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Quem é Maria Corina Machado, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025?

Maria Corina Machado, a líder da oposição venezuelana, foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2025 em reconhecimento ao seu incansável trabalho na promoção dos direitos democráticos na Venezuela e na luta para uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia. Aos 58 anos, conhecida como a “Dama de Ferro” da Venezuela, sua trajetória é marcada por resiliência diante das repressões sofridas pelo regime autoritário de Nicolás Maduro, que está no poder desde 2013. O Comitê Nobel destacou que ela representa uma das mais notáveis expressões de coragem civil na América Latina contemporânea e uma força unificadora na oposição fragmentada que se reuniu em torno da defesa da democracia e das eleições livres.​

Quem é Maria Corina Machado?

Maria Corina Machado Parisca nasceu em 7 de outubro de 1967, em Caracas, na Venezuela. É graduada em engenharia industrial e possui mestrado em finanças. Proveniente de uma família tradicionalmente ligada ao setor siderúrgico, com seu pai como empreendedor relevante, teve inicialmente uma carreira na área empresarial, mas logo se dedicou à política e à defesa social. Em 1992, fundou a Fundação Atenea, organização dedicada a apoiar crianças em situação de rua na capital venezuelana. Em 2002, cofundou o movimento Súmate, que inicialmente visava monitorar eleições, mas que rapidamente se tornou uma peça fundamental na oposição ao governo, promovendo a transparência e eleições justas no país. No parlamento, atuou de 2011 a 2014, período em que foi uma das críticas mais duras aos abusos institucionais e violações de direitos humanos do regime chavista e madurista.​

Machado é líder do partido liberal de oposição Vente Venezuela, fundado em 2013, e coordenadora nacional desta organização. Em 2017, ajudou a estabelecer a coalizão Soy Venezuela, que reúne diversos grupos pró-democracia, superando divisões políticas, em torno da causa comum pela liberdade e uma governança democrática. Em 2012, disputou a primária da oposição à presidência, mas foi derrotada por Henrique Capriles. Em 2023, venceu a primária da oposição que definia a candidatura presidencial para 2024, obtendo mais de 2 milhões de votos, resultado que unificou sua base e lhe concedeu grande protagonismo político.​

Repressão e vida em ocultação

Apesar da forte mobilização popular, o Tribunal Supremo da Venezuela proibiu Machado de concorrer nas eleições presidenciais de 2024, decisão baseada em acusações controvertidas que associavam membros de seu partido a conspirações contra o governo. Após a decisão judicial, ela indicou Corina Yoris como candidata substituta, posteriormente substituída pelo diplomata Edmundo González Urrutia, a quem Machado apoiou fortemente. Apesar disso, o Conselho Nacional Eleitoral declarou oficialmente a vitória de Nicolás Maduro, gerando protestos massivos e repressão violenta contra opositores que resultou em milhares de detenções. Entre os detidos estavam membros próximos da campanha de Machado e seus assessores foram presos ou exilados, tornando-a uma das principais figuras políticas forçadas a viver em segredo por temer por sua vida.​

Em janeiro de 2025, Machado apareceu brevemente em um protesto contra a posse de Maduro, evento que culminou em sua prisão temporária e libertação logo depois. Desde então, sua presença pública tem sido restrita, mas ela mantém forte atividade através das redes sociais, articulando sua base e denunciando o autoritarismo vigente. Sua vida em ocultação simboliza o alto custo da luta democrática em contextos de regimes repressivos, e sua decisão de permanecer no país, apesar das ameaças, é ressaltada pelo Comitê Nobel como um ato de coragem inspirador para milhões de venezuelanos.​

Reconhecimentos internacionais

Além do Nobel da Paz, Maria Corina Machado recebeu vários prêmios internacionais, incluindo, em 2024, o Prêmio Václav Havel de Direitos Humanos e o Prêmio Sájarov da União Europeia, que reconhecem sua defesa dos direitos humanos e da liberdade de pensamento em meio à crise venezuelana. Em 2018, a BBC a listou entre as 100 mulheres mais influentes do mundo, e em 2025 a revista Time também a incluiu na lista das 100 pessoas mais influentes. O Comitê Nobel afirmou que ela preenche plenamente os critérios do prêmio estabelecidos por Alfred Nobel, por seu trabalho pela fraternidade entre as nações, pela redução da militarização da sociedade venezuelana e por seu apoio incansável à transição pacífica para a democracia. O prêmio deste ano é encarado como um símbolo da defesa global da democracia em tempos de ascensão autoritária.​

Contexto político e repercussões

A nomeação premiada de Machado ocorre num cenário em que o autoritarismo em todo o mundo tem avançado e a democracia está em declínio. O Comitê Nobel qualificou a escolha dela como uma mensagem firme de que a democracia é condição essencial para a paz. Após a divulgação da premiação, ela declarou que o prêmio é um reconhecimento da luta de todo o povo venezuelano por liberdade e justiça, destacando que contam com aliados internacionais, incluindo nações como os Estados Unidos, para continuar a batalha democrática. Apesar das controvérsias entre os setores da oposição venezuelana e certas divisões internacionais, o prêmio reforça a legitimidade da resistência ao regime de Maduro.​

Nos Estados Unidos, o atual presidente Donald Trump — que mantinha campanha pública para ganhar o Nobel, apoiando sua narrativa de ter encerrado conflitos ao redor do mundo — não se manifestou oficialmente sobre a premiação. No entanto, um porta-voz da Casa Branca criticou o Comitê por não ter o escolhido, alegando que o comitê teria colocado política acima da paz. O presidente do Comitê Nobel afirmou que a decisão baseou-se estritamente nos critérios do testamento de Alfred Nobel, valorizando o trabalho concreto pela paz e a democracia, não interesses políticos partidários.​

Considerações finais

Maria Corina Machado representa uma das figuras mais emblemáticas da luta democrática contemporânea na América Latina, combinando sua formação técnica, experiência parlamentar e coragem política para enfrentar pressões extremas no percurso por uma Venezuela democrática. Seu prêmio Nobel da Paz de 2025 não apenas celebra seu esforço individual, mas simboliza a resistência de numerosas pessoas que buscam mudança pacífica e respeito aos direitos humanos num país em crise prolongada. Sua história de vida destaca os desafios e triunfos na defesa da democracia em ambientes de opressão, tornando-a uma inspiração global para ativistas de direitos humanos e defensores da liberdade.

Informações da Al Jazeera e da BBC.