14 Pioneiros Em Tecnologia Da Saúde E Saúde Digital Em Moçambique Em 2026
Moçambique está a viver uma revolução silenciosa, mas poderosa. A saúde, um dos setores mais críticos do país, está a ser transformada pela tecnologia. Ao olharmos para 2026, não vemos apenas hospitais e clínicas tradicionais. Vemos aplicações móveis, sistemas de dados inteligentes e próteses feitas de plástico reciclado do oceano.
A digitalização já não é uma promessa futura; é uma realidade presente que salva vidas. Desde Maputo até às zonas rurais de Cabo Delgado, inovadores locais e parceiros internacionais estão a usar a tecnologia da saúde em Moçambique para vencer barreiras históricas.
Neste artigo, vamos destacar os 14 pioneiros — entre startups, instituições e plataformas — que estão a liderar esta mudança e a definir o futuro da medicina no país.
1. Appy Saúde: A Revolução na Palma da Mão
A Appy Saúde é, sem dúvida, o nome mais reconhecido quando se fala em saúde digital no país. O que começou como uma simples lista de farmácias transformou-se num ecossistema completo. Em 2026, a Appy Saúde continua a liderar ao permitir que qualquer moçambicano encontre medicamentos, compare preços e marque consultas médicas através do telemóvel.
| Característica | Detalhe |
| Tipo | Startup Privada |
| Foco Principal | Marcação de consultas e Farmácia Digital |
| Impacto | Maior transparência de preços e acesso facilitado |
2. BioMec: Próteses Sustentáveis
Liderada pela visionária Marta Vânia Uetela, a BioMec é um orgulho nacional. Esta startup utiliza plásticos recolhidos do oceano para criar próteses de alto desempenho. A inovação aqui é dupla: resolve um problema ambiental e devolve a mobilidade a pessoas com deficiência a um custo acessível.
| Característica | Detalhe |
| Fundadora | Marta Vânia Uetela |
| Tecnologia | Impressão 3D e Reciclagem de Plástico |
| Missão | Mobilidade acessível e sustentabilidade |
3. PENSA: Educação para Todos
O PENSA (Plataforma Educativa de Informação sobre a Saúde) prova que a tecnologia não precisa de ser complexa para ser eficaz. A plataforma funciona em telemóveis básicos (via USSD e SMS) e já alcançou milhões de utilizadores. É uma ferramenta vital do Ministério da Saúde para educar a população sobre vacinação, malária e tuberculose.
| Característica | Detalhe |
| Parceiro Técnico | Source Code (Valter Cumbi) |
| Acesso | Gratuito via telemóvel (USSD *660#) |
| Público | População rural e urbana |
4. Jembi Health Systems: Os Arquitetos dos Dados
A Jembi é a força invisível que mantém os sistemas de saúde a funcionar. Eles são especialistas em interoperabilidade, garantindo que diferentes sistemas informáticos dos hospitais “falem” uns com os outros. O seu trabalho no registo civil e estatísticas vitais é fundamental para a tecnologia da saúde em Moçambique.
| Característica | Detalhe |
| Especialidade | Sistemas de Informação (OpenHIE) |
| Projeto Chave | Registo Eletrónico de Pacientes (SIS-MA) |
| Sede | Maputo (com atuação regional) |
5. upSCALE: Apoio aos Agentes Comunitários
Nas zonas rurais, o médico mais próximo pode estar a quilómetros de distância. É aqui que entra o upSCALE. Esta aplicação, desenvolvida pela Malaria Consortium, equipa os Agentes Polivalentes Elementares (APEs) com tablets. A app ajuda-os a diagnosticar doenças e a enviar dados em tempo real para as autoridades de saúde.
| Característica | Detalhe |
| Utilizadores | Agentes Polivalentes Elementares (APEs) |
| Foco | Diagnóstico rural e gestão de dados |
| Benefício | Resposta rápida a surtos de doenças |
6. Ministério da Saúde (MISAU) e o SIS-MA
O Governo de Moçambique não está parado. O SIS-MA (Sistema de Informação de Saúde para Monitoria e Avaliação) é a espinha dorsal digital do Serviço Nacional de Saúde. A transição do papel para o digital nos hospitais públicos é um processo gigante liderado pelo MISAU, permitindo uma melhor gestão de recursos e medicamentos para 2026.
| Característica | Detalhe |
| Entidade | Governo (MISAU) |
| Ferramenta | Plataforma DHIS2 |
| Objetivo | Digitalização nacional de dados clínicos |
7. Instituto Nacional de Saúde (INS)
A ciência precisa de dados. O INS tem sido pioneiro no uso de tecnologias avançadas para a vigilância epidemiológica. Eles utilizam sequenciação genética e bases de dados complexas para entender como as doenças se espalham em Moçambique, sendo cruciais na resposta a pandemias.
| Característica | Detalhe |
| Foco | Investigação e Vigilância |
| Inovação | Observatório Nacional de Saúde |
| Importância | Prevenção de futuras epidemias |
8. Projecto ECHO Moçambique
Como formar médicos em zonas remotas sem os retirar do hospital? O Projecto ECHO usa videoconferência para criar comunidades de aprendizagem. Especialistas em Maputo dão mentoria a clínicos em províncias distantes, discutindo casos complexos de HIV e Tuberculose em tempo real.
