Cibersegurança

18 líderes em cibersegurança e privacidade de dados em Portugal em 2026

A paisagem da segurança digital em Portugal mudou drasticamente. Em 2026, já não falamos apenas de “vírus” ou “passwords”. Falamos de defesa crítica, soberania digital e da implementação total da Diretiva NIS2. Num ano marcado pelo avanço da Inteligência Artificial (IA) nos ciberataques, a liderança humana torna-se o nosso firewall mais importante.

Este artigo destaca as 18 figuras que estão na linha da frente. São os estrategas, os reguladores, os académicos e os diretores que mantêm os dados de Portugal seguros. Estes líderes não só gerem crises; eles desenham o futuro da confiança digital no nosso país.

O Estado da Cibersegurança em 2026

Antes de conhecermos os nomes, é vital entender o cenário. Portugal consolidou-se como um hub tecnológico europeu, mas isso trouxe riscos.

  • Ameaças de IA: O phishing tornou-se hiper-realista.
  • Conformidade: O RGPD (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados) e o Regulamento de IA da UE exigem uma vigilância constante.
  • Escassez de Talento: A retenção de especialistas continua a ser o maior desafio das empresas nacionais.

Abaixo, dividimos os líderes por setor de atuação, facilitando a consulta.

I. Os Guardiões Institucionais e Reguladores

Estas são as figuras que definem as leis, as normas e a resposta nacional a incidentes críticos. Sem eles, não haveria uma estrutura coordenada de defesa.

1. Lino Santos (CNCS)

Como Coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), Lino Santos continua a ser a figura central da cibersegurança em Portugal. A sua liderança tem sido fundamental na transposição de diretivas europeias e na criação do Quadro Nacional de Referência para a Cibersegurança. Em 2026, o seu papel é crucial na coordenação da resposta a ataques contra infraestruturas críticas.

2. Paula Meira Lourenço (CNPD)

Presidente da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD). Com a privacidade a ser constantemente desafiada por novas tecnologias de vigilância e IA, a sua voz é a autoridade máxima. A sua gestão tem-se focado na proteção dos dados dos cidadãos num mundo cada vez mais algorítmico, aplicando coimas e diretrizes essenciais para empresas.

3. Contra-Almirante António Gameiro Marques (GNS)

À frente do Gabinete Nacional de Segurança (GNS), a sua responsabilidade abrange a segurança da informação classificada e a certificação de empresas. O seu perfil militar traz o rigor necessário para a soberania nacional, gerindo a credenciação de segurança num ambiente geopolítico instável.

4. Carlos Cabreiro (PJ)

Diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T) da Polícia Judiciária. É o rosto da investigação criminal no ciberespaço. Em 2026, o combate ao ransomware e à fraude online organizada depende das operações lideradas pela sua unidade.

Líder Instituição Foco Principal
Lino Santos CNCS Coordenação Nacional e Resposta a Incidentes
Paula Meira Lourenço CNPD Regulação de Privacidade e RGPD
A. Gameiro Marques GNS Segurança de Estado e Certificação
Carlos Cabreiro Polícia Judiciária Investigação Criminal e Cibercrime

II. Os Grandes CISO (Corporate)

Os Grandes CISO (Corporate)

Os Chief Information Security Officers (CISO) das grandes empresas portuguesas protegem os dados bancários, a energia e as telecomunicações de milhões de portugueses.

5. Nuno Medeiros (EDP)

Como CISO da EDP, Nuno Medeiros gere uma das infraestruturas mais críticas do país. A sua abordagem à segurança industrial (OT) e IT serve de referência para o setor energético global. A sua liderança é vital para prevenir “apagões” digitais.

6. CISO do Grupo Millennium bcp

A banca é o alvo número um financeiro. A liderança de segurança no Millennium bcp define o padrão para a proteção de transações e dados bancários em Portugal, focando-se fortemente na prevenção de fraude com IA.

7. CISO da Galp

Com a transição energética e digital, a Galp requer uma defesa robusta. O líder de segurança desta organização foca-se na proteção de ativos críticos e na continuidade de negócio frente a ameaças globais.

8. Responsável de Segurança da Critical TechWorks

Sendo um hub de inovação da BMW em Portugal, a liderança aqui foca-se na segurança do software automóvel e IoT (Internet das Coisas). É um exemplo de como proteger a inovação de ponta feita em solo nacional.

Líder (Cargo) Setor Prioridade em 2026
Nuno Medeiros Energia (EDP) Proteção de Infraestruturas Críticas
CISO BCP Banca Fraude Financeira e Zero Trust
CISO Galp Energia/Dados Continuidade de Negócio
Líder Critical TechWorks Automóvel/Tech Segurança de Software e IoT

III. Os Evangelistas e Consultores

Estes profissionais traduzem a complexidade técnica para uma linguagem de negócio. São educadores, consultores e vozes ativas na comunidade.

