Mineração

12 Fornecimento de Mineração e Minerais Críticos em Portugal em 2026

Portugal está, em 2026, numa encruzilhada histórica. O país, conhecido pelas suas paisagens e turismo, transformou-se num ponto central no mapa geológico da Europa. O fornecimento de mineração e minerais críticos nunca foi tão debatido, planeado e, por vezes, contestado como agora. Com a Europa a tentar desesperadamente reduzir a sua dependência de mercados externos como a China, os olhos do continente estão postos no subsolo português.

Este ano marca o início de uma nova era. Já não falamos apenas de prospeção ou de planos no papel. Em 2026, vemos a concretização de projetos que prometem colocar Portugal na liderança da transição energética. Mas o caminho não é isento de obstáculos. Entre a necessidade económica e a preservação ambiental, o setor mineiro navega águas complexas.

Neste artigo, vamos explorar a fundo o que está a acontecer no setor mineiro em Portugal. Vamos analisar os grandes projetos de lítio, a contínua importância do cobre e do tungsténio, e como as novas leis europeias estão a moldar o futuro das nossas serras e da nossa economia.

O Lítio em 2026: Do Papel para a Realidade

O lítio, muitas vezes chamado de “ouro branco”, continua a ser a estrela da companhia. Se nos anos anteriores assistimos a muita especulação e burocracia, 2026 é o ano da ação concreta.

O Projeto Mina do Barroso

O destaque vai inegavelmente para o norte do país. O projeto da Mina do Barroso, gerido pela Savannah Resources, atingiu marcos cruciais. Após anos de avaliações ambientais rigorosas e diálogo com as comunidades, 2026 foi apontado como o ano para o início da construção das infraestruturas principais.

Este projeto não é apenas uma mina; é um símbolo da ambição europeia. Classificado como um projeto estratégico ao abrigo do Regulamento Matérias-Primas Críticas da UE, espera-se que, quando entrar em operação total (prevista para breve, em 2028), forneça lítio suficiente para meio milhão de baterias de carros elétricos por ano.

Novos Concursos e Prospeção

Mas a história do lítio não acaba no Barroso. O governo português, impulsionado pela pressão de Bruxelas para agilizar processos, relançou em 2026 os concursos para prospeção em outras áreas. A estratégia agora é diferente: há um foco muito maior em garantir que o valor acrescentado fica no país. A ideia não é apenas extrair pedra e exportar, mas sim criar uma indústria de refinaria e até de montagem de baterias em solo nacional.

Projeto / Área Operador Principal Status em 2026 Mineral Principal
Mina do Barroso Savannah Resources Início de Construção Lítio (Espodumena)
Romano (Montalegre) Lusorecursos Fase de Licenciamento Avançado Lítio
Concursos Públicos Governo Português Abertura de novas áreas Lítio e outros

Além do Lítio: Cobre e Tungsténio

Além do Lítio Cobre e Tungsténio

Seria um erro resumir o fornecimento de mineração e minerais críticos em Portugal apenas ao lítio. A nossa tradição mineira é antiga e continua vital em outros metais essenciais para a indústria moderna.

A Força do Cobre no Alentejo

A mina de Neves-Corvo, no Baixo Alentejo, continua a ser um pulmão económico da região e um gigante europeu na produção de cobre e zinco. Em 2026, a mina não só mantém a sua produção robusta como tem investido fortemente na modernização. A aposta na automação e na eletrificação das frotas subterrâneas tem dois objetivos: aumentar a eficiência e reduzir a pegada de carbono da operação. O cobre é fundamental para a eletrificação global, e Portugal mantém-se como um fornecedor de referência.

Tungsténio: Um Recurso Estratégico

A Mina da Panasqueira, uma das mais antigas em operação contínua no mundo, mantém Portugal no topo da produção de tungsténio (volfrâmio) fora da China. Este metal é vital para ferramentas de corte, eletrónica e defesa. Em 2026, a procura por tungsténio manteve-se alta devido às instabilidades geopolíticas globais, valorizando ainda mais este ativo nacional.

O Impacto da Legislação Europeia

O que mudou realmente em 2026? A resposta está, em grande parte, em Bruxelas. O Critical Raw Materials Act (Lei das Matérias-Primas Críticas) da União Europeia entrou numa fase de plena implementação.

Agilização de Licenciamentos

Um dos maiores entraves em Portugal sempre foi a burocracia. Processos que demoravam décadas estão agora sob escrutínio para serem resolvidos em prazos mais curtos. A UE definiu que projetos estratégicos não devem ficar “na gaveta” indefinidamente. Para o investidor, isto traz segurança; para o Governo, traz a responsabilidade de decidir com rapidez, sem comprometer o rigor ambiental.

Soberania Estratégica

A Europa percebeu que não pode depender de terceiros para a sua transição verde. Portugal, com as suas reservas, é visto como a “caixa-forte” da Europa. Isso trouxe fundos, parcerias e uma pressão diplomática constante para garantir que o fornecimento de mineração e minerais críticos flua de forma constante e segura.

