18 empresas inovadoras em FinTech e Pagamentos Digitais em Moçambique em 2026
O panorama financeiro de Moçambique está a atravessar uma transformação digital sem precedentes. À medida que nos aproximamos de 2026, o ecossistema de Fintech e Pagamentos Digitais em Moçambique deixa de ser apenas uma promessa para se tornar o motor central da inclusão financeira no país. Com o apoio proativo do Banco de Moçambique e a implementação de estratégias como a Caixa de Areia Regulatória (Regulatory Sandbox), novas startups e gigantes estabelecidos estão a redefinir a forma como os moçambicanos poupam, investem e transacionam.
Neste artigo, mergulhamos profundamente nas 18 empresas mais inovadoras que estão a moldar o futuro do dinheiro em Moçambique. Desde as onipresentes carteiras móveis até soluções de nicho que digitalizam o “Xitique“, este guia é essencial para investidores, empreendedores e qualquer pessoa interessada na economia digital moçambicana.
O Cenário Fintech em Moçambique: Crescimento e Oportunidade
Antes de listarmos as empresas, é crucial entender o terreno. Moçambique tem visto uma explosão no uso de dinheiro móvel, impulsionada pela penetração de telemóveis e pela necessidade de alternativas ao sistema bancário tradicional. A interoperabilidade entre as principais carteiras digitais foi um marco decisivo, permitindo que o dinheiro flua livremente entre diferentes operadores e bancos.
Dados Rápidos do Mercado (Estimativas 2024-2025)
| Indicador | Estatística Chave |
| Penetração de Carteiras Móveis | Mais de 60% da população adulta |
| Agentes de Dinheiro Móvel | > 200.000 em todo o país |
| Regulação | Sandbox Regulatório do Banco de Moçambique (6ª Edição em 2025) |
| Tendência Principal | Digitalização de pagamentos informais e serviços B2B |
Agora, vamos conhecer os protagonistas desta revolução.
As “Três Grandes”: Carteiras Móveis que Dominam o Mercado
Não se pode falar de fintech em Moçambique sem mencionar os titãs que construíram as estradas digitais onde o dinheiro circula.
1. M-Pesa (Vodacom)
O M-Pesa não é apenas um serviço; é quase um sinónimo de dinheiro em Moçambique. Operado pela Vodacom, continua a ser o líder incontestado de mercado. A sua inovação constante vai além das transferências simples. Em 2025 e 2026, o foco expandiu-se para micro-empréstimos, seguros e a integração profunda com o comércio formal e informal. A sua vasta rede de agentes garante que, mesmo nas zonas rurais mais remotas, o serviço financeiro esteja acessível.
2. e-Mola (Movitel)
A e-Mola tem sido a competidora mais feroz, ganhando terreno rapidamente, especialmente entre os jovens e nas zonas rurais onde a Movitel tem forte cobertura de rede. A sua estratégia de baixo custo e facilidade de uso tornou-a uma favorita para transações do dia-a-dia. A empresa tem investido fortemente em parcerias para pagamentos de serviços públicos e compras em lojas, desafiando a hegemonia do M-Pesa.
3. mKesh (Tmcel)
Como pioneira, a mKesh tem um lugar histórico. Embora tenha enfrentado desafios, a carteira da operadora estatal continua relevante, especialmente para pagamentos de serviços governamentais e dentro do ecossistema da Tmcel. A sua recente reestruturação visa recuperar quota de mercado, focando-se em parcerias estratégicas e na modernização da sua plataforma tecnológica.
Comparativo Rápido das Carteiras Móveis
| Empresa | Foco Principal | Vantagem Competitiva |
| M-Pesa | Ecossistema completo (Empréstimos, Pagamentos) | Maior rede de agentes e aceitação nacional. |
| e-Mola | Acessibilidade e Jovens | Tarifas competitivas e forte cobertura rural. |
| mKesh | Serviços Públicos e Governo | Integração com serviços estatais e tradição. |
Gateways e Agregadores de Pagamento: O Motor do E-commerce
Para que o comércio eletrónico floresça, as empresas precisam de receber pagamentos de forma fácil. É aqui que entram os agregadores, conectando sites e apps ao sistema financeiro.
