18 Projetos de Energia Verde: Solar, Eólica E Armazenamento No Brasil Em 2026
O cenário energético brasileiro está prestes a passar por uma revolução sem precedentes. Com a previsão de adicionar cerca de 10 GW de nova capacidade solar e eólica até o final de 2026, o país consolida sua posição como superpotência global em energia renovável. Mas não se trata apenas de números; trata-se de projetos reais, tangíveis, que estão saindo do papel agora para iluminar o futuro.
Em 2026, o Brasil não verá apenas a expansão das tecnologias tradicionais. Veremos a maturidade do armazenamento de energia (baterias), o nascimento da indústria do Hidrogênio Verde (H2V) e a integração massiva de complexos híbridos. Se você é investidor, entusiasta da tecnologia ou apenas alguém preocupado com o futuro sustentável, precisa conhecer as iniciativas que moverão a economia nacional nos próximos anos.
Abaixo, detalhamos 18 projetos e iniciativas cruciais de energia verde — abrangendo solar, eólica e armazenamento — que definirão o ano de 2026.
A Revolução Solar: Gigantes do Sol no Nordeste e Sudeste
A energia solar deixou de ser uma promessa para se tornar a protagonista da matriz elétrica brasileira. Grandes complexos estão sendo ampliados para garantir segurança energética em 2026.
1. Complexo Solar de Janaúba (Expansão)
Localizado em Minas Gerais, Janaúba já é um dos maiores parques solares da América Latina. Operado pela Elera Renováveis, o projeto continua recebendo investimentos para otimização e expansão. A previsão é que, até 2026, sua capacidade de injeção na rede seja vital para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste.
2. Parque Solar Arinos (Minas Gerais)
A Voltalia, multinacional francesa, aposta alto no Brasil com o projeto Arinos. Este complexo é estratégico não apenas pelo tamanho, mas pelos contratos de longo prazo (PPA) que garantem sua viabilidade financeira. Em 2026, espera-se que esteja em plena operação comercial, abastecendo grandes indústrias.
3. Complexo Solar Futura (Bahia)
Um projeto ambicioso que exemplifica a força do estado da Bahia na radiação solar. Originalmente desenvolvido pela Focus Energia e adquirido pela Eletrobras, o Futura 1 já é realidade, e as fases subsequentes visam ampliar a capacidade para patamares de Gigawatts, com foco total no Mercado Livre de Energia.
4. Usina Solar São Gonçalo (Piauí)
A Enel Green Power transformou o Piauí em um hub solar. A usina de São Gonçalo utiliza tecnologia de painéis bifaciais, que captam luz de ambos os lados. Para 2026, a eficiência operacional deste parque será referência global em fator de capacidade (quantidade de energia gerada em relação à potência instalada).
5. Projeto Solar Assú Sol (Rio Grande do Norte)
A Engie Brasil Energia investe pesado no Rio Grande do Norte. O projeto Assú Sol não é apenas uma usina fotovoltaica; ele é projetado para operar em sinergia com os parques eólicos da região, estabilizando a rede e aproveitando as linhas de transmissão existentes.
| Projeto | Estado | Empresa Principal | Destaque Tecnológico |
| Janaúba | MG | Elera Renováveis | Escala massiva |
| Arinos | MG | Voltalia | PPAs Corporativos |
| Futura | BA | Eletrobras | Foco no Mercado Livre |
| São Gonçalo | PI | Enel Green Power | Painéis Bifaciais |
| Assú Sol | RN | Engie | Sinergia com Eólica |
A Força dos Ventos: Parques Eólicos Terrestres e Híbridos
O vento é o “petróleo verde” do Brasil. Em 2026, o foco mudará de apenas construir novas torres para criar complexos híbridos inteligentes.
6. Complexo Eólico Lagoa dos Ventos (Piauí)
O maior parque eólico da América do Sul, da Enel Green Power, é um monstro de geração de energia. Com suas expansões contínuas, Lagoa dos Ventos deve atingir sua capacidade máxima e otimizada em 2026, servindo como a espinha dorsal eólica do Nordeste.
7. Serra do Assuruá (Bahia)
A Engie está construindo este que será um de seus maiores ativos no Brasil. Localizado em Gentio do Ouro, o projeto tem previsão de operação comercial robusta para 2026. A infraestrutura criada ali promete gerar milhares de empregos diretos e indiretos na região.
8. Complexo Eólico Rio do Vento (Rio Grande do Norte)
A Casa dos Ventos, uma das maiores desenvolvedoras do país, tem no Rio do Vento sua joia. O diferencial aqui é a venda de energia para grandes consumidores corporativos (como empresas de tecnologia e manufatura) que buscam descarbonizar suas operações até 2026.
9. Cajuína (Rio Grande do Norte)
A AES Brasil desenvolve o Complexo Cajuína com foco total em ESG. O projeto é financiado por “green bonds” e possui contratos de venda de energia que garantem estabilidade a longo prazo. Em 2026, será um modelo de operação sustentável e rentável.
10. Projetos Híbridos (Eólico + Solar)
Esta é uma tendência, não apenas um projeto único. A regulação brasileira avançou para permitir que parques eólicos instalem painéis solares no mesmo terreno, usando a mesma subestação. Em 2026, veremos a “hibridização” de parques como o Complexo Eólico Ventos do Piauí, aumentando a eficiência sem gastar mais com linhas de transmissão.
