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O Firefox da Mozilla adiciona o motor de respostas de IA da Perplexity como uma nova opção de busca

No mundo da tecnologia, onde empresas de inteligência artificial e startups estão competindo ferozmente para lançar navegadores web repletos de recursos de IA integrados diretamente na experiência de navegação, a Mozilla escolheu um caminho mais colaborativo e centrado no usuário com seu icônico Firefox. Em vez de desenvolver um navegador completamente novo do zero, a organização optou por enriquecer o produto existente, permitindo que milhões de usuários troquem o motor de busca padrão por uma alternativa impulsionada por IA. Essa decisão reflete a filosofia open-source da Mozilla, fundada em 2003 como uma resposta à dominância do Internet Explorer da Microsoft, e que sempre priorizou a inovação acessível e a privacidade dos usuários.

Na terça-feira, 15 de outubro de 2025, a Mozilla anunciou oficialmente a integração do Perplexity, um motor de respostas com IA desenvolvido pela startup homônima fundada em 2022, ao Firefox. Essa adição permite que os usuários explorem a web de forma mais inteligente, usando IA para gerar respostas conversacionais e encontrar informações novas sem o tradicional vai-e-vem de links. Com mais de 200 milhões de usuários ativos em todo o mundo, o Firefox continua a se posicionar como uma alternativa ética ao Google Chrome e ao Microsoft Edge, especialmente em um momento em que preocupações com privacidade e monopolização de dados estão no centro dos debates regulatórios globais.

A Mozilla havia testado essa integração de forma limitada meses antes, em um piloto restrito a mercados selecionados como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Naquela fase inicial, o foco era avaliar a usabilidade e o impacto na performance do navegador, sem comprometer a velocidade ou a segurança. Não estava claro se o Perplexity entraria para a lista permanente de provedores de busca do Firefox, que já inclui opções consolidadas como Google, Bing, DuckDuckGo e Yandex. No entanto, o feedback entusiástico dos testadores – que elogiaram a precisão das respostas e a redução no tempo gasto em pesquisas – acelerou o rollout global. Agora, todos os usuários desktop em qualquer país podem ativar o recurso imediatamente, com a expansão para dispositivos móveis, como Android e iOS, programada para os próximos meses, possivelmente até o final de 2025, conforme detalhado no anúncio oficial da Mozilla.

Como Funciona o Perplexity no Firefox: Uma Experiência Conversacional e Segura

Ativar o Perplexity no Firefox é simples e intuitivo, projetado para usuários de todos os níveis de familiaridade com tecnologia. Uma vez habilitado nas configurações do navegador – acessíveis pelo menu de preferências ou diretamente na barra de endereços –, o motor de IA se integra ao botão unificado de busca, aquele ícone clássico que permite alternar rapidamente entre opções. Ao digitar uma consulta, em vez de receber uma página lotada de links azuis como no Google tradicional, o Perplexity gera respostas diretas e resumidas, baseadas em fontes web atualizadas em tempo real.

Por exemplo, se você pesquisar “como funciona a IA em navegadores modernos?”, o Perplexity não só explicará o conceito com linguagem clara, mas também incluirá citações inline de artigos confiáveis, como publicações da Mozilla ou relatórios da OpenAI, permitindo que você verifique as fontes com um clique. Essa abordagem conversacional é inspirada em chatbots como o ChatGPT, mas otimizada para buscas web, com ênfase em precisão e relevância. De acordo com o CEO do Perplexity, Aravind Srinivas, em entrevistas recentes à TechCrunch, o motor usa modelos de linguagem avançados treinados em dados públicos, garantindo respostas que vão além de snippets genéricos e evitam alucinações comuns em IAs não supervisionadas.

Um diferencial chave é a privacidade a Mozilla enfatizou que o Perplexity não compartilha nem vende dados pessoais dos usuários, alinhando-se à política de “não rastreamento” do Firefox, que bloqueia cookies de terceiros por padrão desde 2019. Isso contrasta com navegadores como o Arc ou o SigmaOS, que embedam IA de forma mais invasiva, potencialmente coletando hábitos de navegação para treinamento de modelos. Para ativar, basta ir em Configurações > Busca > Provedor Padrão e selecionar Perplexity – uma mudança que leva menos de um minuto e pode ser revertida a qualquer momento, preservando a liberdade de escolha.

