12 projetos de energia verde: solar, eólica e armazenamento em Portugal em 2026
Portugal continua a consolidar a sua posição como líder europeu na transição energética. Em fevereiro de 2026, o país não só mantém as suas metas ambiciosas de neutralidade carbónica, como também vê sair do papel infraestruturas gigantescas que combinam inovação tecnológica e sustentabilidade. Com o sol do Alentejo e o vento do Atlântico como combustíveis, o setor vive um momento de ebulição.
Neste artigo, exploramos os projetos de energia verde em Portugal que estão a marcar o ano de 2026. Desde a maior central solar da Europa até às novas fronteiras do hidrogénio verde em Sines e às soluções híbridas de armazenamento, vamos detalhar as iniciativas que estão a transformar a rede elétrica nacional e a economia do país.
Por Que Este Tópico é Importante
Acelerar a transição energética deixou de ser apenas uma meta ambiental para se tornar uma questão de soberania e economia. Em 2026, Portugal enfrenta o desafio de integrar massivamente as renováveis na rede, exigindo não só mais painéis e turbinas, mas também soluções robustas de armazenamento e flexibilidade.
Os projetos listados abaixo não são apenas “obras”; são motores de emprego, inovação tecnológica e independência energética. Eles representam o esforço concertado entre o governo, gigantes energéticos como a EDP, Galp e Iberdrola, e novos players internacionais que veem em Portugal o laboratório perfeito para o futuro da energia.
Top 12 Projetos de Energia Verde em Portugal em 2026
Abaixo, apresentamos uma lista detalhada dos projetos mais impactantes em desenvolvimento, construção ou início de operação este ano.
1. Central Solar Fotovoltaica Fernando Pessoa
A “joia da coroa” da energia solar em Portugal e na Europa. Localizada em Santiago do Cacém, esta central é um marco monumental na capacidade de geração fotovoltaica do país.
Promovida pela Iberdrola em parceria com a Prosolia Energy, a central Fernando Pessoa destaca-se não apenas pela sua dimensão (1.200 MW), mas pela sua capacidade de fornecer energia limpa suficiente para abastecer 430.000 habitações anualmente. Em 2026, o projeto encontra-se numa fase crucial, consolidando a região de Sines como um hub renovável e impulsionando a economia local através da criação de milhares de empregos diretos e indiretos. A sua entrada em operação reduz significativamente a dependência de gás natural para a produção elétrica.
| Característica | Detalhe |
| Capacidade | 1.200 MW |
| Localização | Santiago do Cacém (Setúbal) |
| Promotores | Iberdrola, Prosolia Energy |
| Impacto | Abastece ~430.000 lares |
2. Complexo de Biocombustíveis Avançados da Galp (HVO/SAF)
2026 é o ano de arranque para esta infraestrutura vital na refinaria de Sines, focada na descarbonização dos transportes pesados e da aviação.
A Galp transformou a sua refinaria num centro de energia verde com a inauguração da sua unidade de HVO (Óleo Vegetal Hidrotratado) e SAF (Combustível Sustentável de Aviação). Com um investimento de cerca de 400 milhões de euros, esta fábrica utiliza resíduos, como óleos alimentares usados, para produzir combustíveis que reduzem as emissões de CO2 em até 80% comparado com os fósseis. É um passo decisivo para posicionar Portugal na vanguarda da aviação sustentável.
| Característica | Detalhe |
| Tipo | Biorrefinaria (HVO e SAF) |
| Localização | Sines |
| Investimento | ~400 Milhões de Euros |
| Início Operação | 2026 |
3. Projeto Híbrido Theia (Hyperion Renewables)
Um exemplo perfeito da tendência de “hibridização” em 2026, combinando solar, eólica e armazenamento num único ponto de ligação.
O Projeto Theia, desenvolvido pela Hyperion Renewables, garantiu financiamento no início deste ano e representa o futuro da estabilidade da rede. O projeto integra o parque “Cavaleira”, que é pioneiro ao combinar três tecnologias (solar, eólica e baterias) no mesmo local, e o “Vale de Moura”. Esta abordagem maximiza o uso da infraestrutura de rede existente, permitindo injetar energia mesmo quando não há sol (usando o vento ou baterias) ou vento (usando o sol), garantindo um fornecimento mais constante e fiável.
| Característica | Detalhe |
| Capacidade | ~300 MW (Portfólio Total) |
| Tecnologia | Híbrido (Solar + Eólica + Baterias) |
| Destaque | Projeto Cavaleira (3 tecnologias em 1) |
| Estado | Financiamento Fechado / Construção |
4. GreenH2Atlantic
Sines continua a ser o palco principal com este projeto de hidrogénio verde apoiado pela União Europeia, que visa reconverter a antiga central a carvão.
