SaúdeTecnologia

12 Pioneiros Em Tecnologia Da Saúde E Saúde Digital Em Moçambique Em 2026

Moçambique encontra-se numa encruzilhada fascinante em 2026. À medida que a penetração da internet móvel cresce e a infraestrutura tecnológica se expande, o setor da saúde (HealthTech) emerge como um dos campos mais vibrantes para a inovação. Já não se trata apenas de digitalizar registos em papel; trata-se de utilizar a Inteligência Artificial, a telemedicina e a Internet das Coisas (IoT) para salvar vidas em áreas onde o acesso médico era anteriormente inimaginável.

A “Estratégia de Saúde Digital 2025-2029” do governo definiu o tom, mas são os empreendedores, os inovadores e as parcerias estratégicas que estão a colocar a mão na massa. Desde próteses sustentáveis feitas de lixo marinho a chatbots que diagnosticam malária via WhatsApp, o ecossistema moçambicano está a amadurecer rapidamente.

Neste artigo, destacamos as 12 entidades e personalidades pioneiras que estão a moldar o futuro da saúde digital em Moçambique em 2026. Estes são os nomes que precisa de conhecer.

1. Marta Vânia Uetela (BioMec)

Se há um nome que ressoa internacionalmente quando se fala de inovação em saúde moçambicana, é Marta Vânia Uetela. Fundadora da BioMec, Marta revolucionou a ortopedia ao criar próteses de alto desempenho a partir de plásticos recolhidos nos oceanos de Moçambique.

Característica Detalhe
Foco Próteses Biônicas Sustentáveis
Tecnologia Impressão 3D e Modelagem Digital
Impacto 2026 Expansão para membros superiores e parcerias com hospitais rurais
Reconhecimento Prémios internacionais de inovação social e sustentabilidade

A BioMec não é apenas uma empresa de hardware; é uma empresa de dados. Em 2026, a personalização das próteses é feita através de digitalização 3D avançada, permitindo que pacientes em províncias distantes recebam membros que se ajustam perfeitamente sem necessidade de viagens constantes a Maputo.

2. Galenica.ai (Gerry Marketos)

A Galenica.ai posicionou-se como a líder em diagnósticos assistidos por Inteligência Artificial. O seu produto estrela, o “APOIO Healthbot”, evoluiu de um simples assistente de triagem para uma ferramenta complexa capaz de analisar sintomas e sinais vitais através da câmara do smartphone.

Característica Detalhe
Inovação IA para Diagnóstico e Triagem (Healthbot APOIO)
Público-Alvo Clínicas rurais e utentes com smartphones básicos
Parceiro Chave Unidades sanitárias que precisam de reduzir filas de espera

Gerry Marketos e a sua equipa conseguiram o que muitos achavam impossível: treinar modelos de IA com dados locais, garantindo que o algoritmo entende as especificidades das doenças tropicais comuns em Moçambique, como a Malária e a Dengue, com uma precisão impressionante.

3. Jembi Health Systems

Enquanto as startups trazem o brilho, a Jembi Health Systems traz a estrutura. Como parceira de longa data do Ministério da Saúde, a Jembi é a espinha dorsal da interoperabilidade em Moçambique. O seu trabalho contínuo no SIS-MA (Sistema de Informação de Saúde para Monitoria e Avaliação) garante que os dados fluam corretamente.

Característica Detalhe
Papel Infraestrutura e Interoperabilidade de Dados
Projetos SIS-MA, Registo Eletrónico de Pacientes (EPTS)
Foco 2026 Integração total entre o setor público e privado

Em 2026, a Jembi foca-se em garantir que os sistemas de “Open Health” permitam que um paciente viaje de Maputo a Pemba e o seu historial clínico o acompanhe digitalmente e de forma segura.

