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16 Projetos de Energia Verde: Solar, Eólica E Armazenamento Em Moçambique Em 2026

A paisagem energética de Moçambique está a passar por uma transformação histórica. O país, há muito dependente da hidroeletricidade, está a diversificar a sua matriz com uma velocidade impressionante. Ao olharmos para o horizonte de 2026, a nação posiciona-se como um líder regional na África Austral em energias renováveis.

O governo moçambicano, através da estratégia “Energia para Todos” (ProEnergia), estabeleceu a meta ambiciosa de acesso universal à eletricidade até 2030. Para alcançar este objetivo, o ano de 2026 serve como um marco crucial. É neste ano que muitos projetos, atualmente em construção ou fase final de planeamento, estarão a fornecer energia limpa à rede nacional.

Este artigo detalha 16 projetos e iniciativas fundamentais de energia verde — abrangendo solar, eólica e armazenamento de energia em baterias (BESS) — que estão a definir o futuro sustentável de Moçambique. Vamos explorar como estas infraestruturas não só iluminam casas, mas também impulsionam a economia.

O Panorama da Energia Renovável em Moçambique

Moçambique possui um dos maiores potenciais de energia renovável em África. Historicamente, a Barragem de Cahora Bassa foi a espinha dorsal da produção. No entanto, as secas recentes e as mudanças climáticas mostraram os riscos da dependência excessiva da água.

A resposta tem sido uma aposta agressiva na energia solar e eólica. O programa PROLER (Promoção de Leilões de Energias Renováveis) tem sido fundamental para atrair investimento privado, garantindo transparência e preços competitivos. Em 2026, a integração destas fontes será mais visível do que nunca.

Tabela: Potencial Estimado de Renováveis em Moçambique

Fonte de Energia Potencial Estimado Estado Atual
Solar 23.000 GW Em rápido crescimento
Eólica 4.5 GW Projetos piloto em desenvolvimento
Hídrica 12 GW (aproveitável) Fonte dominante
Biomassa 2 GW Utilização tradicional e moderna

Projetos de Energia Solar Fotovoltaica: A Grande Aposta

A energia solar é a solução mais rápida e económica para expandir a rede elétrica em Moçambique. A geografia do país oferece excelente irradiação solar, especialmente no Norte e no Centro. Abaixo, destacamos os principais projetos que compõem a nossa lista.

1. Central Solar de Metoro (Cabo Delgado)

Embora inaugurada antes de 2026, a Central de Metoro continua a ser uma referência vital. Com uma capacidade de 41 MW, é um dos maiores projetos solares do país. Em 2026, a sua operação estará consolidada, fornecendo energia estável para a região norte, frequentemente afetada por instabilidade na rede. Este projeto provou que é possível desenvolver grandes infraestruturas em zonas desafiantes.

2. Central Solar de Mocuba (Zambézia)

Como o primeiro projeto solar à escala de utilidade pública em Moçambique (40 MW), Mocuba abriu o caminho. Para 2026, espera-se que a central continue a operar com eficiência máxima, servindo como modelo de manutenção e gestão para os novos parques. A experiência adquirida aqui foi vital para os projetos subsequentes.

3. Central Solar de Cuamba (Niassa)

Este é um projeto pioneiro. Com 19 MW de capacidade solar, distingue-se por incluir armazenamento de energia (veremos mais detalhes na secção de armazenamento). Situada no Niassa, uma província que sofre com finais de linha de transmissão fracos, a central de Cuamba é essencial para estabilizar a voltagem local.

4. Central Solar de Dondo (Sofala) – PROLER

Um dos projetos bandeira do programa PROLER. Prevê-se que esta central, com cerca de 30 MW, esteja plenamente operacional em 2026. Localizada perto da cidade da Beira, é estratégica para fornecer energia ao corredor económico do centro do país, reduzindo a dependência de transmissão de longa distância.

5. Central Solar de Lichinga (Niassa) – PROLER

Outra iniciativa crucial do PROLER. Lichinga, a capital do Niassa, necessita urgentemente de reforço energético. Este projeto planeado visa adicionar capacidade significativa à rede local, promovendo o desenvolvimento industrial e agrícola numa das zonas mais férteis do país.

6. Central Solar de Manje (Tete)

Localizada na província de Tete, conhecida pelo calor intenso e alta irradiação, a Central de Manje é mais uma aposta do leilão de renováveis. Tete é o “coração energético” devido a Cahora Bassa, mas a diversificação solar local permite libertar mais capacidade hídrica para exportação ou uso noutras regiões.