O GreenH2Atlantic é um projeto de demonstração à escala industrial de um eletrolisador de 100 MW. O objetivo é produzir hidrogénio verde a preços competitivos, utilizando energia renovável. Em 2026, o projeto avança com a construção e integração de tecnologias de ponta, servindo como modelo para a transição justa: substitui uma infraestrutura poluente (a antiga central a carvão de Sines) por uma fábrica de moléculas verdes, mantendo o emprego e a relevância industrial da região.
| Característica | Detalhe |
| Capacidade | 100 MW (Eletrolisador) |
| Objetivo | H2 Verde para indústria e injeção na rede |
| Parceiros | EDP, Galp, Engie, Bondalti, Martifer, etc. |
| Localização | Sines (Antiga Central Tejo Energia) |
5. MadoquaPower2X (Fase 1)
Um gigante industrial focado na produção de amónia verde e hidrogénio para descarbonizar o transporte marítimo.
Localizado na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), o MadoquaPower2X é um consórcio internacional que está a desenvolver uma unidade de larga escala. Em 2026, a Fase 1 (com 500 MW de capacidade de eletrólise) encontra-se em forte desenvolvimento. O foco aqui é a exportação e o fornecimento de combustíveis verdes para navios, aproveitando a posição estratégica do Porto de Sines. É um dos maiores projetos de energia verde em Portugal com vocação exportadora.
| Característica | Detalhe |
| Capacidade Fase 1 | 500 MW |
| Produtos | Hidrogénio Verde e Amónia Verde |
| Investimento | ~1.3 Mil milhões de Euros (Fase 1) |
| Foco | Combustíveis Marítimos e Exportação |
6. Gigabateria do Tâmega (Iberdrola)
Embora inaugurada anteriormente, a plena otimização e operação deste complexo hidroelétrico em 2026 é vital para o sistema nacional.
O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é uma das maiores infraestruturas de armazenamento de energia da Europa. Composto por três barragens (Gouvães, Daivões e Alto Tâmega), funciona como uma “pilha gigante”. Em 2026, a sua capacidade de bombagem (reversibilidade) é fundamental para armazenar o excesso de produção eólica e solar, devolvendo-a à rede quando necessário. Sem este projeto, a integração das novas centrais solares seria muito mais instável.

| Característica | Detalhe |
| Capacidade | 1.158 MW |
| Tecnologia | Hidroelétrica com Bombagem (Pumped Hydro) |
| Função | Armazenamento de Energia de Longa Duração |
| Operador | Iberdrola |
7. Modernização da Rede Elétrica (EDP Distribuição)
Não é uma central produtora, mas é o projeto que viabiliza todos os outros: um investimento massivo na “autoestrada” da energia.
Para 2026, a EDP reforçou o seu plano de investimento (parte de um pacote de 2,5 mil milhões de euros até 2028) para modernizar e digitalizar a rede de distribuição. O foco é aumentar a capacidade de ligação para novos produtores renováveis e melhorar a resiliência contra eventos climáticos extremos. Este projeto é invisível para muitos, mas essencial para evitar “engarrafamentos” de energia e garantir que a eletricidade verde chega efetivamente às casas e indústrias.
| Característica | Detalhe |
| Investimento | Parte de €2.5 mil milhões (2026-2028) |
| Foco | Digitalização e Reforço da Rede |
| Objetivo | Integrar mais Renováveis e VE |
| Promotor | E-Redes / EDP |
8. Leilão de Eólica Offshore (Viana do Castelo / Leixões)
2026 é um ano decisivo para a energia eólica no mar, com o avanço dos concursos para as primeiras grandes explorações flutuantes.
Após o sucesso do projeto-piloto WindFloat Atlantic, Portugal avança para a escala comercial. Fevereiro de 2026 marca negociações cruciais e o lançamento de procedimentos para a atribuição de licenças em áreas ao largo de Viana do Castelo, Leixões e Figueira da Foz. A tecnologia flutuante permite instalar turbinas em águas profundas, onde os ventos são mais fortes e constantes, abrindo um potencial energético vastíssimo para o país atingir a meta de 2 GW até 2030.
| Característica | Detalhe |
| Tecnologia | Eólica Offshore Flutuante |
| Meta Nacional | 2 GW até 2030 |
| Fase 2026 | Definição de Lotes e Leilões |
| Localização | Costa Norte e Centro (Águas Profundas) |
9. Centrais Solares de Rio Maior e Torre Bela (Neoen)
Um dos maiores complexos solares em operação, servindo de referência em 2026 pela sua integração paisagística e escala.
