Tecnologia

10 Expansões Do Setor Dos Semicondutores E Da Eletrónica No Brasil Em 2026

O Brasil está à beira de uma transformação histórica em sua infraestrutura tecnológica. Com o mundo ainda se recuperando da crise de chips dos últimos anos, o ano de 2026 promete ser um marco decisivo para a indústria nacional de eletrônicos e semicondutores. Se você acompanha o mercado, já deve ter notado uma movimentação atípica: bilhões de reais em investimentos, retomada de estatais e a chegada de gigantes asiáticas ao solo brasileiro.

Mas o que realmente vai mudar? Não estamos falando apenas de promessas distantes, mas de projetos que já estão em andamento e atingirão sua maturidade operacional em 2026. O governo federal, em parceria com a iniciativa privada, desenhou um mapa ambicioso para reduzir a dependência externa de componentes eletrônicos, focando na “Nova Indústria Brasil”.

Neste artigo, vamos explorar em detalhes as 10 principais expansões que definirão o cenário tecnológico do país. Vamos analisar desde a fabricação de chips avançados para o 5G até a revolução dos carros elétricos na Bahia. Prepare-se para entender como essas mudanças impactarão a economia e a inovação no Brasil.

1. A Retomada Estratégica da CEITEC

A história da CEITEC (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada) é complexa, mas 2026 será o ano de sua verdadeira prova de fogo. Após quase ser liquidada, a estatal, sediada em Porto Alegre, foi reativada com uma nova missão. O governo não quer apenas produzir o “chip do boi” ou passaportes; o foco agora é a transição energética e a mobilidade elétrica.

Para 2026, a expectativa é que a CEITEC esteja operando com novas linhas de produção focadas em semicondutores de potência. Esses componentes são vitais para a conversão de energia em carros elétricos e painéis solares. A estratégia é posicionar a estatal como uma fornecedora essencial para a indústria automotiva nacional, que está se hibridizando rapidamente.

Além disso, a retomada envolve a contratação de novos engenheiros e parcerias internacionais para transferência de tecnologia. O objetivo é que o Brasil domine etapas críticas do design e do “backend” (encapsulamento) de chips, reduzindo a vulnerabilidade do país a crises logísticas globais.

Detalhes do Projeto CEITEC

Característica Detalhe
Localização Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Foco Principal 2026 Semicondutores de potência e eficiência energética
Aplicação Veículos elétricos, híbridos e painéis solares
Status Em processo de reestruturação e modernização de equipamentos
Importância Única fábrica de “frontend” (produção do wafer) da América Latina

2. HT Micron e a Revolução dos Chips 5G

A HT Micron, localizada em São Leopoldo (RS), é um gigante privado que está acelerando seus investimentos. Com o avanço da cobertura 5G no Brasil, a demanda por memórias mais rápidas e compactas explodiu. Para atender a esse mercado em 2026, a empresa está expandindo sua capacidade de produção de chips uMCP (Universal Flash Storage Multi Chips).

Diferente dos chips antigos, o uMCP combina memória RAM e armazenamento em um único pacote minúsculo, essencial para smartphones 5G que precisam de processamento veloz e baixo consumo de energia. O investimento, apoiado pelo BNDES, visa substituir as tecnologias antigas e nacionalizar componentes que antes eram 100% importados da Ásia.

Essa expansão não beneficia apenas o mercado de celulares. A Internet das Coisas (IoT) depende desses chips para conectar geladeiras, carros e máquinas industriais. Em 2026, a HT Micron deve consolidar sua posição como a maior encapsuladora de semicondutores do hemisfério sul.

Expansão da HT Micron

Dados do Investimento Informação
Produto Foco Chips uMCP (Memória + Armazenamento)
Tecnologia Alvo Smartphones 5G e dispositivos IoT
Investimento Estimado Acima de R$ 100 milhões (com apoio BNDES)
Objetivo Estratégico Substituição de importações e domínio tecnológico local
Impacto no Mercado Celulares nacionais com memória de ponta feita no Brasil

3. O Complexo Industrial da BYD na Bahia

Talvez a expansão mais visível para o público geral seja a da BYD em Camaçari, na Bahia. Embora o foco principal seja a montagem de veículos elétricos e híbridos, o impacto na cadeia de eletrônicos é gigantesco. Um carro elétrico moderno usa até três vezes mais semicondutores que um carro a combustão tradicional.

Em 2026, a fábrica da BYD deve atingir a produção completa (regime CKD), o que significa que muitos processos de montagem eletrônica serão feitos localmente. A empresa já sinalizou a intenção de nacionalizar componentes, o que atrairá fornecedores de placas de circuito, sensores e módulos de bateria para a região Nordeste.

Isso cria um novo polo de desenvolvimento eletrônico fora do eixo Sul-Sudeste. A demanda por BMS (Sistemas de Gerenciamento de Bateria) e controladores de motor impulsionará toda uma cadeia de suprimentos secundária, gerando empregos de alta qualificação técnica na região.