Desafios Ambientais e Sociais

Não podemos falar de mineração em 2026 sem abordar o elefante na sala: a contestação social. As populações locais, especialmente no Norte e Centro de Portugal, continuam muito atentas e ativas.

A Licença Social para Operar

As empresas mineiras aprenderam, por vezes da maneira mais difícil, que ter uma licença do governo não é o mesmo que ter uma “licença social”. Em 2026, vemos uma mudança de postura. As empresas investem mais em:

  • Transparência: Mostrar dados reais de impacto.
  • Benefícios Locais: Garantir que os impostos e royalties ficam nos municípios afetados.
  • Tecnologia Verde: Uso de água reciclada e energias renováveis nas minas.

Ainda assim, grupos ambientalistas mantêm a pressão, exigindo que a “corrida aos minérios” não sacrifique a biodiversidade e a qualidade de vida rural. O equilíbrio é frágil e exige diálogo constante.

Inovação e Economia Circular

O futuro da mineração em Portugal não passa apenas por abrir novos buracos. Passa também por aproveitar o que já temos.

Mineração de Resíduos

Portugal tem centenas de escombreiras de minas antigas. Em 2026, projetos de “re-mineração” ganham força. A ideia é processar os restos de minas antigas para extrair minerais que, com a tecnologia de há 50 anos, foram desperdiçados. Isto limpa o ambiente e gera riqueza.

Reciclagem de Baterias

A cadeia de valor está a fechar-se. Já se discutem e planeiam unidades industriais para reciclar baterias em fim de vida, recuperando lítio, cobalto e níquel. A nova Lei da Economia Circular, debatida e implementada nesta fase, obriga a taxas de incorporação de materiais reciclados, criando um novo mercado para estes “resíduos”.

Tendência Descrição Impacto Esperado
Re-mineração Processar escombreiras antigas Limpeza ambiental + Novos recursos
Mineração Verde Uso de veículos elétricos e solar nas minas Menor pegada de carbono
Digitalização Uso de IA para prospeção Menor impacto no solo, maior precisão

O Papel Económico em 2026

Economicamente, o setor mineiro está a ganhar um peso que já não tinha há décadas. As exportações de minérios metálicos têm subido consistentemente. O efeito multiplicador é visível: não são apenas os empregos na mina, mas os serviços de engenharia, a logística, a manutenção e a hotelaria nas zonas do interior que beneficiam.

O governo vê no fornecimento de mineração e minerais críticos uma oportunidade para combater a desertificação do interior. Fixar populações jovens com empregos qualificados (geólogos, engenheiros, técnicos de ambiente) é uma das grandes promessas destes projetos para 2026 e anos seguintes.

Conclusão

O ano de 2026 afirma-se como um divisor de águas para a mineração em Portugal. Deixámos para trás a fase da especulação pura e entrámos na fase da industrialização e da responsabilidade. O país tem nas mãos recursos que o mundo deseja desesperadamente.

O desafio agora é de gestão. Gerir a riqueza para que beneficie todos, gerir o território para que a natureza seja respeitada e gerir as expectativas das populações. Se Portugal conseguir equilibrar estes pratos da balança, o fornecimento de mineração e minerais críticos será um dos pilares da nossa economia nas próximas décadas. A tecnologia existe, os recursos existem e a vontade política parece alinhada. Resta saber se a execução estará à altura da ambição.

Palavras Finais

Olhando para o horizonte, Portugal não é apenas um país de sol e mar. É uma nação com um “coração de pedra” valioso. O sucesso da transição energética da Europa passa, inevitavelmente, pelas nossas serras. Cabe-nos a nós garantir que essa passagem deixa um rasto de desenvolvimento sustentável e não apenas cicatrizes na paisagem. O futuro é elétrico, e Portugal está a fornecer a energia para essa mudança.

Perguntas Frequentes (FAQ)

  1. Quais são os minerais críticos mais importantes em Portugal em 2026?

Os principais são o lítio (essencial para baterias), o cobre (para eletrificação), o tungsténio (para a indústria de defesa e corte) e o zinco.

  1. A mineração de lítio já começou em Portugal?

Portugal já produz lítio há anos para a indústria cerâmica. No entanto, a extração e refinação de lítio de “grau bateria” para carros elétricos tem o seu grande arranque de infraestruturas previsto para 2026, com produção esperada para cerca de 2028.

  1. O que é a Lei das Matérias-Primas Críticas da UE?

É uma legislação europeia que visa garantir o fornecimento seguro e sustentável de minerais essenciais. Ela facilita e acelera o licenciamento de projetos estratégicos em países membros, como Portugal, para reduzir a dependência da Ásia.

  1. A mineração em Portugal é segura para o ambiente?

A mineração moderna em Portugal está sujeita a regras ambientais rigorosas da UE. Embora qualquer atividade extrativa tenha impacto, as novas tecnologias e exigências de fiscalização visam minimizar danos, proteger águas e garantir a recuperação da paisagem após o fim da exploração.

  1. Qual o impacto económico da mineração para o interior do país?

É significativo. Cria empregos diretos e indiretos, atrai investimento em infraestruturas e gera receitas fiscais (royalties) que podem ser usadas pelos municípios locais para desenvolvimento regional.