‘Unir o Reino’: Massivas protestos anti-imigração agitam Londres; policiais ‘agredidos com chutes, socos’ – Tudo o que você precisa saber
Milhares de pessoas inundaram as ruas de Londres no sábado, 28 de setembro de 2024, em um dos maiores protestos anti-imigração dos últimos anos, organizado pelo controverso ativista de extrema-direita Tommy Robinson. O evento, batizado de “Unite the Kingdom”, atraiu uma multidão estimada entre 110 mil e 150 mil participantes, superando as expectativas iniciais e levando a tensões com a polícia, com relatos de agressões físicas e arremessos de objetos, conforme confirmado pela Polícia Metropolitana de Londres e por agências de notícias respeitadas como The Guardian, BBC e Associated Press.
As cenas em Londres transformaram a capital britânica em um epicentro de ansiedades nacionais sobre imigração, identidade cultural e liberdade de expressão. Tommy Robinson, cujo nome verdadeiro é Stephen Yaxley-Lennon, promoveu o ato como um “festival pela liberdade de expressão”, convidando apoiadores de todo o país que viajaram de trem e ônibus para se juntar à marcha. No entanto, o que começou como uma manifestação pacífica evoluiu para discursos carregados de teorias conspiratórias racistas e retórica anti-muçulmana, proferidos em Whitehall, o coração do governo britânico. A polícia relatou incidentes específicos de violência: oficiais foram socados, chutados e atingidos por garrafas lançadas das margens da multidão. Para gerenciar a situação, mais de 1.000 policiais foram destacados, incluindo unidades especializadas com capacetes e escudos anti-motim, que intervieram em momentos de escalada. Apesar do tamanho impressionante da multidão, o protesto não superou em escala a marcha pró-Palestina de novembro de 2023, que reuniu cerca de 300 mil pessoas em Londres, destacando o contraste entre diferentes movimentos sociais no Reino Unido. Em paralelo, um contraprotesto chamado “March Against Fascism”, organizado pelo grupo antirracista Stand Up To Racism, mobilizou aproximadamente 5 mil participantes, que se posicionaram contra o que viam como fascismo e xenofobia crescentes.
Foco Anti-Imigração e Figuras Proeminentes
Tommy Robinson, de 41 anos, é uma figura central na extrema-direita britânica, tendo fundado a English Defence League (EDL) em 2009, um grupo conhecido por suas campanhas anti-islâmicas e protestos frequentemente violentos. Após deixar a EDL em 2013, ele continuou a ganhar notoriedade através de mídias sociais e ativismo, acumulando condenações por crimes como fraude hipotecária e contempt of court, o que o levou a prisões repetidas. No “Unite the Kingdom”, Robinson apresentou o evento como uma defesa da liberdade de expressão, mas os discursos rapidamente se voltaram para críticas à imigração, ecoando narrativas de “grande substituição” – uma teoria conspiratória que alega uma substituição deliberada de populações europeias por imigrantes não brancos. Oradores convidados, incluindo políticos de extrema-direita da Europa, reforçaram essa mensagem. O francês Eric Zemmour, ex-candidato presidencial e fundador do partido Reconquête, declarou: “Nós estamos sujeitos ao mesmo processo de grande substituição dos nossos povos europeus por povos vindos do sul e de cultura muçulmana; vocês e nós estamos sendo colonizados pelas nossas antigas colônias”. Essa retórica ressoa com movimentos semelhantes na França e em outros países europeus, onde Zemmour tem sido criticado por promover visões islamofóbicas, conforme analisado por fontes como o Le Monde e o The New York Times.