O Futuro Agora: Hidrogênio Verde e Armazenamento (Storage)
Aqui reside a verdadeira inovação. Enquanto solar e eólica são o presente, o hidrogênio e as baterias são o passaporte do Brasil para 2030, com marcos importantes já em 2026.
11. Hub de Hidrogênio Verde do Pecém (Ceará) – Fortescue
Este é, talvez, o projeto mais aguardado. A australiana Fortescue já avançou com licenças ambientais para sua planta no Porto do Pecém. Embora a operação plena seja esperada para depois de 2027, o ano de 2026 será crucial para a fase de construção e testes iniciais de eletrólise em escala industrial.
12. Planta de H2V da Atlas Agro (Minas Gerais)
Diferente dos projetos focados em exportação, a Atlas Agro planeja produzir hidrogênio verde em Uberaba para fabricar fertilizantes nitrogenados. Isso substitui importações e garante segurança alimentar. A construção deve estar acelerada em 2026.
13. Hub de Hidrogênio de Suape (Pernambuco)
O Porto de Suape também corre para se estabelecer como um polo exportador. Projetos pilotos e parcerias com empresas europeias devem começar a mostrar resultados físicos de infraestrutura portuária adaptada para amônia verde até 2026.
14. BESS (Battery Energy Storage Systems) Pilot – ISA CTEEP
O armazenamento em baterias é a solução para a intermitência das renováveis. A ISA CTEEP inaugurou o primeiro projeto de armazenamento em larga escala na subestação Registro (SP). Em 2026, espera-se a replicação deste modelo em nós críticos da rede nacional para evitar “cortes” de energia (curtailment).
15. Projetos de Baterias da Sungrow e Huawei
Gigantes de tecnologia como Sungrow e Huawei estão fornecendo soluções de BESS para usinas existentes. Em 2026, veremos os primeiros parques híbridos “Solar + Bateria” operando comercialmente na Amazônia (sistemas isolados) e no Nordeste.
Infraestrutura e Políticas Públicas (Novo PAC)
Nenhum projeto de geração para em pé sem linhas de transmissão e apoio governamental.
16. Linhas de Transmissão do Novo PAC
O gargalo do Nordeste é o escoamento de energia. O governo federal, via Novo PAC, leiloou milhares de quilômetros de linhas de transmissão. Em 2026, grandes trechos dessas “estradas de energia” serão entregues, destravando projetos que hoje aguardam conexão.
17. Leilões de Reserva de Capacidade (Potência)
Previstos para ocorrerem antes de 2026, esses leilões contratarão energia não apenas por quantidade, mas por confiabilidade. Isso incentivará projetos renováveis com baterias acopladas, mudando a lógica do mercado.
18. Programa de Descarbonização da Amazônia
Iniciativas para substituir geradores a diesel em comunidades isoladas na Amazônia por sistemas solares com baterias ganharão escala em 2026. É um projeto social e ambiental de impacto imensurável.
| Iniciativa | Tecnologia | Impacto Esperado em 2026 |
| Hub Pecém | Hidrogênio Verde | Obras civis avançadas e testes |
| Atlas Agro | H2V para Fertilizantes | Independência de insumos agrícolas |
| BESS ISA CTEEP | Baterias de Lítio | Estabilidade da rede elétrica |
| Novo PAC | Transmissão | Escoamento da energia do Nordeste |
Por que 2026 é o ano da virada?
O ano de 2026 marca o fim de um ciclo de planejamento e o início de uma era de execução. Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), mais de 240 usinas devem entrar em operação até janeiro de 2026. Isso representa um investimento direto superior a R$ 34 bilhões.
Além disso, a queda no custo dos painéis solares e a estabilização da cadeia de suprimentos pós-pandemia permitiram que projetos engavetados fossem retomados. O Brasil, com sua matriz já limpa, agora busca a liderança na exportação de “commodities verdes”, como o aço verde e a amônia verde.
FAQ – Perguntas Frequentes
- O que é Hidrogênio Verde (H2V)?
É um combustível produzido através da eletrólise da água, usando exclusivamente fontes de energia renovável (como solar e eólica), sem emissão de carbono.
- As baterias vão encarecer a energia em 2026?
Inicialmente, o investimento é alto, mas a tendência é que as baterias reduzam custos a longo prazo, evitando o desperdício de energia solar/eólica e reduzindo a necessidade de acionar termelétricas caras e poluentes.
- Onde ficam os maiores projetos?
A grande maioria dos projetos de geração centralizada (grandes usinas) concentra-se na região Nordeste (Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte e Ceará) e no norte de Minas Gerais, devido aos excelentes índices de irradiação solar e ventos constantes.
- O que é um projeto híbrido?
É uma usina que combina duas ou mais fontes de energia (ex: eólica e solar) no mesmo local, compartilhando a infraestrutura de conexão à rede elétrica para otimizar custos e geração.
Palavras Finais
Ao olharmos para a lista destes 18 projetos de energia verde no Brasil para 2026, fica claro que o país não está apenas “participando” da transição energética global; ele está liderando o pelotão. De usinas solares bifaciais no Piauí a hubs futuristas de hidrogênio no Ceará, o mapa da energia brasileira está sendo redesenhado.
Para o consumidor e o investidor, a mensagem é de otimismo cauteloso. A tecnologia está pronta e os recursos naturais são abundantes. O desafio para 2026 será garantir que a infraestrutura de transmissão acompanhe a velocidade da geração, assegurando que toda essa energia limpa chegue efetivamente às casas e indústrias brasileiras. O futuro é verde, e ele chega mais rápido do que imaginamos.