| Característica | Detalhe |
| Modelo | Tele-mentoria / Telemedicina |
| Área | Capacitação clínica contínua |
| Impacto | Democratização do conhecimento médico |
9. Universidade Eduardo Mondlane (UEM) – Telemedicina
A UEM, através da sua Faculdade de Medicina, tem sido um berço para a telemedicina. Em parceria com hospitais internacionais, a UEM forma a próxima geração de médicos para usar ferramentas digitais. Eles lideram a investigação sobre como a e-Saúde pode ser aplicada no contexto moçambicano.
| Característica | Detalhe |
| Papel | Académico e Investigação |
| Iniciativa | Rede de Telemedicina |
| Futuro | Formação de e-Doutores |
10. CCS (Centro de Colaboração em Saúde)
O combate ao HIV/SIDA exige um rigoroso controlo de pacientes. O CCS desenvolveu sistemas eletrónicos que permitem seguir o tratamento de milhares de pacientes. Estas ferramentas garantem que os doentes não abandonam a terapia, enviando alertas e gerindo o stock de antirretrovirais.
| Característica | Detalhe |
| Foco | Gestão de HIV/SIDA e Tuberculose |
| Tecnologia | Bases de dados de pacientes (EPTS) |
| Resultado | Melhor adesão ao tratamento |
11. Vodacom M-Pesa
Pode parecer estranho incluir uma carteira móvel, mas o M-Pesa é vital para a saúde. Ele facilita o pagamento de transportes para emergências médicas (através de parceiros) e permite que famílias enviem dinheiro para despesas de saúde. A inclusão financeira é o primeiro passo para o acesso à saúde privada.
| Característica | Detalhe |
| Setor | Fintech / Saúde |
| Uso | Pagamentos e Micro-seguros |
| Alcance | Nacional |
12. PSI (Population Services International)
A PSI inova na forma como comunica. Utilizando chatbots no WhatsApp e campanhas digitais segmentadas, eles promovem a saúde sexual e reprodutiva. A sua abordagem foca-se no consumidor, usando o marketing digital para mudar comportamentos de risco entre os jovens.
| Característica | Detalhe |
| Ferramenta | Chatbots e Redes Sociais |
| Área | Saúde Sexual e Reprodutiva |
| Estratégia | Mudança de comportamento via digital |
13. Friends in Global Health (FGH)
A atuar fortemente na Zambézia, a FGH implementa soluções de mHealth (saúde móvel) para apoiar o tratamento de HIV. Eles trabalham diretamente no terreno, digitalizando registos em unidades sanitárias que, de outra forma, dependeriam inteiramente de papel.
| Característica | Detalhe |
| Região | Zambézia |
| Foco | Apoio Clínico e Comunitário |
| Tecnologia | Tablets para recolha de dados |
14. Source Code
Por trás de grandes plataformas como o PENSA, existe uma equipa técnica. A Source Code, fundada por Valter Cumbi, é uma empresa de tecnologia moçambicana que desenvolve soluções à medida para o setor da saúde. Eles são a prova de que o talento local consegue criar software de classe mundial.
| Característica | Detalhe |
| Fundador | Valter Cumbi |
| Serviço | Desenvolvimento de Software de Saúde |
| Filosofia | Soluções locais para problemas locais |
O Futuro da Saúde em 2026 e Além
À medida que avançamos para o final da década, a tendência é a integração. Estes 14 pioneiros não trabalham isolados. O objetivo para 2026 é criar um Registo Único do Paciente.
Imagine um futuro onde, ao entrar num hospital em Nampula, o médico consegue ver, no seu tablet, o exame que fez em Maputo há dois anos. Isso reduz custos, evita erros e salva vidas. Além disso, a Inteligência Artificial (IA) começará a ajudar os médicos moçambicanos a diagnosticar doenças como a malária e a tuberculose com maior rapidez, usando apenas a câmara de um telemóvel.
Palavras Finais
A lista destes 14 pioneiros mostra que Moçambique não está apenas a assistir à evolução tecnológica; está a participar nela. De startups como a Appy Saúde e BioMec a gigantes institucionais como o MISAU e a Jembi, todos partilham a mesma missão: usar a tecnologia para servir as pessoas.
Para o cidadão comum, isto significa menos tempo em filas, tratamentos mais precisos e acesso a informação de qualidade. A tecnologia da saúde em Moçambique em 2026 é promissora, inclusiva e, acima de tudo, humana. O futuro da saúde é digital, e ele já chegou.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- O que é a saúde digital em Moçambique?
A saúde digital refere-se ao uso de tecnologias, como aplicações móveis, bases de dados eletrónicas e telemedicina, para melhorar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde no país.
- A Appy Saúde funciona em todas as províncias?
Sim, a Appy Saúde tem vindo a expandir a sua rede. Embora a maior concentração de parceiros esteja em Maputo, a plataforma cobre as principais cidades provinciais de Moçambique.
- O sistema PENSA é gratuito?
Sim, o acesso à plataforma PENSA é gratuito para os utilizadores das principais redes móveis em Moçambique.
- Como a BioMec ajuda pessoas com deficiência?
A BioMec cria próteses personalizadas usando plástico reciclado, o que reduz drasticamente o custo de produção, tornando as próteses mais acessíveis para quem não tem grandes recursos financeiros.
- Qual é o papel do governo na saúde digital?
O Ministério da Saúde (MISAU) lidera a estratégia nacional, implementando sistemas como o SIS-MA para garantir que os dados de saúde sejam fiáveis e sirvam para planear melhor o setor.