Elon Musk, o bilionário sul-africano CEO da Tesla e proprietário da plataforma X (ex-Twitter), contribuiu com uma mensagem em vídeo, intensificando as críticas ao governo do Reino Unido. Ele afirmou: “Há algo bonito em ser britânico, e o que vejo acontecendo é uma destruição da Grã-Bretanha, inicialmente uma erosão lenta, mas uma erosão que aumenta rapidamente com a migração maciça e descontrolada”. Musk, que tem se envolvido cada vez mais em debates políticos globais, usou sua influência para amplificar o evento, compartilhando atualizações em tempo real na X, o que ajudou a atrair mais atenção midiática. Robinson, por sua vez, dirigiu-se diretamente à multidão, alegando que migrantes recebem tratamento preferencial nos tribunais em comparação com os “cidadãos britânicos que construíram esta nação”, uma declaração que ignora evidências de relatórios do Ministério da Justiça britânico, que mostram que o sistema judiciário lida com casos de asilo de forma rigorosa, com taxas de aprovação abaixo de 50% em muitos anos.
Esses protestos não surgem do vácuo; eles são alimentados por debates nacionais sobre a migração irregular pelo Canal da Mancha. De acordo com dados oficiais do Home Office britânico, mais de 25 mil pessoas cruzaram o canal em pequenos barcos em 2024 até setembro, um aumento em relação aos anos anteriores, apesar de esforços do governo para deter as travessias. O verão de 2024 foi marcado por protestos anti-imigração fora de hotéis que abrigam solicitantes de asilo, desencadeados pela condenação de um homem etíope por agressão sexual a uma menina de 14 anos em Londres. Esses incidentes escalaram para violência em cidades como Rotherham e Middlesbrough, resultando em mais de 1.000 prisões, conforme relatado pela BBC e pelo The Times. O governo do primeiro-ministro Keir Starmer, do Partido Trabalhista, que assumiu o poder em julho de 2024, tem prometido uma abordagem mais “pragmática” à imigração, incluindo acordos com países de origem para retornos mais rápidos, mas críticos como Robinson acusam o governo de inação.
Bandeiras, Slogans e Reações Sociais
O protesto “Unite the Kingdom” foi marcado por símbolos nacionais: participantes carregavam bandeiras de São Jorge (o padroeiro da Inglaterra) e a Union Jack, cantando repetidamente “queremos nosso país de volta”. Esse uso de bandeiras tem se intensificado no Reino Unido nos últimos meses, especialmente após eventos como os distúrbios de verão, onde elas foram vistas tanto como expressões de orgulho patriótico quanto como emblemas de nacionalismo exclusivista, de acordo com análises do Instituto de Pesquisa Social YouGov e relatórios do The Guardian. Cartazes exibidos incluíam frases diretas como “parem os barcos”, “mandem eles para casa” e “chega, salvem nossas crianças”, refletindo temores sobre segurança pública e sobrecarga de serviços sociais.
Do outro lado, os contraprotestantes do “March Against Fascism” responderam com mensagens de solidariedade, carregando cartazes como “refugiados bem-vindos” e “esmaguem a extrema-direita”, enquanto entoavam “levantem-se, lutem de volta”. A multidão de Robinson, por vezes, dirigia insultos grosseiros ao primeiro-ministro Keir Starmer, chamando-o de “traidor” e expressando apoio ao ativista conservador americano Charlie Kirk, fundador da Turning Point USA, que faleceu em circunstâncias não relacionadas em 2024. Esses confrontos verbais e físicos destacam divisões profundas na sociedade britânica, com pesquisas recentes do Pew Research Center indicando que 45% dos britânicos veem a imigração como uma ameaça à identidade nacional, enquanto 55% apoiam políticas mais inclusivas.
O evento terminou sem uma escalada em massa de violência, mas deixou um legado de debate sobre o equilíbrio entre liberdade de expressão e incitamento ao ódio. Organizações como a Hope Not Hate, que monitoram grupos de extrema-direita, alertaram que protestos como esse podem incentivar mais incidentes de racismo, com relatórios mostrando um aumento de 25% em crimes de ódio contra muçulmanos no Reino Unido em 2024. O governo Starmer respondeu reforçando a aplicação de leis contra discursos de ódio, mas críticos argumentam que medidas mais amplas são necessárias para abordar as raízes econômicas e sociais da insatisfação, como desigualdades regionais e pressões sobre o NHS.
