Quem são os prisioneiros palestinos que Israel libertou?
Milhares de palestinos se reuniram em Ramallah e outras cidades da Cisjordânia na segunda-feira para aguardar com expectativa e emoção a liberação de cerca de 2.000 prisioneiros políticos e indivíduos desaparecidos à força pelas forças israelenses, capturados tanto na Cisjordânia, que Israel ocupa desde 1967, quanto em Gaza, onde o conflito armado se arrasta há dois anos intensos, resultando em devastação generalizada e milhares de vítimas civis. Essa movimentação ocorre no contexto de um cessar-fogo negociado com mediação internacional, incluindo os Estados Unidos sob a administração do presidente Donald Trump, que assinou o acordo ao lado de líderes do Catar, Egito e Turquia, marcando o que muitos esperam ser o fim definitivo da guerra em Gaza. Palestinos celebraram a volta de 96 prisioneiros políticos de alto perfil, além da grande maioria dos cerca de 1.718 detidos em Gaza durante o conflito, muitos dos quais foram mantidos em condições precárias sem acusações formais, conforme relatórios da ONU e de organizações de direitos humanos. Essa troca envolveu a libertação por parte do Hamas de 20 reféns israelenses vivos e os restos mortais de 28 falecidos, mantidos em Gaza desde o ataque de 7 de outubro de 2023, em retribuição aos quase 2.000 palestinos.
O conflito remonta ao ataque surpresa do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de cerca de 1.200 israelenses e na captura de 251 reféns, desencadeando uma resposta militar israelense que, segundo o Ministério da Saúde de Gaza controlado pelo Hamas, causou mais de 67.000 mortes na faixa, embora Israel conteste esses números e afirme que muitos são combatentes. Dos reféns israelenses, um total de 114 foram libertados em duas trocas anteriores com o Hamas: a primeira em novembro de 2023, durante um cessar-fogo temporário de uma semana, e a segunda em janeiro de 2025, como parte de um acordo de três meses que incluiu oito rodadas de trocas, mas que acabou rompido. Em retribuição nessas ocasiões, Israel soltou 1.240 palestinos, muitos dos quais serviam sentenças longas por envolvimento em ações de resistência durante a Segunda Intifada ou outros períodos de confronto. Apesar da euforia inicial em cada liberação, Israel violou repetidamente os cessar-fogos subsequentes, efetuando prisões em massa de palestinos em Gaza e na Cisjordânia ocupada, frequentemente sem mandados ou acusações claras, o que agravou as tensões e aumentou o número de detidos para níveis recordes.
Aqui vai um panorama completo e detalhado sobre os palestinos libertados nessa troca de cessar-fogo de outubro de 2025, incluindo perfis, condições de detenção, quem não foi incluído e permanece preso, além do impacto emocional e político para as famílias e a sociedade palestina. Essa análise baseia-se em dados de fontes credíveis como Al Jazeera, Associated Press, The Times of Israel e relatórios de direitos humanos, garantindo precisão e equilíbrio na cobertura do evento.
Quem Está Sendo Libertado? Perfis e Contextos Detalhados
Israel está libertando um total de 1.968 palestinos, divididos em duas categorias principais: 250 prisioneiros políticos que cumprem penas de prisão perpétua ou sentenças longas em prisões israelenses, e 1.718 indivíduos que foram desaparecidos à força de Gaza durante os dois anos de guerra, muitos classificados como “combatentes ilegais” sob leis israelenses, mas detidos sem processo judicial formal. De acordo com dados obtidos pela Al Jazeera e confirmados por fontes palestinas como o Escritório de Mídia dos Prisioneiros, todos exceto nove dos 250 prisioneiros de sentenças longas são originários da Cisjordânia, refletindo o foco israelense em detenção administrativa e administrativa preventiva nessa região. Desses, 157 pertencem ao Fatah, o partido secular que controla a Autoridade Palestina em partes da Cisjordânia e é historicamente alinhado com a OLP, enquanto 65 são afiliados ao Hamas, o grupo islâmico que governa Gaza e liderou o ataque de 2023; o restante vem de facções menores como a Jihad Islâmica, o PFLP e outros grupos de esquerda.
