O Instagram premiará os principais criadores com um anel de ouro. Mas sem dinheiro
O Instagram, plataforma da Meta com mais de três bilhões de usuários ativos mensais, anunciou na segunda-feira, 6 de outubro de 2025, o lançamento do prêmio “Rings”, uma iniciativa inédita que reconhecerá 25 criadores de conteúdo com um anel de ouro físico e um distintivo digital especial em seus perfis. Essa premiação chega em um momento crítico para a economia de criadores, pois o Instagram tem reduzido programas de pagamentos diretos, enquanto parcerias com marcas diminuem em todo o setor, levantando questões sobre por que uma das empresas mais ricas do mundo opta por joias e visibilidade em vez de compensações financeiras concretas. De acordo com o anúncio oficial no blog da Meta, o foco é celebrar a ousadia criativa e o impacto cultural, mas sem qualquer valor monetário associado aos prêmios.
A Meta, controladora do Instagram, registrou receitas superiores a US$ 149 bilhões em 2024, conforme relatórios financeiros submetidos à SEC (Securities and Exchange Commission), o que torna o gesto simbólico ainda mais contrastante em meio aos desafios econômicos que muitos criadores enfrentam. Eva Chen, chefe de parcerias de moda do Instagram e uma das criadoras da iniciativa, destacou em entrevista ao Hollywood Reporter que “era o momento certo para criar um prêmio que reconhece indivíduos que assumem riscos criativos na plataforma”. Esses criadores são vistos como “catalisadores culturais”, capazes de iniciar discussões e inspirar a expressão individual de bilhões de usuários.
O Processo de Seleção e o Júri Estelar do Prêmio Rings
A seleção dos 25 vencedores será feita por um júri diversificado e influente, composto por mais de uma dúzia de personalidades de diferentes áreas da cultura e do entretenimento. O painel inclui Adam Mosseri, líder do Instagram; o cineasta premiado Spike Lee, conhecido por filmes como “Faça a Coisa Certa”; o designer de moda Marc Jacobs, ícone da indústria fashion; e o youtuber Marques Brownlee (MKBHD), referência em tecnologia com milhões de inscritos. Outros membros notáveis são Eva Chen; a designer britânica Grace Wales Bonner, responsável pelo design do anel físico; a atriz e ativista Yara Shahidi; a maquiadora Pat McGrath; a jogadora de rúgbi olímpica Ilona Maher; o artista de rua KAWS; o chef pâtissier Cédric Grolet; o produtor musical Tainy; o fotógrafo de viagens Murad Osmann; e a influenciadora de estilo Eva Chen, que também integra o time.
O processo de escolha começou com a análise de bilhões de contas, reduzindo para milhões, milhares e, finalmente, os 25 finalistas, em colaboração entre o júri e as equipes de criadores do Instagram. Brownlee, em entrevista ao CNBC, explicou que indicou criadores baseados em esforço, risco e impacto, não apenas no tamanho da audiência “Priorizei aqueles cujos trabalhos mostram dedicação e ousadia, independentemente do número de seguidores”. Chen reforçou a dificuldade da tarefa, afirmando que “com uma comunidade de três bilhões de pessoas representando infinitos interesses, foi desafiador reduzir para apenas 25; havia candidatos excepcionais demais”. Os vencedores serão anunciados em 16 de outubro de 2025, com destaque especial em feeds dedicados e spotlights na plataforma.
Essa composição do júri reflete a diversidade do Instagram, abrangendo cinema, moda, esportes, arte, beleza, gastronomia, música, viagens e tecnologia, o que garante uma avaliação holística do conteúdo. Por exemplo, Spike Lee, com sua visão cinematográfica, pode valorizar narrativas inovadoras em vídeos, enquanto Marc Jacobs e Grace Wales Bonner focam em estética e design visual. Essa abordagem multicultural visa identificar criadores que “empurram limites e se comunicam de forma autêntica com o público”, segundo Chen.
Benefícios e Recursos Exclusivos para os Vencedores
Além do anel de ouro físico, projetado pela aclamada Grace Wales Bonner – conhecida por suas coleções que misturam herança britânica e africana em moda contemporânea –, os premiados receberão um anel dourado digital ao redor de suas fotos de perfil e stories, substituindo o gradiente laranja-rosa ou verde padrão. Esse badge será visível em toda a app, servindo como um símbolo de status e criatividade ousada.