7. Central Solar de Mecúfi (Cabo Delgado)

Este projeto de menor escala, mas de grande impacto, foca-se no desenvolvimento local em Cabo Delgado. Visa aumentar a resiliência energética numa zona que necessita de reconstrução e desenvolvimento económico rápido para promover a estabilidade social.

8. Central Solar de Nacala

Nacala é um porto estratégico e uma zona económica especial. A central solar planeada para esta região visa reduzir os custos operacionais das indústrias e do porto, substituindo geradores a diesel caros e poluentes por energia limpa.

Resumo dos Projetos Solares Principais

Projeto Província Capacidade (aprox.) Destaque
Metoro Cabo Delgado 41 MW Operação consolidada
Mocuba Zambézia 40 MW O pioneiro
Cuamba Niassa 19 MW Híbrido com Baterias
Dondo Sofala 30 MW Iniciativa PROLER
Lichinga Niassa 30 MW Reforço do Norte

Projetos de Energia Eólica: Ventos de Mudança

Moçambique tem um excelente potencial eólico, especialmente nas províncias do sul (Maputo e Inhambane) e nas zonas costeiras. Embora o desenvolvimento seja mais complexo que o solar, 2026 verá avanços significativos.

9. Parque Eólico de Namaacha (Maputo)

Este é o projeto eólico mais aguardado e o primeiro à escala de utilidade pública. Localizado perto da fronteira com Eswatini, aproveita os ventos fortes da escarpa dos Libombos.

  • Capacidade Prevista: Cerca de 120 MW (em fases).
  • Impacto em 2026: Espera-se que esteja a injetar energia na rede, diversificando a matriz que alimenta a capital, Maputo, e as indústrias vizinhas (como a Mozal).

10. Projetos Eólicos de Inhambane (Jangamo/Inharrime)

A província de Inhambane tem um vasto potencial turístico e agrícola. Estudos indicam um excelente recurso eólico na costa. Projetos nesta região, ainda que em fases de viabilidade ou desenvolvimento inicial até 2026, são cruciais para descentralizar a geração eólica, que não deve ficar restrita apenas ao sul profundo.

11. Potencial Eólico de Tete (Songo)

Surpreendentemente, as terras altas perto de Songo também mostram potencial. Pequenos projetos ou estudos pilotos nesta área visam complementar a geração hídrica, aproveitando os ventos noturnos quando o solar não está disponível.

Armazenamento de Energia (BESS): A Chave da Estabilidade

A intermitência (o facto de o sol não brilhar à noite e o vento não soprar sempre) é o maior desafio das renováveis. É aqui que entra o Armazenamento de Energia em Baterias (BESS). Em 2026, Moçambique estará a liderar a adoção desta tecnologia na região.

12. Sistema de Armazenamento de Cuamba

Associado à central solar de Cuamba, este sistema de 2 MW / 7 MWh é vital. Permite que a energia captada durante o pico do sol seja injetada na rede durante as horas de ponta da noite (18h-20h), suavizando a curva de procura.

13. BESS para Estabilidade da Rede (EDM)

A Eletricidade de Moçambique (EDM) tem planos para instalar baterias independentes em subestações críticas. O objetivo não é apenas armazenar energia renovável, mas também regular a frequência da rede e evitar “apagões” em zonas onde a linha de transmissão é instável.

14. Baterias de Nacala

Para suportar a indústria pesada em Nacala, estuda-se a implementação de sistemas de armazenamento que garantam qualidade de energia (power quality), vital para fábricas de cimento e processamento.

Soluções Off-Grid e Mini-Redes

Nem todos os projetos de energia verde estão ligados à rede nacional. Para alcançar a meta de 2030, as soluções fora da rede são indispensáveis.

15. Mini-Redes Verdes da FUNAE

O Fundo de Energia (FUNAE) gere uma vasta carteira de mini-redes hídricas e solares. Em 2026, prevê-se a expansão e modernização de dezenas destas redes em zonas rurais isoladas. Estas funcionam como “ilhas energéticas”, fornecendo energia a vilas inteiras que a rede nacional não alcança.