Com 272 MW de capacidade combinada, este complexo da Neoen (composto pelos parques Rio Maior e Torre Bela) está em plena produção em 2026. Destaca-se não só pela dimensão, mas pelo cuidado ambiental: corredores verdes para a vida selvagem e proteção de sobreiros. A energia produzida é vendida maioritariamente ao Estado Português através de contratos de longo prazo (PPA), garantindo preços estáveis para os consumidores e segurança para o investidor.
| Característica | Detalhe |
| Capacidade | 272 MWp (Combinado) |
| Localização | Azambuja / Rio Maior |
| Promotor | Neoen |
| Destaque | Integração com Biodiversidade |
10. Eletrolisador de 100 MW da Galp
Uma peça chave no puzzle do hidrogénio em Sines, distinta da fábrica de biocombustíveis, focada na alimentação interna da refinaria.
Paralelamente à fábrica de HVO, a Galp investiu na construção de um eletrolisador dedicado de 100 MW. Em 2026, esta unidade é fundamental para substituir o hidrogénio “cinzento” (feito de gás natural) usado nos processos de refinação por hidrogénio verde. Isso reduz drasticamente a pegada de carbono dos produtos finais da Galp e demonstra a viabilidade económica do H2 em processos industriais pesados já existentes.
| Característica | Detalhe |
| Capacidade | 100 MW |
| Uso | Descarbonização da Refinaria de Sines |
| Tipo | Hidrogénio Verde Industrial |
| Status 2026 | Operacional / Integração |
11. Central Solar do Foral (Neoen)
Um projeto solar de média escala que exemplifica a rápida expansão da capacidade fotovoltaica no Algarve e Alentejo.
Localizada no concelho de Lagos, a Central Solar do Foral (com cerca de 40-50 MW) atinge a sua maturidade operacional em 2026. Este tipo de projeto é essencial para a malha energética regional, fornecendo energia descentralizada perto de centros de consumo turístico e urbano. A Neoen utiliza este e outros ativos para reforçar o seu portfólio, que inclui cada vez mais componentes de armazenamento em baterias para gerir a produção solar.
| Característica | Detalhe |
| Capacidade | ~43 MWp |
| Localização | Lagos (Algarve) |
| Promotor | Neoen |
| Importância | Geração Regional Descentralizada |
12. Portfólio de Armazenamento da Aquila Clean Energy
A resposta à intermitência: uma vaga de projetos de baterias (BESS) a ganhar forma em 2026.
A Aquila Clean Energy tem vindo a desenvolver um pipeline agressivo de armazenamento em Portugal, com várias centenas de megawatts em desenvolvimento. Em 2026, vários destes projetos de BESS (Battery Energy Storage Systems) começam a materializar-se ou a entrar em construção avançada. Estas baterias autónomas (“stand-alone”) são vitais para estabilizar a frequência da rede e armazenar o pico de produção solar do meio-dia para ser usado ao final da tarde, quando a procura sobe.
| Característica | Detalhe |
| Tecnologia | Baterias (BESS) |
| Promotor | Aquila Clean Energy |
| Objetivo | Estabilização da Rede e Arbitragem |
| Status | Desenvolvimento Acelerado / Construção |
Conclusão
O ano de 2026 é, sem dúvida, um ponto de viragem para os projetos de energia verde em Portugal. O país passou da fase de planeamento e projetos-piloto para a implementação massiva de infraestruturas industriais. A diversidade é a palavra de ordem: não dependemos apenas de barragens ou apenas de painéis solares. A estratégia nacional aposta numa mistura robusta que inclui a hibridização (como o Projeto Theia), o armazenamento em grande escala (Tâmega e Baterias) e a aposta nos novos vetores energéticos como o hidrogénio e os biocombustíveis (Sines).
Para investidores, engenheiros e consumidores, esta evolução traz oportunidades e desafios. A rede elétrica está a tornar-se mais inteligente e flexível, mas exige gestão cuidada. Portugal prova, assim, que é possível conciliar crescimento económico com responsabilidade climática.