4. Ministério da Saúde (MISAU) & Projeto Salama

O próprio governo, através do MISAU, merece o título de pioneiro pela sua aposta na Infraestrutura Pública Digital (DPI). O destaque vai para o projeto Salama (em parceria com a eGov Foundation), que digitalizou campanhas de distribuição de redes mosquiteiras e gestão de stocks em tempo real.

Característica Detalhe
Iniciativa Digitalização de Campanhas de Saúde Pública (Salama)
Tecnologia Plataforma DIGIT (Open Source)
Impacto Gestão eficiente de milhões de redes mosquiteiras e vacinas

Esta abordagem permitiu ao governo ter, pela primeira vez, uma visão granular e em tempo real sobre onde os recursos estão a ser alocados, combatendo o desperdício e a fraude.

5. Plataforma PENSA

Plataforma PENSA

A PENSA (Plataforma Eletrónica de Nutrição e Saúde do Adolescente) continua a ser o maior caso de sucesso de mHealth (saúde móvel) em Moçambique. Focada nos jovens, a plataforma permite tirar dúvidas sobre saúde sexual e reprodutiva de forma anónima e gratuita via USSD e SMS.

Característica Detalhe
Canal SMS, USSD e Web (acessível sem internet)
Utilizadores Milhões de adolescentes e jovens moçambicanos
Valor Educação e prevenção de HIV/SIDA e gravidez precoce

A evolução para 2026 inclui a integração de chatbots mais inteligentes que conseguem responder em línguas locais com maior fluidez, mantendo o anonimato que é a chave do seu sucesso.

6. Digital & Health (Olá Médico)

A empresa Digital & Health consolidou-se como uma referência em telemedicina corporativa e serviços de consultoria digital. A sua plataforma, Olá Médico, serve tanto empresas que querem oferecer cuidados aos seus colaboradores como o público em geral.

Característica Detalhe
Serviço Teleconsultas e Gestão de Saúde Corporativa
Diferencial Integração com seguradoras e pagamentos móveis
Expansão Clínicas virtuais em zonas remotas

Eles são pioneiros na implementação do CommCare em larga escala, ajudando ONGs a gerir os seus trabalhadores de campo com tablets e recolha de dados offline.

7. Egumy Medical Supply

A Egumy percebeu cedo que vender equipamentos médicos não era suficiente; era preciso digitalizar a gestão desses equipamentos e das clínicas. Em 2026, a Egumy lidera a transformação digital de pequenas e médias clínicas privadas, oferecendo Sistemas de Gestão Hospitalar (HMS) acessíveis.

Característica Detalhe
Nicho Digitalização de Clínicas Privadas e Gestão de Stock
Solução Software de Prontuário Eletrónico (EMR) de baixo custo
Objetivo Eliminar o papel nas consultas privadas

A sua abordagem prática ajudou centenas de médicos a migrarem do papel para o digital, criando uma base de dados privada vital para o ecossistema.

8. Instituto Nacional de Saúde (INS)

O INS transformou-se num centro de excelência em vigilância epidemiológica digital. Após as lições da COVID-19 e surtos de Cólera, o INS utiliza agora sistemas avançados de GIS (Sistemas de Informação Geográfica) e Big Data para prever surtos antes que estes se tornem incontroláveis.

Característica Detalhe
Foco Vigilância Epidemiológica e Investigação
Tecnologia Mapeamento GIS e Análise Preditiva
Impacto Resposta rápida a surtos de doenças infeciosas

Em 2026, o INS opera com um “dashboard” nacional que integra dados climáticos e de saúde para emitir alertas precoces às províncias.

9. Vodacom Moçambique (Serviços de e-Saúde)

As operadoras móveis são os bancos e os hospitais de África. A Vodacom Moçambique, através do M-Pesa e parcerias estratégicas, facilitou o acesso a micro-seguros de saúde e pagamentos de consultas. A sua infraestrutura 4G/5G é o que permite que a telemedicina aconteça.

