14 Economia Circular e Reciclagem Avançada em Angola em 2026
Angola está a viver um momento histórico de transformação. Se olharmos para trás, a economia dependia quase totalmente do petróleo. Mas, ao projetarmos o cenário para 2026, vemos um país que abraça a economia circular e a sustentabilidade como novos motores de crescimento. Não se trata apenas de “reciclar lixo”, mas de criar valor, gerar empregos e proteger a rica biodiversidade angolana.
Em 2026, os frutos das sementes plantadas hoje começarão a ser colhidos. Com o impulso da Expo Recicla e do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2023-2027), o país avança para tecnologias de reciclagem que antes pareciam distantes. Neste artigo, vamos explorar como Angola está a transformar desafios ambientais em oportunidades económicas reais.
O Novo Cenário Legislativo e Governamental para 2026
O governo angolano definiu metas claras. O ano de 2026 será decisivo para a consolidação das políticas iniciadas com o PDN. A grande mudança é a transição de um modelo linear (extrair-usar-deitar fora) para um modelo circular, onde cada resíduo é visto como um recurso.
A Agência Nacional de Resíduos (ANR) tem um papel central. A legislação tornou-se mais rigorosa para empresas poluidoras, mas também mais benéfica para quem investe em tecnologias verdes. Incentivos fiscais e linhas de crédito, muitas vezes apoiadas por fundos internacionais como os da União Europeia, estão disponíveis para startups e indústrias que adotam práticas limpas.
Metas Governamentais para a Sustentabilidade
| Iniciativa | Objetivo Principal para 2026 | Impacto Esperado |
| PDN 2023-2027 | Diversificar a economia fora do petróleo. | Crescimento do PIB “verde”. |
| Política de Resíduos | Aumentar a taxa de tratamento de lixo. | Redução de lixeiras a céu aberto. |
| Parcerias da UE | Financiamento de projetos circulares. | +100 Milhões de Euros investidos. |
Reciclagem Avançada: Além do Plástico Básico
Quando falamos em reciclagem em Angola, muitas vezes pensamos apenas na recolha de latas ou garrafas. Contudo, 2026 marca a entrada de tecnologias de reciclagem avançada. Isso inclui processos químicos que transformam plásticos difíceis em novos materiais de alta qualidade.
Empresas privadas estão a liderar este caminho. A reciclagem “bottle-to-bottle” (transformar uma garrafa usada numa nova) já é uma realidade com empresas como a Glopol. Além disso, o setor de tratamento de águas industriais, com apoio de multinacionais, está a garantir que a água usada nas fábricas possa ser reutilizada, poupando os rios angolanos.
O Potencial do Lixo Urbano
Luanda, com a sua grande população, gera toneladas de resíduos diariamente. Estudos indicam que apenas a província de Luanda poderia gerar mais de 500 milhões de dólares por ano se todo o lixo fosse reciclado.
| Tipo de Resíduo | Método de Reciclagem Avançada | Produto Final |
| Plástico PET | Reciclagem Mecânica e Química | Novas embalagens e têxteis. |
| Resíduos Eletrónicos | Mineração Urbana | Recuperação de ouro e cobre. |
| Águas Residuais | Tratamento Biológico | Água para rega e indústria. |
Mineração Sustentável: O Exemplo dos Diamantes
Angola é famosa pelos seus diamantes. Mas a mineração tradicional pode ser agressiva para o ambiente. O setor mineiro está a mudar radicalmente. Para 2026, a meta das grandes minas (como Catoca e Luele) é reduzir o consumo de água fresca e recuperar as áreas degradadas.
A tecnologia é a grande aliada. Novas técnicas de extração de precisão e sistemas de reciclagem de água permitem que mais de 70% da água usada na lavagem do cascalho seja reaproveitada. Além disso, há um esforço para reflorestar as áreas de exploração, devolvendo o verde à paisagem após o fim das operações.
Práticas Verdes na Mineração
Nota Importante: A sustentabilidade na mineração não é apenas ambiental, é também social. Projetos de 2026 focam-se em garantir que as comunidades locais beneficiem da riqueza mineral sem perderem as suas terras férteis.
- Reuso de Água: Sistemas de circuito fechado para evitar desperdício.
- Recuperação de Solos: Uso de compostagem para tornar a terra fértil novamente.
- Monitorização por Satélite: Uso de IA para controlar o impacto ambiental em tempo real.
Agricultura e Biomassa: Energia que Nasce da Terra
Um dos tesouros escondidos da economia circular em Angola é a agricultura. O país tem um potencial enorme para transformar restos de colheitas em energia. Estamos a falar de biomassa.
Em vez de queimar os restos de milho ou feijão no campo, o que gera fumo e poluição, estes resíduos estão a ser convertidos em “Biochar” (biocarvão). Este material não só gera energia como, quando devolvido ao solo, funciona como um super fertilizante natural. Projetos nas províncias do Huambo e Bié já mostram que é possível produzir alimentos e energia no mesmo ciclo.
Potencial Energético da Biomassa
| Fonte de Biomassa | Aplicação Principal | Benefício Extra |
| Restos Florestais | Eletricidade (Termoelétricas) | Limpeza das matas (evita fogos). |
| Resíduos Agrícolas | Biochar (Fertilizante) | Melhora a retenção de água no solo. |
| Estrume Animal | Biogás (Cozinha e Luz) | Gás de cozinha gratuito para aldeias. |
O Impacto Económico e Social
A transição para a economia circular não é apenas uma questão ambiental; é uma questão de sobrevivência económica. Com a volatilidade dos preços do petróleo, Angola precisa de novas indústrias.
Estima-se que o setor da gestão de resíduos e reciclagem possa criar milhares de “empregos verdes” até ao final de 2026. Estes empregos vão desde a recolha seletiva até engenheiros especializados em biotecnologia. Além disso, ao produzir materiais reciclados internamente, Angola reduz a necessidade de importar matérias-primas, poupando divisas e fortalecendo a moeda nacional, o Kwanza.
Desafios que Ainda Persistem
Apesar do otimismo, o caminho não é isento de obstáculos. A infraestrutura de transporte ainda precisa de melhorias para mover os resíduos de forma eficiente. A educação ambiental da população também é crucial; a separação do lixo em casa ainda não é um hábito comum em todos os bairros.
O governo e as ONGs, como a EcoAngola, têm trabalhado arduamente em campanhas de sensibilização. Para 2026, espera-se que a educação ambiental faça parte integrante do currículo escolar, criando uma nova geração consciente.
Palavras Finais
Ao olharmos para Angola em 2026, vemos um país em plena metamorfose. A economia circular deixou de ser um conceito abstrato de conferências internacionais para se tornar uma prática diária nas ruas de Luanda, nas minas da Lunda Sul e nos campos do Planalto Central.
Esta jornada não é fácil. Exige coragem política, investimento privado e, acima de tudo, uma mudança de mentalidade de cada cidadão. Mas os sinais são claros: o futuro de Angola é verde, resiliente e circular. Quem investir hoje na sustentabilidade, estará a liderar o mercado de amanhã. Angola está a provar que é possível crescer economicamente enquanto se cura o planeta.