Impacto da BYD na Eletrônica

Fator Descrição
Local Camaçari, Bahia (Antiga fábrica da Ford)
Produção 2026 Regime CKD (Montagem completa local)
Componentes Críticos Sensores, módulos de controle, baterias de lítio
Meta de Produção 150 mil a 300 mil veículos/ano (fases progressivas)
Efeito Colateral Criação de um hub de fornecedores de eletrônica automotiva no Nordeste

4. O Novo PADIS: Incentivos até 2026

O PADIS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores) é a espinha dorsal da política fiscal do setor. A grande novidade para o ciclo que se encerra e se renova em 2026 é a expansão do escopo do programa. Antes focado apenas em chips e displays, o programa agora abraça a cadeia de energia solar.

Empresas que fabricam insumos para painéis fotovoltaicos, como encapsulantes e vidros especiais, passaram a ter isenção de impostos (PIS/COFINS e IPI). Isso é crucial para 2026, pois torna a produção nacional de eletrônicos solares competitiva frente aos chineses.

Além disso, o PADIS mantém os incentivos para pesquisa e desenvolvimento (P&D). As empresas são obrigadas a reinvestir parte do faturamento em inovação, o que garante que, até 2026, milhões de reais sejam injetados em laboratórios de universidades e centros de pesquisa brasileiros.

Resumo do PADIS 2026

Benefício Detalhes
Vigência Prorrogado e expandido até o fim de 2026
Novos Itens Insumos para painéis solares e sensores
Tipo de Incentivo Redução a zero de alíquotas de IPI, PIS e COFINS
Contrapartida Investimento obrigatório de 5% do faturamento em P&D
Objetivo Reduzir o Custo Brasil na alta tecnologia

5. Nova Indústria Brasil e a Digitalização

O programa “Nova Indústria Brasil” (NIB) definiu metas claras até 2026 e 2033. Para o curto prazo de 2026, a meta é digitalizar o parque industrial brasileiro. O governo destinou cerca de R$ 58,7 bilhões (incluindo crédito e subsídios) para modernizar as fábricas.

Isso significa uma demanda massiva por eletrônica industrial: CLPs (Controladores Lógicos Programáveis), robôs colaborativos, sensores industriais e sistemas de visão computacional. As fábricas brasileiras de eletrônicos precisarão expandir suas linhas para fornecer o hardware necessário para essa Indústria 4.0.

Não se trata apenas de software, mas do “chão de fábrica” inteligente. Em 2026, espera-se que uma parcela significativa das indústrias de médio e grande porte já tenha integrado sistemas digitais de monitoramento, todos dependentes de hardware eletrônico robusto produzido ou montado no país.

Metas da Nova Indústria Brasil

Meta Ação
Investimento Total R$ 58,7 bilhões previstos para transformação digital
Prazo Curto Resultados tangíveis esperados até 2026
Foco Tecnológico Robótica, IoT Industrial e Big Data
Beneficiários Indústrias de transformação e agroindústria
Hardware Necessário Sensores, atuadores e processadores industriais

6. Smart Modular Technologies e Novos Rumos

A Smart Modular Technologies, uma das empresas mais tradicionais do setor no Brasil (baseada em Atibaia-SP e Manaus-AM), passou por mudanças societárias importantes nos últimos anos, com desinvestimentos de sua matriz (SGH) e novos arranjos de capital. Para 2026, a empresa se posiciona de forma agressiva no mercado de memórias para servidores e data centers.

Com a explosão da Inteligência Artificial, a demanda por módulos de memória de alta performance (DRAM e Flash) nunca foi tão alta. A operação brasileira, que possui tecnologia de ponta em encapsulamento e teste, é estratégica para abastecer os grandes provedores de nuvem que estão instalando data centers no Brasil.

A expectativa é que a empresa diversifique seu portfólio, focando em produtos de maior valor agregado, saindo da “commodities” de memórias simples para módulos empresariais complexos que suportam o processamento de IA.

Perfil da Smart Modular em 2026

Aspecto Situação
Especialidade Módulos de memória DRAM e SSDs
Mercado Alvo Data Centers, Computação em Nuvem e Mobile
Localização Atibaia (SP) e Manaus (AM)
Tendência Foco em memórias de alta densidade para IA
Diferencial Processos avançados de teste e validação local

7. A Cadeia de Componentes Fotovoltaicos

O Brasil é uma potência solar, mas até pouco tempo, importávamos 99% dos componentes. Isso está mudando. Com os incentivos do PADIS mencionados anteriormente, diversas fábricas estão expandindo suas linhas em 2026 para produzir não apenas a montagem do painel, mas os componentes eletrônicos internos, como as caixas de junção e os inversores.

Fabricantes de inversores solares (o “cérebro” do sistema solar) estão nacionalizando a produção. Empresas globais e nacionais estão abrindo linhas de montagem no interior de São Paulo e no Paraná.

Em 2026, a meta é que uma parte considerável dos inversores vendidos no país tenha o selo de produção nacional, garantindo acesso facilitado a financiamentos do BNDES (Finame), o que impulsiona ainda mais o setor.