Outros perks incluem a personalização da cor de fundo do perfil, um botão de “curtir” customizado e destaque em seções especiais do feed do Instagram, aumentando a visibilidade orgânica para os conteúdos dos vencedores. Esses elementos não só elevam o perfil dos criadores, mas também os posicionam como “vencedores premiados”, atraindo potencialmente mais parcerias e engajamento. Wales Bonner, em declarações sobre o design, enfatizou que o anel físico representa “bravura criativa”, com detalhes em ouro que simbolizam durabilidade e valor cultural. Para os criadores, isso significa uma “aura dourada” temporária que destaca sua originalidade, transformando perfis comuns em ícones reconhecíveis instantaneamente.
Contexto da Economia de Criadores: Desafios e Mudanças na Meta
O lançamento do “Rings” ocorre após o encerramento do programa Reels Play em 2023, que pagava bônus por visualizações em vídeos curtos no Instagram e Facebook, uma fonte vital de renda para muitos. Criadores expressaram frustração online; um usuário no Reddit em 2023 relatou: “Por mais ridículo que pareça, nessa economia, o dinheiro extra era uma bênção para minha família”. Em março de 2025, o Facebook introduziu monetização para stories públicas no programa Content Monetization (CMP), permitindo ganhos sem thresholds mínimos de visualizações, mas isso ainda é limitado e não substitui os bônus anteriores.
Em junho de 2024, Adam Mosseri mencionou em uma live que a Meta considerava ajustes na compensação para criadores, mas até outubro de 2025, nenhum novo plano amplo foi lançado para o Instagram. No Facebook, o CMP unificou programas como In-Stream Ads e Ads on Reels, com pagamentos totais superiores a US$ 2 bilhões em 2024, e planos para inclusão de fotos, textos e stories. No entanto, para o Instagram, a ênfase tem sido em visibilidade em vez de dinheiro, contrastando com rivais.
Uma pesquisa da Kajabi em 2024 mostrou uma queda de 52% nos acordos com marcas, afetando influenciadores de nicho devido a recessões e mudanças algorítmicas. O relatório State of Influencer Marketing da Linqia projeta crescimento de 15% no setor em 2025, mas com foco em diversificação de receitas. A Influencer Marketing Hub atribui isso a fatores econômicos globais e saturação de conteúdo.
Estratégias da Meta para Atrair e Reter Criadores
Em janeiro de 2025, a Meta ofereceu contratos para criadores promoverem o Instagram em plataformas rivais como TikTok, Snapchat e YouTube Shorts, com postagens bimestrais e exclusividade de três meses para Reels. Esses acordos, que exigiam pelo menos oito Reels mensais sem parcerias de marcas, foram encerrados recentemente, conforme porta-voz do Instagram. A iniciativa visava migrar criadores do TikTok, especialmente após restrições nos EUA, mas não resultou em um programa permanente.
Enquanto isso, o YouTube pagou mais de US$ 70 bilhões a criadores desde 2010, com US$ 20 bilhões só em 2023, via divisão de receitas de ads e Super Chats. O TikTok, através do Creator Fund, distribui bilhões anualmente, priorizando conteúdos originais após atualizações da ByteDance em 2024. A Meta, por sua vez, pagou mais de US$ 2 bilhões a criadores no Facebook em 2024, com o CMP expandindo oportunidades para formatos variados a partir de agosto de 2025. Especialistas da Social Media Today notam que prêmios como o “Rings” ajudam a reter talentos, mas não resolvem a necessidade de suporte financeiro direto.
Implicações para o Futuro dos Criadores no Instagram
O “Rings” pode ser interpretado como um incentivo simbólico em uma economia desafiadora, incentivando mais conteúdo no Instagram ou simplesmente a excelência criativa. Brownlee comentou ao CNBC: “Isso motiva a criar o melhor possível, na esperança de reconhecimento; saber que inspira ou impressiona é recompensador, independentemente da plataforma”. Para criadores em mercados emergentes, como o Brasil e Portugal, isso representa uma chance global de visibilidade, especialmente com o júri multicultural.
No entanto, com salários médios de criadores variando de US$ 90.000 a US$ 183.000 em empresas como Meta, segundo Coursera, a dependência de prêmios não monetários pode agravar desigualdades. O programa destaca o compromisso da Meta com a comunidade, mas analistas sugerem que integrações futuras com o CMP do Facebook possam trazer pagamentos de volta ao Instagram. Para se candidatar informalmente, criadores devem focar em originalidade e risco, postando conteúdos que “ressoam culturalmente”, como aconselha o guia do FindArticles.
Essa iniciativa reflete uma era onde reconhecimento digital e físico ganha peso, baseado em fontes oficiais como o blog do Instagram, entrevistas ao CNBC e Hollywood Reporter, e relatórios da Meta.
a informação é coletada da CNBC e do Yahoo.