Por Que a Mozilla Escolheu o Perplexity e o Que Isso Significa para o Futuro das Buscas

A parceria com o Perplexity não é aleatória ela reflete uma estratégia cuidadosa da Mozilla para inovar sem comprometer seus princípios fundadores. Fundada por ex-funcionários do Google, a startup Perplexity se destaca por seu foco em buscas éticas, com um modelo de negócios baseado em assinaturas premium (como o Pro, a US$ 20/mês) em vez de anúncios intrusivos. A Mozilla, que historicamente critica o “monopólio de buscas” do Google – responsável por mais de 90% do mercado global, segundo dados da Statista de 2025 –, vê nessa integração uma oportunidade de diversificar o ecossistema. Se o piloto provar seu sucesso, a empresa prometeu explorar mais opções de motores de IA, possivelmente incluindo parcerias com rivais como Anthropic ou xAI, sempre priorizando provedores que respeitem a privacidade e a transparência.

Essa expansão chega em um momento pivotal para o Firefox, que viu sua participação de mercado cair para cerca de 3% nos desktops em 2025, de acordo com relatórios da NetMarketShare, mas ganhar tração em privacidade e customização. Ao adicionar IA sem forçar atualizações radicais, a Mozilla evita alienar usuários fiéis que valorizam a estabilidade do navegador, conhecido por sua engine Gecko e suporte robusto a extensões.

Outras Inovações: Perfis e Busca Visual para uma Navegação Mais Organizada

Paralelamente à integração do Perplexity, a Mozilla anunciou a disponibilidade ampla de perfis no Firefox, um recurso testado desde o início de 2025 em fases beta e rollout gradual. Inspirado em ferramentas como os perfis do Chrome, mas com toques exclusivos, ele permite criar e alternar entre ambientes separados um para trabalho (com abas profissionais, extensões de produtividade como Pocket e histórico restrito), outro para estudos (focado em ferramentas educacionais) e um pessoal (para redes sociais e entretenimento). Cada perfil mantém configurações independentes, incluindo temas, senhas salvas e sincronização via conta Firefox, facilitando a organização em um mundo onde o multitarefa online é rotina. Com essa funcionalidade agora acessível a todos os usuários desktop – e em breve para mobile –, a Mozilla atende a uma demanda crescente por separação de contextos, especialmente entre profissionais remotos e estudantes.

Além disso, a empresa continua testando a busca visual com o Google Lens para quem mantém o Google como provedor padrão no desktop. Essa ferramenta de IA analisa imagens carregadas ou capturadas pela webcam para identificar objetos, textos ou padrões, gerando resultados contextuais. Por exemplo, apontar para uma planta em uma foto pode revelar seu nome científico, cuidados e até fornecedores locais. Embora limitada a usuários do Google por enquanto, a Mozilla planeja expandir para outros provedores, integrando-a ao ecossistema mais amplo do Firefox.

Impacto no Ecossistema Web e o Compromisso Contínuo da Mozilla

Essas atualizações posicionam o Firefox como um navegador à frente da curva em acessibilidade à IA, democratizando ferramentas avançadas sem exigir trocas de software. Em um cenário onde rivais como o Brave integram IA via criptomoedas e o Opera foca em chatbots embutidos, a abordagem modular da Mozilla destaca a importância da escolha do usuário. Com o suporte contínuo a padrões web abertos e atualizações regulares – como a versão 122 lançada em outubro de 2025, que melhora a performance em 15% –, o Firefox reforça seu papel como guardião da web aberta.

Para usuários interessados, a Mozilla incentiva o feedback via seu portal de suporte, ajudando a moldar futuras iterações. Essa transparência é parte do DNA da organização, que opera como uma entidade sem fins lucrativos, financiada por royalties de buscas e doações, garantindo que inovações beneficiem a comunidade global.

A informação foi coletada do TechCrunch e do Business Standard.