9. Bruno Horta Soares (IDC / Consultor)

Uma das vozes mais ativas e respeitadas. Como consultor e analista, Bruno Horta Soares ajuda as administrações a entender que a cibersegurança é um risco de negócio e não apenas técnico. A sua presença em conferências e na comunicação social ajuda a educar o mercado.

10. Rui Shantilal (Integrity)

Líder da Integrity, uma das empresas portuguesas de cibersegurança mais internacionais. Rui Shantilal é conhecido pela sua abordagem prática e técnica (como pen testing), defendendo uma segurança ofensiva para prevenir ataques.

11. Sérgio Silva (CyberS3c)

Focado na formação e consciencialização. Através da CyberS3c, tem sido incansável na educação de profissionais e cidadãos comuns sobre os perigos da rede, desde o phishing básico até à engenharia social complexa.

12. Manuel Dias (Microsoft Portugal)

Como National Technology Officer da Microsoft, traz a visão da Big Tech. O seu papel é fundamental na introdução de IA segura nas empresas portuguesas e na defesa da nuvem (cloud) como motor de segurança.

IV. A Academia e Investigação

O futuro constrói-se nas universidades. Estes líderes formam a próxima geração e investigam as ameaças de amanhã.

13. José Tribolet (INESC / IST)

Uma lenda viva da engenharia de sistemas em Portugal. A sua visão sobre a soberania digital e a arquitetura de sistemas seguros continua a influenciar decisores políticos e grandes gestores.

14. André Zúquete (Universidade de Aveiro)

Professor e investigador de referência. O seu trabalho na área de gestão de identidade e segurança de redes formou centenas dos especialistas que hoje operam no mercado.

15. Pedro Veiga (CN.PT / Professor)

Pioneiro da Internet em Portugal e fundador do CNCS. Embora com um perfil mais sénior, a sua voz sobre a governança da Internet e a segurança do domínio “.pt” permanece uma bússola moral e técnica para o setor.

16. Alysson Bessani (FCUL)

Líder na investigação de sistemas distribuídos e segurança na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O seu trabalho em blockchain e resiliência de sistemas é reconhecido internacionalmente.

V. Comunidade e Associativismo

A força da cibersegurança reside na partilha de conhecimento entre pares.

17. Direção da AP2SI

A Associação Portuguesa para a Promoção da Segurança da Informação (AP2SI) é o motor da comunidade. Os seus líderes organizam eventos cruciais como a C-Days e promovem a ética profissional. Representam a união dos profissionais do setor.

18. Liderança Women4Cyber Portugal

O capítulo português da iniciativa europeia tem sido vital para trazer diversidade ao setor. As líderes deste movimento em 2026 são fundamentais para combater a falta de talento, integrando mais mulheres em carreiras de tecnologia e defesa.

Perguntas Frequentes (FAQ)

  1. O que faz um CISO?

O CISO (Chief Information Security Officer) é o diretor executivo responsável pela segurança da informação de uma empresa. Ele define a estratégia para proteger dados contra ataques.

  1. Por que a cibersegurança é tão importante em 2026?

Com a digitalização total de serviços (banca, saúde, estado) e o uso de IA por criminosos, um ataque pode paralisar o país. A segurança garante que a nossa vida digital continua a funcionar.

  1. O que é o CNCS?

É o Centro Nacional de Cibersegurança. Funciona como a autoridade nacional que coordena a resposta a incidentes e promove políticas de segurança para o Estado e operadores essenciais.

  1. Como posso trabalhar nesta área em Portugal?

Existem vários cursos superiores e certificações. Seguir o trabalho de líderes como Sérgio Silva ou as iniciativas da AP2SI é um ótimo ponto de partida.

Palavras Finais

A lista destes 18 líderes em cibersegurança em Portugal mostra que o país está bem servido de talento e visão estratégica. Em 2026, a tecnologia avança a uma velocidade alucinante, mas é o fator humano — a ética de Paula Lourenço, a estratégia de Lino Santos, a técnica de Nuno Medeiros — que cria a verdadeira barreira contra o caos.

A cibersegurança deixou de ser um problema de “informáticos” na cave. Hoje, é um tema de sala de administração e de soberania nacional. Seguir o trabalho destas personalidades é entender para onde caminha o futuro digital de Portugal. Se procura proteger o seu negócio ou iniciar uma carreira, mantenha estes nomes no seu radar.