware. A Meta planeja atualizações over-the-air para corrigir bugs, garantindo que os dispositivos, com preços a partir de US$ 299 para os Ray-Ban básicos, atendam expectativas de consumidores.