Entre os 1.718 detidos de Gaza, o perfil é predominantemente civil: incluem dois mulheres, seis adolescentes menores de 18 anos e cerca de 30 homens acima de 60 anos, muitos capturados durante incursões militares em hospitais, mesquitas e bairros residenciais, sem evidências de envolvimento em combates. Esses detidos foram mantidos em campos militares como Sde Teiman e outros locais não oficiais, onde relatórios de organizações como a ONU e a Comissão de Inquérito da ONU documentam violações sistemáticas de direitos humanos, incluindo tortura física e psicológica. A maioria sofreu espancamentos severos diários, negligência médica intencional levando a infecções de pele como escabiose, fome crônica com rações mínimas, e em casos extremos, violência sexual como estupros e estupros em grupo com objetos, tanto contra homens quanto mulheres, configurando crimes contra a humanidade segundo peritos da ONU. Um ex-prisioneiro liberado, Shadi Abu Seed, relatou à Al Jazeera: “Passei fome por dois anos. Juro por Deus, não nos alimentavam. Ficávamos nus e apanhávamos dia e noite. Fomos torturados.” Outro, Kamal Abu Shanab, descreveu abusos até os momentos finais antes da liberação, incluindo humilhações e tentativas de quebrar o espírito dos detidos.
A Sociedade de Prisioneiros Palestinos e grupos como Addameer registram que, desde 7 de outubro de 2023, pelo menos 77 prisioneiros palestinos morreram sob custódia israelense, muitos devido a maus-tratos, falta de cuidados médicos ou suicídios induzidos por tortura, com casos notórios em prisões como Ofer e Ketziot. Muitos dos libertados chegam precisando de tratamento médico urgente, com sinais de desnutrição aguda, fraturas não tratadas e traumas psicológicos profundos, conforme equipes médicas em hospitais como o Nasser em Khan Younis.
Lista dos 250 Prisioneiros de Sentenças Longas: Perfis Notáveis e Histórico
A lista oficial, publicada pelo Serviço Prisional de Israel e verificada por fontes palestinas, inclui 250 prisioneiros com detalhes como nome completo, possibilidade de exílio, data de prisão, número de penas perpétuas, duração da sentença, afiliação política e governadorato de origem. Muitos foram condenados por ataques fatais contra israelenses durante a Segunda Intifada (2000-2005) ou em confrontos posteriores, incluindo atentados suicidas, tiroteios e linchamentos, embora palestinos os vejam como resistentes à ocupação. Aqui vai uma amostra expandida das primeiras entradas, além de perfis de figuras proeminentes, baseada em listas detalhadas de fontes como Samidoun e Jerusalem Post.
| Nome Completo | Exílio | Data de Prisão | Penas Perpétuas | Duração da Sentença (anos) | Afiliação | Governadorato | Notas Adicionais |
| Samir Ibrahim Mahmoud Abu Nameh | Sim | 20/10/1986 | 1 | Perpétua | Fatah | Jerusalém | Preso por planejamento de ataques durante a Primeira Intifada; serviu quase 40 anos. |
| Muhammad Adel Hasan Dawoud | Sim | 08/12/1987 | 1 | Perpétua | Fatah | Qalqilya | Envolvido em resistência armada nos anos 80; pai de família com filhos na Cisjordânia. |
| Imad Muhammad Jamil Shahada | Não | 07/06/1989 | 1 | Perpétua | Fatah | Gaza | Um dos poucos de Gaza; condenado por ações em confrontos fronteiriços. |
| Nasser Hasan Abdul Hamid Abu Surur | Sim | 04/01/1993 | 1 | Perpétua | Fatah | Belém | Irmão de outro prisioneiro na lista; histórico de ativismo estudantil. |
| Mahmoud Jamil Hasan Abu Surur | Sim | 05/01/1993 | 1 | Perpétua | Fatah | Belém | Preso junto ao irmão; sentença por suposto planejamento de atentado. |
| Mahmoud Musa Issa Issa | Sim | 03/06/1993 | 1 | Perpétua | Hamas | Jerusalém | Fundador de células Al-Qassam em Jerusalém; autor de textos sobre libertação de prisioneiros. |
| Abdul Jawad Yusuf Abdul Jawad al-Shammasneh | Sim | 12/11/1993 | 1 | Perpétua | Fatah | Jerusalém | Família com múltiplos membros presos; símbolo de resistência familiar. |
| Muhammad Yusuf Abdul Jawad al-Shammasneh | Sim | 12/11/1993 | 1 | Perpétua | Hamas | Jerusalém | Preso no mesmo dia que o irmão; envolvido em rede de apoio ao Hamas. |