16. Sistemas Solares Residenciais (SHS) em Massa

Considerado um “megaprojeto” descentralizado, a distribuição massiva de kits solares domésticos (Pay-as-you-go) é apoiada por parceiros internacionais. Até 2026, milhões de moçambicanos terão acesso a luz e carregamento de telemóvel através destes pequenos sistemas, reduzindo o uso de querosene e pilhas descartáveis.

Impacto Económico e Social

A implementação destes 16 projetos e iniciativas traz benefícios que vão muito além da luz elétrica.

Criação de Emprego Local

A construção de parques solares e eólicos exige mão de obra intensiva. Embora a fase de operação exija menos pessoal, a manutenção e a segurança criam empregos permanentes e qualificados. Além disso, a disponibilidade de energia permite o surgimento de pequenos negócios locais (moageiras, soldaduras, lojas com refrigeração).

Redução da Fatura de Importação

Ao gerar a sua própria energia de forma eficiente, Moçambique reduz a necessidade de importar eletricidade da África do Sul (Eskom) durante picos de consumo, poupando divisas importantes para o Estado.

Resiliência Climática

Diversificar com solar e eólico protege o país. Se houver uma seca que afete as barragens, o sol continua a brilhar. Se houver ciclones que afetem o norte, os projetos do sul continuam a operar. Esta redundância é vital para a segurança nacional.

Desafios e Oportunidades Futuras

Apesar do otimismo para 2026, existem obstáculos que o setor deve superar.

Infraestrutura de Transmissão

Gerar energia é apenas metade da batalha; é preciso transportá-la. A rede de transmissão de Moçambique precisa de modernização urgente (projeto STE – Sociedade de Transporte de Energia) para escoar a energia do norte (onde é gerada) para o sul (onde é consumida).

Financiamento e Garantias

Os projetos de energia verde exigem capital inicial elevado. O governo e a EDM precisam de continuar a fornecer garantias financeiras sólidas para atrair Investimento Direto Estrangeiro (IDE), mantendo a confiança dos promotores internacionais.

Tabela: Desafios vs. Soluções

Desafio Solução Proposta
Rede Antiga Investimento em linhas de alta tensão (Espinha Dorsal)
Intermitência Investimento em BESS (Baterias)
Custo Inicial Leilões PROLER para baixar tarifas
Acesso Rural Mini-redes e Sistemas Solares Domésticos

Considerações Finais

Ao analisarmos estes 16 projetos e iniciativas de energia verde para 2026, fica claro que Moçambique está no caminho certo. A combinação estratégica de grandes centrais solares, o início da exploração eólica em Namaacha e a introdução inteligente de armazenamento em baterias criam uma rede mais robusta e limpa.

O sucesso destes projetos depende não apenas da tecnologia, mas da vontade política e da estabilidade regulatória. Se o ritmo atual se mantiver, Moçambique não será apenas autossuficiente, mas um verdadeiro pólo de energia verde na África Austral, exportando eletrões limpos para os vizinhos e garantindo um futuro brilhante para os seus cidadãos. A energia verde deixou de ser uma promessa; em 2026, será a realidade que move a economia moçambicana.

Perguntas Frequentes (FAQ)

  1. Qual é o maior projeto solar em Moçambique atualmente?

Atualmente, a Central Solar de Metoro, com 41 MW, é uma das maiores em operação. Contudo, novos projetos do programa PROLER poderão igualar ou superar esta capacidade nos próximos anos.

  1. O que é o programa PROLER?

O PROLER (Promoção de Leilões de Energias Renováveis) é um mecanismo governamental que lança concursos públicos para a construção de centrais de energia renovável. O objetivo é garantir transparência e obter o preço mais baixo possível por quilowatt-hora.

  1. Moçambique usa energia eólica?

Sim, o país está a começar a explorar este recurso. O Parque Eólico de Namaacha é o projeto pioneiro de grande escala que deverá marcar a entrada significativa desta tecnologia na rede nacional.

  1. Como funciona o armazenamento de energia em Cuamba?

A central de Cuamba possui baterias que carregam durante o dia com o excesso de sol. Quando o sol se põe e o consumo das famílias aumenta (pico noturno), as baterias descarregam essa energia na rede, evitando o uso de geradores poluentes.

  1. A energia solar é mais barata que a hídrica em Moçambique?

A energia hídrica antiga (como Cahora Bassa) é muito barata. No entanto, construir novas barragens é caro e demora décadas. A energia solar tornou-se a fonte de nova energia mais barata e rápida de instalar, complementando perfeitamente a hídrica.