4. Paytek
A Paytek consolidou-se como um dos principais agregadores de serviços de pagamento em Moçambique. A sua plataforma permite que empresas integrem múltiplas formas de pagamento (M-Pesa, e-Mola, cartões Visa/Mastercard) numa única interface. Para o comércio B2B e grandes faturadores, a Paytek oferece robustez e fiabilidade, sendo essencial para a modernização das cobranças corporativas.
5. Quick-e-Pay
Focada na agilidade, a Quick-e-Pay destaca-se pela facilidade de integração via API para desenvolvedores e startups. A sua solução permite que pequenas e médias empresas (PMEs) comecem a aceitar pagamentos online quase instantaneamente. Eles inovaram ao oferecer soluções via USSD, permitindo pagamentos mesmo sem smartphones, o que é crucial no contexto moçambicano.
6. Multipay
A Multipay é uma força nos bastidores, fornecendo infraestrutura para pagamentos eletrónicos. Conhecida pelas suas soluções de Terminais de Pagamento Automático (POS) e gateways online, é frequentemente a escolha de grandes retalhistas e bancos. A sua tecnologia garante que as transações com cartões e carteiras móveis sejam processadas com segurança e rapidez.
7. Paguei
Uma startup emergente que tem ganhado atenção, a Paguei foca-se na simplificação. O seu objetivo é tornar o ato de “pagar” tão simples quanto enviar uma mensagem. Com uma interface amigável, visa o setor de micro-comerciantes informais que estão a transitar para o formal, oferecendo uma forma digital de gerir as suas vendas diárias sem a complexidade de um sistema bancário tradicional.
Soluções de Nicho e Inovação Social
A verdadeira inovação surge quando a tecnologia resolve problemas específicos do dia-a-dia. Estas empresas encontraram o seu sucesso focando-se em necessidades únicas dos moçambicanos.
8. Roscas (O Xitique Digital)
O “Xitique” (grupos de poupança rotativa) é uma tradição em Moçambique. A Roscas digitalizou esta prática. A sua plataforma permite que grupos de amigos ou familiares gerem os seus ciclos de poupança de forma transparente e segura através do telemóvel. Ao trazer o setor informal para o digital, a Roscas não só protege o dinheiro das pessoas, como também cria um histórico financeiro que pode ser usado para aceder a crédito bancário no futuro.
9. Pagua
A Pagua resolve uma dor de cabeça comum: o pagamento de faturas de água. Começando como uma solução para leitura inteligente de contadores, evoluiu para facilitar pagamentos diretos e gestão de consumo. A sua inovação reside em conectar consumidores e fornecedores de serviços públicos de forma eficiente, reduzindo cortes por falta de pagamento e melhorando a arrecadação.
10. Famba
Originalmente focada em soluções de mobilidade e bilhética, a Famba expandiu o seu ecossistema. Hoje, é uma referência em pagamentos para transportes e, mais recentemente, integrou serviços de saúde e seguros de viagem. A sua app permite que os utilizadores paguem por serviços essenciais em movimento, promovendo uma sociedade com menos dinheiro físico (“cashless”).
11. Nomanini
Embora tenha raízes regionais, a presença da Nomanini em Moçambique é vital. A sua plataforma capacita comerciantes informais, transformando vendedores de rua em agentes bancários. Através dos seus terminais robustos, os comerciantes podem vender tempo de antena, eletricidade e aceitar pagamentos, servindo como a “agência bancária” de muitas comunidades.
Remessas e Conectividade Transfronteiriça
Com muitos moçambicanos a trabalhar na África do Sul e na diáspora, o envio de dinheiro é um setor crítico.
12. Mukuru
A Mukuru é um gigante das remessas na África Austral. Em Moçambique, a sua presença é visível em todo o lado, com cabines laranjas e uma integração profunda com carteiras móveis. Permite que famílias recebam dinheiro do estrangeiro diretamente no telemóvel ou em numerário, sendo uma linha de vida financeira vital para milhares de agregados familiares.
13. Onafriq (Anteriormente MFS Africa)
A Onafriq opera nos bastidores como a “rede das redes”. É a infraestrutura que permite que um utilizador de uma carteira móvel no estrangeiro envie dinheiro para uma carteira M-Pesa em Moçambique instantaneamente. A sua inovação está na interoperabilidade continental, conectando Moçambique ao resto da economia digital africana.
14. Zoona
A Zoona foi pioneira no modelo de “agentes” e, embora o mercado tenha evoluído, continua a ser uma marca relevante, especialmente nas zonas fronteiriças e rurais. Focada em transferências domésticas e transfronteiriças, a sua tecnologia simples e focada no cliente mantém-na como uma opção confiável para quem não tem conta bancária.