| Alaa al-Din Fahmi Fahd al-Karaki | Sim | 17/12/1993 | 1 | Perpétua | Fatah | Hebron | Ativista de Hebron, região de assentamentos israelenses; serviu mais de 30 anos. |
| Ayman Abdul Majid Ashour Sider | Sim | 13/05/1995 | 1 | 30 | Hamas | Jerusalém | Sentença por ataques nos anos 90; conhecido por recusa em colaborar com interrogatórios. |
| Mahmoud al-Ardah | Não | 1993 | Múltiplas | Perpétua | Islâmica Jihad | Jenin | Líder da “Operação Túnel da Liberdade” (fuga de Gilboa em 2021); ícone de resistência prisional. |
| Ayham Kamamji | Não | 2007 | 9 | Perpétua | Hamas | Jenin | Companheiro de al-Ardah na fuga de prisão; escapou de Gilboa e foi recapturado. |
| Kamil Abu Hanish | Sim | 1990s | 9 | Perpétua | PFLP | Não especificado | Escritor e líder do PFLP; condenado por múltiplos ataques; autor de obras sobre prisões. |
| Bassem Khandaqji | Sim | 2000s | 3 | Perpétua | Fatah | Nablus | Romancista palestino, vencedor do Prêmio Internacional de Ficção Árabe; preso por escrita política. |
A lista completa, com 250 entradas, destaca prisioneiros como Mahmoud Issa, criador de células Al-Qassam dedicadas à libertação de detidos, que esteve preso desde 1993 e é estudante e escritor palestino. Outros incluem veteranos de quase 40 anos de prisão, refletindo o ciclo prolongado de detenção administrativa israelense, que afeta milhares anualmente.
Quantos Palestinos Israel Não Está Libertando? O Escala da Detenção em Massa
Milhares de palestinos ainda permanecem atrás das grades, com o sistema prisional israelense expandindo drasticamente desde o início do conflito. De acordo com a Addameer, uma organização palestina de direitos humanos especializada em monitoramento de prisioneiros políticos, o número de detidos saltou de 5.200 em outubro de 2023 para 11.100 atualmente, um aumento de mais de 100%, com a vasta maioria – cerca de 9.000 – oriunda da Cisjordânia ocupada, incluindo 400 crianças e adolescentes detidos sob acusações vagas de “segurança” ou sem julgamento. Essas detenções em massa visam enfraquecer a coesão social palestina, com crianças frequentemente presas por jogar pedras ou participar de protestos, enfrentando interrogatórios coercitivos e isolamento.
Murad Jadallah, pesquisador sênior do grupo de direitos humanos palestino Al-Haq, afirmou à Al Jazeera que “Israel emprega uma estratégia multifacetada para desmantelar a sociedade palestina, e a prisão de crianças é uma ferramenta chave nesse arsenal, visando traumatizar gerações futuras e suprimir qualquer forma de resistência não violenta ou cultural.” Relatórios da ONU corroboram isso, destacando que mais de 10.000 palestinos foram detidos desde 2023, muitos em “prisões secretas” sem acesso a advogados ou famílias.
Uma Vez Libertado, o Prisioneiro Fica Livre de Verdade? O Padrão de Reprisões
Não, a liberdade é frequentemente ilusória e temporária no contexto da ocupação israelense. Israel tem um histórico documentado de re prender palestinos logo após libertações em trocas de prisioneiros, usando isso como mecanismo de pressão política e bargaining em negociações futuras. Tahani Mustafa, especialista em relações Israel-Palestina no Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), explicou à Al Jazeera que, em novembro de 2023, dos 240 palestinos liberados em troca de reféns israelenses durante o primeiro cessar-fogo, pelo menos 30 foram re presos semanas depois, sob pretextos como “violação de conduta” ou novas acusações fabricadas.
“Israel utiliza o sistema carcerário como uma arma política de longo alcance, não apenas para punir, mas para controlar populações inteiras e preparar terreno para barganhas subsequentes”, observou Mustafa, adicionando que “não existe qualquer garantia legal ou internacional de que os libertados nessa troca atual não sofram o mesmo destino, especialmente com a instabilidade do cessar-fogo”. Exemplos históricos incluem prisioneiros da troca de 2011 (Gilad Shalit por 1.027 palestinos), dos quais dezenas foram re detidos nos anos seguintes. Essa prática viola convenções internacionais como os Protocolos de Genebra, mas raramente enfrenta accountability internacional.