Característica Detalhe
Papel Financiamento e Conectividade
Produto Seguros de saúde via telemóvel e pagamentos M-Pesa
Visão “Saúde na palma da mão” para a base da pirâmide

A integração de “vouchers de saúde” digitais nas carteiras móveis permitiu que populações rurais pagassem por transportes de emergência ou medicamentos essenciais.

10. PSI Moçambique (Population Services International)

A PSI tem sido pioneira na utilização do marketing digital e de ferramentas de behavior change (mudança de comportamento). Em 2026, as suas campanhas não são apenas outdoors; são jornadas digitais personalizadas que guiam o utilizador desde a consciencialização até à ida à clínica.

Característica Detalhe
Método Saúde Digital para Mudança de Comportamento
Ferramentas Apps de auto-testagem e rastreio de HIV
Alvo Populações de risco e comunidades vulneráveis

A PSI utiliza dados para segmentar mensagens de saúde com precisão cirúrgica, aumentando a adesão a tratamentos como a PrEP e o planeamento familiar.

11. Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM)

O CISM é o cérebro científico. Embora focado na investigação, o CISM foi pioneiro na adoção de tablets e sistemas de recolha de dados demográficos digitais (HDSS) muito antes de ser moda. Em 2026, lideram o uso de Data Science para ensaios clínicos em África.

Característica Detalhe
Área Investigação Biomédica e Ciência de Dados
Pioneirismo Digitalização de censos de saúde demográficos
Futuro Bioinformática e genómica em Moçambique

O seu trabalho fornece a evidência científica necessária para que o governo adote novas tecnologias de saúde em escala nacional.

12. Comunidade MozDevz e Inovadores da UEM

Por fim, o futuro pertence aos criadores. A comunidade MozDevz e os laboratórios de inovação da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) são o berço das próximas grandes ideias. Vencedores de Hackathons de saúde (como o “Reboot HIV”), estes jovens programadores estão a criar as apps que resolverão os problemas de 2030.

Característica Detalhe
Quem são Estudantes, Desenvolvedores e Startups em fase inicial
Eventos Hackathons de Saúde e Desafios de Inovação Aberta
Potencial Soluções locais, baratas e ágeis

Eles representam a transição de “consumidores de tecnologia importada” para “produtores de tecnologia moçambicana”.

Perguntas Frequentes (FAQ)

  1. O que é a Saúde Digital em Moçambique?

A Saúde Digital refere-se ao uso de tecnologias de informação e comunicação (TIC) para melhorar a saúde humana, os serviços de saúde e o bem-estar dos indivíduos e das populações em Moçambique.

  1. As zonas rurais têm acesso a estas inovações?

Sim, muitas destas inovações, como a Plataforma PENSA ou os serviços baseados em USSD da Vodacom, funcionam em telemóveis básicos sem necessidade de internet, garantindo cobertura em zonas rurais.

  1. O governo moçambicano apoia estas startups?

Sim, através da Estratégia de Saúde Digital e parcerias com incubadoras, o MISAU tem mostrado abertura para integrar soluções privadas que resolvam problemas de saúde pública.

  1. Como a Inteligência Artificial é usada na saúde em Moçambique?

Principalmente em triagem e diagnóstico (como o Healthbot da Galenica.ai) e na análise de grandes volumes de dados epidemiológicos pelo INS para prever surtos.

Palavras Finais

Em 2026, Moçambique prova que a inovação na saúde não depende apenas de orçamentos gigantescos, mas sim de criatividade e resiliência. Estes 12 pioneiros mostram que é possível combinar tecnologia de ponta, como a Inteligência Artificial e a impressão 3D, com a realidade local para criar soluções que não são apenas “futuristas”, mas profundamente humanas e necessárias.

O caminho para a cobertura universal de saúde em Moçambique é digital, e estes são os arquitetos dessa nova realidade. A colaboração entre o governo, o setor privado e os jovens talentos será o combustível para os próximos anos.