Quadro de Soluções de Remessa
| Empresa | Especialidade | Público-Alvo |
| Mukuru | Remessas Internacionais (S.A. -> Moçambique) | Trabalhadores migrantes e famílias. |
| Onafriq | Conectividade B2B | Operadores de dinheiro móvel e bancos. |
| Zoona | Transferências OTC (Over-the-Counter) | População não bancarizada. |
Inovação Bancária e Novos Modelos de Negócio
Os bancos e novos entrantes estão a usar a tecnologia para criar modelos híbridos.
15. Tako Móvel (BCI)
O Tako Móvel é a resposta do BCI (Banco Comercial e de Investimentos) ao dinheiro móvel. Recentemente atualizado e integrado via código USSD (*134#), permite que clientes bancários tenham a agilidade de uma carteira móvel. A sua grande vantagem é a segurança de estar ligado a um banco tradicional, permitindo transferências diretas entre conta bancária e telemóvel sem intermediários.
16. M-Kopa
A M-Kopa revolucionou o acesso a ativos através do modelo “Pay-As-You-Go” (pague conforme o uso). Começando com energia solar, expandiu para smartphones e financiamento digital. Em Moçambique, é uma fintech disfarçada de empresa de produtos: ao permitir que os clientes paguem pequenas quantias diárias via M-Pesa para desbloquear o seu painel solar ou telefone, a M-Kopa cria inclusão financeira e crédito para quem nunca teve histórico bancário.
17. Finclusion Group
Com uma abordagem de neobanco, o Finclusion Group utiliza inteligência artificial para avaliar o risco de crédito. Focam-se em empréstimos baseados em folha de pagamento e serviços financeiros para funcionários públicos e privados. A sua tecnologia permite aprovações de crédito em minutos, preenchendo uma lacuna que os bancos tradicionais, lentos e burocráticos, muitas vezes deixam aberta.
18. Bibi Money
A Bibi Money traz uma tecnologia fascinante: o “SIM-skin”. Trata-se de uma película fina que se cola ao cartão SIM, permitindo serviços de banca móvel criptografados independentemente da operadora de telecomunicações. É uma solução de nicho, mas extremamente inovadora para bancos e instituições que querem oferecer serviços móveis seguros sem depender totalmente das redes das operadoras.
O Futuro: Tendências para 2026 e Além
Ao olharmos para estas 18 empresas, algumas tendências claras emergem para o futuro próximo em Moçambique.
O Papel do Sandbox Regulatório
A iniciativa do Banco de Moçambique de criar um ambiente de testes (Sandbox) foi crucial. Muitas das inovações em Insurtech (seguros digitais) e Robo-advisory (aconselhamento financeiro automatizado) que veremos em 2026 nasceram destes testes controlados em 2024 e 2025. Isso garante que a inovação não comprometa a segurança do sistema financeiro.
Inteligência Artificial e Crédito
Empresas como a Finclusion e a M-Pesa estão a começar a usar dados alternativos (como o histórico de carregamento de celular) para atribuir pontuações de crédito. Isso significa que, no futuro, o seu comportamento digital valerá tanto quanto o seu salário na hora de pedir um empréstimo.
Cibersegurança
Com o aumento das transações digitais, a segurança torna-se primordial. Fintechs e empresas de segurança locais (como a ATHSec, embora focada em cibersegurança geral) tornar-se-ão parceiros indispensáveis para garantir a confiança do consumidor.
Considerações Finais
Moçambique está a posicionar-se não apenas como um consumidor de tecnologia, mas como um palco vibrante de inovação em Fintech e Pagamentos Digitais. A lista destas 18 empresas prova que o mercado é diversificado, indo muito além das transferências básicas de dinheiro.
Temos desde gigantes como o M-Pesa, que mantêm a economia a girar, até inovadores ágeis como a Roscas e a Pagua, que resolvem problemas sociais complexos com código e criatividade. Para o consumidor moçambicano, isto significa mais escolha, custos mais baixos e, acima de tudo, a dignidade de ter acesso a serviços financeiros modernos.
À medida que avançamos para 2026, a colaboração entre reguladores, bancos e estas startups será a chave para desbloquear o verdadeiro potencial económico de Moçambique. O futuro é, sem dúvida, digital.