Todos os Detidos Podem Voltar para Casa? O Drama do Exílio Forçado
A maioria dos 1.718 detidos de Gaza já foi libertada e retornou via a passagem de Rafah para o Egito, antes de serem transportados de volta à faixa, onde famílias e multidões os aguardavam em cidades como Khan Younis, com equipes médicas preparadas para avaliações imediatas. No entanto, dos 250 prisioneiros de sentenças longas, apenas 96 voltam para a Cisjordânia ou Gaza, enquanto cerca de 154 enfrentam exílio forçado para países terceiros, uma medida que analistas como Tamer Qarmout, professor de política na Doha Institute, classificam como “ilegal e desumana, transformando uma prisão pequena em uma prisão maior longe da comunidade e da família”.
Segundo a agência de notícias oficial palestina WAFA e confirmada por fontes israelenses, esses 154 foram inicialmente transferidos para o Egito via Rafah, mas seu destino final inclui nações como Tunísia, Argélia e Turquia, semelhantes a exílios em trocas anteriores de janeiro de 2025. Famílias expressaram choque e tristeza ao descobrir o exílio, com muitos impedidos de acompanhar seus entes queridos devido a restrições de viagem impostas por Israel e falta de vistos. Israel pode ainda atrasar libertações plenas até recuperar todos os 28 corpos de reféns israelenses, com o Hamas alertando para dificuldades em localizar alguns em meio aos escombros de Gaza, mas comprometendo-se com buscas ativas nas próximas 72 horas. Em Khan Younis, milhares se reuniram para receber principalmente civis, incluindo médicos e paramédicos sequestrados de hospitais como o Kamel Adwan, muitos dos quais relataram anos de humilhação e fome em detenção.
Milhares de Famílias Felizes Hoje? Alegria Mista com Ameaças e Luto
Sim, há uma onda de reunificação familiar e alívio palpável, mas temperada por restrições severas e incertezas. Em Gaza e na Cisjordânia, famílias se reuniram em hospitais e pontos de ônibus, com multidões cantando e distribuindo doces, apesar de ordens explícitas de Israel para não celebrar as libertações nem hastear bandeiras palestinas na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental. Forças israelenses distribuíram panfletos em vilarejos e campos de refugiados, advertindo que “qualquer um apoiando organizações terroristas pode ser preso”, levando a dispersões com gás lacrimogêneo e balas de borracha em locais como colinas próximas à prisão de Ofer, perto de Ramallah. Um morador de Gaza resumiu à Associated Press: “Estávamos felizes pelos nossos prisioneiros – e pelos israelenses também. Amamos a paz e o armistício.”
No entanto, famílias de exilados enfrentam o luto de separações permanentes, com proibições israelenses para viagens ao exterior e barreiras burocráticas em países receptores. Murad Jadallah, do Al-Haq, enfatizou à Al Jazeera que, apesar da alegria, “a maioria dos palestinos vê essa troca como um possível fim permanente à guerra genocida de Israel em Gaza, mas com decepção pela exclusão de líderes chave”. Palestinos lamentam profundamente a ausência de figuras icônicas como Marwan Barghouti, do Fatah, conhecido como o “Mandela palestino” e preso desde 2002 por suposto envolvimento em ataques durante a Intifada, servindo cinco penas perpétuas e sendo visto como potencial presidente da Autoridade Palestina. Da mesma forma, Ahmed Saadat, secretário-geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina (PFLP), preso desde 2006 por ordenar o assassinato de um ministro israelense, permanece confinado apesar de apelos internacionais.
O renomado médico palestino Hussam Abu Safia, sequestrado do Hospital Kamel Adwan em dezembro de 2024 enquanto tratava pacientes sob bombardeios, também não foi incluído; monitores de direitos humanos relatam que ele sofreu tortura severa, confinamento solitário prolongado e interrogatórios médicos coercitivos, tornando sua detenção um símbolo das violações em instalações de saúde de Gaza. Essa troca, embora um passo para a paz, destaca as assimetrias profundas no conflito, com esperanças de que negociações futuras, possivelmente na cúpula do Egito, abordem libertações totais e um fim à ocupação.
A informação é recolhida da Al Jazeera e da BBC.