Nacionalização Solar

Componente Status em 2026
Inversores Aumento da montagem local (SKD/CKD)
Caixas de Junção Início de produção em escala
Controladores Integração com sistemas de smart grid
Incentivo Acesso ao crédito Finame para o consumidor final
Crescimento Impulsionado pela Geração Distribuída

8. Eletrificação Automotiva: Sensores e ECUs

Não é só a BYD. Montadoras tradicionais como Volkswagen, Stellantis (Fiat/Jeep) e Toyota anunciaram ciclos de investimentos recordes no Brasil até 2026/2028, todos focados em carros híbridos flex. Um carro híbrido exige uma eletrônica muito mais sofisticada que um carro comum.

Isso cria uma demanda imediata para fornecedores de ECUs (Unidades de Controle Eletrônico). Empresas como Bosch e Marelli, que já possuem forte presença no Brasil, devem expandir suas linhas de produção de eletrônica embarcada.

A tendência para 2026 é a produção local de sensores de oxigênio inteligentes, controladores de injeção para motores híbridos e sistemas de segurança ADAS (assistência ao motorista) básicos, como sensores de estacionamento e câmeras integradas.

Eletrônica Embarcada

Tecnologia Demanda
ECU Híbrida Gerenciamento simultâneo de motor elétrico e combustão
ADAS Sensores de faixa, frenagem e câmeras
Cockpit Digital Telas e painéis digitais (Infotainment)
Investidores Bosch, Magneti Marelli, Aptiv
Cenário 2026 Popularização de itens premium em carros de entrada

9. Infraestrutura Nacional para o 5G

O leilão do 5G impôs obrigações de cobertura que se intensificam em 2026, chegando a cidades menores e estradas. Para cumprir essas metas, a infraestrutura física (antenas, roteadores, estações rádio-base) precisa ser instalada massivamente.

Empresas como a Intelbras e parcerias com a Ericsson e Huawei estão fortalecendo a montagem local desses equipamentos. A Intelbras, por exemplo, tem investido pesado na produção de CPEs (equipamentos que recebem o sinal 5G) e roteadores de alta performance em Santa Catarina.

Essa expansão reduz o custo de implantação da rede e garante soberania sobre os dados. Em 2026, a produção de equipamentos de rede 5G “Made in Brazil” deve atingir seu pico para atender à demanda das operadoras regionais (ISPs) que estão crescendo rapidamente.

Hardware de Telecomunicações

Equipamento Foco da Produção
Antenas 5G Small cells para densificação urbana
Roteadores (CPE) Recepção de sinal 5G para residências (FWA)
Fibra Óptica Eletrônica para transmissão de dados (OLTs)
Protagonistas Intelbras, Padtec, Datacom
Meta 2026 Cobertura de rodovias e cidades médias

10. Data Centers e a Era da Inteligência Artificial

Por fim, a expansão “invisível” mas poderosa: os Data Centers. O Brasil se tornou o hub de nuvem da América Latina. Grandes empresas (Hyperscalers) estão construindo prédios gigantescos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Embora os chips mais avançados (como as GPUs da NVIDIA) sejam importados, toda a eletrônica de suporte — servidores, racks, sistemas de energia ininterrupta (UPS) e refrigeração de precisão — tem uma cadeia de montagem local em expansão.

Para 2026, espera-se que a montagem de servidores voltados para IA (com arrefecimento líquido, por exemplo) comece a ganhar escala no Brasil, aproveitando incentivos fiscais da Lei de Informática. Isso coloca o país no mapa global da infraestrutura de IA.

Infraestrutura de IA

Segmento Expansão
Servidores Montagem local de racks de alta densidade
Energia UPS e sistemas de gestão de energia críticos
Localização Hubs em Barueri, Campinas e Vinhedo (SP)
Drive Baixa latência para aplicações de IA generativa
Tendência Data Centers “Verdes” e eficientes

Perguntas Frequentes (FAQ)

O Brasil fabrica chips de última geração?

Não. O Brasil é forte na etapa de “backend” (encapsulamento e teste) e design. A fabricação do “wafer” (o chip em si) de última geração (como 3nm ou 5nm) é concentrada em Taiwan e Coreia. O Brasil foca em chips analógicos, sensores e memórias, que são essenciais e têm alta demanda.

O que é o programa PADIS?

É o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores. Ele oferece redução de impostos federais para empresas que produzem chips, displays e componentes solares no Brasil, em troca de investimento em pesquisa e inovação.

A fábrica da BYD vai produzir peças eletrônicas?

Sim. Embora o foco seja a montagem de carros, a nacionalização exige a produção local de componentes. A BYD planeja trazer fornecedores chineses e desenvolver parceiros locais para fabricar partes eletrônicas e baterias na Bahia até 2026.

Por que 2026 é um ano chave?

É o ano em que muitos incentivos fiscais (como a prorrogação do PADIS e a Lei de Informática) estarão maduros, as metas do 5G se ampliam para o interior e as novas fábricas (como a da BYD e a expansão da HT Micron) atingem capacidade operacional plena.